estudos:carneiro-leao:comunicacao
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| + | ====== comunicação ====== | ||
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| + | //Excertos do livro " | ||
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| + | Costumamos distinguir a vida pré-científica da atitude científica. Nessa distinção a vida pré-científica se nos afigura mais ampla, mais rica e variada. É tecida de comportamentos e relações, que se entrelaçam numa infinidade de setores: no campo das atividades práticas, do uso e confecção das coisas; no terreno da **comunicação ** religiosa com poderes divinos; na esfera da convivência social com os outros homens; no plano de experiências estéticas da beleza, e em muitos outros. Antes de qualquer ciência a vida humana já é dinamizada pelo jogo dos chamados fenômenos existenciais: | ||
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| + | Há séculos se vem operando gradativamente uma revolução radical em todos os parâmetros decisivos da história. O homem se vê cada vez mais transplantado numa outra realidade. É o transplante do pensamento que calcula. Dele nasce esta nova posição do homem no mundo e para "com o mundo que designamos com o título de moderno: idade moderna, ciência moderna, homem moderno, mundo moderno. Na voragem da modernidade impera o objeto, cuja objetividade ministram e administram a ciência e a técnica planetárias. Tudo é processado em reserva de controle e de domínio. A natureza já não é senão um gigantesco reservatório, | ||
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| + | Numa leitura objetiva, ambiente diz atmosfera, o elemento em cujos limites a vida encontra condições e recursos para nascer, crescer e morrer. No ambiente da psicanálise se vive uma cissiparidade em que a geração da nova vida se dá num vaivém contínuo de posição, oposição e composição. De um lado, todos são cidadãos de dois mundos: um mundo teórico de modelos e técnicas, que abrange publicações, | ||
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| + | E não obstante, a pretensão de uma vitória definitiva do princípio racional da luz, de um império eterno do Olimpo de Zeus, que alimenta a religião e a mitologia dos primeiros tempos, vai servir de base para a fundação da filosofia de Sócrates, Platão e Aristóteles, | ||
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| + | À dificuldade inerente a toda citação se vêm ajuntar outras, provenientes das condições culturais da antiguidade. As obras antigas não são livros impressos. São volumina, no sentido literal do termo, isto é, manuscritos enrolados de peso e tamanho consideráveis para o manuseio. Cedo se espalhou o costume de substituir os grossos volumina por compendia, extratos e resumos, muito mais fáceis de compulsar. Assim, não era necessário ler a obra original. Bastava citar os compêndios, | ||
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| + | No modo cotidiano de ser só vemos na linguagem o instrumento. Uma técnica de **comunicação **, que nos apresenta, já prontas para o uso, as distinções com que operamos nas situações concretas da vida. Essa linguagem cotidiana não é a essencialização originária da linguagem. É apenas a forma mais frequente de sua presença. A compreensão do Ser, que aqui se articula, entretanto, não é apenas ingênua e primitiva. Uma longa história de pensamento metafísico a precedeu, interpretando instrumentalmente a linguagem na lógica e gramática da tradição. Hoje operamos de modo inconsciente com distinções, | ||
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| + | Não vivemos apenas na era da **comunicação **. Vivemos sobretudo a virulência de uma **comunicação ** planetária. Hoje tudo não só se comunica. Em tudo, que se comunica, age o vigor de uma **comunicação ** bem determinada. De todos os teóricos e técnicos desta **comunicação ** Marshall McLuhan é o único que procura apreender-lhe a força histórica na Saga do pensamento. Sua presença tem sido uma constante provocação. Seus temas ocupam espaços de jornais, reportagens de revistas, programas de televisão. Sua interpretação do mundo moderno é discutida, combatida, celebrada. Só não é pensada nas dimensões de diálogo que lhe abre o pensamento. Aprendendo a pensar I: Civilização Escrita e Cultura de Massa | ||
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| + | A primeira tese é fundamental: | ||
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| + | Na perspectiva do sistema de **comunicação ** estamos ligados ao mundo pelos sentidos. Tudo que imaginamos, construímos ou descobrimos, | ||
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| + | O livro não é um amplificador da vivência, é um dique com o ladrão sangrando racionalidade. Na dinâmica da **comunicação ** o livro é um meio de informação, | ||
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| + | A televisão possibilitou globalizar a convivência da conversa. Um mundo vivo, global, instantâneo, | ||
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| + | Hoje se inicia uma transformação radical nas relações de **comunicação **. Termina a era mecânica, montada sobre o livro, e começa a era eletrônica, | ||
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| + | Este pensar não é um fazer. É um deixar fazer-se. Ele pensa enquanto deixa ser. E é somente por isso que um pensar assim é o Hermes da Revelação. Pois deixa a revelação ser Revelação — o mistério de Deus no vigor da Linguagem de salvação — e não uma **comunicação ** de sentenças sem evidência de conteúdo. É o Hermes da teologia. Pois deixa a teologia ser teologia — a história do mundo no mistério da Linguagem de Deus em Cristo — e não um dicionário de definições sem ordem alfabética. É o Hermes da hermenêutica. Pois deixa a hermenêutica ser hermenêutica — a Linguagem de mistério da existência — e não a teoria e método de tradução de uma comunidade lingüística para outra. Aprendendo a pensar I: Hermenêutica, | ||
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| + | Para o pensamento objetivo, quando alguém faz uma revelação, | ||
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| + | Mas não foi somente o mistério que ficou à margem desta racionalização do homem. Também a revelação foi progressivamente reduzida a uma **comunicação ** divina que garantisse a verdade dos mistérios. Ora, como será possível comunicar a alguém discursos misteriosos sem lhe conceder o vigor e a vigência do próprio mistério, em cuja força ele poderá então ouvir a misteriosidade dos discursos? Em sua raiz originária a revelação não é uma **comunicação ** de verdades misteriosas e sim o processo de acionar-se do próprio mistério. Somente no dar-se do mistério é que se satisfazem as condições de possibilidade para uma revelação de verdades misteriosas. Uma **comunicação ** sobre o mistério pressupõe sempre a doação do mistério que se comunica. Pois uma **comunicação ** é apenas uma conscientização da doação já feita e nunca um substituto provisório, | ||
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| + | A solidariedade entre o entendimento da revelação, | ||
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