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estudos:boutot:boutot-199328-29-privilegio-do-ser-humano

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 +===== PRIVILÉGIO DO "SER" HUMANO (1993:28-29) =====
 +O ente, porém, recobre várias coisas, pois tudo o que é dele faz parte. Convém então determinar com precisão qual é o ente que deve servir de fio condutor à questão do ser. A escolha de Heidegger assenta no ente que põe a questão do ser, quer dizer sobre o ente que nós próprios somos, e que ele designa sob o nome de Dasein (o ser-aí). O ser-aí goza de um privilégio insigne, que o designa muito especialmente por ser o objeto interrogado em primeiro lugar e antes de qualquer outro. O ser humano não é um ente qualquer, mas possui a característica fundamental de estar sempre já em relação com o ser. Nós movemo-nos sempre no seio de uma certa compreensão do ser, nós sabemos o que ele quer dizer, mesmo se somos incapazes de explicitar esse saber, geralmente vago e confuso. Juntemos que essa compreensão do ser não é algo que nos caiba ou que nos seja retirado, ela é uma determinação constitutiva do nosso ser. «A compreensão do ser», diz Heidegger, «é ela mesma uma determinação do ser do ser-aí». O ser-aí é um ser ontológico, o que não significa, bem entendido, que ele tenha já elaborado uma ontologia, mas que, compreendendo o ser, ele é a condição de possibilidade de todas as ontologias. O esforço de Heidegger em O Ser e o tempo é então o seguinte: manifestar o sentido do ser, analisando antes de tudo o ser que compreende o ser, isto é, o ente que nós somos (o ser-aí). (1993, p. 28-29)
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