Action unknown: copypageplugin__copy
estudos:davis:metafisica-de-nietzsche-2007
METAFÍSICA DE NIETZSCHE (2007)
DAVIS, Bret W. Heidegger and the will: on the way to Gelassenheit. Evanston, Ill: Northwestern Univ. Press, 2007.
-
Heidegger permanece enredado no abismo do pensamento de Nietzsche, cuja interpretação crítica por Heidegger é simultaneamente controversa e influente, e desempenha um papel central no desenvolvimento do próprio pensamento heideggeriano, sendo que a discussão dessa crítica concentra-se em quatro tópicos: o pensamento de Nietzsche como o último enredamento no niilismo, Nietzsche como o último metafísico, o espírito de vingança em Nietzsche e o papel do Nietzsche de Heidegger.
-
Heidegger reconhece sua própria permanência no abismo de Nietzsche.
-
A interpretação heideggeriana de Nietzsche é controversa e influente.
-
Essa interpretação é fundamental para o desenvolvimento do pensamento de Heidegger.
-
Os quatro tópicos da crítica são: o enredamento no niilismo, Nietzsche como último metafísico, o espírito de vingança e o papel do Nietzsche de Heidegger.
Enquanto Nietzsche afirma ter revelado a essência do niilismo e o caminho para sua superação, Heidegger sustenta que o pensamento de Nietzsche é, na verdade, o último enredamento no niilismo, pois Nietzsche compreende o niilismo como desvalorização dos valores supremos e propõe uma reavaliação radical como meio de superação, mas Heidegger objeta tanto o pensamento do valor quanto a própria ideia de querer superar o niilismo.-
Nietzsche entende o niilismo como desvalorização dos valores supremos.
-
Nietzsche propõe a reavaliação radical como superação do niilismo.
-
Heidegger critica o pensamento do valor.
-
Heidegger critica a ideia de querer superar o niilismo.
O pensamento em termos de valores implica uma orientação a partir do sujeito e de sua vontade, pois o valor é essencialmente o ponto de vista do ver que calcula o poder da vontade de poder, e a vontade de poder manifesta-se como a subjetividade caracterizada pelo pensamento do valor, enquanto a essência do niilismo, para Heidegger, é a história na qual nada há no ser mesmo, ou seja, a história do esquecimento do ser.-
Valor é o ponto de vista do ver que calcula o poder da vontade de poder.
-
A vontade de poder manifesta-se como subjetividade do pensamento do valor.
-
A essência do niilismo é a história em que nada há no ser mesmo.
-
O niilismo é a história do esquecimento do ser.
-
O sujeito esquece que os entes são graças ao ser, que abre a clareira para o aparecimento dos entes.
O pensamento do valor esquece o ser, e não é por acaso que Nietzsche, pensador da vontade de poder e da reavaliação de todos os valores, afirma que o ser não passa de vapor e fumaça, pois para Nietzsche não é necessário reabrir a questão do ser, mas sim uma vontade de poder forte o bastante para positivar seus próprios novos valores, e o valor é pensado como condição da vontade.-
Nietzsche afirma que o ser é um vapor e uma fumaça.
-
Para Nietzsche, não é necessária a reabertura da questão do ser.
-
É necessária uma vontade de poder forte o bastante para positivar novos valores.
-
O valor é pensado como condição da vontade.
Para Heidegger, a tentativa de superar o niilismo por meio de uma reavaliação voluntariosa é análoga a tentar apagar um incêndio com querosene, pois é precisamente na posição de novos valores a partir da vontade de poder, pela qual Nietzsche acredita superar o niilismo, que o niilismo propriamente dito proclama pela primeira vez que nada há no ser mesmo, agora tornado valor.-
A reavaliação voluntariosa é como tentar apagar fogo com querosene.
-
A posição de novos valores a partir da vontade de poder proclama o niilismo propriamente dito.
-
O niilismo propriamente dito proclama que nada há no ser mesmo.
-
O ser torna-se valor.
O pensamento de Nietzsche é simultaneamente o ponto mais baixo do abandono e esquecimento do ser e o ponto mais alto da afirmação autoconsciente da vontade do sujeito, e o niilismo completa-se na explicitação posição de valores da vontade de poder, de modo que a metafísica de Nietzsche é niilista por ser pensamento do valor e por este ser fundado na vontade de poder como princípio de toda valoração, tornando-se a consumação do niilismo propriamente dito.-
Nietzsche é o ponto mais baixo do abandono do ser.
-
Nietzsche é o ponto mais alto da afirmação autoconsciente da vontade do sujeito.
-
O niilismo completa-se na posição de valores da vontade de poder.
-
A metafísica de Nietzsche é niilista por ser pensamento do valor.
-
O valor é fundado na vontade de poder como princípio de toda valoração.
-
Essa metafísica é a consumação do niilismo propriamente dito.
Heidegger conclui que a metafísica de Nietzsche não é uma superação do niilismo, mas o último enredamento no niilismo, e critica a própria ideia de superar o niilismo, pois o niilismo não se deixa superar, não por ser insuperável, mas porque todo querer-superar é inadequado à sua essência.-
A metafísica de Nietzsche não supera o niilismo.
-
É o último enredamento no niilismo.
-
O niilismo não se deixa superar.
-
A inadequação do querer-superar não se deve à insuperabilidade do niilismo.
-
O querer-superar repete o problema que pretende superar.
Segundo Heidegger, a crítica de Nietzsche à metafísica acaba por consumar a metafísica ao realizar a última possibilidade em seu horizonte, e o contramovimento de Nietzsche contra a metafísica é, como mero virar do avesso da metafísica, um enredamento inextricável na metafísica.-
A crítica nietzschiana consuma a metafísica.
-
Nietzsche realiza a última possibilidade no horizonte da metafísica.
-
O contramovimento de Nietzsche é um mero virar do avesso.
-
O mero virar do avesso é um enredamento inextricável na metafísica.
Heidegger desmonta a pretensão nietzschiana ao mostrar que a tentativa de superar o niilismo mediante o querer de novos valores é a expressão mais aguda do niilismo como abandono do ser, e, de modo análogo, o virar do avesso do platonismo ou da metafísica por Nietzsche é a expressão final da metafísica, tornando Nietzsche, o autoproclamado antimetafísico, o último metafísico.-
O querer novos valores é a expressão mais aguda do niilismo.
-
O virar do avesso do platonismo é a expressão final da metafísica.
-
Nietzsche, autoproclamado antimetafísico, é o último metafísico.
O pensamento metafísico repousa sobre a distinção entre o que verdadeiramente é e o que, medido por aquilo, não é verdadeiramente ente, e Nietzsche concordaria com essa definição, e Heidegger certamente aprendeu muito com seu predecessor na crítica da metafísica e do niilismo, mas vê o pensamento de Nietzsche como uma mera inversão que não se desprende do abismo entre os reinos essencial à metafísica.-
A metafísica distingue entre o que verdadeiramente é e o que não é verdadeiramente ente.
-
Nietzsche concordaria com essa definição.
-
Heidegger aprendeu com Nietzsche na crítica da metafísica e do niilismo.
-
A inversão nietzschiana não se desprende do abismo entre os reinos.
-
Esse abismo é essencial à metafísica.
A distinção entre reinos persiste ainda quando a hierarquia platônica do suprassensível e do sensível é invertida e o âmbito sensível é experienciado mais essencial e profundamente na direção indicada por Nietzsche com o nome Dionísio, pois a superabundância pela qual anseia o grande anseio de Zaratustra é a permanência inexaurível do devir, que a vontade de poder no eterno retorno do mesmo quer ser para si mesma.-
A hierarquia platônica é invertida, mas a distinção persiste.
-
O âmbito sensível é experienciado mais profundamente na direção de Dionísio.
-
A superabundância do grande anseio de Zaratustra é a permanência inexaurível do devir.
-
A vontade de poder no eterno retorno do mesmo quer ser esse devir para si mesma.
As reversões e reavaliações nietzschianas não rompem o horizonte da metafísica e da subjetividade metafísica como tal, pois são meros contramovimentos e, como tudo que é anti, permanecem necessariamente presos na essência daquilo contra o que se movem.-
As reversões nietzschianas não rompem o horizonte da metafísica.
-
Não rompem o horizonte da subjetividade metafísica.
-
São meros contramovimentos.
-
O anti permanece preso na essência do que se opõe.
O além-do-homem de Nietzsche, por exemplo, é uma mera reversão da caracterização tradicional do homem como animal racional, pois ele é o animal rationale consumado na brutalitas, e a ênfase nietzschiana no primado do devir é, no fim, recuperada no pensamento do eterno retorno que, como ato supremo da vontade de poder, imprime no devir o caráter do ser.-
O além-do-homem é reversão do animal racional.
-
O além-do-homem é o animal rationale consumado na brutalitas.
-
A ênfase no devir é recuperada no eterno retorno.
-
O eterno retorno, como ato supremo da vontade de poder, imprime no devir o caráter do ser.
A filosofia de Nietzsche, portanto, inverte mas não se desprende da metafísica, e, como metafísica da subjetividade absoluta da vontade de poder, é a consumação da metafísica, seu estágio final, e Heidegger reconstrói, como se fosse em nome de Nietzsche, o seguinte esboço da metafísica de Nietzsche: vontade de poder é a palavra para o ser dos entes como tal, a essentia dos entes; niilismo é o nome para a história da verdade dos entes assim definidos; eterno retorno do mesmo é o modo como os entes no todo são, a existentia dos entes; além-do-homem descreve o tipo de humanidade exigido por esse todo; justiça é a essência da verdade dos entes como vontade de poder.-
A filosofia de Nietzsche não se desprende da metafísica.
-
É a metafísica da subjetividade absoluta da vontade de poder.
-
É a consumação da metafísica, seu estágio final.
-
Vontade de poder: essentia dos entes.
-
Niilismo: história da verdade dos entes assim definidos.
-
Eterno retorno do mesmo: existentia dos entes no todo.
-
Além-do-homem: humanidade exigida por esse todo.
-
Justiça: essência da verdade dos entes como vontade de poder.
Essa reconstrução crítica da metafísica de Nietzsche é altamente controversa e pode dizer mais sobre a história da metafísica de Heidegger do que sobre a tentativa nietzschiana de abalar os fundamentos da tradição metafísica, e Heidegger, embora frequentemente chame atenção para o caráter de movimento de seu próprio caminho de pensamento, ironicamente tenta forçar o polilogo dinâmico da escrita de Nietzsche numa espécie de sistema metafísico final, anti ou invertido, um platonismo invertido.-
A reconstrução crítica é controversa.
-
Pode dizer mais sobre Heidegger do que sobre Nietzsche.
-
Heidegger chama atenção para o movimento de seu próprio pensamento.
-
Heidegger força o polilogo dinâmico de Nietzsche num sistema metafísico final.
-
Esse sistema é um platonismo invertido.
Apenas no último ano produtivo de sua vida, segundo Heidegger, a inversão no domínio da metafísica começou a tornar-se claramente um desprender-se dela em Nietzsche, porém a loucura o atingiu durante esse período, mas desde o início a tentativa nietzschiana não seria a de questionar radicalmente, e não simplesmente inverter, as oposições binárias hierárquicas, e não seria sua intenção tornar-se não um louco dionisíaco, mas um filósofo dionisíaco, um Sócrates que pratica música.-
A inversão começou a tornar-se desprender-se no último ano produtivo de Nietzsche.
-
A loucura atingiu Nietzsche durante esse período.
-
A tentativa nietzschiana seria de questionar radicalmente, não simplesmente inverter, as oposições binárias.
-
A intenção de Nietzsche seria tornar-se um filósofo dionisíaco.
-
Um filósofo dionisíaco é um Sócrates que pratica música.
No presente contexto, o mais questionável é a ligação sistemática e lisa entre vontade de poder e eterno retorno, pois ao insistir que ambos devem dizer a mesma coisa, Heidegger deixa de explorar a tensão entre esses pensamentos, e o pensamento devastador do eterno retorno pode não simplesmente apresentar, como Heidegger sugere, o triunfo supremo da vontade de poder, mas antes levar a vontade de poder a um impasse, talvez mesmo a uma crise pela qual ela só poderia passar mediante a transformação numa disposição fundamental radicalmente diferente.-
A ligação sistemática entre vontade de poder e eterno retorno é questionável.
-
Heidegger insiste que ambos devem dizer a mesma coisa.
-
Heidegger deixa de explorar a tensão entre os pensamentos.
-
O eterno retorno pode não ser o triunfo supremo da vontade de poder.
-
O eterno retorno pode levar a vontade de poder a um impasse.
-
Esse impasse seria uma crise.
-
A crise exigiria transformação numa disposição fundamental radicalmente diferente.
O confronto heideggeriano é mais provocativo quando procede por meio de crítica imanente, pois Heidegger critica Nietzsche utilizando os próprios termos de crítica deste ao argumentar que a metafísica da vontade de poder de Nietzsche, como vontade de afirmar o eterno retorno do mesmo, repete aquilo que pretendia superar: o espírito de vingança.-
Heidegger procede por crítica imanente.
-
Utiliza os próprios termos de crítica de Nietzsche.
-
A metafísica da vontade de poder repete o espírito de vingança.
-
O espírito de vingança é aquilo que Nietzsche pretendia superar.
Para Nietzsche, a vontade chega a um impasse diante do que não pode dominar, o passado inalterável do foi, e esse impasse era um prelúdio para o mais difícil dos pensamentos, o eterno retorno do mesmo, e uma questão decisiva da interpretação de Nietzsche é se esta noção é o triunfo último da vontade, como quer Heidegger, ou se é a ocasião para romper para além do domínio da vontade de poder em direção a um amor fati que talvez se desprenda tanto da afirmação ativa da vontade quanto da resignação passiva.-
A vontade chega a um impasse diante do foi.
-
Esse impasse é prelúdio para o eterno retorno do mesmo.
-
Questão decisiva: o eterno retorno é triunfo da vontade ou ocasião de ruptura?
-
O amor fati talvez se desprenda da afirmação ativa e da resignação passiva.
A interpretação tardia de Heidegger sobre Nietzsche não é inteiramente destituída de apreço pelo impulso mais radical no pensamento nietzschiano, neste caso a tentativa de libertar-se do espírito de vingança, e Heidegger afirma que o pensamento de Nietzsche concentra-se na libertação do espírito de vingança, um espaço anterior a todo pacifismo e igualmente a toda política de poder, anterior a toda fraca inação e esquiva do sacrifício, e à atividade cega por si mesma, o espaço para o qual se move aquele que transpõe a ponte, o além-do-homem, César com a alma de Cristo.-
O pensamento de Nietzsche busca a libertação do espírito de vingança.
-
Esse espaço é anterior a pacifismo e política de poder.
-
É anterior à inação fraca e à atividade cega.
-
O além-do-homem move-se para esse espaço.
-
O além-do-homem é César com a alma de Cristo.
Não obstante, Heidegger conclui que Nietzsche não consegue finalmente libertar-se do domínio da vontade, mas antes proclama seu triunfo último, pois a libertação da vingança não é, segundo o pensamento nietzschiano, libertação de toda vontade, já que, sendo a vontade ser, a libertação como anulação do querer levaria a um mero nada, e a libertação da vingança é a libertação da vontade daquilo que lhe é revoltante, para que a vontade possa enfim ser vontade, e a vontade está liberta da revolta quando quer a constante recorrência do mesmo, e o eterno retorno do mesmo é o triunfo supremo da metafísica da vontade que eternamente quer seu próprio querer.-
Nietzsche não se liberta do domínio da vontade.
-
Proclama o triunfo último da vontade.
-
Sendo vontade ser, anular o querer levaria ao nada.
-
Libertação da vingança é libertação daquilo que revolta a vontade.
-
A vontade quer a constante recorrência do mesmo.
-
O eterno retorno é o triunfo supremo da metafísica da vontade.
Para Heidegger, o pensamento uno de Nietzsche é que o ser é, em essentia, vontade de poder e, em existentia, eterno retorno do mesmo, e o pensamento do eterno retorno seria, longe de ocasionar uma ruptura para além da vontade de poder, a autoexpressão última de uma vontade triunfante, interpretação que encontra apoio em passagens como aquela em que Nietzsche afirma imprimir no devir o caráter do ser como o supremo vontade de poder, e que tudo recorre é a aproximação mais próxima de um mundo do devir a um mundo do ser.-
O pensamento uno de Nietzsche: ser é vontade de poder (essentia) e eterno retorno (existentia).
-
O eterno retorno é a autoexpressão última da vontade triunfante.
-
Nietzsche: imprimir no devir o caráter do ser é o supremo vontade de poder.
-
Tudo recorre é a aproximação mais próxima do devir ao ser.
Heidegger questiona se esse pensar, que acolhe todo devir na proteção do eterno retorno do mesmo, supera o espírito de vingança ou se, ao contrário, não reside nesse próprio ato de imprimir uma forma de má vontade contra a mera transitoriedade e, assim, um espírito de vingança altamente espiritualizado.-
O pensar que acolhe o devir no eterno retorno talvez não supere o espírito de vingança.
-
Esse ato de imprimir pode conter má vontade contra a transitoriedade.
-
Essa má vontade seria um espírito de vingança altamente espiritualizado.
Heidegger não designa Nietzsche como o último metafísico para descartar o significado de sua filosofia da vontade de poder, mas para creditá-lo por ter, ainda que inadvertidamente, articulado a essência da época moderna da história da metafísica, e a crítica de Nietzsche não é levada a cabo para descartá-lo, mas, a fim de pensar o passado e o presente da história da metafísica, Heidegger exorta que é preciso pensar Nietzsche.-
A designação último metafísico não descarta Nietzsche.
-
Credita-lhe a articulação da essência da época moderna da história da metafísica.
-
A crítica não visa descartar Nietzsche.
-
É preciso pensar Nietzsche para pensar o passado e o presente da metafísica.
Em conclusão à discussão do Nietzsche de Heidegger e em transição à consideração mais ampla do papel da vontade na história da metafísica e na sua época mais extrema da técnica, assinalam-se três pontos sobre o lugar de Nietzsche no pensamento heideggeriano: Nietzsche consegue dar a expressão mais direta ao ser dos entes tal como ele se revela, em extremo encobrimento, como vontade na época moderna, e na vontade de poder nietzschiana a vontade não assume mais a guisa da razão ou do espírito, mas aparece desmascarada como vontade de poder; no entanto, Nietzsche não pensa o ser como história do ser e, por isso, não vê que o ser aparece como vontade apenas numa época do abandono do ser, e nesse sentido Nietzsche não vê a vontade como signo de um estranhamento, mas vê-na metafisicamente como o factum último a ser suportado e afirmado, e assim seu pensamento, como tentativa de superar voluntariosamente o niilismo, é paradoxalmente o mais profundo enredamento no niilismo; mas esse mais profundo enredamento não é simplesmente a ser lamentado, pois a época extrema da vontade, o niilismo, a técnica, é bifronte, e na extrema miséria do abandono do ser reside a possibilidade de despertar para a necessidade do ser e, assim, a possibilidade de uma viragem para um outro início para além da vontade, e a história do ser deve ser compreendida como o horizonte em que Heidegger entende Nietzsche, o niilismo, a vontade e a possível viragem para o não-querer.-
Nietzsche dá expressão direta ao ser dos entes como vontade na época moderna.
-
Na vontade de poder, a vontade aparece desmascarada, não como razão ou espírito.
-
Nietzsche não pensa o ser como história do ser.
-
Nietzsche não vê que o ser aparece como vontade apenas numa época do abandono do ser.
-
Nietzsche vê a vontade metafisicamente como factum último a ser suportado e afirmado.
-
O pensamento de Nietzsche é o mais profundo enredamento no niilismo.
-
A época extrema da vontade é bifronte.
-
Na extrema miséria do abandono do ser reside a possibilidade de despertar para a necessidade do ser.
-
Essa possibilidade é a viragem para um outro início para além da vontade.
-
A história do ser é o horizonte da compreensão heideggeriana de Nietzsche, do niilismo, da vontade e da viragem para o não-querer.
estudos/davis/metafisica-de-nietzsche-2007.txt · Last modified: by 127.0.0.1
-
