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estudos:stambaugh:corpo-e-mente-abandonados-1990
CORPO E MENTE ABANDONADOS (1990)
STAMBAUGH, Joan. Impermanence is Buddha-nature: Dōgen’s understanding of temporality. Honolulu: University of Hawaii Press, 1990.
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Ao afirmar no Genjōkōan que esquecer a si mesmo é ser confirmado por todos os dharmas, Dōgen indica que o estudo do si culmina em seu esquecimento e na descoberta de todas as coisas não como opostas ao si, mas como totalidade na qual cada coisa é essa totalidade sem exclusividade, superando qualquer tentativa subjetiva de identificar si e natureza de Buda e abrindo a dimensão cósmica que ele desenvolverá inclusive em relação ao tempo.
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Esquecimento do si como condição de acesso a todos os dharmas.
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Totalidade em que cada coisa é o todo sem exclusividade.
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Superação da subjetividade na relação si e natureza de Buda.
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Indicação de ulterior desenvolvimento em conexão com o tempo.
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A etapa seguinte, ao afirmar que ser confirmado por todos os dharmas implica abandonar corpo e mente próprios e alheios, remete à experiência decisiva de satori de Dōgen ao ouvir Ju-ching admoestar um monge dizendo que no Zen corpo e mente devem cair, ocasião aparentemente trivial que, contudo, desencadeou transformação radical.
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Expressão corpo e mente abandonados como núcleo da experiência.
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Referência a Ju-ching e à reprimenda no zendō.
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Caráter não extraordinário das ocasiões que desencadeiam iluminação.
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Transformação súbita e profunda.
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A interpretação proposta por Dumoulin acerca do avanço além do fim da água ou do céu sugere que, quando não há mais caminho nem lugar, a verdadeira realidade se manifesta na prática, distinguindo o ser humano do peixe e do pássaro e descrevendo esse lugar em termos negativos, como não grande nem pequeno, nem si nem outro, nem previamente existente nem recém-aparecido, sendo o conhecimento aí inseparável da vida e da mudança na unidade com a lei de Buda.
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Metáfora do peixe e do pássaro que alcançam o limite.
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Manifestação da verdadeira realidade na prática.
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Caracterização negativa do lugar.
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Unidade entre conhecer, vida e lei de Buda.
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A aparente contradição entre a infinitude da água e do céu para peixe e pássaro e a possibilidade de alcançar um fim revela-se mais complexa, pois o peixe comum nunca encontra o término, ao passo que o ser humano, figurado como peixe ou pássaro insensato, pode atingir o ponto sem continuação e, nesse limiar, experimentar a manifestação da realidade.
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Diferença entre continuidade natural e alcance do limite.
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Figura do peixe ou pássaro insensato como imagem do humano.
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Experiência do ponto sem caminho ulterior.
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A descrição negativa desse lugar, que não é grande nem pequeno, nem si nem outro, nem previamente existente nem recém-surgido, indica que a verdadeira realidade não está simplesmente sempre presente à espera de ser alcançada nem surge apenas no momento da realização, exigindo reflexão ulterior especialmente no que concerne ao tempo.
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Negação de categorias espaciais e pessoais.
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Rejeição da ideia de presença eterna à espera.
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Rejeição da ideia de surgimento inaugural no momento da obtenção.
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Quando o ser humano alcança o ponto sem caminho e corpo e mente caem, não há continuidade possível, e o si não iluminado da existência cotidiana se desprende como pele abandonada por uma serpente, sinalizando ruptura decisiva com a autoidentificação anterior.
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Queda de corpo e mente como ruptura.
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Desaparecimento do si cotidiano.
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Metáfora da pele abandonada.
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A etapa final, em que todos os vestígios de iluminação desaparecem e essa iluminação sem traços prossegue indefinidamente, é figurada pelas imagens do pastoreio do boi, especialmente na versão de Kuo-an Shih-yuan, que culmina com o retorno ao mercado com mãos que ajudam e concedem bem-aventurança.
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Desaparecimento dos traços de iluminação.
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Referência às imagens do pastoreio do boi.
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Versão de Kuo-an Shih-yuan com retorno ao mundo.
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Mãos que auxiliam e distribuem felicidade.
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O processo dessas imagens, que vai da perda à busca, da captura à transcendência e ao retorno transformado, encontra paralelos na tradição ocidental, como na alegoria da caverna de Platão ou no cavaleiro da fé de Kierkegaard, indicando dinâmica de perda, reencontro e reinserção.
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Paralelo com a alegoria da caverna de Platão.
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Paralelo com o cavaleiro da fé de Kierkegaard.
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Estrutura de perda, obtenção e retorno.
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Nas últimas imagens, o desaparecimento progressivo do boi e do homem, passando pelo vazio e pelo retorno à fonte até a reintegração no mundo cotidiano transformado, evidencia que a iluminação culmina não em evasão, mas em retorno ativo ao convívio humano.
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Desaparecimento do boi nas últimas imagens.
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Vazio como etapa intermediária.
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Retorno à natureza e ao cotidiano.
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Transformação alegre e disposição para guiar outros.
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A necessidade de domar o boi, se ele representa o verdadeiro si ou a natureza de Buda, só se torna compreensível ao reconhecer que a resistência simboliza a dimensão ainda não assimilada do próprio ser humano, pois a natureza de Buda em si não requer domesticação, sendo boi e homem, em última instância, idênticos.
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Dificuldade de explicar a domesticação do boi.
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Interpretação da resistência como traço humano.
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Natureza de Buda não necessita cultivo em si.
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Identidade última entre boi e homem.
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Ao afirmar que todos os vestígios de iluminação desaparecem, Dōgen descreve um estado em que não resta marca que denuncie consciência separada da iluminação, pois não se possui iluminação nem se é iluminado como algo distinto, mas se é a própria iluminação.
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Ausência de traços distintivos.
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Superação da separação entre sujeito e iluminação.
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Identificação com a própria iluminação.
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A síntese final delimita a investigação acerca da impermanência, da natureza de Buda e de sua relação, mostrando que nem transcendência nem imanência, nem diferença nem identidade em sentido tradicional, são adequadas para caracterizar essa relação, conduzindo a uma aporia completa.
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Impermanência associada a samsara.
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Natureza de Buda associada a nirvana.
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Insuficiência de transcendência e imanência.
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Insuficiência de diferença e identidade tradicionais.
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Situação de aporia.
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