estudos:blanc:blanc-que-nos-ainda-nao-pensamos
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| + | ===== QUE NÓS AINDA NÃO PENSAMOS... ===== | ||
| + | «QUE NÓS AINDA NÃO PENSAMOS, É O QUE, NA NOSSA ÉPOCA CRÍTICA, MAIS DA QUE PENSAR» | ||
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| + | O possível do pensar está na libertação da sua forma, na saída do enclausuramento que a si próprio se impôs através do modo filosófico de pensar. | ||
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| + | Isso não se consegue, porém, pelo reconhecimento do carácter derivado da onto-teo-logia. Porque a referenciação da dimensão originária é efetuada a partir da filosofia e na óptica, que a caracteriza, | ||
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| + | Será então suficiente, para conseguir a saída da filosofia, questionar o seu modo de pensar? Ou não correremos com isso o perigo de uma libertação ilusória, prolongando, | ||
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| + | Ainda neste ponto particular, pensamos que Deleuze adianta um «caminho» que gostaríamos de poder vir a explorar. Segundo este autor, só o encontro fortuito, mas irremissível, | ||
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| + | Há assim o que deixa o pensamento tranquilo, entregue ao exercício de recognição, | ||
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| + | Ele possui, segundo o nosso autor, dois caracteres principais: | ||
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| + | 1) é algo que só pode ser sentido, que não é partilhado pelas outras faculdades - o próprio ser do sensível; | ||
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| + | 2) é algo que comove a alma, a torna perplexa, a obriga a pôr um problema. | ||
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| + | A libertação do pensar está na atualização de possibilidades atrofiadas pela hegemonia do «logos». O veículo para essa libertação é o encontro com o que nos força a pensar. Por ele se opera a transmutação da relação cognitiva com o «real» numa relação essencialmente poiética. A radicalidade desse encontro reside no despojamento a que nos obriga, no abandono a que nos força, de qualquer pressuposição. | ||
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| + | «Forçar a pensar» significa então: instaurar essa relação que é o ato de pensar: «(...) pensar não é inato, mas tem de ser engendrado no pensamento. (...) o problema não está em dirigir ou aplicar metodicamente um pensamento preexistente em natureza e direito, mas em fazer nascer o que não existe ainda (não há outra obra, tudo o mais é arbitrário e adorno). Pensar é criar, não há outra criação, mas criar é, em primeiro lugar, engendrar ' | ||
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| + | Será que, nesta acepção radical, nós, «na nossa época crítica», já pensamos? A grandeza do pensamento de Heidegger, a sua futuridade, vem dessa simples constatação: | ||
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| + | (excertos de Mafalda Faria Blanc, O Fundamento em Heidegger) | ||
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