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estudos:davis:resolucao-vontade-2007
RESOLUÇÃO E VONTADE (2007)
DAVIS, Bret W. Heidegger and the will: on the way to Gelassenheit. Evanston, Ill: Northwestern Univ. Press, 2007.
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A questão do papel da vontade em Ser e Tempo torna-se complexa ao se examinar a noção de Entschlossenheit como modo mais próprio do Dasein, inicialmente definida como escolha existencial de escolher a si mesmo, mas que deve ser pensada em conjunto com angústia, antecipação da morte e querer-ter-consciência.
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Entschlossenheit caracterizada como verdade mais originária do Dasein.
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Definição como “escolher escolher” um modo de ser-si-mesmo.
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Aparente tonalidade voluntarista da escolha.
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Articulação com angústia.
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Relação com antecipação da própria morte.
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Conexão com o querer-ter-consciência.
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Embora termos como resoluteness, projeção e escolha sugiram tonalidades de vontade, a análise etimológica e conceitual conduz Entschlossenheit à sua ligação com Erschlossenheit, com a verdade como a-letheia e com a topologia do ser desenvolvida posteriormente por Heidegger, onde ela passa a significar autoabertura do Dasein para o Aberto.
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Associação entre Entschlossenheit e Erschlossenheit.
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Verdade entendida como a-letheia, desocultamento.
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Relação com Lichtung como clareira.
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Pensamento topológico do ser como localidade.
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Desenvolvimento posterior na noção de região e do Aberto.
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Definição tardia como autoabertura específica do Dasein.
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A etimologia de Entschlossenheit, derivada de schließen com o prefixo ent-, indica originalmente abertura ou destrancamento, leitura retomada por Heidegger em sua filosofia da Gelassenheit, onde a liberdade como deixar-ser é descrita como porte resolutamente aberto que não se fecha sobre si.
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Origem etimológica ligada a abrir e destrancar.
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Sentido literal de estar-des-fechado.
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Reinterpretação na filosofia da Gelassenheit.
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Liberdade como deixar-ser.
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Uso da forma hifenizada Ent-schlossenheit para enfatizar abertura.
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Contudo, o uso moderno do termo, desde o século XVI, associa entschließen à decisão e à resolução da vontade, implicando estabelecimento firme de uma possibilidade e rejeição de outras, o que, no contexto de Ser e Tempo, poderia indicar que o Dasein, libertando-se do impessoal, escolhe resolutamente sua própria possibilidade de ser mediante um ato de querer.
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Evolução semântica para decidir e resolver.
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Entschluss como decisão da vontade.
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Prefixo ent- como estabelecimento de condição.
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Fechamento sobre uma possibilidade determinada.
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Libertação do domínio do impessoal.
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Escolha resoluta da própria possibilidade.
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Em conversa com John Sallis em 1975, Heidegger rejeita explicitamente qualquer relação entre Entschlossenheit e vontade, propondo compreendê-la como Geöffnetsein, o que suscita a questão acerca de qual interpretação corresponde ao sentido pretendido em Ser e Tempo.
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Declaração de que não tem relação com vontade.
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Proposta de leitura como abertura.
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Tensão entre interpretação voluntarista e não-voluntarista.
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No contexto de Ser e Tempo podem-se distinguir quatro leituras possíveis de Entschlossenheit: como decisão voluntária apesar de releituras posteriores; como já significando não-vontade segundo a experiência originária; como conceito internamente inconsistente entre vontade e Gelassenheit; ou como ambivalência dinâmica na qual o Dasein autêntico tanto escolhe resolutamente sua possibilidade quanto decide reiterar a interrupção desse querer.
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Primeira leitura como resolução voluntarista.
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Segunda leitura como antecipação da não-vontade posterior.
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Terceira leitura como tensão irresolúvel entre sentidos.
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Quarta leitura como ambivalência dinâmica entre querer e interrupção do querer.
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