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-===== Boutot (1993:104-108) – O CRESCIMENTO DO QUE SALVA =====+===== O CRESCIMENTO DO QUE SALVA (1993:104-108) =====
 Alguns viram na interpretação heideggeriana da modernidade uma condenação sem apelo equivalente a uma rejeição pura e simples da técnica. Este modo de ver repousa, na realidade, sobre um mal-entendido tenaz que o próprio Heidegger não cessou de denunciar. O discurso heideggeriano não é dirigido contra a técnica e não prega um qualquer retorno à Idade Média ou mesmo à Idade da Pedra, o que seria ridículo, mas tenta fundamentalmente discernir-lhe a essência (Conversa com R. Wisser, Cahier de l'Herne, Heidegger, Paris, 1983, p. 95). Heidegger aborda a técnica como «fenomenólogo», perspectivando-a no quadro da história do ser. Mais precisamente, visa preparar, ao evidenciar o perigo inerente à essência da técnica, o discernimento do que reclama desde sempre ser pensado, ou seja, o discernimento do próprio ser. Heidegger vê bem que todas as atitudes de simples rejeição a respeito da técnica são sempre muito limitadas pois, ao separarem-se voluntariamente, e na verdade ilusoriamente, do mundo, deixam o campo aberto para o desenvolvimento da técnica, para o desdobramento do esquecimento do ser. Para conter o desfraldar da técnica, não se deve deixar a técnica de lado, mas, pelo contrário, afrontá-la, pondo em evidência o perigo que a carateriza, perigo não pensado, perigo de que o pensamento calculante está longe de suspeitar a amplitude e o significado. A manifestação do perigo, longe de ser qualquer coisa de negativo pode, pelo contrário, ser extremamente libertadora ou salvadora. Alguns viram na interpretação heideggeriana da modernidade uma condenação sem apelo equivalente a uma rejeição pura e simples da técnica. Este modo de ver repousa, na realidade, sobre um mal-entendido tenaz que o próprio Heidegger não cessou de denunciar. O discurso heideggeriano não é dirigido contra a técnica e não prega um qualquer retorno à Idade Média ou mesmo à Idade da Pedra, o que seria ridículo, mas tenta fundamentalmente discernir-lhe a essência (Conversa com R. Wisser, Cahier de l'Herne, Heidegger, Paris, 1983, p. 95). Heidegger aborda a técnica como «fenomenólogo», perspectivando-a no quadro da história do ser. Mais precisamente, visa preparar, ao evidenciar o perigo inerente à essência da técnica, o discernimento do que reclama desde sempre ser pensado, ou seja, o discernimento do próprio ser. Heidegger vê bem que todas as atitudes de simples rejeição a respeito da técnica são sempre muito limitadas pois, ao separarem-se voluntariamente, e na verdade ilusoriamente, do mundo, deixam o campo aberto para o desenvolvimento da técnica, para o desdobramento do esquecimento do ser. Para conter o desfraldar da técnica, não se deve deixar a técnica de lado, mas, pelo contrário, afrontá-la, pondo em evidência o perigo que a carateriza, perigo não pensado, perigo de que o pensamento calculante está longe de suspeitar a amplitude e o significado. A manifestação do perigo, longe de ser qualquer coisa de negativo pode, pelo contrário, ser extremamente libertadora ou salvadora.
  
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