estudos:beaufret:platao-aristoteles-1973
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| + | ====== NOTA SOBRE PLATÃO E ARISTÓTELES (1973) ====== | ||
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| + | * A filosofia de Platão como primeira abertura da própria filosofia | ||
| + | * Filosofar, no sentido grego, significa aplicar-se tematicamente ao estudo do ente enquanto tal. | ||
| + | * A filosofia pressupõe que o ente, ao ser nomeado, seja primeiramente entendido em seu //ser//, modalidade verbal que toda nomeação do ente encerra. | ||
| + | * O termo fundamental para a questão filosófica em seu nascimento é //to on//, o particípio, | ||
| + | * A linguagem grega é única em dar o tom ao particípio, | ||
| + | * A distinção clara entre o ente (//das Seiende//) e o ser (//das Sein//) só reaparece com clareza no alemão filosófico, | ||
| + | * A filosofia platônica não é um começo absoluto, mas responde a uma palavra anterior | ||
| + | * Essa palavra anterior é a de Heráclito e Parmênides, | ||
| + | * Ambos pensaram o ente em seu ser, colocando pela primeira vez a questão do ser. | ||
| + | * No entanto, entre eles e Platão, a própria questão sofreu uma mudança radical, não percebida por Platão e Aristóteles, | ||
| + | * A diferença entre o pensamento pré-filosófico e o filosófico | ||
| + | * Para Heráclito, a palavra fundamental é //Hen Panta// (Um-Tudo), que diz a unidade dupla do ente e do ser. | ||
| + | * O Um não é o que os entes têm em comum, mas o que eles essencialmente são, vistos com o olhar do //noûs//. | ||
| + | * O ser se dá como retirada (//Lethe//) e desocultamento (// | ||
| + | * A filosofia, ao contrário, pensa o ser como uma propriedade comum a todos os entes, o que inaugura um nivelamento. | ||
| + | * Para que haja mundo, é necessário um princípio de diferenciação, | ||
| + | * O ser sofre um desdobramento: | ||
| + | * A estrutura onto-teológica da filosofia a partir de Platão | ||
| + | * Em Platão, a determinação uniforme do ser como //Eidos// (Ideia, figura) anda a par com a subordinação hierárquica do //Eidos// ao // | ||
| + | * Aristóteles nomeará explicitamente o ponto sublime do ser como //tò theîon// (o divino), e a filosofia será ao mesmo tempo teologia (estudo do ser em seu cume) e ontologia (estudo do ser como propriedade mais comum). | ||
| + | * A filosofia é, portanto, desde sua origem, uma interpretação onto-teológica do ser do ente. | ||
| + | * A originalidade de Aristóteles frente a Platão | ||
| + | * A oposição não é de " | ||
| + | * Ambos seguem o fio condutor do //logos// (discurso, razão). | ||
| + | * Platão, no // | ||
| + | * Aristóteles acrescenta um terceiro ponto: o //logos// é verdadeiro ou falso na medida em que consiste em //legein ti katá tinós// (dizer algo de algo). | ||
| + | * O mais fundamentalmente //ente// será, portanto, aquilo //de que// se diz algo: //tò kath' hoû légeitai// | ||
| + | * O exemplo magnífico disso é o //tóde ti//: "este homem", | ||
| + | * O //tode ti// e a inversão da prioridade | ||
| + | * Para Aristóteles, | ||
| + | * O //Eidos// (por exemplo, " | ||
| + | * Aristóteles opõe seu //Eidos// ao de Platão precisando que ele não é " | ||
| + | * A palavra (//logos//) pertence ao próprio desabrochar do ser, é a casa do ser, através da qual o ente aparece como o que é. | ||
| + | * A descoberta de Aristóteles não é um retorno do ser ao ente, mas ver no ente como "isto aqui" a mais alta manifestação do ser. | ||
| + | * O //tóde ti// não é um "fato bruto", | ||
| + | * As duas determinações do ser e seu desequilíbrio | ||
| + | * Na //ousía// aristotélica, | ||
| + | * A primazia é do //que é// (//hóti esti//), da presença singular que se mostra. | ||
| + | * No entanto, todas as determinações que se dizem //deste// sujeito são determinações gerais e comuns (as categorias: qualidade, quantidade, etc.). | ||
| + | * A presença é um contraponto entre o canto do singular e o contracanto do universal. | ||
| + | * Mas, no desenvolvimento da filosofia aristotélica, | ||
| + | * Este recuo do que é posto como primeiro acentua-se na história posterior da metafísica. | ||
| + | * A interpretação do ser como // | ||
| + | * Além da interpretação categorial, Aristóteles interpreta o ser "mais soberanamente" | ||
| + | * // | ||
| + | * Esta determinação vem originariamente do movimento (// | ||
| + | * A mobilidade como // | ||
| + | * A definição aristotélica do movimento - "a atualidade (// | ||
| + | * A luz da // | ||
| + | * A ontologia aristotélica não se reduz à lógica | ||
| + | * O ser se diz de muitos modos (//tò ôn légetai pollakhôs// | ||
| + | * Há uma ontologia "em sentido restrito": | ||
| + | * Mas há uma ontologia mais originária, | ||
| + | * O tratado //Perì Hermēneías// | ||
| + | * A tarefa suprema da filosofia é //perì tàs arkhas alētheúein//: | ||
| + | * Aristóteles trabalha sempre no risco supremo da relação com o simples, no espanto de que //é assim// (//hóti estin//). | ||
| + | * O próprio Aristóteles permanece uma enigma, cuja palavra nos é dada quando ele recorda aquilo que o maravilha: "o Um se diz de muitos modos" | ||
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