estudos:biemel:biemel-1987-83-87-sein-em-da-sein
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| + | ====== sein em Da-sein (1987: | ||
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| + | //Data: 2024-10-04 18:33// | ||
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| + | [...] Não teremos entendido completamente Dasein até que tenhamos compreendido o papel que //ser// desempenha neste termo. //Da//, então, é a abertura da existência para outros entes, mas qual é a base dessa abertura? O ente “existente” (o homem) não poderia estar aberto a outros entes se não fosse determinado por uma relação a Ser. É essa última relação que devemos destacar agora. | ||
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| + | Em Ascensão à Fundação da Metafísica [GA9], Heidegger escreve: “Com esse termo (existência), | ||
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| + | Este texto poderia ser interpretado da seguinte forma: o homem mantém duas relações diferentes: uma com outros entes, outra com Ser; e ele está no centro de todas essas relações. Para essa interpretação, | ||
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| + | Para Heidegger, o plano fundamental é, portanto, Ser. Para entender o significado dessa concepção e como necessariamente se opõe à de Sartre, devemos retornar às duas relações mencionadas acima. | ||
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| + | E, antes de tudo, como é possível representar essas duas relações, a relação com Ser e a relação com ente? Se tentarmos compreendê-las como relações do mesmo grau, não será mais possível separar ente de Ser. O Ser deve, então, ser necessariamente compreendido como ente e, consequentemente, | ||
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| + | Seria possível conceber as coisas de forma diferente e estabelecer uma diferença efetiva entre Ser e ente, tornando Ser fundamento do mundo (Weltgrund) ou Deus, e ente um termo dependente de Ser, como o criado do criador. Ao separar assim o fundamento dos entes dos entes eles mesmos, poderíamos nos dar uma relação dupla, que nos ligaria a esse fundamento, por um lado, e ao que ele funda, por outro. | ||
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| + | Mas Heidegger se manifesta contra essa interpretação. Ele escreve em sua carta a Beaufret: “Ser” não é Deus, nem é fundamento do mundo (GA9: | ||
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| + | Portanto, aqui estamos, em um impasse, que nos mostra que nossa interpretação das duas categorias de relações é errônea, que não corresponde à concepção heideggeriana. | ||
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| + | Não se trata de duas relações separadas que podem ser opostas, mas de uma relação fundamental (única) que contém em si uma diversidade de relações e as torna possíveis. Essa relação fundamental é a relação da existência humana com Ser. É essa relação que precisa ser esclarecida. Ela difere tanto do que normalmente chamamos de “relação” que podemos nos perguntar até que ponto ainda é possível usar esse termo aqui. | ||
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| + | Para que o homem (como um existente) exista, ele deve se encontrar na clareira (Lichtung) que é o próprio Ser. É Ser que dá ao Dasein a zona desvelada de que falamos anteriormente, | ||
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| + | Em sua carta a Beaufret, ele ainda escreve: | ||
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| + | “... o homem (é) de tal forma que ele é o “Da”, ou seja, a clareira do Ser (15).” “Da” aqui tem um significado mais profundo do que aquele de que falamos em relação à abertura do homem sobre os entes. Este último significado só pode ser entendido com base no significado original, que define o homem em termos de sua dependência a respeito do Ser. Parece-nos que a evolução do pensamento heideggeriano inclui o destaque dessa dependência. Se, em Sein und Zeit, ele partiu da análise do Dasein para chegar à verdade do Ser, podemos dizer que, em seus escritos posteriores, | ||
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| + | Portanto, o homem é essencialmente caracterizado por sua proximidade vis-a-vis Ser. É essa posição dentro do Ser que lhe confere sua dignidade única e também sua responsabilidade histórica. Se Heidegger evita caracterizar o homem como um “sujeito”, | ||
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| + | //BIEMEL, Walter. Le concept de monde chez Heidegger. Paris: Vrin, 1987// | ||
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