estudos:arendt:melville-problema-do-bem-e-do-mal
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revision | |||
| estudos:arendt:melville-problema-do-bem-e-do-mal [30/01/2026 09:17] – mccastro | estudos:arendt:melville-problema-do-bem-e-do-mal [11/02/2026 15:27] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== MELVILLE – PROBLEMA DO BEM E DO MAL ====== | ||
| + | //ARENDT, Hannah. On Revolution. New York: Penguin Publishing Group, 2006.// | ||
| + | * A reaparição do problema do bem e do mal no momento em que se afirmava a dignidade humana sem religião institucionalizada revelou a insuficiência de Rousseau e Robespierre para sondar a profundidade dessa questão sem considerar a experiência do amor ativo da bondade encarnada em Jesus de Nazaré, posteriormente retomada por Melville em Billy Budd e por Dostoievski em O Grande Inquisidor, que mostraram como a bondade absoluta pode ser tão perigosa quanto o mal absoluto [Arendt]. | ||
| + | * Rousseau identifica bondade com repugnância natural ao sofrimento. | ||
| + | * Robespierre atua sob ideais que não alcançam o cerne do problema. | ||
| + | * Melville e Dostoievski recolocam Jesus no mundo humano. | ||
| + | * A bondade absoluta distingue-se da virtude e do altruísmo. | ||
| + | * O mal radical pode ultrapassar o vício e o sórdido. | ||
| + | |||
| + | * A incapacidade dos homens da Revolução Francesa de compreender o significado histórico de suas próprias ações contrasta com a posição privilegiada de Melville e Dostoievski, | ||
| + | * Revolucionários conheciam princípios, | ||
| + | * Melville dispõe de experiência política mais ampla que Dostoievski. | ||
| + | * Billy Budd representa o “homem natural” fora da sociedade. | ||
| + | * A narrativa remete à lenda fundadora cristã. | ||
| + | |||
| + | * A confrontação entre bondade natural além da virtude e maldade além do vício em Billy Budd mostra que tanto Billy Budd quanto Claggart, vindos socialmente do nada, encarnam forças elementares cuja colisão leva à intervenção da virtude institucional representada pelo Capitão Vere e revela a incompatibilidade do absoluto com a ordem política [Arendt]. | ||
| + | * Claggart encarna depravação segundo a natureza. | ||
| + | * Billy Budd manifesta inocência violenta. | ||
| + | * O ato violento elimina a depravação natural. | ||
| + | * Capitão Vere representa virtude institucional. | ||
| + | * A lei é feita para homens, não para anjos ou demônios. | ||
| + | * Direitos do Homem como absoluto político conduzem à perdição. | ||
| + | |||
| + | * A ausência de compaixão na Revolução Americana, exemplificada por John Adams, contrasta com a centralidade da inveja e da compaixão em Billy Budd, onde Claggart inveja a integridade natural de Billy e este, vítima, sente compaixão pelo Capitão Vere [Arendt]. | ||
| + | * John Adams descreve inveja da multidão contra os ricos. | ||
| + | * Melville desloca inveja para conflito entre naturezas. | ||
| + | * A compaixão parte da vítima e não do juiz. | ||
| + | * A preocupação francesa com a multidão sofredora não é central em Melville. | ||
| + | |||
| + | * A compaixão, por abolir a distância mundana onde se situam os assuntos políticos, revela-se politicamente irrelevante e incapaz de fundar instituições duradouras, como indicam o silêncio de Jesus em O Grande Inquisidor e o gaguejar de Billy Budd, inclinando-se antes à ação imediata e violenta do que aos processos deliberativos da lei [Arendt]. | ||
| + | * Compaixão elimina o espaço do inter-esse. | ||
| + | * Incapacidade de discurso argumentativo. | ||
| + | * Tendência à ação direta e rápida. | ||
| + | * Violência como meio de resposta ao sofrimento. | ||
| + | |||
| + | * A inversão melvilliana do mito de Caim e Abel responde à substituição revolucionária do pecado original pela bondade original, mostrando que a violência inerente à bondade elementar, assim como ao mal elementar, conduz à mesma cadeia de erros na esfera política [Arendt]. | ||
| + | * Revolução substitui pecado por bondade original. | ||
| + | * Melville pergunta como a Revolução tornou-se malfeitora. | ||
| + | * Bondade compartilha violência com mal elementar. | ||
| + | * Mudança da pedra fundamental não elimina a cadeia de violência. | ||
| + | |||
| + | * O ódio à hipocrisia, aparentemente vício menor, liga-se ao antigo problema metafísico da relação entre ser e aparência, cuja relevância política foi pensada de Sócrates a Maquiavel, revelando que o vício que encobre vícios ameaça a própria distinção entre o que é e o que parece ser [Arendt]. | ||
| + | * Hipocrisia presta homenagem à virtude ao encobrir vícios. | ||
| + | * Questão remete à tensão entre ser e aparecer. | ||
| + | * Sócrates e Maquiavel representam posições opostas. | ||
| + | * Implicações políticas do problema ontológico. | ||
| + | |||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
