estudos:carneiro-leao:arte
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| + | ====== arte ====== | ||
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| + | //Excertos do livro " | ||
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| + | As mais das vezes esse acúmulo de conhecimentos periféricos só nos cega para a presença extraordinária da filosofia na existência. A fim de identificá-la, | ||
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| + | Quer nos esforços para distinguir as Ciências do Espírito das Ciências da Natureza, quer no entusiasmo pela psicologia descritiva, tanto nas investigações de pedagogia como nas reflexões sobre a **arte **, sempre é a história o único ponto centralizador de suas preocupações de filósofo. Dela adquirem unidade e consistência todas as suas obras durante o percurso inquieto de uma longa evolução. Nos anos de juventude propõe a história como a única dimensão capaz de possibilitar um desenvolvimento satisfatório do problema humano fundamental que tem atormentado os filósofos de todos os tempos em suas reflexões metafísicas. Os anos de madureza, os dedica à tarefa preliminar de uma fundamentação das Ciências do Espírito como a base da estruturação do mundo histórico. Nos anos da velhice constrói toda uma série de projetos que propõem o mundo da história fundamentado numa Crítica da Razão Histórica como a solução de todo o problema humano. A morte em 1911 tirou-lhe a possibilidade de executar esses projetos. Aprendendo a pensar I: O Problema da História em W. Dilthey | ||
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| + | A consciência histórica moderna deve sua formação e desenvolvimento à consciência científica moderna. Esta se caracteriza por uma nova relação do homem com o mundo. "A natureza, escreve Dilthey, já não se lhe apresenta como uma criatura divina. O homem meteu-lhe as mãos para arrancar as " | ||
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| + | O pensamento está sempre em tensão: com a consciência, | ||
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| + | Um pensamento originário é a coragem de descer às raízes das próprias possibilidades de pensar. Um pensamento originário é um pensamento radical. Procura interpretar os modos de ser da realidade, restituindo as estruturas de suas diferenças à identidade do mistério. O modo de ser, que nos apresenta como presente, não é originariamente um determinado presente cronológico. É tão antigo como a história. Algo, que é e sempre foi como é, por mais que se recue no tempo, é reconduzido ao vigor de um destino que estrutura a dimensão radical do Ser e por isso remonta para além de toda memória historiográfica. É a partir deste diapasão que nos fala o pensamento originário. O que é e como é o espaço-tempo de todas as coisas nas diferenças de seus modos presentes de ser é pensado num pensamento re-velador da identidade no mistério das dicotomias de ser e não ser, de movimento e permanência, | ||
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| + | 4. O Lugar da Introdução à Metafísica: | ||
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| + | A época da técnica e da ciência se essencializa numa " | ||
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| + | Nesse sentido também se originou o uso da palavra na Estética da segunda metade do século XVIII. Nas discussões sobre a **arte **, a obra de **arte ** e a atitude frente a elas, a Crítica estabelecia o decisivo, o constitutivo e definitivo do fenômeno estético em oposição aos demais fenômenos. Kant enriqueceu e aprofundou este uso com a trilogia: Crítica da Razão Pura, Crítica da Razão Prática e Crítica da Faculdade de Julgar. Aprendendo a pensar I: Existencialismo e Literatura | ||
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| + | A Crítica é literária, sendo Literatura, isto é, sendo **arte **. Para ser literária, tem necessidade de assumir o modo da **arte **. Ora, a **arte ** chega a seu modo de ser na obra. A obra de **arte ** é passagem obrigatória de todos os caminhos para a **arte **. Por isso o caminho que nos levará à **arte ** da Crítica será também aqui a obra literária: uma poesia! Por exemplo, a poesia de Mörike, intitulada: Auf eine Lampe! "Para um candelabro" | ||
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| + | O modo de ser do instrumento manifesta uma dupla referência: | ||
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| + | Os três penúltimos reúnem os anteriores, isto é, o candelabro, na unidade de sua presença de sedução e gravidade, de alegria e seriedade. Ambas impregnam toda a forma. Forma aqui não se opõe nem exclui mas se compõe e inclui o conteúdo. A forma é o vigor da unidade do candelabro articulada nos primeiros versos. Neste vigor a poesia faz brilhar a beleza do candelabro. Embora não acenda o candelabro, ela permite que apareça a luz de sua beleza. E a beleza aparece numa oposição e diferença, que os versos 7-9 procuram evidenciar. O nono resume toda a poesia até agora, ao dizer que se trata de uma obra de **arte ** verdadeira. Resumir o candelabro é tomá-lo no vigor de sua unidade. É tomá-lo em sua beleza de obra de **arte ** que sempre se opera numa distinção. Por isso Mörike, resumindo o candelabro, refere-se à falta de olhos para a beleza: quem ainda tem olhos para ver? É uma pergunta retórica. O que o poeta pretende é afirmar que já ninguém ou somente poucos os possuem. A pergunta é uma afirmação de pesar. Com o pesar, a pergunta afirma não só que a obra de **arte ** escapa em seu modo de ser à consideração do homem mas também que ela pertence ao homem. Por isso há poesia e o poeta suporta o pesar. O último Verso nos diz desse modo antitético de a **arte ** — o que é belo — morar no país dos homens. Todavia o que é belo apresenta em si mesmo um brilho feliz. O modo de ser da **arte ** é fazer brilhar em si mesmo o mundo dos homens. Na poesia de Mörike isso ocorreu na iluminação do mundo por um instrumento, | ||
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| + | Essa análise nos sugere à reflexão toda uma série de questões. O que a poesia faz aparecer são as mesmas referências e as mesmas revelações do mundo que constituem o modo de ser do candelabro, como meio de iluminação. Para que, então, necessitamos da poesia? Por que essa verdade do candelabro não se manifesta plenamente em seu emprego? Por que é preciso para isso de uma obra literária que ninguém pode usar para acender um quarto? E por que essa relação toda é privilégio de uma obra de **arte ** enquanto a presença objetiva de um candelabro não no-la pode transmitir? Aprendendo a pensar I: Existencialismo e Literatura | ||
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| + | O simples uso do candelabro não nos transmite as manifestações do mundo que seu ser instaura. É que seu emprego reside justamente em servir-se de suas relações efetivas, em usar seus serviços sem procurar realçar o sistema de referências que os possibilita. Usar um instrumento é obrigá-lo a desaparecer no uso que dele se faz. O bom candelabro é aquele de que não se sente a presença. Usar um instrumento é não se deter em seu modo de ser e sim passar através de sua utilidade à obtenção de sua finalidade. Para que o instrumento nos manifeste seu modo de ser, é necessário mudar de comportamento. É o que acontece na **arte **. A obra de **arte ** nos abre e mostra o ser do candelabro como instrumento de iluminação. O modo de ser da **arte ** é manifestar o mundo de tudo aquilo que é. É verdade que essa manifestação do ser se opera em toda atividade e em todo comportamento humano. Todavia, nem sempre é desenvolvida explicitamente. A ciência, por exemplo, é implicitamente uma manifestação do mundo, não obstante ela não se preocupa nem se atém à revelação do ser das coisas. Atenta ao que no real é determinação objetiva, universalizável e pragmática, | ||
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| + | Essas reflexões nos dizem que o processo de instauração do mundo comporta sempre a edificação de uma obra, uma operação. Assim como a **arte **, a ação criadora do político, que funda um novo sistema de convivência, | ||
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| + | Agora talvez esteja mais claro qual é o problema da Crítica Literária, onde reside toda a angústia do Crítico. É o problema de não ser **arte ** literária, de não ser Literatura para ser apenas ciência da Literatura. É a angústia de criticar a **arte ** literária com os critérios da filologia e da lingüística, | ||
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