Ter-de-ser
(RIVERA, Jorge Eduardo. Heidegger y Zubiri. Santiago de Chile: Ed. Universitaria, 2001:34)
“A ‘essência’ desse ser (Dasein) consiste em seu ter-de-ser (Zu-sein). O ‘o quê’ (essentia) desse ser, na medida em que se possa sequer falar assim, deve ser concebido a partir de seu ser (existentia)” (SZ:67). O que isso significa? Significa que, se quisermos compreender o “o quê” do Dasein, não podemos prescindir de sua existência. De fato, o Dasein é “o que” é, na medida em que se vê forçado a ser, a existir. Não se trata, é claro, de que, no Dasein, a essência e a existência sejam idênticas, mas de que é constitutiva de sua particularidade ôntica, de seu “o quê”, a “relação” que ele próprio tem com sua existência, uma “relação” que consiste em “ter que existir”, ou seja: já estar colocado no existir e não ter outra escolha a não ser existir. O Dasein — o existir humano — é um modo de ser que implica a existência. Por isso, algumas linhas adiante, Heidegger dirá: “A ‘essência’ do Dasein consiste em sua existência” (ibid.). Para não interpretar mal essa frase, é necessário observar as aspas na palavra “essência”. Aqui não se está falando de essência e existência no sentido comum, mas sim do ser humano enquanto ex-sistente, enquanto Dasein. E dessa ex-sistência humana diz-se que seu “o quê” é determinado não por características abstratas de algo que estaria-aí, de algo Vorhandenes, mas que o determinante desse “o quê” é o próprio existir e os modos desse existir. Por isso, o texto prossegue com as seguintes palavras: “As características notáveis nesse ente não são, portanto, ‘propriedades’ que estejam-aí de um ente que está-aí com tal ou tal aspecto, mas sempre modos de ser possíveis para ele, e apenas isso. Todo ser-tal nesse ente é, em primeiro lugar, ser” (SZ:67-68).
(RIVERA, Jorge E. Heidegger y Zubiri. Santiago de Chile: Ed. Universitaria, 2001)
