estudos:carneiro-leao:filosofia
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| + | ====== filosofia ====== | ||
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| + | //Excertos do livro " | ||
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| + | Na Froehliche Wissenschaft, | ||
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| + | Já no primeiro aparecimento da **filosofia ** entre os gregos no século VII antes de Cristo esse impasse de incompreensão é testemunhado por uma história, que Platão recolheu e nos conservou no Diálogo Teeteto (174a e ss.): "Tales de Mileto refletia certa vez sobre o significado dos astros para a existência e, olhando para o céu estrelado, caiu num buraco. Uma doméstica da Trácia, bela e galhofeira, dele se riu e o gozou, dizendo: aquele ali se preocupa tanto com o que se passa no céu, enquanto não tem olhos para ver o que tem diante do nariz e debaixo dos pés". — Platão acrescenta ao relato dessa história as palavras significativas: | ||
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| + | Na idade da ciência e técnica essas risadas atingiram um número sem conta. Todas elas, porém, se fundam na constatação simples e convincente, | ||
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| + | Não, está muito certo! Com **filosofia ** não se pode fazer nada. O errado é apenas pensar que com isso a **filosofia ** terminou. Pois ainda há o reverso da medalha. Se nós não podemos fazer nada com **filosofia **, resta ainda acertar se também a **filosofia ** não pode fazer nada conosco, caso naturalmente nos dediquemos a seu cultivo. O que é inútil pode muito bem desempenhar uma força existencial incontrolável. O que não conhece ressonância imediata na vida pode muito bem estar em consonância com as molas profundas, que acionam o acontecer histórico da humanidade. Pode até mesmo servir-lhe de prelúdio. Imediatamente, | ||
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| + | Devido ao modo estranho de seu vigor a **filosofia ** se vê relegada, na idade da ciência mais do que em qualquer outra idade, a uma posição marginal. Por isso se torna imperiosa a necessidade de se discutirem as relações entre **filosofia ** e ciência. Pois só discussões dessa natureza poderão preparar o espírito do homem moderno para a grande decisão. A decisão sobre o sentido de sua existência, | ||
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| + | Toda trama de relações nunca se compõe apenas de dois termos. Pressupõe antes um terceiro fator, que serve de espaço comum à articulação das divergências e convergências entre os termos relacionados. No caso de ciência e **filosofia ** é a existência humana, que, em seu desejo originário de saber, serve de ponto comum de referência. A identidade e diferença, a convergência e divergência entre ambas, se articulam em função da atitude do homem frente a elas. Na terra dos homens a ciência, não constituindo uma exteriorização essencial da existência, | ||
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| + | A primeira divergência, | ||
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| + | Outra, bem outra, a essencialização da **filosofia **. À constituição de sua essência pertence sempre uma dúvida angustiante sobre si mesma. O abismo do buraco, que não oferece nem fundamento aos pés nem amparo às mãos, é o próprio espaço de seu desenvolvimento. A **filosofia ** é um pensamento originário visceralmente problemático, | ||
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| + | Essa luz estranha, que a **filosofia ** irradia de si, não resulta, porém, de uma deficiência de conhecimentos. Não é, por sabermos pouca coisa, mas por sabermos muita coisa demasiado externa da **filosofia **, que encontramos dificuldade em pensar filosoficamente. Hoje conhecemos toda uma galeria historiográfica de grandes filósofos, um museu doutrinário, | ||
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| + | As mais das vezes esse acúmulo de conhecimentos periféricos só nos cega para a presença extraordinária da **filosofia ** na existência. A fim de identificá-la, | ||
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| + | Será que poderemos aceitar simplesmente alguma dessas caracterizações em que se exprimiu a experiência do homem com a **filosofia ** no fim da antigüidade? | ||
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| + | A interpretação da **filosofia ** como amor à sabedoria, " | ||
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| + | No primeiro livro da Metafísica Aristóteles esboça uma graduação das dimensões em que se articulam as possibilidades da sabedoria. Num primeiro grau a percepção sensível, " | ||
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| + | O que Aristóteles pretende nesse esquema não é um sistema estático de graduação, | ||
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| + | Sensibilidade e memória, experiência e perícia, reflexão e **filosofia ** formam a perspectiva em cujo horizonte se articulam previamente as dimensões significativas das palavras " | ||
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| + | A **filosofia ** sempre está toda presente em todas as suas questões, a começar pela questão sobre si mesma. Pretender-se antes de filosofar determina-lhe o objeto, desmoitar-lhe o terreno, discutir-lhe o método, ou demarcar o âmbito de suas questões, estabelecer os órgãos de seu exercício, as-segurando-se primeiro de sua eficácia e reto uso eqüivaleria ao vão esforço de se querer pensar sem o pensamento. Toda propedêutica da **filosofia ** já pressupõe a posse de sua essência. Exige saber-se de antemão em que relações se encontra o homem com a **filosofia ** e a **filosofia ** com o homem. Aprendendo a pensar I: A Filosofia na Idade da Ciência | ||
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| + | Já a **filosofia ** exclui em princípio qualquer introdução. Não é uma possibilidade que o homem ou a humanidade pudesse ou não realizar historicamente. Trata-se de uma necessidade existencial, | ||
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| + | Isso, todavia, não quer dizer que todos os homens se tenham dedicado sempre em todos os tempos ao cultivo explícito e temático da **filosofia **. De maneira alguma! Comparado à extensão dada aos negócios e afazeres, aos sonhos, paixões e desejos, o pensamento filosófico ocupa sempre um espaço insignificante de história. São apenas uns poucos, somente alguns marginais sobem a montanha solitária das geleiras para se consagrarem ao ócio inútil da **filosofia **. E todos se banham na mesma luz trágica, em que Sócrates apareceu aos atenienses; sentindo-se muito embora investido do destino messiânico de resguardar e promover a verdade do homem, sempre se viu marginalizado por Atenas, para, acusado de subversão da juventude, ser condenado a beber cicuta em nome das tradições democráticas e religiosas do povo ateniense. O poeta Hölderlin exprime o destino de todos os filósofos, quando diz que Sócrates foi condenado por ter um olho demais. Para Nietzsche, o filósofo é um homem, que constantemente sente, vê, ouve, suspeita, espera e sonha coisas extraordinárias. Ora, em todos os tempos, a vida despreocupada dos homens parece defender-se com êxito total contra as dúvidas, contra as suspeitas, contra as visões e esperanças dos pensadores. Ela confia mais no espírito empreendedor e na tradição consagrada do que no pensamento. Ao considerarmos quão pouco a **filosofia ** condiciona expressamente a paisagem da vida, ao constatarmos quão insignificante é sua ressonância nos quadros de publicidade, | ||
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| + | Não exprime a constatação de um fato imediatamente verificável. Não resulta de uma indução sobre a natureza humana, que se articulasse em razão da freqüência da **filosofia ** na existência de indivíduos e grupos. Mais freqüente na terra dos homens do que **filosofia **, é a não- **filosofia **. Muito mais comum do que a reflexão, é a irreflexão. Todavia, para constatá-lo, | ||
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| + | Ao homem pertence por necessidade de natureza a compreensão do Ser! Embora repouse imóvel nas preocupações imediatas da vida, nela se constrói o arcabouço das categorias em que as coisas re-velam sua presença no mundo dos homens. Na compreensão do Ser se estrutura o horizonte, em que, antes de toda experiência, | ||
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| + | Nessas questões milenárias a **filosofia ** se essencializa como ontologia, articulando a pré-compreensão do Ser no sistema dos conceitos transcendentais, | ||
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| + | Na existência o vigor desse apelo mora num pressentimento do próprio Ser, cuja originariedade, | ||
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| + | O curioso em tudo isso é a presença da **filosofia ** em sua própria ausência. Nosso esquecimento do Ser nunca é absoluto. O sono de nosso espírito nunca é tão profundo a ponto de excluir a possibilidade de um novo despertar. A tranqüilidade, | ||
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| + | Geralmente se opõe pressentimento a saber, ora colocando-o abaixo ora acima, em todo caso fora do saber. No vigor de sua essencialização, | ||
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| + | Dilthey, encaminhando-se na direção de Kant e de toda a perspectiva " | ||
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| + | Entendida assim, como autoconsciência crítica da historicidade, | ||
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| + | A colocação de hoje nos propõe pensar num discurso o sentido do encontro, já sempre dado, entre **filosofia ** e psicanálise. No curso deste discurso espera-se que nos advenha o inesperado: a gratuidade do silêncio que convocou Nietzsche às palavras pensadas: "É preciso a angústia de ser um caos para se gerar uma estrela" | ||
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| + | Há pois duas possibilidades, | ||
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| + | Nesta paciência de esperar a serenidade, todos podemos seguir, cada qual à sua maneira e na angústia de seus limites, os caminhos do pensamento, que pensa o sentido. Não é necessário voar para o espaço das estrelas. É na fala que se dá o silêncio. É no conhecido que nos chega o desconhecido. É no ordinário que estância o extraordinário. E nesta estância moramos todos nós. Por isso, para pensar o sentido, não precisamos emigrar. Basta ficarmos na proximidade de nossos empenhos e desempenhos, | ||
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| + | O que se retira neste aqui e agora? — Não sabemos. Nós não sabemos o sentido de nosso encontro. E trata-se de uma experiência radical de não saber. Pois com ela aprendemos o Nada de todas as nossas pretensões. Tanto da pretensão de saber como da pretensão de não saber. O sentido de nosso encontro se retira. E é justamente ao retirar-se que nos avia à viagem da **filosofia ** e psicanálise. — Filosofia e psicanálise. Na retirada, somos enviados à viagem de um " | ||
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| + | Uma segunda conseqüência é o lugar epistemológico atribuído à própria história da psicanálise. O recurso, que sempre de novo se faz, à literatura histórica, não encontra paralelo em nenhuma ciência, somente na teologia, na **filosofia ** e na poética. Pois em qualquer ciência, por mais extensas que sejam as investigações precedentes, | ||
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| + | Assim a aceitação da ciência e a espera do sentido se completam e, completando-se, | ||
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| + | 1. Já foram intitulados de Pré-aristotélicos, | ||
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| + | Trata-se de uma de-cisão que vive da perplexidade em pensar a identidade como identidade e não como igualdade, isto é, que vive da dificuldade de se encontrar com a identidade no próprio seio das diferenças. Esta de-cisão, ao instituir as dicotomias de um comparativo ontológico, | ||
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| + | É esta mesma de-cisão que estabelece até hoje a **filosofia ** de Sócrates, Platão e Aristóteles como critério na escolha, interpretação e avaliação dos primeiros pensadores gregos. Os problemas, as concepções e os conceitos de Sócrates, Platão e Aristóteles, | ||
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| + | 2. Não é possível pensar o pensamento dos primeiros pensadores gregos só com os recursos da ciência e da **filosofia **. Toda historiografia já é sempre uma **filosofia ** da história, quer o saiba ou não. Uma investigação de pensamento, que não pretender negar--se a si mesma como pensamento, tem necessariamente de ser uma restauração da mesma empresa. " | ||
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| + | 3. No século VI a religião, a política, a educação gregas exercem determinada consciência da poesia e mitologia. Houmeros tem Hellada pepaideuke. Prisma e espelho, nesta consciência se refletem e analisam as peripécias de verdade e não verdade da existência grega. Denunciando a miopia da consciência vigente, os primeiros pensadores se lançam a pensar reciprocamente as diferenças de religião e política, de educação e habilidade, de poesia e mito pela identidade do pensamento, pensando a com-pertinência de ser e pensar. Para nós, filhos do petróleo e da técnica, tardos em pensar, se tornou ainda mais difícil este mistério da identidade numa época de poluição e consumo. E por que? - Porque temos os ouvidos tão poluídos de ciência e **filosofia **, temos os olhos tão consumidos pelas utilidades que já não podemos ver o mistério da pobreza nem ouvir a voz do silêncio no alarido do desenvolvimento. Desconhecemos o paradoxo da revolução do pensamento. Já quase não temos sensibilidade para as vibrações de nosso destino. E isso, não tanto porque, absorvidos pelas solicitações do consumo, quase não pensamos, mas sobretudo porque, quando pensamos, quase inevitavelmente o fazemos nos moldes da **filosofia ** e da ciência. Aprendendo a pensar I: O pensamento originário | ||
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| + | O pensamento está sempre em tensão: com a consciência, | ||
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| + | Não apenas os beócios é que não pensam. Os próprios atenienses renunciaram ao pensamento quando em Sócrates, Platão e Aristóteles a **filosofia ** inaugurou sua avalanche histórica. Para Hegel, a **filosofia ** é uma época concentrada em pensamentos. Para os primeiros pensadores, pensar é acordar o não pensado, acionar a inércia de pensamento de uma tradição histórica. É o que. fizeram recuperando a tragédia da poesia e mitologia vigente na consciência de sua época, da religião, da política, da educação. Na crítica aos poetas, aos mitos e cultos buscavam desinstalar a consciência de uma luz sem sombras, de uma verdade sem mistério, de um dia sem noite, de uma vida sem morte. O pensamento surgiu, quando o trágico obscureceu a claridade do racional e do irracional, do físico e do político, do mito e do culto, do desespero e da salvação. Aprendendo a pensar I: O pensamento originário | ||
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| + | Só não devemos entender o trágico no sentido filosófico da tradição. Neste sentido, tragédia é desgraça, a queda das alturas, a transformação súbita ou paulatina da glória em sofrimento. Trágico é o abandono desesperado do homem às forças da natureza, à vontade dos deuses, à fatalidade do destino. Onde impera a desolação, | ||
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| + | E não obstante, a pretensão de uma vitória definitiva do princípio racional da luz, de um império eterno do Olimpo de Zeus, que alimenta a religião e a mitologia dos primeiros tempos, vai servir de base para a fundação da **filosofia ** de Sócrates, Platão e Aristóteles, | ||
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| + | O que assim nos é dado, livra-nos também da arbitrariedade no esforço de pensar-lhes a originariedade de pensamento. Pois o que hoje nos é dado, como pro-vocação para pensar, é a **filosofia ** ocidental na forma da ciência moderna. Os recursos da filologia clássica, da historiografia literária, da lingüística e arqueologia nos possibilitam recuperar os fragmentos dispersos nas vicissitudes da tradição. Os caminhos da ciência constituem uma via em que se torna acessível a Historicidade da história. Seguindo o modelo de pesquisa da ciência, as diversas investigações submetem os documentos conservados a um processamento que visa a constatar, analisar, aproveitar e interpretar as fontes, para assim assegurar e estabelecer os textos originais. É o processo conhecido com o nome de crítica das fontes e dos textos. Não se trata de simples relato das fontes nem de mero levantamento dos textos. Todo o esforço converge para tornar objetiva a Historicidade. Na história, porém, só é objetivo o que se deixa comparar, uma vez que, na comparação de tudo com tudo, se chega a uma explicação. Por isso também a possibilidade de comparação vale como modelo de objetividade histórica. O alcance das pesquisas só se estende até onde vai a comparação, | ||
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| + | O verbo, hermeneus, significa trazer mensagens. O hermeneos, o mensageiro, pode ser posto em referência com Hermes, o mensageiro dos deuses. Ele traz e transmite a mensagem do destino que trama as vicissitudes da história de homens e deuses. Nem toda interpretação é uma hermenêutica. Somente a que descer até o vigor do mistério que estrutura a história. Na hermenêutica, | ||
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| + | A hermenêutica originária exige despojarmo-nos de tudo quanto julgamos já saber sobre o pensamento dos primeiros pensadores gregos. O que geralmente julgamos saber, advém-nos da tradição platônico-aristotélica: | ||
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| + | Um pensamento originário é a coragem de descer às raízes das próprias possibilidades de pensar. Um pensamento originário é um pensamento radical. Procura interpretar os modos de ser da realidade, restituindo as estruturas de suas diferenças à identidade do mistério. O modo de ser, que nos apresenta como presente, não é originariamente um determinado presente cronológico. É tão antigo como a história. Algo, que é e sempre foi como é, por mais que se recue no tempo, é reconduzido ao vigor de um destino que estrutura a dimensão radical do Ser e por isso remonta para além de toda memória historiográfica. É a partir deste diapasão que nos fala o pensamento originário. O que é e como é o espaço-tempo de todas as coisas nas diferenças de seus modos presentes de ser é pensado num pensamento re-velador da identidade no mistério das dicotomias de ser e não ser, de movimento e permanência, | ||
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| + | Os Fragmentos. Cerca de mais de dois séculos depois, os primeiros pensadores gregos eram chamados de physikoí ou physiológoi, | ||
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| + | Aristóteles é a fonte mais rica. Estudou expressa e profundamente os filósofos mais antigos e falou deles, em seqüência histórica, sobretudo no início de sua Metafísica (muitas vezes também em outros lugares). É tão filósofo como erudito; podemo-nos fiar dele. Para a **filosofia ** grega, não há nada melhor a fazer do que tomar o primeiro livro de sua Metafísica. Aprendendo a pensar I: Fontes de Acesso ao Pensamento Originário | ||
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| + | A importância de pensamento desta indicação é ser ela fundamentalmente ambígua. Está em jogo a ambigüidade de uma provocação para pensar. Não se pode separar o filósofo do historiador. Aristóteles nunca faz história da **filosofia ** sem **filosofia ** da história, mesmo quando fala dos filósofos que o precederam nas peripécias do pensamento. Não pergunta pelas idéias que determinado filósofo tinha na cabeça. Isso não tem importância. Sua investigação é sempre e somente filosófica. Assim quando a tradição lhe diz que para Tales a água (hydor) é o princípio (arche) de todas as coisas (pánton) não se pergunta qual idéia de água e princípio podia ter tido Tales. Só se interessa pelo sentido filosófico da afirmação. Uma análise cuidadosa e erudita dos testemunhos de Aristóteles empreendeu H. Cherniss em seu famoso Aristotle' | ||
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| + | A queda de nível que sofre o pensamento dos primeiros pensadores, quando se deixam os testemunhos de filósofos para se ater aos testemunhos de historiógrafos da **filosofia **, pode-se verificar na passagem de Aristóteles para Teofrasto. Discípulo e sucessor imediato do Filósofo na direção do Peripatos, Teofrasto de Ereso, na ilha de Lesbos, morreu pelo ano de 286 aC. De seus escritos, o mais importante é Physikon dóxai, As Opiniões dos Físicos. Em 16 ou 18 livros é um tratado sistemático das doutrinas antigas sobre os principais problemas da **filosofia **. Na antigüidade gozou de uma influência ímpar, visível na freqüência e consideração com que é sempre de novo indicado. Nas vicissitudes de citação dos primeiros pensadores, sua posição é fundamental embora só tenha sido reconhecida depois que Hermann Usener lhe reuniu os fragmentos e Hermann Diels os comparou com os fragmentos dos outros doxógrafos. É praticamente a única fonte de nosso conhecimento textual dos primeiros filósofos, excetuando-se as citações de Aristóteles e Platão. Pois todos os fragmentos conhecidos de citações posteriores à morte do Estagirita remontam, quer direta quer indiretamente, | ||
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| + | Em nome de uma história sem **filosofia **, grande parte da crítica histórica inverteu os valores e considerou a dependência de Teofrasto não como uma diminuição do discípulo mas como uma corroboração da autoridade do mestre pela aprovação do discípulo. É que, não sendo filósofo, Teofrasto seria um historiador mais objetivo por estar isento do defeito de pensar. Aprendendo a pensar I: Fontes de Acesso ao Pensamento Originário | ||
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| + | As Opiniões dos Físicos de Teofrasto se tornaram a fonte principal dos manuais de história da **filosofia ** e dos compêndios de textos que, saindo de Alexandria, proliferaram no período helenista. Era à base de bioi, epitomai, historiai, strõmateís que se nutria a formação filosófica. Foi destes compêndios e manuais que posteriormente se desenvolveu a tradição doxográfica da **filosofia **. Deles se recebiam os princípios e o horizonte para a interpretação dos escritos originais ainda existentes. Não é, pois, de admirar que não só o conteúdo mas também o estilo de toda esta tradição tenha determinado decisivamente a posição e atitude dos filósofos posteriores até Nietzsche exclusive, frente à História do Pensamento Ocidental. O predomínio da **filosofia ** sobre o pensamento, que se instalara e consolidara com Sócrates, Platão e Aristóteles, | ||
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| + | Plotino. Sua cidade natal é Licópolis no Egito. Viveu de 203/204 a 269/270. Com 28 anos se dedicou à **filosofia **. Estudou em Alexandria principalmente com Amônio. Juntou-se à expedição do imperador Gordiano contra os persas para ir conhecer a **filosofia ** persa. Com o fracasso da expedição teve de fugir para Antioquia. Com quarenta anos, mudou-se para Roma onde desenvolveu intensa atividade de ensino. Procurou convencer o imperador Galiano a construir na Campânia uma cidade nos moldes do ideal platônico, a Platonópolis, | ||
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| + | Simplício. Nasceu na Cilicia pelo ano de 500 dC. Pertenceu à última geração da Escola Neoplatônica de Atenas, fechada em 529 pelo edito do imperador Justiniano, que proibiu ensinar **filosofia **. Escreveu grandes comentários a Aristóteles dos quais se conservam os comentários aos De cathegoriis, | ||
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| + | Com a sua coleção dos fragmentos, o propósito de Diels era dar um fundamento às preleções sobre **filosofia ** grega. Trata-se, portanto, de um manual de textos. Para se deixar conduzir pela provocação do pensamento nas vicissitudes da reflexão grega, é indispensável acompanhar-lhe a parusia em statu nascendi nas diversas epifanias de sua linguagem originária. Neste sentido a coleção de Hermann Diels é fundamental. Pois reúne ou pretende reunir todos os fragmentos legados pela tradição, conserva fielmente a forma dialetal, quando ocasionalmente a mantém a tradição, e não corrige os vulgarismos, | ||
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| + | Já houve quem o apresentasse, | ||
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| + | A primeira é muito simples e por isso mesmo difícil de se compreender. Em **filosofia ** não há possibilidade de introdução. Um abismo separa o espaço ordinário da existência, | ||
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| + | Daí também toda a dificuldade da **filosofia ** para o homem moderno, que vive, habitualmente, | ||
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| + | É o que significa o título do livro, cuja tradução portuguesa ora se oferece. Introduzir à metafísica é movimentar-lhe a questão fundamental de maneira a elevá-la (-ducere) para dentro (intro-) das origens, donde a metafísica procede. Um esforço de pensamento, que nada tem de horizontal e progressivo. Cujo movimento se processa antes no sentido vertical e regressivo. Na direção do fundamento e proveniência. Longe de ser uma iniciação, | ||
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| + | Já dessa explicação de termos meramente formal se pode ver que as três perguntas acima formuladas sobre o destino das diversas determinações do ser do ente, nos vários períodos da metafísica, | ||
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| + | 2. Os Termos da Questão do Ser: A problemática da tensão de imanência e transcendência na existência humana se agita antes do problema clássico da analogia. Investiga o fundamento de possibilidade no qual somente toda analogia pode mover-se e o homem pode existir metafisicamente. Já na conclusão de sua tese de habilitação ao magistério, | ||
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| + | Com a publicação dos escritos posteriores já não cabe dúvida de que a **filosofia ** heideggeriana é uma reflexão sempre mais exclusiva sobre a essencialização da verdade do ente como a Verdade do Ser. A existência humana se agita dentro da tensão entre imanência e transcendência, | ||
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| + | Desse modo surgiu Heidegger no mundo filosófico como o pensador, que pretende repetir desde seus fundamentos toda a tradição ocidental segundo a questão prévia (die Vor-frage) sobre o Sentido e a Verdade do Ser. Quer ele trate da Sentença de Anaximandro, | ||
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| + | Essa necessidade não é extrínseca. A superação não só tem que falar a linguagem em vigor e servir-se de seus títulos e de sua gramática para tornar-se inteligível dentro dos limites da **filosofia ** vigente. É antes de tudo uma necessidade intrínseca, | ||
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| + | É outra simples aparência. Não se trata de um renascimento da **filosofia ** pré-socrática. Na famosa Einleitung (Introdução), | ||
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| + | Em conseqüência dessa decisão implícita naquelas denominações se leram, entenderam e interpretaram os primeiros textos com os olhos, a doutrina e os conceitos platônicos e aristotélicos. O sentido originário de seus pensamentos e da linguagem de suas palavras foi profundamente modificado pela **filosofia ** posterior. Situação, que se agravou sobremodo com as traduções latinas, que, ao legarem à cultura do Ocidente o patrimônio grego, o desfiguraram a ponto de torná-lo quase incompreensível em sua originalidade. Hoje já não lemos o que os primeiros pensadores pensaram mas o que outro modo de pensar nas faz perceber. E não o lemos, porque o alarido da metafísica, | ||
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| + | 1. Sobre o Humanismo e a Essência do Homem. Ao preparar o questionamento do problema sobre o Sentido do Ser, Sein und Zeit se propõe, por motivos inerentes à própria tarefa, re-pensar a Essência do homem a partir da " | ||
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| + | A época da técnica e da ciência se essencializa numa " | ||
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| + | 1, Num mapa da **filosofia ** os nomes de Heidegger e Wittgenstein ocupariam pontos extremos. Designariam sistemas opostos na constelação filosófica de nosso século. Seriam uma espécie de chave-mestra para abrir uma compreensão em profundidade das reflexões de hoje. Os títulos, Fenomenologia, | ||
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| + | 3. Esta seria a visão proporcionada por um mapa de **filosofia **. Outra, bem outra é a fisionomia que Heidegger e Wittgenstein assumem no vigor de um Pensamento Radical. É que nos vórtices do Pensamento Radical tanto o que é pensado como o próprio pensar remontam numa referência estranha, porque original, às raízes de sua proveniência. No jogo da radicalidade o pensar e o pensado chegam a si mesmos, ao se abrirem na direção da identidade de suas respectivas diferenças. O Pensamento Radical se faz então incomparável com qualquer coisa. Não é, como a queda das folhas no outono, um fato entre fatos. Enfrentando o pensado, o pensamento se enfrenta a si mesmo. Para pensar, vive o paradoxo de uma retirada. Procura, de alguma maneira, retirar-se de si mesmo e do pensado sem nunca conseguir fazê-lo de todo. E é justamente neste paradoxo que alcança a sua originalidade. Pois, não podendo retirar-se totalmente, repercute no próprio pensamento o que ele pensa do pensado. Assim, quando se pensa radicalmente por que o amor?, o porquê repercute no próprio pensamento: por que se pensa por que o amor? Em que se funda o pensar do pensamento que pretende pensar o amor? Este porquê ainda será um pensamento, de sorte que sempre se tem de encontrar o pensamento como fundamento do pensamento? Nesta virada, a repercussão, | ||
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| + | É o testemunho das onze linhas que compõem o Curriculum Vitae da tese de doutoramento: | ||
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| + | Estas poucas indicações autobiográficas já demonstram uma profunda identificação com a terra natal. A importância de pensamento desta identificação é única em toda a história da **filosofia ** alemã. Celebrou-a Hebel numa frase famosa: "Nós somos plantas que —desejemos confessá-lo ou não — devemos crescer com as raízes na terra para poder florir e dar frutos no céu"! O alarido da metafísica, | ||
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| + | Hoje a tempestade nos chega, pelo vigor planetário da Linguagem, na civilização da ciência e da técnica. Nos vórtices da planetariedade toda diferença entre Pensamento e Ciência é uma função de referência. Pois sempre de alguma maneira pertence a toda ciência uma semântica. Semântica é a articulação de fatos referenciais com fatos referenciados que uma sintaxe possibilita e exerce. Destituído de semântica, o Pensamento se apresenta como alguma coisa de estranho em nosso tempo e sua tempestividade. É por esta estranheza, por ser daquelas causas, cujo destino é nunca poder encontrar ressonância semântica em seu próprio tempo que o pensamento de Heidegger é intempestivo. Daí toda a incompreensão por parte da ciência e da **filosofia **. Pertence à atualidade de seu pensamento ser incompreendido pela exatidão de qualquer cálculo. Aprendendo a pensar I: A Morte do Pensador | ||
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| + | Numa formulação célebre, Hegel diz que a **filosofia ** é uma época concentrada em pensamentos: | ||
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| + | A corrente de idéias artísticas e literárias, | ||
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| + | Heráclito: A abertura não nos abre apenas o acessível. Também o acesso ao inacessível, | ||
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| + | Estranhamente o mito vem interessando às pesquisas de filólogos e antropólogos, | ||
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| + | Enquanto faltar uma reflexão suficiente sobre o que é razão e racionalidade, | ||
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| + | Ora, na perspectiva de uma análise originária, | ||
| + | |||
| + | Essa revisão do mito é no fundo uma revelação da autoconsciência da **filosofia **. O que o filósofo procura na verdade do mito é a verdade da própria **filosofia **. Na época de sua errância racional, a **filosofia ** se sentia absolutamente autônoma e independente da não- **filosofia **. No espaço dessa independência julgava atingir com os recursos da razão uma verdade absoluta, necessária, | ||
| + | |||
| + | Este ano celebra o Segundo Centenário do nascimento de Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Há mais de cento e cinqüenta anos que age o pensamento de Hegel. Na ação, o pensador guarda a sua presença. Encolhe-se a distância cronológica que nos separa da obra de seu pensamento. Celebrar Hegel será apresentar-lhe a presença na operação histórica de seu pensamento. Dele, o vigor do Ocidente adquiriu a lucidez e solidez da consciência de si mesmo, o que lhe permite hoje alçar-se à plenitude de uma expansão planetária. Por força da celebração, | ||
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| + | A questão: "como se integra Deus na **filosofia ** e na História do Ocidente?", | ||
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| + | No primeiro volume da Wissenschaft der Logik, observa Hegel que, indiscutivelmente, | ||
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| + | À luz do Pensamento Essencial se vê que o problema de Deus ainda não encontrou no Ocidente, tanto em sua história como em seu pensamento, as condições indispensáveis para se colocar em sua verdade. Para tanto, impõe-se iluminar primeiro, em sua fonte, a estrutura em que Deus há de integrar-se. Ora, a metafísica, | ||
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| + | Trata-se da oposição fundamental. É que diz respeito ao próprio vigor de essencialização da **filosofia **. Tanto Hegel como Heidegger pretendem ultrapassar a dicotomia, a cisão de ser e pensar. Hegel procura fazê-lo, reduzindo e dissolvendo o ser no pensamento através de uma metafísica de identidade absoluta. Heidegger contrapõe a esta identidade absoluta a com-pertinência originária de ser e pensar na qual o pensamento pertence ao ser e não o ser ao pensamento. A identidade absoluta provém do esquecimento da com-pertinência originária. A metafísica do Espírito Absoluto é um sistema de identidade sem diferença. Para Hegel o Ser é o pensamento pensando a si mesmo como idéia Absoluta. Para Heidegger, o Ser é a diferença como diferença. A " | ||
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| + | Para Hegel, o espírito do presente é a Presença do Espírito. Para Heidegger, o espírito do presente é a ausência do Ser. A marcha da **filosofia ** é, para Hegel, um progresso dialético enquanto para Heidegger o caminhar do Pensamento Essencial é um regresso, "ein Schritt zurueck", | ||
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| + | Mas o que tem a ver a flora da flor com o cristianismo do povo? — Resposta: tudo! Sem ciência, até mesmo sem consciência, | ||
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