estudos:biemel:biemel-1987107-111-decadencia-verfallen
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| + | ===== DECADÊNCIA (1987: | ||
| + | Lemos em Sein ou Zeit: “O termo (sc. ser-decaído (Verfallen, decadência)) não expressa um julgamento de valor moral, ele deve indicar que o Dasein está antes de tudo e habitualmente com o ‘mundo’ que o preocupa.... O Dasein está desde o início caído de si mesmo como um autêntico poder-ser; sua queda o entregou ao ' | ||
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| + | Heidegger coloca o termo “mundo” entre aspas: com isso, ele quer dizer que “mundo” aqui não significa a mundanidade do mundo, mas sim o que encontramos dentro da estrutura referencial, | ||
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| + | O termo “ser-decaído” contém duas ideias. A primeira é que o Dasein compreende seu próprio ente com base nos entes que estão presentes a ele (por exemplo, ele compreende a si mesmo como uma coisa com substância e qualidades), | ||
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| + | “Ser-decaído, | ||
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| + | A tagarelice, a curiosidade e a ambiguidade são, para Heidegger, os elementos constitutivos da abertura da existência imprópria e inautêntica. Nessa existência, | ||
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| + | No entanto, “ser-decaído” não significa não-ser. O Dasein caído não é diminuído em seu ser do ponto de vista ôntico; ele existe não menos verdadeiramente do que o Dasein autêntico. Mas ele se realiza de maneira imprópria e, como resultado, perde o caráter de ser único ao qual todo ser humano aspira de forma mais ou menos confusa. Até certo ponto, todo ser humano deve passar por este estado, todo ser humano deve reconquistar sua própria existência ou autêntica ipseidade a partir deste estado de ser-decaído. O homem se torna um ser-si-mesmo ao superar a existência impessoal que nunca deixa de se apresentar a ele como uma possibilidade tentadora. | ||
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| + | Poderíamos descrever o ser-decaído insistindo na imagem da queda, da seguinte forma: o Dasein cai, perdendo seu ser próprio, cai perpetuamente em direção ao “mundo” cotidiano; ao se identificar com este “mundo”, | ||
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| + | O Dasein caído não está ciente desta queda em si; pelo contrário, ele a interpreta como uma ascensão a uma vida “concreta”. E o que justifica esta impressão, até certo ponto, é o fato de que ele se sente reconfortado pela opinião comum. Ela o defende contra a ansiedade que pode ser gerada pelas várias questões que necessariamente surgem em qualquer existência. Ela lhe dá uma resposta antes que o Dasein tenha tido tempo de se perturbar. Uma das características típicas do Dasein decaído é justamente a tranquilidade (Beruhigung) (SZ:177). | ||
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| + | Outra característica que geralmente encontramos na existência decaída, e que à primeira vista parece incompatível com a primeira, é uma certa inquietação que a domina. Embora tranquilizado pela compreensão inautêntica que protege a existência decaída de qualquer problemática real, o Dasein tende a se entregar a uma inquietação sem limites. Poderíamos explicar este fenômeno pelo fato de que o Dasein, “nas profundezas de sua alma”, não está satisfeito com a tranquilidade em que se encontra. Ele quer ter uma existência segura, mas ao mesmo tempo “viver”, | ||
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| + | Na agitação, o Dasein é alienado de sua destinação própria, seu poder-ser autêntico. | ||
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| + | Juntamente com a quietude e a alienação que simultaneamente determinam o Ser-decaído, | ||
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| + | Heidegger descreve este caráter dizendo que o Dasein contém em si a tentação de cair na tagarelice, que fala sobre tudo sem ter nada a dizer, e na curiosidade, | ||
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| + | Ser tentado pela existência fácil do “impessoal”, | ||
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| + | Lemos em Sein und Zeit: “O movimento de colapso no abismo da existência inautêntica do ‘impessoal’ (um movimento que ocorre inteiramente dentro deste abismo) nunca deixa de arrancar a compreensão da projeção de possibilidades autênticas e de afundá-lo na opinião segura, que acredita que possui tudo ou que consegue tudo. Esse contínuo desenraizamento da existência autêntica e esta teimosa pretensão de acreditar que se está, apesar de tudo, sempre estabelecido ali, juntamente com o afundamento no “impessoal”, | ||
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