estudos:barbaras:fenomeno:fenomenologia-ontologia
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| + | ====== Fenomenologia e Ontologia ====== | ||
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| + | //BARBARAS, Renaud. De l’être du phénomène. Grenoble: Jérôme Millon, 1991// | ||
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| + | **§ 1 A fenomenologia e as ciências do homem** | ||
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| + | * A atenção às ciências humanas revela-se decisiva para a edificação do pensamento de Merleau-Ponty, | ||
| + | * Esse duplo movimento não é apenas o de Merleau-Ponty, | ||
| + | * A leitura de Merleau-Ponty não é a de um historiador da filosofia buscando restituir fielmente o percurso de Husserl, mas a de quem busca nele garantia e estímulo para o próprio pensamento, à maneira como a coisa é apreendida em transcendência lateral e não possuída frontalmente, | ||
| + | * É impossível, | ||
| + | * O impensado de Husserl é também o de Merleau-Ponty, | ||
| + | * A leitura de Merleau-Ponty constrói-se em torno de uma tensão que atravessa o empreendimento husserliano, | ||
| + | * A descoberta da redução eidética permite a Husserl traçar linha intransponível entre psicologia eidética e psicologia positiva, desacreditando a psicologia científica tributária de uma naturalidade da consciência, | ||
| + | * Merleau-Ponty questiona se pode manter-se distinção tão nítida entre conhecimento filosófico por variação eidética e conhecimento factual por indução, mostrando que todo conhecimento válido adquirido no terreno dos fatos deve encerrar ao menos implicitamente intuições de essência, como no caso de Galileu e a lei da queda dos corpos | ||
| + | * A intuição do eidos apoia-se necessariamente numa intuição do indivíduo, sendo a percepção fecundante mesmo sem ser fonte de validade para a essência, de modo que intuição eidética e indução correspondem a um único saber em dois graus de explicitação, | ||
| + | * Husserl avança nessa direção ao reconhecer paralelismo psicofenomenológico, | ||
| + | * É sobretudo a propósito da linguagem que Merleau-Ponty evidencia a mutação da reflexão husserliana, | ||
| + | * Merleau-Ponty distingue três períodos: primeiro, a busca eidética das formas a que toda língua possível deveria submeter-se, | ||
| + | * Um segundo período, apoiado num artigo de H.J. Pos, atribui à fenomenologia a tarefa de descobrir nossa inerência a um certo sistema de fala do qual nos servimos com plena eficácia por nos ser presente como nosso próprio corpo, convergindo a fenomenologia da linguagem com a linguística da fala | ||
| + | * O fragmento sobre a origem da geometria consuma esse movimento ao situar a linguagem não mais do lado das realidades naturais redutíveis à essência mas como lugar mesmo da idealidade, cuja gênese deve ser reapreendida no elemento da palavra, sendo a perenidade da significação onitemporalidade fundada na escrita, e a existência ideal a possibilidade mais própria da encarnação linguística, | ||
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| + | **§ 2 O sentido autêntico da fenomenologia** | ||
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| + | * A fenomenologia, | ||
| + | * O estudo da evolução de Husserl revela realização da fenomenologia conforme seu projeto inicial de escapar tanto ao positivismo quanto ao platonismo, reconduzindo todo saber à experiência em que se enraíza sem renunciar à possibilidade do universal, o que exige compreender a razão como entelequia | ||
| + | * A atitude transcendental não pode ser oposta à atitude natural como o verdadeiro ao ilusório, pois suprimir a natureza sem suprimir o espírito não significa que o ser da natureza resida no espírito, sendo a própria redução que se ultrapassa na atitude transcendental sem se ultrapassar completamente | ||
| + | * As duas atitudes devem ser compreendidas como determinações abstratas de uma situação mais profunda que escapa a ambas, conforme a fórmula sobre haver, incontestavelmente, | ||
| + | * Há em Husserl, como no Merleau-Ponty da Phénoménologie de la perception, tensão entre o projeto de retorno ao solo originário e as categorias através das quais se realiza, o que explica a atenção crescente que culmina em Le philosophe et son ombre, verdadeira introdução à ontologia | ||
| + | * Husserl reconhece a necessidade de contato com a espontaneidade ensinante e retorno a um mundo da vida predado, mas essa exigência é recoberta pela afirmação de uma segunda redução que reconduz as estruturas assim reveladas à subjetividade transcendental, | ||
| + | * Concebida como retorno ao mundo da vida, a fenomenologia não pode mais ser considerada preparatória à filosofia propriamente dita mas confunde-se com a própria filosofia, sendo a redução ao mundo da vida decisão sem apelo que não pode ser seguida de restauração de uma subjetividade absoluta, conforme a pergunta sobre como essa infraestrutura poderia repousar sobre atos da consciência absoluta | ||
| + | * A tarefa de Merleau-Ponty é tomar consciência das implicações desse retorno ao mundo da vida, ultrapassando a fórmula transcendental da redução que vela o mundo da experiência tanto quanto o desvela, forjando conceitos convenientes a esse mundo bruto ou selvagem, conforme a nota de Le visible et l' | ||
| + | * A ontologia de Merleau-Ponty não se opõe ao empreendimento fenomenológico mas é seu cumprimento, | ||
| + | * A verdade da fenomenologia, | ||
| + | * Isso não significa que a ontologia vise a coincidência com um fato bruto estranho ao sentido, restauração negativa da ordem da essência, mas que há um fato do sentido, uma teleologia da razão, que só são eles mesmos por procederem de um fundo jamais completamente reabsorvido | ||
| + | * A ontologia vem cumprir a fenomenologia ainda imperfeitamente exposta em Husserl e no primeiro Merleau-Ponty, | ||
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