estudos:biemel:start
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| + | ====== Biemel ====== | ||
| + | Walter Biemel (1918-2015) | ||
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| + | * O entrevistado, | ||
| + | * Chegando a Friburgo na primavera de 1942, seu primeiro seminário com Heidegger versou sobre os progressos da metafísica de Leibniz a Wolff, surpreendendo-se ao descobrir que o homem que limpava o quadro era o próprio Heidegger | ||
| + | * a explicação de Heidegger sobre o Iluminismo como modo pelo qual o século XVIII se compreendeu a si mesmo, e sua observação irônica de que Wolff fora mais professor de filosofia que filósofo, como nós | ||
| + | * o cuidado de Heidegger em ensinar a ler profundamente, | ||
| + | * a comparação entre o estilo de Heidegger e o de Husserl, sendo para aquele a estrutura e disposição de um texto sempre muito importantes, | ||
| + | * Os alunos estavam intimidados diante de Heidegger, que preferia as aulas de sua juventude quando era contestado continuamente, | ||
| + | * Heidegger interpelando pessoalmente os participantes, | ||
| + | * É difícil fixar um julgamento global sobre a relação das diferentes gerações de discípulos com Heidegger, que sempre foi cético quanto a toda tentativa de repetição de seu pensamento | ||
| + | * a citação de Heidegger segundo a qual talvez os hegelianos não tenham entendido nada de Hegel nem os heideggerianos nada de Heidegger | ||
| + | * Heidegger foi absolutamente um homem da palavra escrita, preparando suas aulas palavra por palavra com sublinhados coloridos indicando entonação, | ||
| + | * a discussão com Cassirer sendo quase uma exceção, preferindo Heidegger geralmente retirar-se após suas exposições sem debate | ||
| + | * Na relação de Heidegger com a tradição filosófica, | ||
| + | * a crítica de Heidegger à história da metafísica decorrendo de nela identificar o conceito de vontade e a tendência do homem a se tornar senhor do ser, conduzindo à concepção técnica | ||
| + | * O termo destruição é conceito perigoso que Heidegger usa não no sentido de eliminação mas de redescoberta do ímpeto originário, | ||
| + | * a vantagem desse acesso sendo permitir atualizar Aristóteles, | ||
| + | * Diferentemente de Husserl, que pensava poder recomeçar do zero, Heidegger estava convencido de não poder ignorar a história, estando esta dentro de nós mesmos | ||
| + | * a preferência pelos pré-socráticos explicando-se por neles reluzir subitamente a importância da alétheia, experiência da abertura que possibilita o acesso ao ser | ||
| + | * a presença constante do Mestre Eckhart e seu conceito de Gelassenheit até a obra tardia, questionando-se se não estaria presente quando Heidegger fala de Deus e do Divino | ||
| + | * o trabalho de Brentano sobre os múltiplos sentidos do ser em Aristóteles tendo sido o núcleo detonador do pensamento heideggeriano, | ||
| + | * Outros filósofos importantes para a gênese do pensamento próprio incluem Kierkegaard, | ||
| + | * O termo hermenêutica da facticidade se explica porque para Heidegger tratava-se de interpretar o que sucede na existência, | ||
| + | * outros teólogos influentes sendo São Paulo, Santo Agostinho e Lutero, tendo Heidegger assistido aos seminários de Bultmann em Marburgo | ||
| + | * Dilthey sendo figura significativa tratada com muito respeito, e Rilke importante sobretudo no tema da morte, tendo Heidegger notado que Ser e Tempo apareceu no ano da morte de Rilke | ||
| + | * A correspondência entre Heidegger e Husserl foi destruída em 1940 durante o ataque a Antuérpia, mas sabe-se que Husserl reconheceu cedo a importância de Heidegger, chamando-se a si mesmo de amigo paternal | ||
| + | * a ruptura ocorrendo após a publicação de Ser e Tempo, pois Husserl acreditava que Heidegger apenas aplicava a fenomenologia à história, reprovando-lhe já antes que o ego não fosse tomado fenomenologicamente mas simplesmente postulado | ||
| + | * Ser e Tempo tendo constituído verdadeiro choque para Husserl, que não compreendeu o que Heidegger realmente perseguia, falando depois de correntes irracionalistas no epílogo às Ideen | ||
| + | * Quanto à evolução interna do próprio Heidegger, distingue-se um primeiro grande período culminando em Ser e Tempo, uma nova etapa iniciada em 1930 com Da essência da verdade, a Kehre em 1936, e a filosofia tardia com os conceitos de Ereignis, Geviert, Ding, Seinsgeschick | ||
| + | * os cursos de 1933-34 sobre Hölderlin marcando a primeira vez que um poeta e não um filósofo é tema de curso, tornando-se central o diálogo entre poesia e pensamento | ||
| + | * A filosofia tardia possui certa unidade refletida nos conceitos de Wohnen, Lichtung, Gestell, na interpretação da técnica como culminação da metafísica e do niilismo como ocultação do ser | ||
| + | * Quanto ao fracasso do primeiro início, Heidegger pensa que há uma espécie de subtração ou retirada do ser, dupla dimensão em que a alétheia desaparece e isso se dá também pela intervenção do homem | ||
| + | * o ser necessitando do homem sem que este possa determinar quando ou como acontecerá uma nova revelação do ser, havendo em Heidegger uma espécie de expectativa de salvação | ||
| + | * A continuidade entre o primeiro e o segundo início reside em que a condição para este é a compreensão da história da metafísica, | ||
| + | * essa crítica da técnica sendo crítica da situação de desamparo das coisas, em que o homem já não conhece nada sagrado | ||
| + | * Quanto à citação de Hölderlin sobre o perigo e o que salva, o entrevistado expressa dúvidas pessoais, pois o perigo sozinho não basta para que aconteça uma virada salvadora, podendo o perigo já ser tão grande que torne impossível um giro retificador | ||
| + | * Heidegger recorre à poesia e à arte porque nelas o acontecimento da verdade sucede de forma mais decisiva, explicando isso sua proximidade com Hölderlin, poeta não-metafísico, | ||
| + | * o novo vocabulário da arte, palavras como habitar ou pátria, não vindo da metafísica, | ||
| + | * Heidegger conhecendo bem a poesia e, em pintura, sobretudo Klee e também Picasso | ||
| + | * Quanto à ausência de ética em Heidegger, a questão decisiva era ver como o homem entra em relação com o ser de modo a possibilitar um habitar autêntico, deixando então de se colocarem as questões éticas clássicas | ||
| + | * não se tratando de mero saber platônico, mas de realização efetiva dessa relação devida com o ser, havendo já em Ser e Tempo certa ética nas análises sobre a assistência ao outro | ||
| + | * a diferença clássica entre filosofia teórica e prática desaparecendo porque, para Heidegger, o pensar autêntico já é ação | ||
| + | * Quanto a Heidegger e a política, é manifesto que em 1933 ele teve a ilusão de uma verdadeira revolução, | ||
| + | * o livro de Farías sendo criticado por reduzir Heidegger ao período entre abril de 1933 e fevereiro de 1934 e por não se ocupar da obra escrita, falando Heidegger dos nazistas como criminosos quando o entrevistado estudava com ele | ||
