estudos:carneiro-leao:critica
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| + | ====== crítica ====== | ||
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| + | //Excertos do livro " | ||
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| + | Da palavra **Crítica **, geralmente só costumamos ouvir os acentos negativos. Toda atividade de **crítica **, criticar e fazer **crítica ** é logo entendida no sentido de corrigir: constatar e suprir erros e deficiências. É esse sentido de nosso modo comum de ouvir a palavra que temos de afastar do primeiro plano da **Crítica ** Literária. Pois não corresponde nem ao significado etimológico nem à origem histórica da palavra nem tampouco à vigência, isto é, à função e o modo de ser da **Crítica ** Literária. Etimologicamente, | ||
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| + | Nesse sentido também se originou o uso da palavra na Estética da segunda metade do século XVIII. Nas discussões sobre a arte, a obra de arte e a atitude frente a elas, a **Crítica ** estabelecia o decisivo, o constitutivo e definitivo do fenômeno estético em oposição aos demais fenômenos. Kant enriqueceu e aprofundou este uso com a trilogia: **Crítica ** da Razão Pura, **Crítica ** da Razão Prática e **Crítica ** da Faculdade de Julgar. Aprendendo a pensar I: Existencialismo e Literatura | ||
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| + | Em sua vigência na Literatura, em sua função e modo de ser literário, a **Crítica ** reflete a estrutura literária da existência no estruturar-se existencial da Literatura. A Literatura necessita da **Crítica ** para tomar consciência de sua existencialidade enquanto estrutura da existência. No mais profundo de seu dinamismo, a **Crítica ** Literária é a um tempo só tanto a consciência existencial da Literatura como a consciência literária da existência. Ao articular-se nessa dupla função, a **Crítica ** Literária se faz **crítica ** e se faz literária. Para se ver e sentir então o problema da **Crítica ** Literária cumpre refletir sobre o exercício concreto destes dois momentos. Aprendendo a pensar I: Existencialismo e Literatura | ||
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| + | A **Crítica ** é literária, sendo Literatura, isto é, sendo arte. Para ser literária, tem necessidade de assumir o modo da arte. Ora, a arte chega a seu modo de ser na obra. A obra de arte é passagem obrigatória de todos os caminhos para a arte. Por isso o caminho que nos levará à arte da **Crítica ** será também aqui a obra literária: uma poesia! Por exemplo, a poesia de Mörike, intitulada: Auf eine Lampe! "Para um candelabro" | ||
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| + | Essas reflexões nos dizem que o processo de instauração do mundo comporta sempre a edificação de uma obra, uma operação. Assim como a arte, a ação criadora do político, que funda um novo sistema de convivência, | ||
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| + | Agora talvez esteja mais claro qual é o problema da **Crítica ** Literária, onde reside toda a angústia do Crítico. É o problema de não ser arte literária, de não ser Literatura para ser apenas ciência da Literatura. É a angústia de criticar a arte literária com os critérios da filologia e da lingüística, | ||
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| + | A consciência histórica moderna deve sua formação e desenvolvimento à consciência científica moderna. Esta se caracteriza por uma nova relação do homem com o mundo. "A natureza, escreve Dilthey, já não se lhe apresenta como uma criatura divina. O homem meteu-lhe as mãos para arrancar as " | ||
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| + | Entendida assim, como autoconsciência **crítica ** da historicidade, | ||
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| + | Estabelecido o significado radical na estrutura vivência-compreensão para a consciência histórica, levanta-se o problema das condições de possibilidade de sua articulação nas ciências do espírito. É aqui que sente Dilthey a tarefa mais importante de seus esforços de filósofo. Na **Crítica ** da Razão Pura, Kant apresentou a articulação das condições de possibilidades das ciências da natureza. Ora, em razão da diferença fundamental entre espírito e natureza a **Crítica ** de Kant não serve para uma fundamentação das ciências do espírito. Para estas oferece Dilthey sua **Crítica ** da Razão Histórica: " | ||
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| + | Dilthey não pode construir sua **Crítica ** da Razão Histórica com os recursos do método transcendental. Tem que partir da própria vida em seu curso. Tem que tentar justificar a história historicamente por si mesma. A sua **Crítica ** não poderá ser senão a investigação da **crítica ** que a vida faz de si mesma em seu curso histórico. Para isso dispõe apenas das ciências do espírito que são as objetivações da vida no tempo. A missão da **Crítica ** da Razão Histórica consiste em ressaltar e distinguir a estrutura das ciências do espírito, a fim de acompanhar o "fio condutor" | ||
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| + | Numa leitura objetiva, ambiente diz atmosfera, o elemento em cujos limites a vida encontra condições e recursos para nascer, crescer e morrer. No ambiente da psicanálise se vive uma cissiparidade em que a geração da nova vida se dá num vaivém contínuo de posição, oposição e composição. De um lado, todos são cidadãos de dois mundos: um mundo teórico de modelos e técnicas, que abrange publicações, | ||
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| + | Para uma **crítica ** epistemológica a insensatez do discurso teórico da psicanálise é conseqüência de uma ingenuidade metodológica fundamental. Não há produção de objeto na psicanálise. Os casos são apresentados numa língua técnica que confunde observação com interpretação estilizada. A falta completa de métodos adequados para testar hipóteses impede qualquer produção epistemológica de objeto. O resultado são protocolos, abundantes em hipóteses explicativas, | ||
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| + | Descobrindo que a neurose não é um sintoma, Freud transcende o universo dos fatos e cria para o discurso da psicanálise um novo universo, o universo do sentido. Um sentido não é o produto de causas mas a criação de um sujeito. A lógica e epistemologia do sentido vivem um outro jogo da linguagem. E é segundo as regras deste jogo que não pode haver distinção clara entre observação e interpretação. Só se exige clareza a respeito de quem está dizendo o quê. Por isso, se o discurso do fato pergunta em termos de " | ||
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| + | Limitadas pela identidade, as relações de identificação estão sempre sujeitas às tempestades de transferências e projeções, | ||
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| + | O pensamento, que calcula, não é, pois, um aperfeiçoamento do pensamento, que pensa o sentido. É todo um outro universo, com campo definido de referência, | ||
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| + | Com simplesmente ser, a psicanálise está sempre em crise. A crise é **crítica ** por ser clínica. Em crise, a psicanálise nos fala de outro Freud. De um Freud, que não conhecemos mas somos em tudo que de Freud temos consciência de saber. É que, na própria consciência de nossos conhecimentos, | ||
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| + | Com o poder da consciência fragmentamos o espelho. Os fragmentos, não sendo abrangentes, | ||
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| + | A linha é a linha zero. Em contraste com os dados e fatos, os feitos e fados, com o cheio da ciência, o zero indica o vazio da nesciência. Pois é justamente lá, onde tudo se -esvazia de ciência e escorre para a nesciência, | ||
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