| Aqui o tema do amor como paixão mostra sua proximidade com aquele do Ereignis, que constitui o motivo central da reflexão de Heidegger a partir do final dos anos 1930. E talvez precisamente o amor, como paixão da facticidade, permita lançar alguma luz sobre esse conceito. Heidegger interpreta o termo Ereignis a partir de eigen e o entende como “apropriação”, situando-o assim implicitamente sobre o fundo da dialética do Eigentlichkeit e do Uneigentlichkeit em Sein und Zeit. Mas se trata aqui de uma apropriação em que o que é apropriado não é algo que deve passar de estranho a próprio, ou que deve vir da sombra para a luz. O que é aqui apropriado é posto não tanto à luz, mas mais à Lichtung, é apenas uma expropriação, apenas um ocultamento como tal. “Das Ereignis”, escreve Heidegger, “ist ihm Selbst Enteignis, in welches Wort die früh-griechische lethe im Sinne des Verbergens ereignishaft aufgenommen ist”, “A Ereignis é em si mesma expropriação, palavra na qual é retomado de modo apropriante o grego primitivo lethe, no sentido de ocultamento” (GA14:Sache, 44). Assim, o pensamento da Ereignis “não é um desaparecimento do esquecimento do ser, mas um ‘instalar-se’ nele e um ‘manter-se’ nele. Despertar (erwachen) do esquecimento do ser nesse mesmo esquecimento é um des-despertar (entwachen) no Ereignis” (GA14:Sache, 32). O que acontece agora é que “die Verbergung sich Nicht verbirgt, ihr gilt vielmehr das Aufmerken des Denkens”, “o ocultamento já não se esconde, para ele vai antes toda a atenção do pensamento” (GA14:Sache, 44). | Aqui o tema do amor como paixão mostra sua proximidade com aquele do Ereignis, que constitui o motivo central da reflexão de Heidegger a partir do final dos anos 1930. E talvez precisamente o amor, como paixão da facticidade, permita lançar alguma luz sobre esse conceito. Heidegger interpreta o termo Ereignis a partir de eigen e o entende como “apropriação”, situando-o assim implicitamente sobre o fundo da dialética do Eigentlichkeit e do Uneigentlichkeit em Sein und Zeit. Mas se trata aqui de uma apropriação em que o que é apropriado não é algo que deve passar de estranho a próprio, ou que deve vir da sombra para a luz. O que é aqui apropriado é posto não tanto à luz, mas mais à Lichtung, é apenas uma expropriação, apenas um ocultamento como tal. “Das Ereignis”, escreve Heidegger, “ist ihm Selbst Enteignis, in welches Wort die früh-griechische lethe im Sinne des Verbergens ereignishaft aufgenommen ist”, “A Ereignis é em si mesma expropriação, palavra na qual é retomado de modo apropriante o grego primitivo lethe, no sentido de ocultamento” (GA14:Sache, 44). Assim, o pensamento da Ereignis “não é um desaparecimento do esquecimento do ser, mas um ‘instalar-se’ nele e um ‘manter-se’ nele. Despertar (erwachen) do esquecimento do ser nesse mesmo esquecimento é um des-despertar (entwachen) no Ereignis” (GA14:Sache, 32). O que acontece agora é que “die Verbergung sich Nicht verbirgt, ihr gilt vielmehr das Aufmerken des Denkens”, “o ocultamento já não se esconde, para ele vai antes toda a atenção do pensamento” (GA14:Sache, 44). |