CORPO, LINGUAGEM
NANCY, Jean-Luc. Être singulier pluriel. Paris: Galilée, 1996 / Being Singular Plural. Translated by Robert D. Richardson and Anne E. O’Byrne. Stanford: Stanford University Press, 2000:24
1. A pluralidade das origens dissemina essencialmente a Origem do mundo, surgindo o mundo em toda parte e a cada instante simultaneamente, sendo assim que ele surge do nada e é criado, devendo entender-se isso não como efeito de uma operação produtiva particular, mas como o fato de que ele é, na medida em que é, enquanto é criado, isto é, insurgido, vindo, crescido, sempre-já insurgido de toda parte, sendo cada ente, portanto, na origem, originário e original, embora todos partilhem a mesma originariedade, sendo a origem essa própria partilha.
2. Aquilo que a partilha reparte não é da ordem de uma substância única da qual todo ente participaria, mas é ao mesmo tempo o que reparte e o que é estruturalmente constituído pela partilha, definindo-se isso como matéria, não significando matéria aqui uma substância ou sujeito, mas em sentido próprio aquilo que se reparte de si, que unicamente se distingue de si, partes extra partes, sendo algo originariamente impenetrável à penetração fusional do espírito, sendo a ontologia do ser-com necessariamente materialista, ontologia dos corpos, todos os corpos, inanimados, animados, sencientes, falantes, pensantes, pesados.
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Corpo quer dizer antes de tudo aquilo que está fora, enquanto fora, ao lado, contra, junto a, com um outro corpo, no corpo a corpo, na disposição, não apenas de um si a um outro mas antes como si, de si a si, sendo um corpo, seja de pedra, madeira, plástico ou carne, a partilha e a partida de si, a si, o junto-de-si sem o qual o si sequer seria a si mesmo.
3. A linguagem é o incorpóreo, como diziam os estoicos, sendo o dizer corpóreo, enquanto voz audível ou traço visível, mas sendo o que é dito incorpóreo, todo o incorpóreo do mundo, não estando no mundo como um corpo mas sendo, no mundo, o fora do mundo, todo o fora do mundo, não a irrupção de um Outro que sublimaria o mundo, mas a exposição do mundo-dos-corpos enquanto tal, isto é, enquanto singular plural da origem.
4. O incorpóreo expõe os corpos em seu ser-uns-com-os-outros, nem isolados nem confundidos, mas entre si como origens, sendo a relação das origens singulares entre si a relação do sentido, sendo a relação de uma Origem única com o resto enquanto resto originado uma relação de sentido saturado, já não uma relação mas uma pura consistência, e já não um sentido mas seu fechamento, a anulação do sentido e o fim da origem.
5. A linguagem é o expoente da singularidade plural, sendo nela o ente inteiro exposto como sentido da linguagem, isto é, como partilha originária na qual o ente se relaciona ao ente, como circulação de um sentido do mundo sem início nem fim, sentido do mundo enquanto ser-com, simultaneidade de todas as presenças que estão todas umas em relação às outras e das quais nenhuma é a si sem ser às outras.
6. É por isso que o diálogo ou o polílogo essencial da linguagem é identicamente aquele pelo qual falamos uns com os outros e aquele pelo qual falo a mim mesmo, sendo eu já por conta própria toda uma sociedade, estando sempre, na linguagem e como linguagem, simultaneamente nós e eu, eu enquanto nós e nós enquanto eu, pois eu nada me diria se não estivesse comigo como com vários outros, se esse com não estivesse em mim, diretamente em mim, ao mesmo tempo de mim, sendo antes esse ao-mesmo-tempo aquilo em que unicamente eu sou.
7. Percebe-se aqui talvez melhor a essência da singularidade, que não é a individualidade mas é, cada vez, a pontualidade de um com que enoda certa origem de sentido conectando-a com uma infinidade de outras origens possíveis, sendo assim infra ou intraindividual e ao mesmo tempo transindividual, as duas coisas sempre juntas, sendo o indivíduo uma interseção de singularidades, a exposição discreta e transitória de sua simultaneidade.
8. É por isso que não há a linguagem, mas há línguas, palavras e vozes, uma partilha originariamente singular das vozes sem a qual não haveria voz alguma, passando na exposição incorpórea das línguas o ente inteiro através do homem, mas essa exposição expõe o próprio homem fora do humano, ao sentido do mundo, ao sentido do ser como ser-sentido do mundo.
9. O homem, na linguagem, não é o sujeito do mundo, não o representa, não é origem nem fim do mundo, não é seu sentido nem o doa, sendo antes seu expoente, mas o que ele expõe não é a si mesmo, não é o homem, mas o mundo e seu próprio ser-com-todo-o-ente no mundo, como mundo, sendo por essa mesma razão o homem também o exposto do sentido, estando, enquanto dotado de linguagem, essencialmente ex-posto em seu ser, exposto a e como esse fora incorpóreo do mundo, no coração do mundo, que faz o mundo consistir em sua própria pluralidade singular.
10. Não basta dizer que a rosa cresce sem razão, pois se a rosa estivesse sozinha, seu crescimento sem razão encerraria em si toda a razão do mundo, mas a rosa cresce sem razão porque cresce com a reseda, a roseira brava e o cardo, o cristal e o cavalo-marinho, o homem e suas invenções, não compondo o todo do ente, a natureza e a história, um conjunto cuja totalidade possa ser ou não ser sem razão, sendo o todo do ente a razão de si mesmo, não tendo outra, o que não significa que seja princípio e fim de si mesmo, pois não é si mesmo, sendo sua própria disposição numa pluralidade de singularidades.
11. O ser se ex-põe, portanto, como o entre e como o com dos singulares, dizendo ser, entre e com a mesma coisa, precisamente aquilo que só pode ser dito, aquilo que não pode ser apresentado como um ente entre tantos, pois é o em-meio de todos os entes que estão todos e cada vez uns em meio aos outros, não dizendo o ser outra coisa e, por conseguinte, se o dizer de um modo ou outro sempre diz o ser, o ser por sua vez só é exposto no incorpóreo do dizer.
12. Isso não quer dizer que o ser seja apenas uma palavra, mas antes que o ser é tudo quanto é e tudo quanto faz uma palavra, isto é, ser-com sob todo aspecto, pois um termo só é o que é em meio a todos os termos, e uma palavra só é o que é no com das palavras, sendo a linguagem essencialmente no com, sendo cada palavra a simultaneidade de pelo menos duas palavras, a que é dita e a que é entendida, mesmo apenas por mim mesmo, isto é, a que é redita, não sendo, assim que uma palavra é dita, o sentido a transmissão de um emissor a um receptor, mas a simultaneidade de pelo menos duas origens de sentido, a do dizer e a de seu ser redito.
13. O sentido consiste nisto: que o que digo não é simplesmente dito, mas, para ser dito, me volta na realidade redito, e ao voltar-me, a partir do outro, torna-se também uma outra origem de sentido, sendo o sentido a passagem e a partilha de origem em origem, singular plural, exibição do fundo sem fundo que não é um abismo, mas simplesmente o com das coisas que são, enquanto são, sendo o logos diálogo, mas não tendo o diálogo por objetivo transformar-se em consenso, tendo antes por razão tender, apenas tender, dando-lhe tom e intensidade, ao com do sentido, à pluralidade de sua insurgência.
14. Não basta, portanto, opor a tagarelice à autenticidade de uma palavra plena de sentido, devendo antes discernir na tagarelice o entretenimento do ser-com enquanto tal, sendo entretendo-se, no sentido da discussão, que ele se entretém, no sentido da perseverança no ser, expondo o falar-com o conatus do ser-com, ou antes expondo o ser-com como conatus, esforço e desejo de conservar-se como com, e portanto de conservar aquilo de si que não é substância estável e permanente, mas partilha e passagem.
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Nesse entretenimento do ser-com deve-se discernir como a linguagem, cada vez, com cada significado, do mais elevado ao mais humilde, até as insignificâncias fáticas que entretêm apenas o próprio entretenimento, expõe o com e se expõe por sua vez como com, inscrevendo-se e ex-escrevendo-se nele até esgotar-se, esvaziado de significado.
15. Esvaziado de significado quer dizer remetendo todo significado à circulação do sentido, ao transporte de um a outro, o que não produz uma tradução no sentido da conservação de um significado, mas no sentido de uma trans-dução, de um estiramento e tensão de origem-de-sentido a origem-de-sentido, sendo por essa razão que esse esgotamento sempre iminente do significado toma duas direções opostas, a da tagarelice comum e a da distinção poética absoluta, esgotamento por insignificância fática e por intercambialidade inesgotável, e esgotamento por pura significância apofática, mostração da própria coisa numa palavra que não se pode mudar, sendo o conatus, de um extremo a outro, sempre o mesmo: o com no qual nos expomos uns aos outros, enquanto uns e enquanto outros, expondo o mundo enquanto mundo.
16. A linguagem se constitui e se articula a partir do enquanto, significando dizer qualquer coisa apresentar o enquanto de qualquer coisa, significando, do ponto de vista do significado, apresentar uma coisa enquanto é outra coisa, mas, do ponto de vista do sentido e da verdade, apresentar o enquanto como tal, isto é, a exterioridade da coisa, seu ser-diante, seu ser-com-todas-as-coisas.
17. A frase de Mallarmé eu digo um flor enuncia que a palavra diz a flor como flor, e nada mais, ausente de todo buquê apenas porque seu enquanto é também a presença como tal de toda flor em todo buquê, escrevendo Agamben que o pensamento que busca apreender o ser como ser retrocede ao ente sem lhe acrescentar determinação ulterior, captando, ao compreendê-lo em seu ser-tal, no meio de seu como, sua pura patência, sua pura exterioridade, não dizendo mais algo como algo, mas trazendo à palavra o próprio como.
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O pensamento que busca apreender o ser como ser retrocede ao ente sem lhe acrescentar uma determinação ulterior, compreendendo-o em seu ser-tal, no meio de seu como, captando sua pura patência, sua pura exterioridade, não dizendo mais algo como algo, mas trazendo à palavra o próprio como.
18. Cada palavra traz à palavra esse próprio como, isto é, a exposição e a disposição recíproca das singularidades do mundo, sendo a linguagem o elemento do com como tal, o espaçamento de sua declaração, que por sua vez pertence a todos e a ninguém, pertencendo ao mundo e à sua coexistência.
19. Como dizia La Bruyère, tudo está dito e sempre se chega tarde demais, estando tudo dito porque tudo já foi sempre dito, mas restando ainda tudo por dizer, pois o todo enquanto tal deve sempre ser dito de novo, apresentando a morte a interrupção de um dizer do todo e de uma totalidade do dizer, mostrando como o dizer-tudo é cada vez um tudo está dito, completude discreta e transitória.
20. É por isso que a morte não tem lugar para o sujeito, tendo lugar apenas sua representação, sendo também por isso que minha morte não se afunda comigo no puro desaparecimento, pois, sendo, como diz Heidegger, a possibilidade suprema da existência, ela expõe a existência enquanto tal, tendo assim a morte lugar essencialmente como linguagem e, reciprocamente, dizendo a linguagem sempre a morte, sempre a interrupção do sentido como sua própria verdade.
21. A morte enquanto tal, e o nascimento enquanto tal, têm lugar como linguagem, no e através do ser-uns-com-os-outros, sendo essa a própria assinatura do com: o morto é aquele que já não está com e, simultaneamente, toma seu lugar na exata medida do com incomensurável, sendo a morte o enquanto sem qualidade e sem complemento, o incorpóreo como tal e portanto a exposição do corpo, nascendo e morrendo-se não enquanto se é este ou aquela, mas enquanto se é, em absoluto, um enquanto-tal, isto é, uma origem de sentido, absoluta e absolutamente à parte, e por isso imortal.
22. Disso decorre que não se nasce nem se morre nunca sozinho, ou antes que a solidão do nascimento e da morte, essa solidão que sequer é tal, é o exato reverso de sua partilha, sendo verdade, como diz ainda Heidegger, que não posso morrer no lugar de outro, mas sendo também verdade, e a mesma verdade, que o outro morre enquanto está comigo, e que nascemos e morremos uns aos outros, expondo-nos uns aos outros e expondo cada vez a inexponível singularidade da origem.
23. Diz-se em francês e em italiano morrer a, ao mundo, à vida, assim como nascer a, sendo a morte à vida diferente de fazer da morte a negatividade pela qual se passa para ressuscitar, sendo mais precisamente a morte como negatividade fecunda aquela de um único sujeito, não podendo a morte à vida, a ex-posição enquanto tal, deixar de ser com, singularidade plural.
24. Nesse sentido a linguagem é realmente aquilo que Bataille define como a prática da alegria diante da morte, sem desvio nem acomodação com a insuportabilidade da morte, sendo isso, num certo sentido, precisamente o trágico, mas a alegria como despojamento de sentido que despoja a origem: eis o singular plural como tal, o com enquanto tal, isto é, o ser-tal enquanto tal, perfeita e simplesmente, imortalmente, igual a si mesmo e a todo outro, igual a si mesmo porque e como igual a todo outro, essencialmente portanto com todo outro nessa igualdade.
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É a morte que fala em mim, sendo minha palavra o sinal de que a morte está, naquele preciso momento, liberada no mundo, de que entre mim que falo e o ser que evoco ela subitamente surgiu, estando em nós como a distância que nos separa, mas essa distância é também o que impede que sejamos separados, pois é nela a condição de todo entendimento.
25. A literatura expõe assim a morte, sem negá-la nem afirmá-la, trazendo-a à linguagem, não sendo ela senão isso, o que é essencialmente trazido à linguagem, e o que traz a ela, sendo a literatura a linguagem em tensão de nascimento e de morte porque e enquanto está em tensão de endereçamento, entendimento e entretenimento, seja como relato, discurso ou canto, significando literatura o ser-em-comum daquilo que é sem origem comum, mas originariamente em-comum ou com.
26. É por isso que, se a relação com a própria morte consiste, segundo Heidegger, em assumir por si mesmo a própria morte mais própria, essa assunção não implica, ao contrário do que sustenta o próprio Heidegger, que o ser-com perca toda pertinência, pois, se o ser-com é realmente co-essencial ao ser mesmo, então a possibilidade mais própria é co-essencialmente uma possibilidade do com e como com.
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Assumir por si mesmo a própria morte mais própria.
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O ser-com perde toda pertinência.
27. Minha morte é uma co-possibilidade, a mais própria, da possibilidade própria dos outros existentes, sendo ela, será ela, minha morte na palavra deles que diz está morto, não estando nem estará em nenhum outro lugar, sendo minha possibilidade enquanto retira de si mesma a possibilidade do meu, isto é, enquanto a propriedade-minha é remetida ao singular plural da propriedade-minha-sempre-outra, tratando-se sem dúvida do ser no está morto, e do ser como ser-com.
28. A morte não é, portanto, a negatividade, e a linguagem não conhece nem pratica a negatividade senão logicamente, sendo a negatividade a operação que pretende depor o ser para fazê-lo ser, o sacrifício, a falta-objeto do desejo, o eclipse da consciência, a alienação, e por conseguinte nunca a morte, nunca o nascimento, mas apenas a assunção de uma suposição infinita, sendo o ser infinitamente pré-suposto a si mesmo e seu processo a reapropriação dessa pressuposição, sempre aquém e além de si mesma, e por isso negatividade em trabalho.
29. As coisas, porém, se dão de outro modo se o ser é disposição, singular plural, sendo o desvio da disposição nada, não sendo esse nada o negativo de nada, mas o incorpóreo através do qual os corpos estão uns com os outros, uns junto aos outros, lado a lado, em contato e portanto a distância uns dos outros, sendo esse nada res ipsa, a própria coisa, a coisa enquanto é o próprio ser, isto é, o ser-tal de cada ente, a exposição recíproca dos entes que só existem para e nessa exposição, sendo tal um demonstrativo, sendo o ser-tal a essência demonstrativa do ser: o ente que se mostra ao ente e em meio ao ente.
30. Todos os pensamentos da negatividade conduzem ao mesmo ponto, ou ao menos por ele passam, ainda que se recusem depois a nele se deter: o ponto em que o próprio negativo, para ser negativo, deve subtrair-se à própria operação e ser afirmado em si, sem resto, ou, ao contrário, ser afirmado como o resto absoluto, que nada encadeia a uma sequência processual, sendo esse o ponto crítico, suspenso, inoperante, no próprio coração da dialética, interrompendo-se a autopressuposição, havendo uma síncope do processo e de seu pensamento, síncope e conversão instantânea da suposição em disposição.
31. A disposição é a mesma coisa que a suposição, sendo num certo sentido o antecedente absoluto, estando o com sempre já dado, mas não estando ela posta sob, não preexistindo às posições, mas sendo sua simultaneidade, sendo o não-ser do ser, seu sentido, sua própria disposição, sendo o nihil negativum o quid positivum enquanto singular plural, isto é, enquanto nenhum quid, nenhum ente, é posto sem com, estando ele sem, a distância, na exata medida em que está com, mostrado e demonstrado no ser-com, prova de existência.
32. O mal reside então sistematicamente numa operação que preenche o com, podendo-se preenchê-lo enchendo-o ou esvaziando-o, remetendo-o a um fundo de plenitude e continuidade ou a um abismo de intransitividade, tornando-se no primeiro caso o singular um particular numa totalidade, e não sendo mais nem singular nem plural, e existindo no segundo caso o singular apenas por si só, portanto como totalidade, não sendo tampouco, nesse caso, nem singular nem plural, estando em ambos os casos o homicídio no horizonte, isto é, a morte como negatividade operativa do Um, a morte como obra do Um-Todo ou do Um-Eu, sendo por isso a morte o contrário do homicídio: o com inoperante, mas existente, e falhando sempre o homicídio em atingir a morte.
33. O com não é um fundo nem um sem-fundo, sendo nada além do ser-com, o com incorpóreo do ser-corpo enquanto tal, sendo a linguagem, antes de ser palavra, língua, verbalidade e significado, isto: a extensão e a simultaneidade do com enquanto é a mais própria potência de um corpo, sua propriedade de tocar um outro corpo, ou de tocar-se, que não é senão sua definição de corpo, terminando-se, cessando e cumprindo-se num só gesto, ali onde ele está-com.
34. Falar com, nesse sentido, em vez de falar-a ou falar-se, em vez de dizer ou proferir, falar com como entretenimento e conatus de um ser-exposto que não expõe segredo algum além de sua própria exposição, falar com como se diz dormir com, sair com ou viver com, eufemismo para dizer nada menos que o que o querer-dizer quer dizer de todas as maneiras, isto é, o próprio ser enquanto comunicação, e o pensamento tal como se diz: co-agitatio do ser, não sendo a linguagem um instrumento de comunicação, nem a comunicação um instrumento para o ser, mas sendo, precisamente, a comunicação o próprio ser, não sendo o ser, por conseguinte, senão o incorpóreo no qual os corpos se anunciam uns aos outros enquanto tais.
