estudos:barbaras:vida:sujeito
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| + | ====== Sujeito e Mundo ====== | ||
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| + | //BARBARAS, Renaud. Introducción a una fenomenología de la vida: intencionalidad y deseo. Madrid: Ediciones Encuentro, S.A., 2013// | ||
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| + | **Percepção e inacabamento do Ser** | ||
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| + | **[[Desejo]] e doação por perfis** | ||
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| + | * A fenomenologia rigorosa deve partir da própria correlação, | ||
| + | * A correlação não deve ser reconstruída a partir de polos previamente constituídos. | ||
| + | * O Desejo instaura uma Proximidade que contém necessariamente Distância e permite pensar a coincidência e a fuga como dimensões da mesma relação. | ||
| + | * O sujeito e os entes mundanos somente podem ser compreendidos a partir da correlação que os constitui. | ||
| + | * A doação por perfis exprime a relatividade do ente transcendente ao sujeito sem dissolvê-lo na subjetividade, | ||
| + | * Toda forma de realismo é excluída porque o sentido do ser do ente consiste em aparecer. | ||
| + | * Todo fenomenismo também é recusado porque a aparição pressupõe algo que aparece e não se reduz à consciência. | ||
| + | * A manifestação do ente inclui uma reserva que não pertence a um substrato autônomo, mas permanece reserva de manifestação para a consciência. | ||
| + | * A coisa está presente em pessoa em cada perfil e, simultaneamente, | ||
| + | * O perfil não é imagem ou signo que remeteria a outra realidade ausente. | ||
| + | * A coisa encontra-se na própria apresentação, | ||
| + | * A profundidade perceptiva corresponde à presença da coisa como promessa de plenitude inesgotável. | ||
| + | * Husserl subordina o excesso da coisa percebida ao ideal regulador de uma doação exaustiva e mantém a percepção sob o telos do conhecimento objetivo, contrariando a própria estrutura revelada pela experiência perceptiva. | ||
| + | * A determinabilidade integral do ente transforma a reserva perceptiva em inadequação provisória. | ||
| + | * A animação de dados hiléticos e a constituição de unidades de sentido reconduzem a aparição ao modelo da objetividade. | ||
| + | * Merleau-Ponty radicaliza a doutrina husserliana dos perfis ao compreender a invisibilidade como dimensão constitutiva do visível e a distância como profundidade interna da presença, mas não determina adequadamente o sujeito correspondente a essa estrutura perceptiva. | ||
| + | * A diferença entre o que aparece e sua aparição deve ser uma diferença entre idênticos, e não uma dualidade ontológica. | ||
| + | * O conceito de carne permanece devedor de pressupostos oriundos da filosofia da consciência. | ||
| + | * O sujeito continua sendo pensado a partir do corpo próprio, e não a partir da correlação e da fisionomia do mundo percebido. | ||
| + | * A transcendência do que aparece deve ser compreendida como movimento interno pelo qual a própria aparição excede a si mesma, e não como presença positiva de um ente oculto por trás do fenômeno. | ||
| + | * A aparição não é apenas aquilo que é, pois sua positividade contém uma profundidade e um excesso não positivos. | ||
| + | * Somente o Desejo permite pensar essa transcendência sem retornar ao dualismo entre aparência e coisa em si. | ||
| + | * A vida perceptiva somente pode ser fundada quando o viver é compreendido como Desejo, pois o objeto desejado se oferece de modo que sua própria satisfação revela uma insuficiência e abre uma dimensão que o ultrapassa. | ||
| + | * O objeto não aparece primeiro como adequado para somente depois decepcionar. | ||
| + | * Sua doação já manifesta que ele permanece aquém da amplitude do Desejo. | ||
| + | * A insatisfação no interior da satisfação revela a profundidade do próprio objeto. | ||
| + | * O Desejo constitui o princípio da transcendência porque nenhum objeto consegue encerrá-lo, | ||
| + | * O Desejo não abandona simplesmente um objeto em favor de outro. | ||
| + | * A dimensão excedente é constituída na própria negação ou limitação do objeto presente. | ||
| + | * O objeto nega-se apenas para afirmar novamente sua própria profundidade. | ||
| + | * A doação perceptiva possui um modo originário irredutível ao conhecimento, | ||
| + | * O Desejo constitui a aparição como limitação pura que abre a dimensão diante da qual ela aparece como insuficiente. | ||
| + | * Manifestação e encobrimento, | ||
| + | * A aparição apresenta aquilo que aparece ao negar sua suficiência e ao projetar-se para além de si. | ||
| + | * A distinção entre aparição e aquilo que aparece constitui formulação abstrata do movimento pelo qual a aparição se aprofunda, desliza além de si e se torna não identidade consigo mesma. | ||
| + | * A plenitude perceptiva é abertura de um vazio que se aprofunda à medida que parece ser preenchido. | ||
| + | * O fenômeno não é um ser dotado de excesso, mas o próprio excesso em relação a si. | ||
| + | |||
| + | **Mundo, espaço e tempo** | ||
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| + | * A realidade desejada testemunha um sentido do ser que excede toda objetivação e até mesmo o princípio de identidade, pois seu ser consiste em ser mais que aquilo que atualmente é. | ||
| + | * A aparição não pode ser reconstruída segundo a estrutura de hylé, [[lx> | ||
| + | * A percepção originária não constitui ato de conhecimento nem produção de unidade objetiva. | ||
| + | * A essência do desejado é permanecer inobjetivável. | ||
| + | * O Desejo dirige-se ao mundo como totalidade não totalizável e fundo primordial de toda constituição objetiva, de modo que sua insaciabilidade constitui revelação ativa da pertença de cada ente ao mundo. | ||
| + | * A aparição ultrapassa toda figura finita e desliza em direção ao mundo. | ||
| + | * Toda realidade manifesta-se como limitação de uma dimensão que a excede e constitui. | ||
| + | * Desear significa descobrir o transbordamento mundano que atravessa cada ente. | ||
| + | * Aparição e mundo não devem ser separados como duas realidades, pois toda aparição manifesta o mundo e pertence a ele, enquanto o mundo somente existe na profundidade interna das aparições. | ||
| + | * O mundo não é soma de entes nem ente superior. | ||
| + | * A aparição é a limitação do mundo pela qual sua transcendência se manifesta. | ||
| + | * O mundo é o excesso da aparição, e a aparição é o mundo em sua forma limitada. | ||
| + | * O horizonte exprime adequadamente a copertença entre mundo e aparição, sendo simultaneamente presença e promessa, plenitude e vazio, desbordamento e aquilo que é desbordado. | ||
| + | * Não há aparição fora de um horizonte aberto pelo Desejo. | ||
| + | * O horizonte não é propriedade adicionada ao fenômeno. | ||
| + | * O mundo pode ser compreendido como o próprio horizonte considerado do lado do excesso. | ||
| + | * O Desejo é experiência do não acontecido no interior daquilo que já aconteceu, fazendo com que o futuro se apresente na própria presença e dissolvendo a separação rígida entre espaço e tempo. | ||
| + | * O presente desejado já se encontra descentrado em direção ao futuro. | ||
| + | * A profundidade do desejado não é apenas espacial, mas ontológica e temporal. | ||
| + | * O tempo aflora no coração da presença como dimensão daquilo que ainda não se realizou. | ||
| + | * O horizonte não é mera possibilidade de prosseguimento temporal da percepção, | ||
| + | * A percepção pode prosseguir porque a aparição possui horizonte. | ||
| + | * O horizonte é temporal não por estar no tempo, mas por constituir a própria entrada na temporalidade. | ||
| + | * A concepção segundo a qual o sujeito deseja porque já se relaciona com o futuro deve ser invertida, pois é o Desejo que abre o tempo ao descobrir a ausência no coração da presença. | ||
| + | * Hans Jonas reduz o desejo à distância temporal do objeto necessário ao metabolismo. | ||
| + | * O desejado não é ente ausente destinado a tornar-se presente. | ||
| + | * A presença desejada já constitui ausência, falta e exigência de realização. | ||
| + | * O Desejo revela a deficiência ontológica do atual e faz o espaço desvanecer-se em direção ao tempo, razão pela qual a temporalidade é a forma assumida pela falta constitutiva de toda presença. | ||
| + | * O objeto mantém-se aquém de si e abre lugar para sua busca futura. | ||
| + | * Não se deseja porque se vive no tempo, mas há tempo porque o viver é Desejo. | ||
| + | * O tempo é a dimensão aberta por uma busca infinita que nenhum objeto pode concluir. | ||
| + | * A distinção entre espaço e tempo é abstrata e derivada, pois o Desejo revela uma dimensão mais originária na qual a presença espacial já é deiscência temporal. | ||
| + | * Para o conhecimento, | ||
| + | * Para o Desejo, ela somente está presente como ainda não plenamente realizada. | ||
| + | * A profundidade originária é espacial por já estar dada e temporal por permanecer inesgotável. | ||
| + | * O espaço originário corresponde à Plenitude já presente que torna possível experimentar a falta, enquanto o tempo exprime a distância irredutível entre essa Plenitude e suas manifestações finitas. | ||
| + | * Se nada estivesse previamente dado, não haveria experiência de insuficiência nem Desejo. | ||
| + | * Como a Plenitude não pode ser contida por nenhuma forma finita, deve ser indefinidamente percorrida. | ||
| + | * Vive-se no tempo porque nenhum espaço contém a Plenitude, e vive-se no espaço porque sua busca temporal permanece inconclusa. | ||
| + | * Espaço e tempo articulam a relação entre infinito e finito, pois o espaço é manifestação finita do infinito e o tempo é manifestação do infinito no interior do finito. | ||
| + | * O finito nega o infinito ao limitar sua Plenitude. | ||
| + | * O infinito nega o finito ao emergir da insatisfação produzida por suas limitações. | ||
| + | * A Plenitude já está presente como profundidade espacial e, simultaneamente, | ||
| + | * A dimensão originária anterior ao espaço e ao tempo deve ser denominada Inacabamento, | ||
| + | * O Inacabamento exprime simultaneamente a ausência de Plenitude no finito e a tensão do finito em direção a ela. | ||
| + | * Não se trata de carência pertencente a determinado ser, mas do Ser como carência. | ||
| + | * Espaço e tempo constituem dimensões derivadas desse Inacabamento. | ||
| + | * A realidade não é inacabada porque é temporal; ela é temporal porque seu ser é Inacabamento. | ||
| + | * O Desejo constitui o acesso originário ao Ser como Inacabamento, | ||
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| + | **O movimento da vida** | ||
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| + | **A instabilidade do fenômeno** | ||
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| + | * O sujeito da correlação deve pertencer ao mundo e, simultaneamente, | ||
| + | * [[lx> | ||
| + | * [[lx> | ||
| + | * O Desejo reúne ambas as dimensões como falta do sujeito e abertura à alteridade. | ||
| + | * A falta do sujeito significa que não há heteroafecção sem falta de si nem autoafecção sem relação com o outro, pois o sujeito se constitui apenas naquilo que não é ele. | ||
| + | * O sujeito é simultaneamente aquele que experimenta o Desejo e aquele que deve advir nele. | ||
| + | * Sua realização ocorre na aparição e na abertura de um mundo. | ||
| + | * A estrutura do objeto desejado esclarece retroativamente o sujeito, pois, assim como o mundo surge na aparição que o limita, o sujeito surge na própria aparição à qual confere possibilidade. | ||
| + | * O mundo é simultaneamente condição da aparição e aquilo que ela torna possível. | ||
| + | * O sujeito também é condição do aparecer e resultado de sua efetivação. | ||
| + | * Não há aparição ao sujeito sem aparição do próprio sujeito. | ||
| + | * O sujeito encontra-se inteiramente em jogo no Desejo e somente se realiza ao fazer aparecer e realizar um mundo, de modo que constituição de si e implicação mundana coincidem. | ||
| + | * O sujeito retorna a si desviando-se em direção ao mundo. | ||
| + | * Sua consistência não se distingue da abertura ao mundo que o despossui. | ||
| + | * O sujeito constitui-se constituindo um mundo e distingue-se dele ao fazê-lo aparecer. | ||
| + | * O sujeito somente descobre o excesso de seu Desejo ao deixar-se preencher por realizações finitas, e sua diferença em relação ao mundo nasce no interior da identidade produzida pela satisfação. | ||
| + | * A frustração somente se revela na satisfação. | ||
| + | * O excesso do sujeito corresponde ao excesso do mundo em relação às aparições finitas. | ||
| + | * Sujeito e mundo convergem na realização e divergem na insatisfação que dela ressurge. | ||
| + | * O Desejo abre uma separação à medida que a preenche e realiza uma identidade que imediatamente se transforma em diferença. | ||
| + | * A satisfação extingue provisoriamente a distância entre sujeito e mundo. | ||
| + | * A insatisfação renascida aprofunda a dualidade entre ambos. | ||
| + | * A aparição suprime e acentua simultaneamente a diferença. | ||
| + | * A dualidade entre sujeito e mundo não precede a unidade da aparição, pois surge no próprio coração da satisfação como diferença nascente e derivada. | ||
| + | * Não há primeiro polos separados que posteriormente se encontrem. | ||
| + | * O sujeito e o mundo constituem os excessos correlativos abertos pela finitude da aparição. | ||
| + | * Unidade e dualidade não possuem anterioridade recíproca. | ||
| + | * O fenômeno situa-se além da unidade plena e aquém da dualidade consolidada, | ||
| + | * A insatisfação somente acontece dentro da satisfação. | ||
| + | * Os polos não se desprendem positivamente da aparição que os origina. | ||
| + | * A dualidade permanece incoativa e continuamente retorna à unidade. | ||
| + | * A ambivalência do fenômeno torna o pensamento estruturalmente incapaz de coincidir plenamente com ele, condenando-o a oscilar entre monismo e dualismo. | ||
| + | * O monismo reconhece corretamente que não existem sujeito e objeto anteriores à aparição. | ||
| + | * Erra ao transformar a unidade fenomenal em tecido ontológico homogêneo. | ||
| + | * O dualismo reconhece a deiscência e o excesso que atravessam o fenômeno. | ||
| + | * Erra ao hipostasiar essa diferença como oposição entre realidades autônomas. | ||
| + | * O monismo confunde o Desejo com fusão e ignora a negatividade presente na satisfação, | ||
| + | * Cada posição recolhe uma dimensão verdadeira do fenômeno, mas a separa de sua dimensão correlativa. | ||
| + | * A filosofia oscila entre ambas porque aplica categorias ônticas a uma fenomenicidade enraizada no Desejo. | ||
| + | * Merleau-Ponty reconhece a diplopia da ontologia e tenta pensar a carne como tecido comum atravessado pela diferença entre corpo e mundo, mas continua oscilando entre identidade e dualidade porque não alcança o Desejo como fonte do fenômeno. | ||
| + | * A carne própria e a Carne do mundo não possuem o mesmo sentido. | ||
| + | * O corpo é tomado como ponto de partida, quando deveria ser compreendido a partir da vida desejante. | ||
| + | * A dificuldade de pensar a vida procede de sua própria essência desejante, pois a realidade correspondente ao Desejo é seu próprio excesso e ultrapassa necessariamente as categorias com que o pensamento tenta apreendê-la. | ||
| + | * Ao afirmar a identidade, perde-se o excesso. | ||
| + | * Ao afirmar a dualidade, perde-se o fato de que esse excesso é produzido pelo próprio fenômeno. | ||
| + | * A vida permanece por pensar justamente porque é Desejo. | ||
| + | * Coincidência com o mundo e diferença em relação a ele constituem um único movimento no qual o sujeito somente se possui ao deixar-se despossuir e somente se encontra ao abandonar-se àquilo que deseja. | ||
| + | * O Desejo concentra separando e diferencia identificando. | ||
| + | * A mediação desejante permite pensar rigorosamente a correlação. | ||
| + | * O sujeito do Desejo pertence integralmente ao mundo e, ao mesmo tempo, distingue-se dele pelo excesso de seu movimento sobre todas as realizações finitas. | ||
| + | * Sua diferença é singularidade no interior da pertença. | ||
| + | * Ele está sempre no mundo, mas nunca inteiramente instalado nele. | ||
| + | * A vida como Desejo articula existência e corporeidade, | ||
| + | |||
| + | **O movimento do Desejo** | ||
| + | |||
| + | * O movimento constitui o modo de existência da vida desejante porque é o único sentido do ser capaz de reunir pertença ao mundo e transcendência das formas intramundanas. | ||
| + | * A vida tem o Desejo como essência e o movimento como efetividade. | ||
| + | * O sujeito somente existe como movimento. | ||
| + | * O movimento pertence profundamente ao mundo porque não possui realidade fora das posições e realizações mundanas que assume, mas não se converte em coisa porque ultrapassa incessantemente cada uma delas. | ||
| + | * Ele se realiza apagando-se em favor de novas formas do mundo. | ||
| + | * Não acrescenta uma determinação estável ao mundo. | ||
| + | * Difere ativamente das coisas ao nunca cristalizar-se como ente. | ||
| + | * O movimento não é realidade exterior ao mundo, mas transcendência imanente que permanece no mundo somente ao exceder continuamente as figuras que nele assume. | ||
| + | * Sua diferença não é substancial nem extramundana. | ||
| + | * A exterioridade do sujeito é produzida no próprio processo de sua inscrição mundana. | ||
| + | * O movimento do Desejo constitui o sujeito como aquilo que continuamente advém em suas realizações sem jamais se esgotar nelas. | ||
| + | * Cada satisfação oferece ao sujeito uma forma finita de si. | ||
| + | * A insatisfação revela que nenhuma dessas formas consegue realizá-lo integralmente. | ||
| + | * O sujeito é o próprio movimento de ultrapassagem de suas realizações. | ||
| + | * O corpo deve ser compreendido como resultado sempre provisório da realização do Desejo e não como substância previamente possuída pelo sujeito. | ||
| + | * O sujeito toma corpo em cada satisfação e em cada aparição. | ||
| + | * Aquilo que se denomina corpo próprio é o que do sujeito se efetiva em determinada realização. | ||
| + | * O Desejo revela simultaneamente um excesso de si em relação ao corpo realizado. | ||
| + | * A encarnação constitui movimento interminável pelo qual o sujeito entra no mundo sem jamais concluir essa entrada. | ||
| + | * O sujeito permanece como que no limiar do mundo. | ||
| + | * Estar encarnado significa estar continuamente encarnando-se. | ||
| + | * A falta experimentada no Desejo é também falta de corpo, isto é, falta do corpo correspondente à plena satisfação. | ||
| + | * A intramundaneidade do sujeito deve ser definida como encarnação inacabável. | ||
| + | * O movimento do Desejo não pode ser reduzido a deslocamento espacial, pois nele advém o próprio sujeito e aquilo que o orienta não se encontra simplesmente situado no espaço ou no futuro. | ||
| + | * O desejado oscila aquém da divisão entre espaço e tempo. | ||
| + | * O movimento vital integra o deslocamento sem se esgotar nele. | ||
| + | * Sua relação com o Inacabamento funda as próprias dimensões espacial e temporal. | ||
| + | * O movimento da vida está no espaço porque avança pelo mundo em busca de realização e está além do espaço porque cada realização o conduz à temporalidade aberta pela frustração. | ||
| + | * A vida não se move dentro de espaço e tempo previamente dados. | ||
| + | * Espaço e tempo são formas produzidas pelo próprio movimento vital. | ||
| + | * A vida é o desdobramento originário de ambas as dimensões. | ||
| + | * O movimento originário da vida deve ser denominado Realização em sentido dinâmico, pois dá origem a realizações finitas sem que nenhuma delas realize plenamente o Desejo. | ||
| + | * Cada realidade constitui efetivação parcial do movimento. | ||
| + | * Nada se realiza definitivamente nas realizações particulares. | ||
| + | * A vida é realização do irrealizável. | ||
| + | * O Ser aparece como Inacabamento porque o movimento vital efetiva incessantemente um Desejo que nenhuma realização consegue concluir. | ||
| + | * O Inacabamento é o correlato ontológico da Realização. | ||
| + | * A correlação fenomenológica deve ser compreendida como relação originária entre Realização e Inacabamento. | ||
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