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 Se os gregos falavam de um Kosmos, como de um princípio de ordem, é porque supunham a preexistência do chãos, como confusão, indeterminação e noite. Se perguntavam qual é a realidade da qual o real se destaca, a Physis era essa realidade, do qual o real era determinado; mas se por outro lado perguntavam qual é a realidade que faz com que o real se [88] destaque da noite sombria da Physis, não deslocavam o mistério, porque buscavam esse realmente real que preocupou a filosofia platônica. Se os gregos falavam de um Kosmos, como de um princípio de ordem, é porque supunham a preexistência do chãos, como confusão, indeterminação e noite. Se perguntavam qual é a realidade da qual o real se destaca, a Physis era essa realidade, do qual o real era determinado; mas se por outro lado perguntavam qual é a realidade que faz com que o real se [88] destaque da noite sombria da Physis, não deslocavam o mistério, porque buscavam esse realmente real que preocupou a filosofia platônica.
  
-A visão dos seres, como o que se desenha por um momento sobre a Noite originária da Physis, como o que a luz do inteligível faz emergir da obscuridade do Chaos, essa visão pré-socrática revive na filosofia platônica, onde a realidade aparente nasce de um jogo de luz e de sombra, como tão bem atesta a doutrina das Ideias e particularmente o mito da Caverna ([Rep., L. VII->http://platon.hyperlogos.info/Republica-VII]).+A visão dos seres, como o que se desenha por um momento sobre a Noite originária da Physis, como o que a luz do inteligível faz emergir da obscuridade do Chaos, essa visão pré-socrática revive na filosofia platônica, onde a realidade aparente nasce de um jogo de luz e de sombra, como tão bem atesta a doutrina das Ideias e particularmente o mito da Caverna (Rep., L. VII).
  
 Pode pois Heidegger interpretar arbitrariamente a filosofia de Platão, quando diz que desde Anaximandro até Nietzsche a filosofia não foi mais do que um errar no meio dos entes com o esquecimento do Ser e quando declara que desde Anaximandro a filosofia grega não foi senão um pensamento de fabricação, um pensamento do que se produz e se fabrica. A interpretação de Heidegger pode ser gratuita e arbitrária, — porque se encontra em Platão e Aristóteles, pelo menos a visão da Natureza como tensão, como equilíbrio instável e luta dos contrários, como crescimento e desaparição, como fenômeno e realidade profunda. Toda a filosofia platônica é dominada pela visão da luz eterna que brilha na obscuridade da Physis. Pode pois Heidegger interpretar arbitrariamente a filosofia de Platão, quando diz que desde Anaximandro até Nietzsche a filosofia não foi mais do que um errar no meio dos entes com o esquecimento do Ser e quando declara que desde Anaximandro a filosofia grega não foi senão um pensamento de fabricação, um pensamento do que se produz e se fabrica. A interpretação de Heidegger pode ser gratuita e arbitrária, — porque se encontra em Platão e Aristóteles, pelo menos a visão da Natureza como tensão, como equilíbrio instável e luta dos contrários, como crescimento e desaparição, como fenômeno e realidade profunda. Toda a filosofia platônica é dominada pela visão da luz eterna que brilha na obscuridade da Physis.
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