estudos:carneiro-leao:hermeneutica
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| estudos:carneiro-leao:hermeneutica [09/02/2026 20:16] – created - external edit 127.0.0.1 | estudos:carneiro-leao:hermeneutica [10/09/2026 04:00] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== hermenêutica ====== | ||
| + | |||
| + | |||
| + | |||
| + | //Excertos do livro " | ||
| + | |||
| + | 5. A **Hermenêutica** da Introdução à Metafísica: | ||
| + | |||
| + | Todo esse processo de desfiguração não foi um acaso, nem se trata de um processo, que poderia ter sido sustado. É o vigor do próprio esquecimento do Ser que se destina historicamente durante toda a época da metafísica. Nesse sentido o retorno às origens da metafísica não é um esforço para fazer renascer o pensamento pré-socrático, | ||
| + | |||
| + | A dialética de presença e ausência da Verdade do Ser na História da metafísica é o que distingue a Hermenêutica da Introdução de qualquer **hermenêutica ** científica. Essa se limita, em e por força de sua própria essencialização metafísica, | ||
| + | |||
| + | O tema, **Hermenêutica**, | ||
| + | |||
| + | A Linguagem é a passagem misteriosa e, por isso mesmo, diretamente imperceptível de todos os caminhos do pensamento. Pensar a identidade de **Hermenêutica**, | ||
| + | |||
| + | Na sua raiz mais profunda, todo pensamento pensa sempre reciprocamente a identidade a partir da diferença. Por ser simples, é uma resposta difícil de se entender logicamente. A resposta extingue a pergunta. Ora, uma pergunta, cuja resposta a extingue, não sobrevive na resposta. Não é uma pergunta Essencial. Falta-lhe radicalidade de estruturação para sustentar o vigor da resposta. É uma pergunta aparente que fala a língua in-diferente da irreflexão. Trata-se de uma língua tão in-diferente que pode tornar-se até a língua comum de todo mundo. Assim é a simplicidade da resposta que impõe a radicalização do pensamento, onde se articulam perguntas Essenciais. Para se chegar, portanto, à identidade de **Hermenêutica**, | ||
| + | |||
| + | Uma reflexão radical sobre a época atual da existência nos apresenta a necessidade de pensarmos a identidade de **Hermenêutica**, | ||
| + | |||
| + | Num mundo assim trancado em sua auto-suficiência produtiva, Deus está tão distante que já não há lugar para o Nada misterioso da religiosidade. O nome de Deus é o nome do mistério de outro mundo. As coisas perdem qualquer valência numinosa. Tudo é fugaz, transitório, | ||
| + | |||
| + | Estas poucas reflexões já bastam para abrir o horizonte de diálogo do pensamento radical que procura pensar a identidade de **Hermenêutica**, | ||
| + | |||
| + | Aqui chegamos ao sentido originário de Hermenêutica. Na raiz de seu exercício, a **hermenêutica ** não é nem teoria nem processo de interpretação. É o acontecer da Linguagem do Mistério na estrutura da língua. Há sempre **hermenêutica **. O que não há sempre é interpretação consciente da **hermenêutica **. Pois essa só se dá quando a Linguagem do Mistério vigente na interpretação recolhe em si todas as línguas das palavras de um texto. É aqui neste fazer-se língua do mistério da Linguagem que Hermenêutica, | ||
| + | |||
| + | Vivemos a **Hermenêutica** de uma existência re-volucionária. Tudo se contesta. Por toda parte age um re-volucionário. O que é um re-volucionário ? — É um homem, que diz não. Mas só é um homem, que diz não, por ser um homem, que já disse sim. Na dinâmica da negação articula o vigor de uma afirmação originária. O sim, que constrói, se dá na força do não, que subtrai. Ora, dar-se na medida e à proporção que se subtrai, é a parusia do Mistério de Cristo. A Hermenêutica de nossa existência revolucionária inclui, pois, o vigor Histórico do Mistério de Cristo. Aprendendo a pensar I: Cristo e a Re-volução do Pensamento | ||
| + | |||
| + | Não é difícil de se ver que giramos num círculo de genitivos: no mistério de existência, | ||
| + | |||
| + | A palavra **Hermenêutica** deriva-se de hermeneutike, | ||
| + | |||
| + | 1) A jovialidade, | ||
| + | |||
| + | 5. Para, nos caminhos da ciência, chegarmos à via da Historicidade, | ||
| + | |||
| + | O verbo, hermeneus, significa trazer mensagens. O hermeneos, o mensageiro, pode ser posto em referência com Hermes, o mensageiro dos deuses. Ele traz e transmite a mensagem do destino que trama as vicissitudes da história de homens e deuses. Nem toda interpretação é uma **hermenêutica **. Somente a que descer até o vigor do mistério que estrutura a história. Na **hermenêutica **, a interpretação procura, retornando-lhe à proveniência, | ||
| + | |||
| + | A **hermenêutica ** originária exige despojarmo-nos de tudo quanto julgamos já saber sobre o pensamento dos primeiros pensadores gregos. O que geralmente julgamos saber, advém-nos da tradição platônico-aristotélica: | ||
| + | |||
| + | Um pensamento originário é a coragem de descer às raízes das próprias possibilidades de pensar. Um pensamento originário é um pensamento radical. Procura interpretar os modos de ser da realidade, restituindo as estruturas de suas diferenças à identidade do mistério. O modo de ser, que nos apresenta como presente, não é originariamente um determinado presente cronológico. É tão antigo como a história. Algo, que é e sempre foi como é, por mais que se recue no tempo, é reconduzido ao vigor de um destino que estrutura a dimensão radical do Ser e por isso remonta para além de toda memória historiográfica. É a partir deste diapasão que nos fala o pensamento originário. O que é e como é o espaço-tempo de todas as coisas nas diferenças de seus modos presentes de ser é pensado num pensamento re-velador da identidade no mistério das dicotomias de ser e não ser, de movimento e permanência, | ||
| + | |||
| + | Dentro dessa revolução libertadora, | ||
| + | |||
| + | Ho hermeneus, o mensageiro, pode ser posto em referência com Hermes, o mensageiro dos deuses. Ele traz e transmite a mensagem do destino que trama as vicissitudes da história dos homens. Nem toda interpretação é uma **hermenêutica **. Somente aquela que descer até à dinâmica do destino que estrutura a história. Nesse contexto o mito assume um outro sentido. Deixa de ser uma lenda — isto é, um relato de estórias sem verdade — para reaver toda a força de sua palavra. Pois ho mythos exprime o destino que se lega historicamente à existência. Por isso, em sua originalidade, | ||
| + | |||
| + | Muito mais elucidativo do que uma caracterização formal da diferença entre essas três **hermenêutica **s é o seu exercício. O que segue é uma tentativa de se exercer a **hermenêutica ** existencial no mito da Árvore do Conhecimento. Trata-se de um dos mitos mais arcaicos e importantes da história ocidental. Encontra-se entre os versículos quarto do segundo e 24o do terceiro capítulo do livro do Gênese. Aprendendo a pensar I: A Hermenêutica do Mito | ||
| + | |||
| + | É esse o teor do Mito da Árvore do Conhecimento de acordo como o texto massorético. Deixando de lado algumas questões de crítica textual, referentes aos versículos 9 e 17 do segundo capítulo, tentaremos aqui uma interpretação **hermenêutica **. Semelhante tentativa exige despoj armo-nos de tudo quanto julgarmos já saber sobre o mito. O que mais comumente julgamos saber advém-nos da interpretação teológico-cristã. Para ela o mito é a história da queda do homem. Por essa queda entrou no mundo o pecado e, com o pecado, a morte, de cujo império o sacrifício de Cristo resgatou todos os que crêem. Uma interpretação, | ||
| + | |||
| + | Este pensar não é um fazer. É um deixar fazer-se. Ele pensa enquanto deixa ser. E é somente por isso que um pensar assim é o Hermes da Revelação. Pois deixa a revelação ser Revelação — o mistério de Deus no vigor da Linguagem de salvação — e não uma comunicação de sentenças sem evidência de conteúdo. É o Hermes da teologia. Pois deixa a teologia ser teologia — a história do mundo no mistério da Linguagem de Deus em Cristo — e não um dicionário de definições sem ordem alfabética. É o Hermes da **hermenêutica **. Pois deixa a **hermenêutica ** ser **hermenêutica ** — a Linguagem de mistério da existência — e não a teoria e método de tradução de uma comunidade lingüística para outra. Aprendendo a pensar I: Hermenêutica, | ||
| + | |||
| + | Esta nesciencia nesciente do mistério que se dá enquanto se retrai em nossa época de mistério é o princípio fundamental de toda **hermenêutica ** digna deste nome. O nome, **hermenêutica **, deriva-se do verbo, hermeneúein, | ||
| + | |||
| + | A experiência grega do homem se construiu no Zõon lógon échon, de quem a formulação metafísica, | ||
| + | |||
| + | Se a partir desta perspectiva quiséssemos fazer uma tradução **hermenêutica ** do Prólogo de São João, talvez nos servissem de aceno as seguintes palavras: | ||
| + | No princípio era a Linguagem e a Linguagem estava no Mistério e a Linguagem era Mistério. Toda palavra veio a ser língua por ela e sem ela nenhuma língua se fez língua. O Sim estava nela e o Sim era a língua dos homens. O Sim resplandece no não e nenhum não nega sem o Sim. A jovialidade enviada pelo Mistério fala do Sim de sorte que nela os homens creem no Sim. A jovialidade não é o Sim mas vem na revelação do Sim, como a língua em que os homens se entendem. A Linguagem estava no mundo, nela o mundo chegou a si mesmo mas nela o mundo não se reconheceu. Adveio na língua dos homens e os homens não a entenderam mas aos que a entenderam, deu o vigor do Mistério, deixando falarem as palavras do Sim. E assim a Linguagem se fez língua e atendeu entre as palavras, cheia da jovialidade, | ||
| + | |||
| + | O mistério da Existência nos advém hoje, isto é, se dá e se subtrai numa **hermenêutica ** de negação. A força nadificante do não age por toda parte. As sombras da ausência do Sagrado desceram sobre o mundo. A luz da Divindade se extinguiu. O dia dos deuses, "der Göttertag" | ||
| + | |||
| + | O Pensamento Essencial é o pensamento precursor do Sagrado. É o pensamento da mudança de pensar. Da metánoia, da "voz, que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai-lhe as veredas" | ||
| + | |||
| + | Assim se pode pressentir já a radicalidade da re-volução, | ||
| + | |||
| + | A interpretação das Sagradas Escrituras se faz **hermenêutica ** quando chega à identidade da Linguagem de Deus nas diferenças de tempo e vida entre a língua das Escrituras e a língua de nosso martírio. É que esta identidade constitui o óleo da consagração de qualquer texto enquanto nos coloca no envio do mistério da fé. a fé é a via em que somos enviados à viagem do mistério de Cristo. Daí também o problema hermenêutico não ser o desafio da construção de uma ponte que nos proporcione passar do presente para o passado. É o desafio da consagração da diferença de nosso presente. a fé do presente é a presença da fé nas diferenças que ligam a uma mesma tradição passado e presente. Não foi decerto a partir da experiência da fé que se disse naquela semana da LEB, dever o teólogo abster-se de falar sobre economia e política econômica. Como todas as demais diferenças, | ||
| + | |||
| + | {{tag>" | ||
