estudos:beaufret:kant-darstellung-1973
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| + | ====== KANT E A NOÇÃO DE DARSTELLUNG (1973) ====== | ||
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| + | JBDH2 | ||
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| + | * Distinção kantiana fundamental entre conhecimento e pensamento | ||
| + | * Todo conhecimento é pensamento, mas nem todo pensamento é conhecimento | ||
| + | * Pensar consiste em operações discursivas, | ||
| + | * Tais operações, | ||
| + | * A filosofia pré-crítica, | ||
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| + | * A intuição como porta de entrada para o conhecimento sério | ||
| + | * Primeira Crítica: a intuição é o meio imediato pelo qual o conhecimento se relaciona com os objetos e o fim para o qual toda pensamento tende | ||
| + | * Definição nos Prolegômenos: | ||
| + | * Enquanto o pensamento permanece vazio por si só, a intuição é o encontro com a presença | ||
| + | * Duas formas de coincidência entre intuição e objeto: a intuição criadora divina e a intuição receptiva e finita humana | ||
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| + | * A objetividade como antiphanie da presença | ||
| + | * A intuição finita humana tem por natureza fazer face e acolher o dom da presença no vis-a-vis inevitável da objetividade | ||
| + | * A palavra " | ||
| + | * O vis-a-vis precede e fundamenta a correlação sujeito-objeto exagerada da modernidade | ||
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| + | * O problema central da Darstellung (exhibitio) | ||
| + | * Darstellung nomeia a apresentação intuitiva da coisa, sem a qual há pensamento, mas não conhecimento | ||
| + | * É o problema de como um conceito puro pode se tornar concreto, intuitivo e presente | ||
| + | * Kant traduz o termo grego // | ||
| + | * O problema da " | ||
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| + | * Divisões e modalidades da Darstellung em Kant | ||
| + | * Primeira divisão: esquematismo (para conceitos sensíveis) e simbolização (para conceitos suprassensíveis) | ||
| + | * Segunda divisão: construção (intuição a priori) e exemplificação (intuição empírica) | ||
| + | * O vocabulário kantiano permanece flutuante, indicando a centralidade e dificuldade da noção | ||
| + | * Quatro modalidades a estudar: exemplo, símbolo, construção e esquema | ||
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| + | * Primeira modalidade: O exemplo | ||
| + | * Consiste em mostrar na experiência um objeto correspondente a um conceito dado | ||
| + | * Serve como prova da realidade do conceito e para " | ||
| + | * É comparado ao " | ||
| + | * No entanto, sua apresentação é fraca; exemplificar não é ainda pensar plenamente | ||
| + | * No plano prático-moral, | ||
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| + | * Segunda modalidade: O símbolo e a analogia | ||
| + | * Pertence ao modo intuitivo de representação, | ||
| + | * O conceito de Deus, por exemplo, é uma ideia pura que escapa radicalmente à intuição empírica | ||
| + | * Para falar do suprassensível, | ||
| + | * A analogia, neste contexto, não é semelhança imperfeita entre coisas, mas perfeita entre relações | ||
| + | * Exemplo: representar um Estado despótico por um moinho, dada a semelhança nas relações de causalidade | ||
| + | * A analogia simbólica preserva a pureza do conceito, respeitando a fronteira entre fenômeno e númeno | ||
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| + | * O tipo como especificação do símbolo para a ideia prática de liberdade | ||
| + | * A ideia de liberdade, embora transcendente, | ||
| + | * O juízo moral usa a natureza como //tipo//: a forma universal da lei natural serve de esquema à lei moral | ||
| + | * O tipo é uma apresentação indireta, mas mais estreitamente ligado ao que apresenta do que o símbolo | ||
| + | * O céu estrelado é o //tipo// da lei moral, não apenas seu símbolo | ||
| + | * Enquanto o símbolo é //relatio vaga//, o tipo é //relatio adhaerens//, | ||
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| + | * A beleza como símbolo da moralidade | ||
| + | * A terceira Crítica estabelece a beleza como símbolo da moralidade | ||
| + | * O belo tem sentido apenas para seres finitos e sensíveis como os humanos | ||
| + | * A relação aqui é simbólica, não tipológica, | ||
| + | * A beleia simboliza a moralidade não por semelhança, | ||
| + | * A aprovação desinteressada e universal do belo reflete, no sensível, o jogo das relações presentes na moralidade | ||
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| + | * Terceira modalidade: A construção de conceitos | ||
| + | * É uma criação original de Kant, descoberta crítica entre 1755 e 1770 | ||
| + | * // | ||
| + | * Aplica-se exclusivamente aos conceitos matemáticos, | ||
| + | * Resolve o enigma da evidência geométrica: | ||
| + | * A construção não é manipulação técnica, mas produção originária da figura no espaço pela imaginação produtiva | ||
| + | * Passagem crucial: a filosofia conhece por conceitos, a matemática conhece pela construção de conceitos | ||
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| + | * Defesa da intuição contra objeções logicistas | ||
| + | * Objeção moderna: a matemática se abstrai da intuição, operando por axiomatização e formalização | ||
| + | * Resposta: mesmo as geometrias " | ||
| + | * A intuição, para Kant, é o acesso a uma " | ||
| + | * A axiomatização é a aparência exterior de uma revelação mais essencial, de fundo intuitivo | ||
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| + | * Quarta modalidade: O esquematismo dos conceitos puros | ||
| + | * Elaboração posterior à // | ||
| + | * Enquanto a construção era produção de figuras no espaço, o esquematismo é produção no tempo | ||
| + | * A imaginação produtiva é o poder comum a ambos, mediadora entre sensibilidade e entendimento | ||
| + | * Esquematizar é tornar intuitivo um conceito através de uma determinação temporal a priori | ||
| + | * Exemplo: o esquema da substância é a permanência no tempo; o da causalidade, | ||
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| + | * A imaginação como raiz comum e seu destino nas edições da Crítica | ||
| + | * Na primeira edição, a imaginação produtiva aparece como termo último da análise do entendimento | ||
| + | * A unidade da apercepção se relaciona com a síntese da imaginação, | ||
| + | * Na segunda edição, há um deslocamento: | ||
| + | * A imaginação é rebaixada a uma " | ||
| + | * Heidegger vê aqui um recuo de Kant, para salvaguardar a supremacia da razão, abafando a radicalidade da imaginação | ||
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| + | * A finitude como chave de interpretação | ||
| + | * Heidegger privilegia a primeira edição por nela ver expressa a finitude radical do conhecimento humano | ||
| + | * A imaginação, | ||
| + | * A finitude não é mera limitação (// | ||
| + | * Este limite positivo é a objetividade: | ||
| + | * A receptividade humana não é passividade, | ||
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| + | * Consequências para a noção de coisa em si e para a diferença entre conhecimento humano e divino | ||
| + | * Diferença entre coisa em si e fenômeno não é objetiva, mas subjetiva: é uma diferença de // | ||
| + | * O fenômeno não é véu; é a maneira como a coisa se dá a uma intuição finita e receptiva | ||
| + | * Para uma intuição originária (divina), as coisas não seriam objetos, mas produtos | ||
| + | * Conhecimento divino e humano não diferem em grau, mas em espécie: um é produtivo, o outro receptivo | ||
| + | * Deus é tão ignorante do fenômeno quanto nós da coisa em si | ||
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| + | * O esquema como pura auto-apresentação (//das reine Bild//) | ||
| + | * Para Platão, a ideia (//eidos//) é // | ||
| + | * Para Kant, o esquema é //das reine Bild//, a apresentação originária do conceito, sua ipsidade sensível | ||
| + | * O esquematismo inscreve o conceito a priori no fenômeno, onde o ser das coisas se anuncia | ||
| + | * Esta epifania da presença é o que maravilhou os gregos e é reaberta por Kant para o homem moderno | ||
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| + | * Conclusão: O lugar do homem e a fonte da filosofia | ||
| + | * A finitude humana, descoberta por Kant, faz do homem um "rei da finitude" | ||
| + | * A // | ||
| + | * O relacionamento de Hölderlin com Kant é um retorno "até a fonte" desta descoberta | ||
| + | * A filosofia não é teologia especulativa, | ||
| + | * A primeira Crítica oferece uma nova interpretação do homem como espírito finito em relação a coisas finitas, cuja essência é se deixar dar o que já está aí | ||
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