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estudos:boutot:boutot-199349-51-kehre-viragem

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estudos:boutot:boutot-199349-51-kehre-viragem [16/01/2026 14:40] – created - external edit 127.0.0.1estudos:boutot:boutot-199349-51-kehre-viragem [25/01/2026 16:24] (current) mccastro
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-===== Boutot (1993:49-51) – Kehre - VIRAGEM =====+===== Kehre - VIRAGEM (1993:49-51) =====
 Os comentadores distinguem habitualmente dois períodos na obra de Heidegger, separados por aquilo a que chamamos, de acordo com o próprio Heidegger, a viragem (die Kehre): a procura do sentido do ser, caraterística da época de O Ser e o tempo, cede o lugar, a partir dos anos 30, a uma meditação sobre a verdade do ser. Na segunda parte da sua obra, Heidegger não procura mais discernir o ser ou o sentido do ser partindo da análise preliminar do fenômeno da compreensão do ser, mas pensa o ser ou a verdade do ser virando-se diretamente para o próprio ser. «O pensamento saído de O Ser e o Tempo», diz Heidegger, «insiste mais sobre a própria abertura do ser que sobre a abertura do ser-aí face à abertura do ser. Tal é o significado da viragem, pela qual o pensamento se vira sempre mais resolutamente para o ser enquanto ser» (Questions IV, Paris, Gallimard, 1976, p. 279). E de notar que esta viragem do pensamento heideggeriano não corresponde a uma inversão e ainda menos a uma negação, mas antes a um aprofundamento da problemática desenvolvida em O Ser e o Tempo. «A viragem», diz Heidegger, «não é uma modificação do ponto de vista de O Ser e o Tempo, mas apenas, nela, o pensamento que se procurava chega à região dimensional a partir da qual Ser e Tempo é experimentado» (Questions III, Paris, Gallimard, 1966, p. 97). Ao penetrar neste domínio da verdade do ser, Heidegger atinge a dimensão no seio da qual se desenvolvia já o pensamento publicado em O Ser e o Tempo. Os comentadores distinguem habitualmente dois períodos na obra de Heidegger, separados por aquilo a que chamamos, de acordo com o próprio Heidegger, a viragem (die Kehre): a procura do sentido do ser, caraterística da época de O Ser e o tempo, cede o lugar, a partir dos anos 30, a uma meditação sobre a verdade do ser. Na segunda parte da sua obra, Heidegger não procura mais discernir o ser ou o sentido do ser partindo da análise preliminar do fenômeno da compreensão do ser, mas pensa o ser ou a verdade do ser virando-se diretamente para o próprio ser. «O pensamento saído de O Ser e o Tempo», diz Heidegger, «insiste mais sobre a própria abertura do ser que sobre a abertura do ser-aí face à abertura do ser. Tal é o significado da viragem, pela qual o pensamento se vira sempre mais resolutamente para o ser enquanto ser» (Questions IV, Paris, Gallimard, 1976, p. 279). E de notar que esta viragem do pensamento heideggeriano não corresponde a uma inversão e ainda menos a uma negação, mas antes a um aprofundamento da problemática desenvolvida em O Ser e o Tempo. «A viragem», diz Heidegger, «não é uma modificação do ponto de vista de O Ser e o Tempo, mas apenas, nela, o pensamento que se procurava chega à região dimensional a partir da qual Ser e Tempo é experimentado» (Questions III, Paris, Gallimard, 1966, p. 97). Ao penetrar neste domínio da verdade do ser, Heidegger atinge a dimensão no seio da qual se desenvolvia já o pensamento publicado em O Ser e o Tempo.
  
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