estudos:arendt:jonas-arendt-89-91-natalidade-e-mortalidade
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| + | ====== NATALIDADE E MORTALIDADE ====== | ||
| + | //JONAS, Hans. Entre le néant et l’éternité. Tr. Sylvie Courtine-Denamy. Paris: Belin, 1996// | ||
| + | O nascimento (Gebürtlichkeit) é, juntamente com a morte (Sterblichkeit), | ||
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| + | * A natalidade, concebida por Hannah Arendt como categoria fundamental da existência humana em contraponto à mortalidade, | ||
| + | * A tradição filosófica e religiosa concentrou-se historicamente na mortalidade como eixo da reflexão. | ||
| + | * O fato do nascimento foi amplamente negligenciado, | ||
| + | * A ação é vinculada por Hannah Arendt à condição fundamental da natalidade. | ||
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| + | * O novo começo que advém com cada nascimento só pode manifestar-se no mundo porque o recém-chegado possui a faculdade de iniciar por si mesmo um novo começo por meio da ação, o que confere à natalidade relevância decisiva para o pensamento político, assim como a mortalidade o teve para a metafísica ocidental desde Platão. [p. 43] | ||
| + | * A ação é caracterizada como atividade política por excelência. | ||
| + | * A natalidade é apresentada como fato decisivo para a teoria política. | ||
| + | * A tradição metafísica privilegiou a mortalidade como categoria central. | ||
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| + | * O fato de cada homem ter começado a ser faz dele próprio um começo potencial, capaz de iniciar algo novo no mundo mediante a ação, pois enquanto initium ele encarna o princípio mesmo do começo e da liberdade que entrou no mundo com a criação do homem como alguém singular. [pp. 233-234] | ||
| + | * Cada nascimento introduz um novo início no mundo. | ||
| + | * A criação do homem implica a criação da liberdade. | ||
| + | * A ação realiza em cada indivíduo o fato da natalidade. | ||
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| + | * A capacidade humana de começar algo novo significa que o improvável permanece possível e que o inesperado pode ser esperado, sendo essa disposição fundada na singularidade de cada homem, cuja diferença decorre do fato da natalidade que o introduz como alguém novo na comunidade humana. [p. 234] | ||
| + | * A singularidade não se reduz a qualidades determinadas. | ||
| + | * Cada nascimento repete simbolicamente o ato divino da criação. | ||
| + | * A ação corresponde ao cumprimento da natalidade em cada indivíduo. | ||
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| + | * O privilégio da natalidade é ambivalente, | ||
| + | * A instabilidade institucional não deriva de fraqueza da natureza humana. | ||
| + | * A chegada contínua de novos indivíduos altera o domínio das relações humanas. | ||
| + | * A ação e a palavra são os meios dessas contribuições. | ||
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| + | * Em contraposição à sentença do Eclesiastes de que nada há de novo sob o sol, afirma-se que os homens são a novidade que surge no mundo com o nascimento e que, ao agir, introduzem novos começos, enquanto o passado se fixa na linguagem e na memória coletiva. [p. 265] | ||
| + | * O nascimento introduz novidade real no mundo. | ||
| + | * A ação atualiza essa novidade. | ||
| + | * O que foi transforma-se e se estabiliza na linguagem humana. | ||
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| + | * A esperança depositada por Hannah Arendt na natalidade manifesta-se na percepção de novos começos na juventude e na evocação de Goethe em Faust II, onde a renovação contínua da humanidade é celebrada como surgimento incessante a partir do solo, reiterando simbolicamente a fecundidade permanente do humanum. [Faust II, 3º ato] | ||
| + | * A citação de Goethe expressa a repetição eterna do surgimento humano. | ||
| + | * A referência aos estudantes como “as crianças” indica confiança no novo começo. | ||
| + | * A natalidade é associada à renovação contínua do humano. | ||
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