estudos:carneiro-leao:lingua
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| + | ====== Língua ====== | ||
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| + | //Excertos de " | ||
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| + | A pergunta decisiva agora é saber o que é ensinar e aprender. Ao ouvir a pergunta e sentir-lhe a necessidade, | ||
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| + | Há séculos se vem operando gradativamente uma revolução radical em todos os parâmetros decisivos da história. O homem se vê cada vez mais transplantado numa outra realidade. É o transplante do pensamento que calcula. Dele nasce esta nova posição do homem no mundo e para "com o mundo que designamos com o título de moderno: idade moderna, ciência moderna, homem moderno, mundo moderno. Na voragem da modernidade impera o objeto, cuja objetividade ministram e administram a ciência e a técnica planetárias. Tudo é processado em reserva de controle e de domínio. A natureza já não é senão um gigantesco reservatório, | ||
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| + | Numa leitura objetiva, ambiente diz atmosfera, o elemento em cujos limites a vida encontra condições e recursos para nascer, crescer e morrer. No ambiente da psicanálise se vive uma cissiparidade em que a geração da nova vida se dá num vaivém contínuo de posição, oposição e composição. De um lado, todos são cidadãos de dois mundos: um mundo teórico de modelos e técnicas, que abrange publicações, | ||
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| + | Para uma crítica epistemológica a insensatez do discurso teórico da psicanálise é consequência de uma ingenuidade metodológica fundamental. Não há produção de objeto na psicanálise. Os casos são apresentados numa **língua ** técnica que confunde observação com interpretação estilizada. A falta completa de métodos adequados para testar hipóteses impede qualquer produção epistemológica de objeto. O resultado são protocolos, abundantes em hipóteses explicativas, | ||
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| + | Por fim, a equivocação da psicanálise torna todo diálogo epistemológico impossível. Pois, se cada participante de uma pretensa discussão científica só falar para os que já concordam com ele, todo diálogo terá sido substituído por um sistema de espelhos, em que cada imagem é refletida ao infinito. Assim, se numa discussão científica de casos, os analistas, que antes e depois falavam uma **língua ** comum, sem nenhuma dificuldade, | ||
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| + | O que Freud descobriu não foi uma nova hipótese dentro do universo de discurso da medicina de seu tempo, para explicar a origem e o desenvolvimento das neuroses. Não se tratava de uma nova etiologia que explicasse a neurose pela frustração sexual. Com uma tal explicação, | ||
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| + | O tradutor tem plena consciência dos riscos de traição, que comporta o presente esforço. Trata-se de traduzir para uma **língua ** sem grande tradição filosófica textos de um pensamento, cuja originalidade é a originariedade. Procurando superar o predomínio da metafísica, | ||
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| + | De acordo com a originalidade de seu pensamento Heidegger se propõe superar essa interpretação metafísica da linguagem para atingir-lhe a dimensão originária, | ||
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| + | 2. Desta perspectiva, | ||
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| + | 4. Se não nos deixarmos desviar desta aparência, a própria suspeita de insensatez nos possibilita encontrar nas diferenças entre Heidegger e Wittgenstein uma identidade de pensamento. Não apenas Wittgenstein, | ||
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| + | 9. O Tractatus não é uma corrente de discursos, que pretendesse demonstrar teses segundo uma ordem hipotáti-ca ou para tática de argumentação. É que todo discurso está ordenado à organização lógica de fatos relativos a um conhecimento objetivo do mundo. O pensador não quer provar nada. Visa tão-somente a re-velar nas funções da **língua ** o vigor do pensamento e assim denunciar a ilusão de se lhe atribuir o registro próprio da ciência. O projeto do Tractatus é inteiramente despojado de qualquer pretensão científica. A vitalidade de seus aforismos não pode ser determinada como um sistema de sentenças. Só fatos são suscetíveis de discurso. Uma sentença não pode exprimir senão um fato, simples ou complexo. Como o autor de Delfos, o pensador não afirma nem nega coisa alguma. Ele apenas assinala, enviando-nos à viagem de todas as nossas **línguas **. A metafísica tem sido vítima de seus próprios encantos. Mobilizada pelo narcisismo metafísico, | ||
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| + | Como pensador, Heidegger é a Linguagem do Pensamento. Nas atitudes, nos escritos e peripécias de seus 86 anos, se fez **língua ** a Linguagem do Pensamento na medida em que cada um deles acolheu a Linguagem como Linguagem. Se diretamente todas as **línguas ** de Heidegger falam da Linguagem como se falassem apenas sobre a Linguagem, obliquamente, | ||
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| + | De há muito que se faz residir a Linguagem no discurso das sentenças de uma **língua **. Mas não seria o inverso? Não será o discurso das sentenças de uma **língua ** que reside na identidade da Linguagem? Pois todas as sentenças, sejam verdadeiras ou falsas, pressupõem, | ||
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| + | O pensamento de Heidegger é o esforço de nos reconduzir ao País das Maravilhas, onde o movimento de pensar é tão concentrado na identidade de si mesmo que colhe os limites de nossos hábitos de pensar e possibilidades de dizer nas próprias raízes de sua limitação. É, então, que se faz silêncio no país do Pensamento. Pois o silêncio é a Linguagem no movimento consumado do repouso, que já ultrapassou toda discursividade da **língua **. Nesta ultrapassagem um laço extraordinário de intimidade entrelaça pensamento e história. Apesar de estranho a qualquer atualidade, incomensurável a tudo que constitui moda e move as preocupações do tempo, o pensamento de Heidegger não é, em sua própria estranheza e incomensurabilidade, | ||
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| + | Essas reflexões nos dizem que o processo de instauração do mundo comporta sempre a edificação de uma obra, uma operação. Assim como a arte, a ação criadora do político, que funda um novo sistema de convivência, | ||
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| + | Somos viajantes por sempre estarmos enviados à viagem das vias de uma paisagem. O envio é o avio da Linguagem. Deixar a viagem ser este envio por todas as vias da paisagem é a poesia dos viajantes. Poesia não é um fazer. Nem o fazer do discurso nem o fazer da **língua ** nem o fazer da gramática e suas transformações. É um deixar-se enviar pela Linguagem na viagem das vias de uma paisagem. Aprendendo a pensar I: O Poeta na Terra Lingüística | ||
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| + | Teoria e técnica são como as escadas. Só se consegue subir à poesia pela escada da **língua ** e do discurso. Mas nunca se chegará à poesia se desde o primeiro degrau de competência e desempenho não se for jogando fora a escada. É que uma escada só é escada se não for somente escada e por isso deixar de ser escada depois de se ter sido colhido pela poesia. A **língua ** e o discurso se tornam veículos da viagem poética quando a viagem libertar os viajantes dos veículos. A poesia é então a Linguagem da paisagem. Aprendendo a pensar I: O Poeta na Terra Lingüística | ||
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| + | A paisagem não se reduz apenas à gramática dos discursos e suas transformações. É também a Sua do viajante, de viagem na paisagem. O viajante dá os nomes da **língua ** à paisagem. O nome encobre a paisagem, descobrindo-lhe as vias no subtrair-se da Linguagem. É uma luz que obscurece quanto mais esclarece. O subtrair-se da Linguagem gera uma força de vácuo que, rasgando as vias da **língua **, arrasta o viajante à poesia da paisagem. Os discursos não produzem nem dominam a paisagem. São envios da Linguagem. Obviam o viajante com as vias que a Linguagem libera como a verdade da paisagem. Aprendendo a pensar I: O Poeta na Terra Lingüística | ||
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| + | O poeta recolhe o discurso na liberdade da paisagem. Para não encolher-se na prosa de uma narrativa, escolhe a liberdade da poesia em que, recolhendo o discurso, deixa a paisagem vir a si mesma na Linguagem. Escolher não é superar. O poeta não ultrapassa mas se recolhe no que escolhe. Pois só colhido pela Linguagem é que a verdade da paisagem o faz acolher o discurso na poesia. Ser poeta não é construir um outro discurso ao lado ou além ou aquém das estruturas narrativas de uma gramática fundamental. É restituir peso ao discurso da **língua ** na gravidade da Linguagem. O poeta é poeta por descobrir-se tão imerso no mistério da Linguagem que toda poesia, sendo a impossibilidade de falar sobre a Linguagem, o leva a sentir nesta impossibilidade a Linguagem de toda poesia. A Linguagem é ela mesma. Ser ela mesma é recolher sempre o viajante na viagem da impossibilidade de discursar sobre a Linguagem. Deixar-se colher pelo recolher da Linguagem torna o viajante poeta nas vias da paisagem. Aprendendo a pensar I: O Poeta na Terra Lingüística | ||
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| + | Na escolha poética este deixar-se colher percorre todo o diferir de atividade e passividade. Ao longo do percurso se elabora um pensamento que renuncia à onipotência de fazer a poesia. É o pensamento precursor do poeta que, com os ouvidos da renúncia, escuta, no próprio deserto de poesia da terra lingüística, | ||
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| + | Diálogo entre Saussure e Hölderlin. De como o poeta, cismando com a estrutura de **língua ** e discurso, suspeita do vazio do signo e revela a Linguagem. Aprendendo a pensar I: A Poesia e a Linguagem | ||
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| + | Saussure: A Linguagem é mesmo tão grande como a estrutura de **língua ** e discurso? / Hölderlin: Língua e discurso são o abismo da Linguagem. Nele a Linguagem não cai porque não cabe. A Linguagem é sempre o perigo. Na liberdade deste perigo se dá a estruturação de toda estrutura de **língua ** e discurso. Aprendendo a pensar I: A Poesia e a Linguagem | ||
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| + | Saussure: Uma pergunta objetiva requer uma resposta objetiva e não romântica. Uma Linguagem, que não é nem **língua ** nem discurso, não existe. O que existe é uma mistificação ideológica. / Hölderlin: Não há diferença de horizonte entre a objetividade de uma pergunta objetiva e a subjetividade de uma resposta romântica. Procurar compreender a Linguagem objetivamente, | ||
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| + | Saussure: Se a Linguagem está livre da estrutura de sujeito e objeto, de **língua ** e discurso, de significante e significado, | ||
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| + | Saussure: Mas uma coisa é inegável. Nenhum poeta é poeta de qualquer maneira. Todo poeta só pode ser poeta dentro de uma comunidade lingüística, | ||
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| + | Saussure: Mas o que vem a ser o horizonte de sujeito e objeto? Tudo parece depender dele. É pois indispensável um discurso sobre o horizonte. / Hölderlin: O horizonte mantém o discurso em nível de discurso. É o paladar dentro e a partir do qual fala o discurso. Sobre o horizonte não poderá haver discurso. Todo discurso sobre qualquer coisa já é sempre discurso do horizonte. O horizonte mesmo é como horizonte do discurso, proporcionando objetividade aos objetos e discursividade aos discursos. Por isso dentro da perspectiva horizontal não há visibilidade objetiva do horizonte nem é possível representar o horizonte. O máximo, que se consegue, é procurar definir, é vir a de-terminar objetivamente o que cai sob a perspectiva do horizonte. Assim quando perguntamos: | ||
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| + | Saussure: Ninguém poderá representar-se exatamente este horizonte. É tão indeterminado e fluente que está em toda e em nenhuma parte. A estrutura de **língua ** e discurso, ao contrário, é precisamente determinada. De certo, os poetas, para serem poetas, não necessitam conhecê-la tematicamente. A poesia se faz em nível de linguagem e a estrutura se dá em nível de metalinguagem. / Hölderlin: Linguagem e metalinguagem soam como aquela clareira da Floresta, tão grilada de mecânica, que já não podia ouvir o ressoar do Silêncio. Aprendendo a pensar I: A Poesia e a Linguagem | ||
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| + | A grilagem, não permitindo o questionamento da separação e oposição de objetivo-subjetivo, | ||
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| + | Falar a partir da Linguagem da poesia não é indicar uma outra linguagem dentro ou fora da estrutura de **língua ** e discurso. Pois assim operando, já de-finimos a Linguagem como um objeto dentro ou fora de outro objeto, já de-finimos o dentro e o fora juntamente com sua indicação, | ||
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| + | Mas se, por um lado, dessa mecânica não podemos prescindir, por outro lado, também essa mecânica não pode satisfazer a poesia. Pois, operando nela, procuramos sujeitar o mistério da Linguagem ao império da representação do objeto e sua objetividade pelo sujeito e sua subjetividade. Nesta sujeição, o mistério seria reduzido a um pro-blema, como se já não fosse sempre o mistério que possibilita toda operação de-finitória da estrutura de **língua ** e discurso. Aprendendo a pensar I: A Poesia e a Linguagem | ||
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| + | É quase irresistível a tentação de se perguntar: ausência de quê? — É. Na clareira da objetividade, | ||
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| + | Heráclito: A abertura não nos abre apenas o acessível. Também o acesso ao inacessível, | ||
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| + | O instrumento e a máquina são determinados pela funcionalidade de uma eficiência. Por isso subordinam a seus serviços o material e os mecanismos de que são feitos. Na produção de um instrumento se usa e abusa do ferro. O ferro se consome para dar lugar à instrumentalidade. O bom sapato é aquele, cujo couro não aperta os pés. O material é tanto melhor quanto mais desaparecer nos serviços da instrumentação. A obra, ao contrário, não faz desaparecer mas eleva o material a si mesmo na tensão de cultura e natureza: assim é na escultura que a lenha vira madeira, é na pintura que a tinta se faz cor, é na sinfonia que o som se torna música, é na poesia que a **língua ** vem a ser linguagem. Tudo se cria na criação da obra. Toda criação é original por ser originária. Nos vórtices desta originariedade os mecanismos são como as escadas. Só se chega à obra pela escada dos mecanismos. Mas nunca se chegará à obra, se desde o primeiro degrau não se for jogando fora a escada. É que uma escada só é escada se não for somente escada e por isso deixar de ser escada desde que se tenha sido colhido pela originariedade da obra. Os mecanismos só se tornam veículos da criação de uma obra quando a criação libertar a obra dos veículos. Pois então a obra será a linguagem da criação. Aprendendo a pensar I: Os Mecanismos da Criação Original | ||
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| + | A Linguagem é a passagem misteriosa e, por isso mesmo, diretamente imperceptível de todos os caminhos do pensamento. Pensar a identidade de Hermenêutica, | ||
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| + | Na sua raiz mais profunda, todo pensamento pensa sempre reciprocamente a identidade a partir da diferença. Por ser simples, é uma resposta difícil de se entender logicamente. A resposta extingue a pergunta. Ora, uma pergunta, cuja resposta a extingue, não sobrevive na resposta. Não é uma pergunta Essencial. Falta-lhe radicalidade de estruturação para sustentar o vigor da resposta. É uma pergunta aparente que fala a **língua ** in-diferente da irreflexão. Trata-se de uma **língua ** tão in-diferente que pode tornar-se até a **língua ** comum de todo mundo. Assim é a simplicidade da resposta que impõe a radicalização do pensamento, onde se articulam perguntas Essenciais. Para se chegar, portanto, à identidade de Hermenêutica, | ||
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| + | Esta nesciencia nesciente do mistério que se dá enquanto se retrai em nossa época de mistério é o princípio fundamental de toda hermenêutica digna deste nome. O nome, hermenêutica, | ||
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| + | Aqui chegamos ao sentido originário de Hermenêutica. Na raiz de seu exercício, a hermenêutica não é nem teoria nem processo de interpretação. É o acontecer da Linguagem do Mistério na estrutura da **língua **. Há sempre hermenêutica. O que não há sempre é interpretação consciente da hermenêutica. Pois essa só se dá quando a Linguagem do Mistério vigente na interpretação recolhe em si todas as **línguas ** das palavras de um texto. É aqui neste fazer-se **língua ** do mistério da Linguagem que Hermenêutica, | ||
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| + | A experiência grega do homem se construiu no Zõon lógon échon, de quem a formulação metafísica, | ||
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| + | É no espaço de humanização aberto por esta experiência grega que Cristo se fez homem e atendou entre nós. Cristo é a revelação da Linguagem como o mistério do Sim do amor de Deus. É na encarnação de Cristo que a **língua ** chega à plenitude da Linguagem do mistério. Por isso o desdobramento histórico da encarnação se articula na pregação da Linguagem de Deus, na diakonia tou lógou. Em sua essencialização radical, a história não é uma articulação de fatos mas a articulação da Linguagem do Mistério. Por isso a pregação de Cristo, sendo o acontecer da Linguagem no Sim do mistério, é a força de reunião kath' | ||
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| + | No princípio era a Linguagem e a Linguagem estava no Mistério e a Linguagem era Mistério. Toda palavra veio a ser **língua ** por ela e sem ela nenhuma **língua ** se fez **língua **. O Sim estava nela e o Sim era a **língua ** dos homens. O Sim resplandece no não e nenhum não nega sem o Sim. A jovialidade enviada pelo Mistério fala do Sim de sorte que nela os homens crêem no Sim. A jovialidade não é o Sim mas vem na revelação do Sim, como a **língua ** em que os homens se entendem. A Linguagem estava no mundo, nela o mundo chegou a si mesmo mas nela o mundo não se reconheceu. Adveio na **língua ** dos homens e os homens não a entenderam mas aos que a entenderam, deu o vigor do Mistério, deixando falarem as palavras do Sim. E assim a Linguagem se fez **língua ** e atendou entre as palavras, cheia da jovialidade, | ||
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| + | "Vindo uma vez São Francisco de Perusa para Santa Maria dos Anjos com Frei Leão, em tempo de inverno, e como o grandíssimo frio fortemente o atormentasse, | ||
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| + | 9. A repetição literal de definições infalíveis, | ||
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| + | Aos judeus, que no Mistério da fé creram em Cristo; disse Jesus: "Se ficardes na identidade de minha Linguagem, sereis na Verdade meus discípulos e assim nascereis com a Verdade e a Verdade trazer-vos-á a liberdade" | ||
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| + | Porque, na Historicidade da história da salvação, a Igreja Primitiva só se tornou e só se torna cronológica por ser kairológica, | ||
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| + | O domínio da igualdade sobre o pensamento é tão absorvente, que só com muita dificuldade se chega a pensar a identidade, como identidade e não como igualdade. A consequência de relativismo, | ||
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| + | A universalidade da fé cristã não é uma universalidade abstrata, que do poder de atropelar as diferenças extrai uma unidade, onde tudo se equivale. Esta universalidade é um número. Supõe uma isomorfia de estrutura que garante funções iguais numa multiplicidade de coisas. Para Hegel, universalidade ab-strata é "die Nasen zählen", | ||
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| + | a) O magistério extraordinário não está de posse mas na posse da infalibilidade da Igreja de Cristo. A infalibilidade não é uma função de poder do magistério mas a autoridade do mistério de Cristo. Ora, a Igreja de Cristo é cronológica por ser cairológica, | ||
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| + | b) A Linguagem do Mistério de Cristo é a vida de fé do povo de Deus. O dogma, porém, tem sido, na sua maioria, para defender a ortodoxia contra a heresia. Ora, por necessidade da defesa, o dogma destaca uma parte, particulariza, | ||
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| + | A palavra Hermenêutica deriva-se de hermeneutike, | ||
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| + | Quando os gregos falam, pois, de hermeneuein, | ||
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| + | É a tática do diálogo. O magistério não acredita ter realmente o que aprender dos outros. Já sabe tudo. Por isso o diálogo, que busca, não é um diálogo na fé mas uma manobra de poder para dominar. Pois o diálogo na fé é o pudor da própria fé, o pudor de que a Linguagem do mistério nunca poderá esgotar-se na **língua ** das formulações; | ||
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| + | a interpretação das Sagradas Escrituras se faz hermenêutica quando chega à identidade da Linguagem de Deus nas diferenças de tempo e vida entre a **língua ** das Escrituras e a **língua ** de nosso martírio. É que esta identidade constitui o óleo da consagração de qualquer texto enquanto nos coloca no envio do mistério da fé. a fé é a via em que somos en-viados à viagem do mistério de Cristo. Daí também o problema hermenêutico não ser o desafio da construção de uma ponte que nos proporcione passar do presente para o passado. É o desafio da consagração da diferença de nosso presente. a fé do presente é a presença da fé nas diferenças que ligam a uma mesma tradição passado e presente. Não foi decerto a partir da experiência da fé que se disse naquela semana da LEB, dever o teólogo abster-se de falar sobre economia e política econômica. Como todas as demais diferenças, | ||
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| + | Esta, a carta que prometi. Com ela segue um diálogo da Linguagem e Poesia. O diálogo procura chamar a atenção para a identidade na diferença de Língua e Linguagem. Aprendendo a pensar I: Carta para um Exegeta | ||
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| + | Nós nos perdemos na manobra do Pensamento, que por obra da mão da Linguagem nos encaminha no caminho de aprender e ensinar. Só entrando no jogo da Linguagem é que encontramos um princípio de unidade realmente integrador das dimensões e níveis de aprender e ensinar. Os planos de formação, de que tratam diferentes **línguas **, têm na Linguagem a força de integração que lhes garante crescer e diversificar-se sem perda de identidade. Aprendendo a pensar I: Aprender e Ensinar | ||
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| + | Descobrindo que a neurose não é um sintoma, Freud transcende o universo dos fatos e cria para o discurso da psicanálise um novo universo, o universo do sentido. Um sentido não é o produto de causas mas a criação de um sujeito. A lógica e epistemologia do sentido vivem um outro jogo da linguagem. E é segundo as regras deste jogo que não pode haver distinção clara entre observação e interpretação. Só se exige clareza a respeito de quem está dizendo o quê. Por isso, se o discurso do fato pergunta em termos de " | ||
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| + | Assim, por exemplo, quando Bultmann, valendo-se dos meios e recursos da ciência, mostra presentes em São Paulo a teologia judaica ou o cristianismo do povo, o iluminismo helenista ou a vivência sacramental dos gnósticos, estes resultados não explicam a causa de São Paulo e de Bultmann. Por quê? Porque esta causa é o mistério. Porque a Linguagem do mistério de Cristo em causa no texto e na interpretação é que permite aos recursos e meios da ciência a diákrisis pneumáton. Pois o que diretamente fala no texto são sempre as palavras dos outros espíritos, do espírito judaico, do espírito do povo, do espírito helenista, do espírito gnóstico, breve, das espiritualizações do espírito humano. Mas a força de todas estas espiritualizações, | ||
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| + | Quando se fala em Igreja Primitiva, há de se evitar ouvir apenas uma determinação cronológica: | ||
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