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4 Lógica

XOLOCOTZI YÁÑEZ, Ángel. Articular lo simple: aproximaciones heideggerianas al lenguaje, al cuerpo y a la técnica. Madrid: Ediciones Akal, 2021.

IV. Lógos, lógica e linguagem: o caminho de Heidegger para o abalo (Erschütterung) da lógica

1. A lógica investiga a fala em sua capacidade de descobrir aquilo de que se fala, tendo como domínio próprio a relação entre o discurso e a verdade.

2. A impossibilidade de expressar adequadamente o tempo como horizonte transcendental da questão do ser revelou os limites da linguagem metafísica e, juntamente com as interpretações antropológicas e existencialistas de Ser e tempo, impulsionou o esforço heideggeriano de desmontar a configuração lógico-predicativa da linguagem, culminando no projeto de abalar a lógica desde seus fundamentos (Erschütterung der Logik).

3. A continuidade entre a concepção inicial da linguagem, orientada pela interpretação aristotélica da apófansis, e sua determinação posterior a partir de Heráclito e da poesia exige acompanhar as transformações do conceito de lógos em sua relação com a lógica e a verdade, pois a vinculação retrospectiva dessas etapas não se evidencia imediatamente em seus diferentes pontos de partida.

4. A transformação heideggeriana do lógos compreende uma primeira fase de desmontagem da lógica tradicional até 1926, um período intermediário de revisão autocrítica entre 1929 e 1931 e uma segunda fase marcada pela aproximação ao pensamento inicial de Heráclito, que culmina na reformulação da lógica como pergunta pela essência da linguagem em 1934.

O LÓGOS DA LÓGICA: SÍNTESE, DIAÍRESE E APÓFANSIS

1. O interesse inicial de Heidegger pela lógica converte-se em confronto durante o período de Marburgo, quando a crítica à sua configuração escolar e técnica conduz ao retorno às origens gregas e à interpretação do lógos como falar e falado, permitindo compreender a definição aristotélica do ser humano como a de um vivente cujo modo de ser se realiza na linguagem.

2. A interpretação do lógos como unidade entre falar e falado evidencia sua capacidade de fazer ver e tornar acessível o ente, estabelecendo desde a Hermenêutica da facticidade uma relação entre a função apofântica da fala e o desocultamento, pelo qual aquilo que permanecia encoberto é trazido à manifestação.

3. A relação entre lógos e verdade como desocultamento desenvolve-se gradualmente nas lições heideggerianas, permanecendo em 1924 vinculada à necessidade de rever os fundamentos da lógica e à compreensão do ser humano como vivente que possui seu próprio ser no diálogo e na fala.

4. A investigação de O sofista de Platão reconduz a possibilidade da apófansis à unidade entre síntese e diaírese, compreendidas como articulações anteriores à afirmação e à negação que permitem tanto descobrir quanto encobrir, corrigindo a identificação tradicional da síntese com a atribuição afirmativa e da separação com a denegação.

5. A distinção aristotélica entre discurso semântico e discurso apofântico permite reconhecer que toda fala compreensível significa algo, mas somente aquela em que ocorre descoberta ou encobrimento pode assumir a forma de um enunciado verdadeiro ou falso, pois significar não equivale necessariamente a fazer ver aquilo que é significado.

6. A interpretação heideggeriana da lógica inverte a tese segundo a qual a proposição seria o lugar originário da verdade, sustentando que o enunciado somente se torna possível no âmbito prévio do desocultamento, de maneira que a verdade como manifestação deve ser distinguida da possibilidade proposicional de descobrir corretamente ou encobrir aquilo de que se fala.

7. A copertença essencial entre síntese e diaírese constitui a base unitária sobre a qual o enunciado pode ser verdadeiro ou falso, exigindo reconduzir essa articulação a uma estrutura anterior à própria proposição e ao lógos apofântico.

8. A possibilidade de enunciar algo sobre uma coisa pressupõe que ela já seja compreendida como algo, de modo que afirmar a cor de uma cadeira exige sua acessibilidade prévia enquanto cadeira, fundada em uma compreensão pré-teórica, pré-lógica e antepredicativa que se realiza no próprio viver e constitui a estrutura hermenêutica do ser-no-mundo do Dasein.

9. A compreensão e a interpretação prévias do mundo constituem a condição ontológica do lógos apofântico, de maneira que libertar a linguagem da lógica significa reconduzi-la ao fundamento existencial do compreender, transferindo a investigação de sua estrutura para o domínio da ontologia fundamental.

10. A investigação filosófica permanece diante da tarefa de alcançar força e radicalidade suficientes para tornar efetivos os limites essenciais da lógica e da ontologia tradicionais, convertendo sua identificação conceitual em transformação concreta do próprio questionamento.

11. A interpretação heideggeriana do lógos desloca a investigação dos critérios de verdade e falsidade dos enunciados para as condições que tornam possível um discurso descobridor ou encobridor, modificando a relação tradicional entre lógica e verdade.

12. O ser-verdadeiro consiste em retirar do ocultamento o ente de que se fala e deixá-lo aparecer como desoculto, enquanto o ser-falso consiste em encobri-lo por meio de uma apresentação que o faz passar por aquilo que ele não é.

13. A concepção heideggeriana da linguagem permanece, nessa etapa, discursiva e pragmática, razão pela qual a superação da lógica ainda se desenvolve dentro dos limites da sintaxe, sem colocar radicalmente em questão a estrutura do lógos como tal.

1929–1931: UM PERÍODO DE TRANSFORMAÇÃO PARA O LÓGOS

1. A pergunta pelo nada, formulada em Que é metafísica?, evidencia os limites do pensamento regulado pela lógica, pois o discurso apofântico se orienta para os entes e tende a reduzir o nada a uma operação de negação ou a rejeitar sua investigação mediante o princípio de não contradição, sem conseguir abordá-lo em sua especificidade.

2. A submissão da pergunta pelo nada à lógica conduz à contradição ou à objetivação indevida, enquanto a inversão heideggeriana reconhece no nada a origem da possibilidade de negar, compreendendo-o como uma experiência mais originária que não se oferece à investigação científica e delimita o alcance do conhecimento positivo dos entes.

3. A recondução da negação ao nada enfraquece a autoridade exclusiva do entendimento lógico e abre outras modalidades de acesso, especialmente a angústia, na qual o nada sobrevém sem se tornar objeto, enquanto o retraimento dos entes em sua totalidade interrompe a fala e faz emudecer a pretensão de afirmar que alguma coisa é.

4. A pertença do nada ao ser dos entes permite compreender a pergunta pelo nada como uma interrogação que abrange a totalidade da metafísica, pois ser e nada se aproximam no horizonte da transcendência, enquanto a experiência pré-linguística do nada desarticula o enunciado apofântico e põe em questão a primazia da concepção gramatical e comunicativa da linguagem.

5. A crítica à lógica desenvolvida em Que é metafísica? alcança uma radicalidade inédita, embora permaneça limitada pelo formato da conferência e pela linguagem metafísica, sendo retomada nas lições sobre mundo, finitude e solidão como tentativa de compreender a estrutura interna do lógos para além do quadro inicial da ontologia fundamental.

6. A revisão autocrítica da interpretação do lógos rejeita o privilégio do juízo afirmativo verdadeiro como modelo de suas demais modalidades, pois sua essência não pode ser deduzida da combinação entre afirmação, negação, verdade e falsidade, devendo ser compreendida como potência de estabelecer uma relação com o ente enquanto ente.

7. A potência mostrativa do lógos não produz por si mesma a relação com o ente, mas depende de sua manifestação prévia e da abertura humana para deixar-se vincular por ele, deslocando o fundamento do enunciado da abertura do Dasein para a manifestação do ente em uma liberdade articulada e articuladora anterior à predicação.

8. A compreensão do mundo como espaço de manifestação dos entes permite ultrapassar a função apofântica do lógos sem abandonar a questão da verdade, pois sua potência se funda no encontro entre o oferecimento do ente à vinculação e a abertura do Dasein para acolhê-lo, antecipando a interpretação posterior do lógos como relação que mantém reunido aquilo cuja manifestação torna possível.

O ABALO DA LÓGICA

1. O projeto de abalar a lógica desde seus fundamentos é retrospectivamente associado às investigações sobre O sofista de Platão, mas somente a retomada do pensamento inicial de Heráclito e Parmênides, no começo dos anos 1930, conduz ao reconhecimento explícito da insuficiência das determinações apofânticas anteriormente conquistadas.

2. O abalo da representação gramatical da linguagem exige esclarecer suas origens gregas e sua dependência de uma experiência do discurso como algo perceptível, disponível e constantemente presente, cuja articulação em partes delimitáveis reproduz uma compreensão determinada do ser dos entes.

3. A crítica da gramática deve atingir seu fundamento lógico, pois categorias como substantivo, verbo e adjetivo remetem à estrutura proposicional e a uma concepção do ente como substrato presente e disponível, evidenciando que a organização gramatical da linguagem depende de uma ontologia grega específica.

4. A investigação de 1934 retoma a dependência entre lógica, gramática e interpretação da linguagem como algo presente, mas procura ultrapassar a regulamentação formal do pensamento pelos princípios de identidade, não contradição e razão suficiente, reconduzindo a lógica à pergunta por sua orientação fundamental, identificada agora com a essência da linguagem.

5. A pergunta pela essência da linguagem encontra uma dificuldade circular porque precisa empregar a própria linguagem cuja configuração lógica e metafísica pretende interrogar, permanecendo presa a uma modalidade historicamente determinada de falar e pensar enquanto todo acesso continuar subordinado à lógica dominante.

6. A procura de um acesso que ultrapasse a compreensão da linguagem fundada na metafísica da presença conduz à poesia, na qual sua essência se realiza exemplarmente como instituição originária, articulando as questões da linguagem, do ser humano e da historicidade.

7. A essência da linguagem manifesta-se em seu poder formador de mundo, pelo qual o ser dos entes é previamente configurado e articulado, encontrando na poesia sua realização originária, em vez de se reduzir ao transporte de informações ou à expressão exterior de uma interioridade presumida.

8. A determinação da poesia como linguagem originária culmina no reconhecimento de seu caráter fundador do ser pela palavra, pois ela institui nexos de significação pelos quais uma comunidade compreende a si mesma e seu mundo, abrindo previamente o domínio em que se tornam possíveis os discursos e as discussões da linguagem cotidiana.

9. A compreensão da essência da linguagem como poesia constitui um momento decisivo da viragem (Kehre), orientando o pensamento tanto para o confronto com Hölderlin quanto para o retorno a Heráclito e Parmênides, em busca de uma lógica originária capaz de deixar o ser desdobrar-se em sua própria verdade.

CONCLUSÃO

1. A conferência Que é metafísica? e as lições de 1934 constituem momentos decisivos do confronto heideggeriano com a lógica, embora a primeira ainda procure reconduzi-la ao seu fundamento ontológico mediante a desmontagem da função apofântica, enquanto as segundas transformam a própria disciplina em pergunta pela essência da linguagem.

2. A libertação do lógos originário exige abalar a representação gramatical naturalizada da linguagem e deslocar a investigação da matriz platônico-aristotélica para Heráclito e Parmênides, revelando uma ruptura entre a crítica dos anos 1920 e o projeto posterior, pois a busca do fundamento da lógica passa da relação apofântica entre falar e falado à historicização do falado como dito e poeticamente instituído, concentrado no poema em sentido amplo.

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