estudos:carneiro-leao:instrumento
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| + | ====== instrumento ====== | ||
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| + | //Excertos do livro " | ||
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| + | Na escola de motorista treinamos e nos exercitamos no uso até nos apossarmos dos meios e modos de lidar com o carro. Só então lhe dominamos o uso. Dominar o uso significa sintonizar nosso modo de proceder e agir com o que exige e requer o funcionamento do veiculo. Mas no treino não aprendemos apenas a debrear, frear, acelerar, guiar os movimentos do carro. Não aprendemos apenas a manejar e coordenar os reflexos mas, em tudo isso e por tudo isso, aprendemos sobretudo a conhecer o veículo. Aprender inclui sempre um conhecer. Nos treinos aprendemos a conhecer o carro. É que na aprendizagem há dimensões de aprender, tais como aprender a usar, aprender a conhecer. E este aprender a conhecer possui vários níveis e graus. Assim, aprendemos a conhecer um determinado carro, aprendemos a conhecer um carro de passeio, um carro de carga; aprendemos a conhecer um carro mecânico ou um carro automático, | ||
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| + | A respeito da realidade de qualquer coisa há também um aprender a conhecer mais originário ainda. Algo que deve ter sido aprendido previamente, | ||
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| + | 3. O que é Psiquiatria? | ||
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| + | No modo cotidiano de ser só vemos na linguagem o **instrumento **. Uma técnica de comunicação, | ||
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| + | A Crítica é literária, sendo Literatura, isto é, sendo arte. Para ser literária, tem necessidade de assumir o modo da arte. Ora, a arte chega a seu modo de ser na obra. A obra de arte é passagem obrigatória de todos os caminhos para a arte. Por isso o caminho que nos levará à arte da Crítica será também aqui a obra literária: uma poesia! Por exemplo, a poesia de Mörike, intitulada: Auf eine Lampe! "Para um candelabro" | ||
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| + | O modo de ser do **instrumento ** manifesta uma dupla referência: | ||
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| + | Os três penúltimos reúnem os anteriores, isto é, o candelabro, na unidade de sua presença de sedução e gravidade, de alegria e seriedade. Ambas impregnam toda a forma. Forma aqui não se opõe nem exclui mas se compõe e inclui o conteúdo. A forma é o vigor da unidade do candelabro articulada nos primeiros versos. Neste vigor a poesia faz brilhar a beleza do candelabro. Embora não acenda o candelabro, ela permite que apareça a luz de sua beleza. E a beleza aparece numa oposição e diferença, que os versos 7-9 procuram evidenciar. O nono resume toda a poesia até agora, ao dizer que se trata de uma obra de arte verdadeira. Resumir o candelabro é tomá-lo no vigor de sua unidade. É tomá-lo em sua beleza de obra de arte que sempre se opera numa distinção. Por isso Mörike, resumindo o candelabro, refere-se à falta de olhos para a beleza: quem ainda tem olhos para ver? É uma pergunta retórica. O que o poeta pretende é afirmar que já ninguém ou somente poucos os possuem. A pergunta é uma afirmação de pesar. Com o pesar, a pergunta afirma não só que a obra de arte escapa em seu modo de ser à consideração do homem mas também que ela pertence ao homem. Por isso há poesia e o poeta suporta o pesar. O último Verso nos diz desse modo antitético de a arte — o que é belo — morar no país dos homens. Todavia o que é belo apresenta em si mesmo um brilho feliz. O modo de ser da arte é fazer brilhar em si mesmo o mundo dos homens. Na poesia de Mörike isso ocorreu na iluminação do mundo por um **instrumento **, o candelabro. Aprendendo a pensar I: Existencialismo e Literatura | ||
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| + | O simples uso do candelabro não nos transmite as manifestações do mundo que seu ser instaura. É que seu emprego reside justamente em servir-se de suas relações efetivas, em usar seus serviços sem procurar realçar o sistema de referências que os possibilita. Usar um **instrumento ** é obrigá-lo a desaparecer no uso que dele se faz. O bom candelabro é aquele de que não se sente a presença. Usar um **instrumento ** é não se deter em seu modo de ser e sim passar através de sua utilidade à obtenção de sua finalidade. Para que o **instrumento ** nos manifeste seu modo de ser, é necessário mudar de comportamento. É o que acontece na arte. A obra de arte nos abre e mostra o ser do candelabro como **instrumento ** de iluminação. O modo de ser da arte é manifestar o mundo de tudo aquilo que é. É verdade que essa manifestação do ser se opera em toda atividade e em todo comportamento humano. Todavia, nem sempre é desenvolvida explicitamente. A ciência, por exemplo, é implicitamente uma manifestação do mundo, não obstante ela não se preocupa nem se atém à revelação do ser das coisas. Atenta ao que no real é determinação objetiva, universalizável e pragmática, | ||
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| + | Heráclito: Se esta é a experiência ocidental, outra, bem outra é a experiência grega da autoridade histórica da aparência. Sempre de novo, com a novidade de ser cada vez a primeira vez, os Gregos tiveram de acolher a aparência em todas as suas conquistas: os deuses e a polis, o templo e o trágico, os jogos e as artes, a poesia e o pensamento, tudo isso eles criaram no meio da aparência, dominados pela aparência, levando a sério a aparência, conhecendo-lhe na carne a autoridade. Basta lembrar a estória de Édipo. De início, salvador é senhor de Tebas, no esplendor da fama e na graça da aparência, vai sendo deslocado progressivamente desta aparência, que não constitui uma mera impressão subjetiva de Édipo a seu respeito mas a atmosfera, o luar em que aparece toda a paisagem de sua existência, | ||
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| + | Heráclito: Como é possível separar-se trabalho, obra, técnica, **instrumento ** e disciplina? E como alguém poderá con-sentir-se afeição? E a secura não pode vir a ser uma ternura? Aprendendo a pensar I: Diana e Heráclito | ||
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| + | O erigir em obra sobe sempre a escada de um fazer. Ser criada uma necessidade de qualquer obra. Ora, na medida em que todo criar inclui um fazer e todo fazer necessita de meios e processos para se exercer, pertencem a toda obra mecanismos e material de criação. É justamente por isso que se torna decisiva a pergunta: o que significa criar uma obra, em oposição a fazer um aparelho, fabricar uma máquina, confeccionar um **instrumento **? Aprendendo a pensar I: Os Mecanismos da Criação Original | ||
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| + | O **instrumento ** e a máquina são determinados pela funcionalidade de uma eficiência. Por isso subordinam a seus serviços o material e os mecanismos de que são feitos. Na produção de um **instrumento ** se usa e abusa do ferro. O ferro se consome para dar lugar à instrumentalidade. O bom sapato é aquele, cujo couro não aperta os pés. O material é tanto melhor quanto mais desaparecer nos serviços da instrumentação. A obra, ao contrário, não faz desaparecer mas eleva o material a si mesmo na tensão de cultura e natureza: assim é na escultura que a lenha vira madeira, é na pintura que a tinta se faz cor, é na sinfonia que o som se torna música, é na poesia que a língua vem a ser linguagem. Tudo se cria na criação da obra. Toda criação é original por ser originária. Nos vórtices desta originariedade os mecanismos são como as escadas. Só se chega à obra pela escada dos mecanismos. Mas nunca se chegará à obra, se desde o primeiro degrau não se for jogando fora a escada. É que uma escada só é escada se não for somente escada e por isso deixar de ser escada desde que se tenha sido colhido pela originariedade da obra. Os mecanismos só se tornam veículos da criação de uma obra quando a criação libertar a obra dos veículos. Pois então a obra será a linguagem da criação. Aprendendo a pensar I: Os Mecanismos da Criação Original | ||
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| + | Para o pensamento objetivo, quando alguém faz uma revelação, | ||
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