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| + | ====== Contração e distensão ====== | ||
| + | //CHAMBON, C. Logique de la finitude: essai sur l’expérience de la réalité. Strasbourg: Presses universitaires de Strasbourg, 1990, p. 53-55.// | ||
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| + | **Observação sobre a contração e a distensão** | ||
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| + | 1. A contração subjetiva foi pensada por Merleau-Ponty, | ||
| + | * Merleau-Ponty afirma que "só há tempo para mim porque nele estou situado, isto é, porque nele me descubro já engajado, porque todo o ser não me é dado em pessoa" | ||
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| + | 2. O problema colocado pelo autor é duplo, pois a unidade e a coesão da temporalidade, | ||
| + | * Merleau-Ponty assevera que "a subjetividade não está no tempo porque assume ou vive o tempo e se confunde com a coesão de uma vida". | ||
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| + | 3. Há um estilo temporal do mundo, permanecendo o tempo o mesmo porque cada dimensão temporal é tratada ou visada como outra coisa que não ela mesma, havendo no coração do tempo um olhar, ou, como diz Heidegger, um [[lx> | ||
| + | * Merleau-Ponty afirma que "há um estilo temporal do mundo e o tempo permanece o mesmo porque o passado é um certo porvir e um presente recente, o presente um passado próximo e um porvir recente, o porvir enfim um presente e mesmo um passado por vir", concluindo que há no coração do tempo um olhar por quem a palavra como pode ter sentido. | ||
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| + | 4. Uma subjetividade é necessária para manter a unidade na distanciação temporal, devendo contudo esse foco subjetivo estar submetido a ela, sendo sua identidade um reenvio ao outro como reenvio a si mesmo, reenvio que tece o tempo, constituído em seu cerne por essencial analogia, por um como-se. | ||
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| + | 5. Esse foco é alguém, uma consciência humana, ou mais exatamente um olhar, sendo como olhar que a consciência mantém a unidade do esgarçamento em seu próprio esgarçamento, | ||
| + | * Merleau-Ponty afirma que, "no entanto, esse jorrar do tempo não é um simples fato que eu sofro, posso encontrar nele um recurso contra ele mesmo... ele me arranca daquilo que eu ia ser, mas me dá ao mesmo tempo o meio de me apreender à distância e de me realizar como eu". | ||
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| + | 6. O tempo constitui-se por oscilação entre distensão e contração, | ||
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| + | 7. Por ser a edificação do Tempo um recurso contra ele mesmo, apoiado em sua própria exterioridade, | ||
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| + | 8. Questiona-se se a diferença sublinhada por Husserl e por Fink entre as representações e os horizontes de despresentificação não é, no fim das contas, esquecida e recalcada nessa concepção merleau-pontyana da contração como recurso contra o tempo. | ||
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| + | 9. A contração provavelmente não possui, em todo o seu ser, a significação plenamente antagonista que assume quando apreciada unilateralmente do ponto de vista da exterioridade do espetáculo, | ||
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| + | 10. Essa contração não se opõe ainda radicalmente à distensão precisamente porque opera contra ela, sendo a contração a operação de contrariar a distensão, operação que só se atualiza apoiando-se contra a própria distensão, sendo esta o elemento da contrariedade e o contra do antagonismo, | ||
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| + | 11. A distensão, elemento da contrariedade, | ||
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| + | 12. A temporalidade é, assim, conjugação de pertencimento e de distanciamento, | ||
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