estudos:bollnow:chambon:horizonte
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| + | ====== Horizonte ====== | ||
| + | //CHAMBON, C. Logique de la finitude: essai sur l’expérience de la réalité. Strasbourg: Presses universitaires de Strasbourg, 1990, p. 53-55.// | ||
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| + | **Presença do horizonte** | ||
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| + | 1. O problema da idealidade da transcendência é o do estatuto da idealidade invisível, questionando-se como o homem pode ser atravessado por pensamentos que não vê, ainda que Merleau-Ponty tenha também falado de uma visão do mundo, estabelecendo relação entre a faculdade de ver o horizonte e a ausência de pertencimento real ao mundo. | ||
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| + | 2. Ressalta-se a contradição constituída pela inobjetividade dos limites e pela afirmação contrária, meio evocada meio defendida, de sua visão, ligando-se esse tema à preeminência do vidente em quem se reúne o Todo do campo de visão, sendo o agrupamento do visível em campo totalitário análogo a uma visão segundo Merleau-Ponty. | ||
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| + | 3. No texto em que ataca a filosofia de Sartre, Merleau-Ponty resume a posição deste, criticando o caráter apriorístico da visão sub-repticiamente avançado por ele, segundo o qual seria o nada constitutivo da consciência que faria tanto a distância do ser quanto sua proximidade. | ||
| + | * Sartre afirma, segundo Merleau-Ponty relata, que "é, portanto, meu nada constitutivo que faz a distância do ser assim como sua proximidade... que constitui em limites os limites do meu campo; ele transpõe esses limites, esse distanciamento, | ||
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| + | 4. Merleau-Ponty faz observação análoga a respeito de Kant na Fenomenologia da Percepção, | ||
| + | * Merleau-Ponty afirma que "Kant tem razão ao dizer que a percepção é, de si, polarizada para o objeto", | ||
| + | * Merleau-Ponty acrescenta que "o sistema da experiência não está desdobrado diante de mim como se eu fosse Deus", sendo antes vivido por mim de certo ponto de vista, do qual não sou o espectador mas parte, tornando essa inerência possível ao mesmo tempo a finitude de minha percepção e sua abertura ao mundo total. | ||
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| + | 5. Se o visível é remetido ao espectador, é necessário que este conheça o campo do visível em sua reflexão sobre si mesmo, devendo aparecer o campo do visível pelo qual os aspectos das coisas lhe são oferecidos e conduzidos a seus limites, sendo na filosofia clássica o sujeito, sujeito da representação. | ||
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| + | 6. Ainda que rompido, um vínculo ao ser permanece contido no saber de si de um sujeito representante, | ||
| + | * Hume assevera que "os sentidos não engendram a opinião de uma existência distinta, pois não a apresentam ao espírito nem por representação, | ||
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| + | 7. Kant quis ser rigoroso, exigindo a crítica do conhecimento e a separação entre coisa em si e fenômeno a fundação do ceticismo como atitude rigorosa, requerendo a substituição do saber pela fé racional a delimitação, | ||
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| + | 8. Este é o sentido da distinção entre balizas e limites do conhecimento, | ||
| + | * Kant afirma que "a determinação dos limites de nossa razão só pode, portanto, ser feita segundo princípios a priori", | ||
| + | * Kant recorre à imagem de uma superfície esférica, na qual, medindo a diferença angular de parte dela, remonta-se ao diâmetro da esfera, obtendo-se assim, de dentro do domínio e sem sair dele, o conhecimento de sua extensão global, de sua completa circunscrição. | ||
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| + | 9. O horizonte do conhecimento é um horizonte negativo, tangencial ao círculo finito de nosso domínio, que revela seus limites sem nos fazer sair dele, questionando-se como conheceríamos os limites de nosso conhecimento humano se não pudéssemos vê-los. | ||
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| + | 10. Em Kant, a delimitação do campo da sensibilidade não pode fazer-se no próprio plano desta, requerendo a ação do entendimento, | ||
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| + | 11. Cabe a uma faculdade não sensível pensar o ser, a fim de conferir à sensibilidade os limites que ela reclama, pensando o entendimento o ser-em-si como numeno, sendo este o ser-em-si em sentido negativo, não procurando ao entendimento extensão positiva alguma rumo ao absoluto. | ||
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| + | 12. Ao limitar a sensibilidade, | ||
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| + | 13. Tal é o sentido da definição a priori dos limites, havendo uma visão mental do horizonte que mede a sensibilidade e atesta a finitude de nosso acesso às coisas, sendo por se tratar de visão mental que estamos encerrados nos limites de nossa perspectiva sensível. | ||
| + | * Essa visão mental do horizonte dos limites é sua objetivação, | ||
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| + | 14. A objetivação vazia do horizonte é um aprisionamento nos limites que ela produz, e também a incapacidade de desembocar no próprio horizonte, sendo a visão mental do horizonte sua perda. | ||
| + | * Kant afirma que "é bem evidente que não poderia conhecer como objeto justamente aquilo que me é preciso supor para conhecer em geral um objeto, e que o eu determinante deve ser distinto do eu determinado" | ||
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| + | 15. O único conhecimento possível seria, pretensamente, | ||
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| + | 16. Cai-se necessariamente no círculo vicioso constituído pela impossibilidade de conhecer o sujeito transcendental que constitui a forma de todo conhecimento, | ||
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| + | 17. A extensão máxima da representação significa que a forma de todo conhecimento, | ||
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| + | 18. Essas análises fazem aparecer a diferença que separa a visão do horizonte, em sentido objetivo, daquilo que seria sua experiência efetiva, pois ver o horizonte é repeli-lo ao infinito, conferindo-lhe caráter de horizonte, tornando-se impossíveis sua experiência e seu caráter de totalidade. | ||
| + | * Merleau-Ponty, | ||
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| + | 19. Merleau-Ponty acrescenta que "é preciso que haja sempre limite; o que é ganho de um lado é preciso perdê-lo do outro", | ||
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| + | 20. O horizonte só engloba nossa visão e constitui por isso campo de pertencimento se os limites de nossa visão forem insuperáveis, | ||
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| + | 21. Kant não deixou de notar isso, sendo o objeto pelo qual pensamos o X por trás dos fenômenos, o numeno ao qual reportamos nossas sensações, | ||
| + | * Kant assevera que "toda intuição contém em si um diverso que, todavia, não seria representado como tal se o espírito não distinguisse o tempo na série das impressões sucessivas", | ||
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| + | 22. Vê-se mal como os limites vêm verdadeiramente a si mesmos se o entendimento fornece a unidade necessária ao estabelecimento dos limites da intuição, não contendo esta o momento de seu objeto, questionando-se como o sujeito estaria situado no entre-dois do conhecimento. | ||
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| + | 23. Para que o sujeito esteja no entre-dois e seja promovido a espectador, é preciso que o objeto da intuição seja dado, bem como o campo da distanciação, | ||
| + | * Schopenhauer teria pressentido esse ponto ao afirmar que "o tempo e o espaço são contínuos, ou seja, todas as suas partes não estão originariamente separadas, mas ao contrário unidas entre si", sendo por isso o tempo e o espaço as formas universais de nossa intuição. | ||
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| + | 24. O que se coloca aqui, no fundo, é o problema do estatuto da representação, | ||
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| + | 25. A abertura é anterior ao sujeito, embora se realize nele, requerendo uma testemunha situada em face dos existentes, que os aborda de fora, a seu ponto de vista, sendo a antecedência aquela da abertura em relação à sua realização na relação sujeito-objeto, | ||
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| + | 26. Heidegger assinala, em "O Princípio de Razão", | ||
| + | * Aristóteles, | ||
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| + | 27. O em-si da manifestação é o fenômeno da automanifestação do ser e o movimento autônomo de sua abertura, sendo o campo do ser manifesto de si porque se abre de si mesmo, não dependendo de nós que o vejamos ou não, sendo sua presença constante e o mais manifesto, impondo-se e não podendo cair no esquecimento. | ||
| + | * Heidegger afirma que "é mesmo necessário que o ser brilhe primeiro por si mesmo, para que as coisas que são possam a cada vez aparecer", | ||
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| + | 28. Essa presença sempre salva, reunida e constante do campo da abertura constitui um enigma, pois questiona-se para quem ela é manifesta-em-si, | ||
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| + | 29. É preciso arrancar o conhecimento dessa visão para devolvê-lo ao ser, significando o acostumamento desviante à visão que a iluminação própria e natural do ser recai sobre o aspecto, a forma do ente oferecida ao olhar do homem, parecendo esse recaimento justificar uma apropriação humana da luz. | ||
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| + | 30. A abertura é esquecida por ser confundida com o olhar avante do homem, consistindo o conhecimento devolvido ao ser numa visão anterior à visão sobre a determinação, | ||
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| + | 31. A vista do ser no ser já não é, portanto, literalmente um olhar, o olhar obstinado sobre a face do ente, sendo antes a essência da vista, questionando-se como pode haver visão em si estando a visão ligada ao vidente, não supondo toda visão alguém e não sendo sempre também visão de algo. | ||
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| + | 32. Heidegger esclarece a natureza da manifestação em si, afirmando que aquilo pelo qual essas coisas, de si presentes, chegam à presença e à eclosão, nunca se encontra em face de nós como as coisas presentes aqui e ali a cada momento, oferecendo antes o caráter de se reter e permanecer de certo modo na sombra. | ||
| + | * Heidegger acrescenta que aquilo que faz as coisas chegarem à presença "nunca se encontra em face de nós como as coisas que a cada momento estão presentes aqui e ali... oferece esse caráter de se reter e de certo modo permanecer na sombra" | ||
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| + | 33. A automanifestação do ser garante a das coisas, permitindo-lhes mostrar-se de si mesmas no face a face, implicando que o olhar do homem sobre as coisas não seja de sua autoria, advindo antes como necessidade, | ||
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| + | 34. Essa percepção primeira não é objetiva, pois o campo da abertura nunca faz face e nunca é algo, não se resumindo por isso na vista do homem, estando esta fundada na percepção de uma dimensão invisível, permanecendo essencial a questão de como entender essa ausência de visão característica da percepção do horizonte. | ||
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| + | 35. Os propósitos de Heidegger caracterizam-se por notável ambiguidade, | ||
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| + | 36. A não-facialidade do campo do Ser é interpretada como presença em modo de ausência, questionando-se se o não estar em face, o não ser objeto, equivale a um retraimento, | ||
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| + | 37. Definir como retraimento e ausência o caráter inobjetivo da presença do campo de eclosão é considerá-lo do ponto de vista da consciência de objeto, o que contradiz a secundariedade reconhecida dessa vista, permanecendo a natureza de uma manifestação em si mergulhada na obscuridade. | ||
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| + | 38. Compreende-se o que significa esse modo das coisas se fazerem ver pelo homem, de se voltarem para ele, destruindo a ideia de abertura assim a ideia tradicional de representação, | ||
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| + | 39. Questiona-se como a visão que requer o homem e lhe é relativa pode operar-se sem ele, antes dele, e o que seria a manifestação em si do campo da eclosão implicada nessa operação, devendo tratar-se de manifestação que, oferecendo o Ser, não o reabsorva em sua percepção. | ||
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| + | 40. Uma manifestação em si só é possível se aquilo que se manifesta não cair sob o golpe do esse est percipi, não podendo aqui, porém, como para as coisas, haver o transbordamento rumo a um horizonte que caracteriza sua percepção e as impede de se reabsorver no aparecer, sendo o próprio horizonte que aparece. | ||
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| + | 41. Isso supõe que o horizonte não seja por sua vez transbordado por novo horizonte, dando-se por inteiro, imediatamente, | ||
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| + | 42. A resposta talvez esteja contida na própria pergunta, pois conhecer o Todo não é reduzi-lo ao conhecimento, | ||
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| + | 43. A noção de uma aparição do horizonte põe em jogo toda a questão da filosofia, pois enquanto o horizonte é pensado, como em Kant, como função transcendental da fenomenalidade externa no pleno exercício de seu desdobramento, | ||
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| + | 44. Ele é então apreendido unicamente em seu retraimento, | ||
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| + | 45. Pensar, ao contrário, sua própria aparição confere-lhe a possibilidade de estar presente enquanto tal, no Todo de seu ser e na unidade de sua envergadura, | ||
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| + | 46. Isso o admite como transcendência absoluta e real do ente, devolvendo-o à sua própria unidade antes que seu movimento de exteriorização se tenha totalmente cumprido até sua perda, questionando-se se essa perda é seu esgotamento ou seu nascimento, ou se seu esgotamento não é ele mesmo seu cumprimento e sua vinda. | ||
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| + | 47. Questiona-se se a manifestação do horizonte no absoluto não seria um contrassenso, | ||
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| + | 48. Esse argumento não parece válido, pois o que está em jogo é precisamente a noção de cumprimento do limite, não sendo o cumprimento um fim, não tendo o nada jamais o poder de se cumprir, pois o nada nada produz, sendo o cumprimento do limite, a vinda do limite a si mesma, o cumprimento da função do horizonte. | ||
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| + | 49. A completude do limite é a completude de sua condição, e a doação a si dessa condição como totalidade do limite, não se perdendo o horizonte na vinda do limite, mas nela se realizando e vindo a si em seu Todo, não podendo o cumprimento ser um fim, um esgotamento. | ||
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| + | 50. Do que morre não se pode dizer que se cumpra, ou então são as próprias noções de fim e de perda que merecem ser pensadas na multiplicidade articulada de suas significações, | ||
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| + | 51. Se a efetuação do fundamento é sua terminação no limite, mas essa terminação é pensada como desaparecimento radical, resta apenas o nada, não se vendo como o nada, que nada é, poderia sustentar o limite, tendo a implicação do nada na promoção do limite sentido bem distinto. | ||
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| + | 52. O cumprimento supõe o nada e revela-se assim cumprimento necessariamente finito, pois enquanto término vai até o fundo do nada, isto é, o supera e o faz advir como nada, não tendo o nada existência própria, sendo apenas o elemento necessário ao ato da vinda que o supera e o faz advir como nada. | ||
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| + | 53. A perda do fundamento em sua efetuação não é, assim, senão seu engajamento absoluto, seu total investimento em seu ato, sua formação e autotransformação no limite, sendo o cumprimento do horizonte seu reabastecimento, | ||
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| + | 54. É a própria operação que se nutre de seu cumprimento, | ||
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| + | 55. Justamente por ser o horizonte apenas função distanciadora, | ||
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| + | 56. Longe de ser quadro estático anterior aos entes, o horizonte é atividade, movimento que só se cumpre na e pela vinda dos entes limitados à cena de toda limitação em geral, não sendo o cumprimento da exteriorização no teatro da comparência sujeito-objeto o esgotamento da Área que desdobra a extensão do teatro, mas sua efetuação verdadeira. | ||
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| + | 57. Essa efetuação implica sua parusia, dando o resultado da operação sua própria possibilidade, | ||
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| + | 58. Em cada resultado o movimento chega a seu término, instalando-se seu possível em si mesmo, de sorte que conserva reserva e obtém a possibilidade de continuar e prosseguir além do resultado obtido, sobrevindo pelo resultado a preeminência da operação sobre o resultado, a integridade mantida da operação, a potência de reserva. | ||
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| + | 59. Pode-se assim pensar que a objetivação com o que a caracteriza, | ||
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| + | 60. Chegado a seu termo, esse processo apenas remete a seu possível e à potência infinita e jamais alterada do movimento que o funda e que, na integridade e unidade de sua operação enquanto operação, lhe é anterior por reunir-se em si e por si na potência de seu dinamismo eternamente recomeçado. | ||
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| + | 61. Haveria assim dois sentidos e duas camadas do aparecer: o aparecer objetivo, totalmente objetivo e relativo ao homem, e que remeteria a um aparecer-em-si, | ||
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| + | 62. Nesse aparecer absoluto, onde o movimento da manifestação não estaria completamente desdobrado, a operação incessante se retomaria em cada efetuação, | ||
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| + | 63. A reserva do horizonte não deve ser entendida como o nada ou a pura ausência, mas como a persistência da operação em si mesma, sua obra e seu inacabamento real, sendo esse inacabamento real a presença a si da operação, o gozo de seu possível. | ||
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| + | 64. Esse inacabamento se cumpre num aparecer essencialmente diferente do aparecer objetivo, e enquanto a presença é pensada em termos de proximidade objetiva, de face, de face a face entre sujeito e objeto, a reserva horizontal que ao mesmo tempo constitui e desmente essa presença não pode ser pensada como contendo em seu cerne presença primeira e absoluta do horizonte a si mesmo. | ||
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| + | 65. Ela significa apenas a impossibilidade de uma presença plenária no sentido da presença objetiva, mas como essa impossibilidade implica a perfeição dos limites que nos separam do ser, é natural pensar na presença em si da condição, tratando-se então de aparecer fundamentalmente diferente do aparecer objetivo. | ||
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| + | 66. Tratar-se-ia do aparecer da operação a si mesma, não de um objeto estático, e nisso do aparecer de um processo anterior ao conhecimento objetivo, não podendo tratar-se de saber objetivamente perfeito, mas antes de presença-a-si perfeita, porém de um ser inacabado, sob o modo de uma proximidade não facial. | ||
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| + | 67. Tratar-se-ia de um aparecer-em-si, | ||
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| + | 68. Ao em-si do conteúdo manifestado deveria corresponder o em-si de sua manifestação, | ||
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| + | 69. A meditação sobre a essência em si da representação aproxima de questões essenciais, entre elas a antecedência da manifestação ao sujeito e o paradoxo de uma manifestação " | ||
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