estudos:arendt:arendt-lm-vontade
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| A palavra final de Heidegger sobre essa faculdade diz respeito à destrutividade da VONTADE, assim como a palavra final de Nietzsche dizia respeito à sua “criatividade” e superabundância. Tal destrutividade manifesta-se na obsessão da VONTADE pelo futuro, que leva necessariamente o homem ao esquecimento. Para que possa querer o futuro, no sentido de ser senhor do futuro, o homem deve esquecer e finalmente destruir o passado. Da descoberta de Nietzsche de que a VONTADE não pode “querer retroativamente”, | A palavra final de Heidegger sobre essa faculdade diz respeito à destrutividade da VONTADE, assim como a palavra final de Nietzsche dizia respeito à sua “criatividade” e superabundância. Tal destrutividade manifesta-se na obsessão da VONTADE pelo futuro, que leva necessariamente o homem ao esquecimento. Para que possa querer o futuro, no sentido de ser senhor do futuro, o homem deve esquecer e finalmente destruir o passado. Da descoberta de Nietzsche de que a VONTADE não pode “querer retroativamente”, | ||
| - | Heidegger sintetiza isso em What is Called Thinking?: Diante daquilo que ‘foi’, a VONTADE não tem mais nada a dizer [...], o “foi” resiste ao querer da VONTADE [...] o ‘foi’ reage e é contrário à VONTADE. [...] Mas, por meio dessa reação, o contrário cria raízes dentro da própria VONTADE. A VONTADE [...] padece disso — ou seja, a VONTADE padece de si mesma [...] do que passou, do passado. Mas o que passou origina-se do passar... Assim, a **VONTADE** quer ela mesma o passar [...]. A reação da **VONTADE** contra todo “foi-se” mostra-se como a **VONTADE** de fazer com que tudo passe, de querer, portanto, que tudo mereça passar. A reação que surge na **VONTADE** é, então, a **VONTADE** contra tudo o que passa — tudo, isto é, tudo o que vem a ser a partir de um vir-a-ser, e que perdura (grifos nossos). [Pp. 92-93. Trad. da autora] [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15] | + | Heidegger sintetiza isso em What is Called Thinking?: Diante daquilo que ‘foi’, a VONTADE não tem mais nada a dizer [...], o “foi” resiste ao querer da VONTADE [...] o ‘foi’ reage e é contrário à VONTADE. [...] Mas, por meio dessa reação, o contrário cria raízes dentro da própria VONTADE. A VONTADE [...] padece disso — ou seja, a VONTADE padece de si mesma [...] do que passou, do passado. Mas o que passou origina-se do passar... Assim, a VONTADE quer ela mesma o passar [...]. A reação da VONTADE contra todo “foi-se” mostra-se como a VONTADE de fazer com que tudo passe, de querer, portanto, que tudo mereça passar. A reação que surge na VONTADE é, então, a VONTADE contra tudo o que passa — tudo, isto é, tudo o que vem a ser a partir de um vir-a-ser, e que perdura (grifos nossos). [Pp. 92-93. Trad. da autora] [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15] |
| - | Nessa compreensão radical de Nietzsche, a **VONTADE** é essencialmente destrutiva; e é a essa destrutividade que a reversão original de Heidegger se contrapõe. Seguindo essa interpretação, | + | Nessa compreensão radical de Nietzsche, a VONTADE é essencialmente destrutiva; e é a essa destrutividade que a reversão original de Heidegger se contrapõe. Seguindo essa interpretação, |
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