| É nessa perspectiva (da facticidade) que deve ser lida a dialética não resolvida de eigentlich e uneigentlich, do autêntico e do inautêntico, a que Heidegger consagrou algumas das mais belas páginas de Sein und Zeit. Heidegger sempre fez questão de precisar que as palavras eigentlich e uneigentlich têm de ser entendidas em seu significado etimológico de “próprio” e “impróprio”. Através de sua facticidade, a abertura do Dasein é marcada por uma impropriedade original, é constitutivamente dividida em Eingentlichkeit e Uneigentlichkeit. Heidegger sublinha várias vezes que a dimensão da impropriedade e da cotidianidade do Man não é algo de derivado, no qual o Dasein cairia, digamos assim, acidentalmente: ela é, pelo contrário, tão original como a propriedade e a autenticidade. O Dasein está cooriginariamente na verdade e na não-verdade, no próprio e no impróprio. O caráter originário dessa copertença é obstinadamente reafirmado por Heidegger: “O Dasein, como Verfallen, está, por sua constituição de ser, na não verdade (...) Aberto em seu Da, o Dasein se mantém cooriginariamente na verdade e na não-verdade” (SuZ, 222). | É nessa perspectiva (da facticidade) que deve ser lida a dialética não resolvida de eigentlich e uneigentlich, do autêntico e do inautêntico, a que Heidegger consagrou algumas das mais belas páginas de Sein und Zeit. Heidegger sempre fez questão de precisar que as palavras eigentlich e uneigentlich têm de ser entendidas em seu significado etimológico de “próprio” e “impróprio”. Através de sua facticidade, a abertura do Dasein é marcada por uma impropriedade original, é constitutivamente dividida em Eingentlichkeit e Uneigentlichkeit. Heidegger sublinha várias vezes que a dimensão da impropriedade e da cotidianidade do Man não é algo de derivado, no qual o Dasein cairia, digamos assim, acidentalmente: ela é, pelo contrário, tão original como a propriedade e a autenticidade. O Dasein está cooriginariamente na verdade e na não-verdade, no próprio e no impróprio. O caráter originário dessa copertença é obstinadamente reafirmado por Heidegger: “O Dasein, como Verfallen, está, por sua constituição de ser, na não verdade (...) Aberto em seu Da, o Dasein se mantém cooriginariamente na verdade e na não-verdade” (SuZ, 222). |