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estudos:caputo:caputo-meht103-109-ser-e-deus

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estudos:caputo:caputo-meht103-109-ser-e-deus [16/01/2026 14:40] – created - external edit 127.0.0.1estudos:caputo:caputo-meht103-109-ser-e-deus [25/01/2026 19:41] (current) mccastro
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-===== Caputo (MEHT:103-109) – SER É DEUS =====+===== SER É DEUS (MEHT:103-109) =====
 No “Prólogo” do Opus Tripartitum, Eckhart expõe a “primeira proposição” da qual, se formos cuidadosos, quase tudo o que se pode conhecer de Deus pode ser deduzido (LW, I, 168/85). A proposição é: ser é Deus (esse est deus). Ele não diz, como fez Tomás de Aquino, que Deus é ser (deus est suum esse), mas adota a expressão mais extrema de que ser é Deus. Tomás de Aquino, realista e aristotélico, enfatizou que as criaturas possuíam sua própria e proporcional participação no ser, enquanto Deus possuía a plenitude ilimitada do próprio ser. Mas o místico Eckhart enfatiza, em vez disso, a dependência radical das criaturas em relação a Deus. Por si mesma, diz ele, a criatura é “absolutamente nada” (nihil penitus), um “puro nada” (ein reines Nichts: Q, 171, 9/Serm., 173) nem mesmo um modicum. A criatura não tem ser “em si mesma”, mas apenas “em Deus”. As coisas criadas têm ser, sustenta Eckhart, assim como o ar tem luz (LW, II, 274-5). O ar não “possui” a luz; ele simplesmente o recebe enquanto o sol o ilumina. A luz não está “enraizada” no ar, mas em sua fonte, o sol. Da mesma forma, a criatura não “possui” o ser, não o “segura”, mas recebe continuamente o ser de sua fonte, o próprio ser. O ser é Deus, isto é, o ser pertence propriamente somente a Deus, em quem somente ele está originalmente “enraizado” (LW, II, 282). No “Prólogo” do Opus Tripartitum, Eckhart expõe a “primeira proposição” da qual, se formos cuidadosos, quase tudo o que se pode conhecer de Deus pode ser deduzido (LW, I, 168/85). A proposição é: ser é Deus (esse est deus). Ele não diz, como fez Tomás de Aquino, que Deus é ser (deus est suum esse), mas adota a expressão mais extrema de que ser é Deus. Tomás de Aquino, realista e aristotélico, enfatizou que as criaturas possuíam sua própria e proporcional participação no ser, enquanto Deus possuía a plenitude ilimitada do próprio ser. Mas o místico Eckhart enfatiza, em vez disso, a dependência radical das criaturas em relação a Deus. Por si mesma, diz ele, a criatura é “absolutamente nada” (nihil penitus), um “puro nada” (ein reines Nichts: Q, 171, 9/Serm., 173) nem mesmo um modicum. A criatura não tem ser “em si mesma”, mas apenas “em Deus”. As coisas criadas têm ser, sustenta Eckhart, assim como o ar tem luz (LW, II, 274-5). O ar não “possui” a luz; ele simplesmente o recebe enquanto o sol o ilumina. A luz não está “enraizada” no ar, mas em sua fonte, o sol. Da mesma forma, a criatura não “possui” o ser, não o “segura”, mas recebe continuamente o ser de sua fonte, o próprio ser. O ser é Deus, isto é, o ser pertence propriamente somente a Deus, em quem somente ele está originalmente “enraizado” (LW, II, 282).
  
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