estudos:brague:brague-1988150-cura-sorge
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| estudos:brague:brague-1988150-cura-sorge [16/01/2026 14:40] – created - external edit 127.0.0.1 | estudos:brague:brague-1988150-cura-sorge [25/01/2026 16:31] (current) – mccastro | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| - | ===== Brague | + | ===== " |
| Outros afloramentos desse conceito (de cura (Sorge)) podem ser encontrados no pensamento antigo, por exemplo, quando Sêneca examina a maneira pela qual os animais estão cientes de sua constitutio (= systasis, cf. Diógenes Laërce, VII, 85). Todos os seres vivos são adaptados a isso (conciliari — oikeiosis, cf. Moraux (1973), 316-330) e à sua constituição atual. O si mesmo não pode mais ser (já que isso também se aplica a bebês) a parte pensante, ou mesmo uma parte em geral, mas “eu”: “é antes de tudo a si mesmo (sibi ipsum) que o animal é adaptado; deve haver de fato algo (aliquid) ao qual outras coisas estão relacionadas. Eu busco o prazer. Prazer de quem? Para mim mesmo. Portanto, eu me preocupo comigo mesmo (mei curam ago). Eu evito a dor. Para quem? Para mim mesmo. Portanto, eu me preocupo comigo mesmo. Se faço tudo por preocupação comigo mesmo (propter curam mei), é porque a preocupação comigo mesmo precede todas as coisas” (ad Luc., 121,17). Sêneca chama assim de cura o conhecimento implícito (de que é) próprio (de...) (cf. Cícero, Fin., IV, xiii, 34). Mas ele logo transfere esse “cuidado” para a natureza, que nos traz ao mundo como filhos amados, em vez de nos lançar (abjicere) como uma ninhada indiferente a ele (§ 18) — uma ideia que prefigura a Geworfenheit de Heidegger (cf. § 4, p. 37 f., n. 63 — sobre sua ligação com a preocupação, | Outros afloramentos desse conceito (de cura (Sorge)) podem ser encontrados no pensamento antigo, por exemplo, quando Sêneca examina a maneira pela qual os animais estão cientes de sua constitutio (= systasis, cf. Diógenes Laërce, VII, 85). Todos os seres vivos são adaptados a isso (conciliari — oikeiosis, cf. Moraux (1973), 316-330) e à sua constituição atual. O si mesmo não pode mais ser (já que isso também se aplica a bebês) a parte pensante, ou mesmo uma parte em geral, mas “eu”: “é antes de tudo a si mesmo (sibi ipsum) que o animal é adaptado; deve haver de fato algo (aliquid) ao qual outras coisas estão relacionadas. Eu busco o prazer. Prazer de quem? Para mim mesmo. Portanto, eu me preocupo comigo mesmo (mei curam ago). Eu evito a dor. Para quem? Para mim mesmo. Portanto, eu me preocupo comigo mesmo. Se faço tudo por preocupação comigo mesmo (propter curam mei), é porque a preocupação comigo mesmo precede todas as coisas” (ad Luc., 121,17). Sêneca chama assim de cura o conhecimento implícito (de que é) próprio (de...) (cf. Cícero, Fin., IV, xiii, 34). Mas ele logo transfere esse “cuidado” para a natureza, que nos traz ao mundo como filhos amados, em vez de nos lançar (abjicere) como uma ninhada indiferente a ele (§ 18) — uma ideia que prefigura a Geworfenheit de Heidegger (cf. § 4, p. 37 f., n. 63 — sobre sua ligação com a preocupação, | ||
estudos/brague/brague-1988150-cura-sorge.txt · Last modified: by mccastro
