| Quando, em 1994, surgiu a coletânea póstuma de textos de Hannah Arendt, intitulada Essays in Understanding, pôde-se observar com surpresa que o organizador da edição tinha inserido entre os artigos e ensaios um breve apontamento que tinha o tom confidencial de uma nota de diário ou de um mexerico. No texto, que tinha como título “Heidegger the Fox”, Arendt comparava seu antigo mestre a uma raposa, uma raposa, porém, de uma espécie muito particular, que, desejosa como todas as raposas de construir um covil seguro, tinha escolhido como toca uma armadilha. Sob a aparência de um mexerico, o apontamento contém uma indicação preciosa sobre a ontologia de Ser e tempo. Falou-se muito do aberto como categoria central do pensamento de Heidegger, esquecendo-se, porém, muitas vezes que a especificidade e a novidade dessa abertura consistem precisamente no fato de serem sobretudo abertura a um fechamento e por meio de um fechamento. O Ser-aí é desde o início lançado sem saída em seu “aí”, remetido a uma tonalidade emotiva e a uma situação fáctica determinada que estão diante dele como um enigma impenetrável, de tal modo que sua abertura coincide em cada ponto com o fato de ser destinado a uma queda. Como diz o parágrafo 29 (ET29) de Sein und Zeit: | Quando, em 1994, surgiu a coletânea póstuma de textos de Hannah Arendt, intitulada Essays in Understanding, pôde-se observar com surpresa que o organizador da edição tinha inserido entre os artigos e ensaios um breve apontamento que tinha o tom confidencial de uma nota de diário ou de um mexerico. No texto, que tinha como título “Heidegger the Fox”, Arendt comparava seu antigo mestre a uma raposa, uma raposa, porém, de uma espécie muito particular, que, desejosa como todas as raposas de construir um covil seguro, tinha escolhido como toca uma armadilha. Sob a aparência de um mexerico, o apontamento contém uma indicação preciosa sobre a ontologia de Ser e tempo. Falou-se muito do aberto como categoria central do pensamento de Heidegger, esquecendo-se, porém, muitas vezes que a especificidade e a novidade dessa abertura consistem precisamente no fato de serem sobretudo abertura a um fechamento e por meio de um fechamento. O Ser-aí é desde o início lançado sem saída em seu “aí”, remetido a uma tonalidade emotiva e a uma situação fáctica determinada que estão diante dele como um enigma impenetrável, de tal modo que sua abertura coincide em cada ponto com o fato de ser destinado a uma queda. Como diz o parágrafo 29 (ET29) de Sein und Zeit: |