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estudos:braver:realidade-2014

REALIDADE (2014:69-73)

BRAVER, Lee. Heidegger: thinking of being. 1. publ ed. Cambridge: Polity Press, 2014.

  • A crítica à tradição da presença-à-mão (Vorhandenheit), identificada aqui com “realidade”, sustenta que a contemplação descompromissada passa ao largo do pronto-à-mão (Zuhandenheit), e que entre os modos de ser das entidades intramundanas a Realidade não tem prioridade (SZ:211), razão pela qual a análise privilegia a prontidão do equipamento e a existência do Dasein, mais predominantes e significativas na vida cotidiana, acrescentando duas observações sobre a realidade presente-à-mão, uma já tratada e outra apenas mencionada.
    • Presença-à-mão é equiparada ao uso de “realidade”.
    • Pronto-à-mão é descrito como inconspícuo e negligenciado.
    • A tese de ausência de prioridade da Realidade é citada (SZ:211).
    • A análise concentra-se em Zuhandenheit e existência do Dasein.
    • Esses modos são descritos como predominantes e significativos no cotidiano.
    • Duas observações sobre Vorhandenheit são anunciadas, sendo uma já abordada.
  • O primeiro tema é a prova do mundo externo, cujo “escândalo” Kant diagnosticou, mas que é invertido ao se afirmar que escandalosa é a própria exigência de prova (SZ:205), pois a inteligibilidade dessa exigência repousa sobre pressupostos quanto ao tipo de ser do mundo, do eu e da relação entre ambos, tratando-os como objetos presentes que podem ou não se conectar, tornando a conexão contingente e, por isso, sempre insegura (SZ:202).
    • Kant é citado como autor da expressão “escândalo da filosofia”.
    • A inversão acusa de escandalosa a própria demanda de prova (SZ:205).
    • A inteligibilidade da prova depende de pressupostos ontológicos.
    • Mundo e eu são tratados como entidades fechadas presentes-à-mão.
    • A conexão é concebida como contingente e mediada pelo conhecimento.
    • A contingência gera insegurança estrutural (SZ:202).
  • Se tais pressupostos forem falsos, a necessidade de prova desaparece, pois o mundo consiste em equipamentos prontos encadeados em ordens ancoradas em um para-quê projetado pelo Dasein, e sem Dasein não há para-quê nem mundo, enquanto, reciprocamente, o Dasein só é si mesmo ao assumir finalidades realizadas por tarefas com ferramentas apropriadas, de modo que ser-si é ser-no-mundo, como já indicado ao afirmar que a mundanidade é existencial e que “mundo” caracteriza o próprio Dasein (SZ:64), razão pela qual o Dasein, corretamente compreendido, já é aquilo cuja prova se pretende (SZ:205).
    • Mundo é descrito como rede de equipamentos e ordens.
    • O para-quê é projetado pelo Dasein.
    • Sem Dasein não há mundo.
    • O Dasein só é si ao assumir finalidades práticas.
    • Tarefas e ferramentas são condições dessas finalidades.
    • A mundanidade é qualificada como existencial (SZ:64).
    • Mundo caracteriza o próprio Dasein (SZ:64).
    • O Dasein já é o que as provas tentam demonstrar (SZ:205).
    • A imagem de “provas ambulantes” ilustra a inseparabilidade.
  • O segundo tema é a noção tradicional de realidade como o mundo “em si”, culminando no ontos on de Platão, concebido como independente de nós, de modo que interações e percepções seriam apenas qualidades secundárias subjetivas, como se, na ausência de Dasein, tudo retornasse à mera presença-à-mão, ideia já recusada ao negar que a prontidão fosse simples coloração subjetiva (SZ:71).
    • Ontos on de Platão é citado como realmente real.
    • Realismo tradicional privilegia independência de nós.
    • Qualidades secundárias são tidas como projeções subjetivas.
    • A hipótese de desaparecimento do Dasein é usada como teste.
    • A recusa da “coloração subjetiva” é citada (SZ:71).
  • A ontologia fenomenológica rejeita tal linha ao sustentar que o real é o que e como é experimentado, de modo que a prontidão-à-mão define as entidades como são “em si mesmas” (SZ:71), e embora dependa do Dasein, essa dependência não constitui defeito ontológico, sendo apenas aparente inferioridade quando a presença-à-mão é tomada como paradigma e os demais modos são definidos negativamente em relação à Realidade (SZ:201).
    • Realidade é vinculada à experiência fenomenológica.
    • A prontidão define o “em si” (SZ:71).
    • A dependência do Dasein não é falha ontológica.
    • A inferiorização surge do paradigma da presença-à-mão.
    • Outros modos são definidos privativamente face à Realidade (SZ:201).
  • A presença-à-mão, longe de paradigma seguro, é enganosa porque parece independente após o corte das linhas de significação, mas o ser é manifestação na clareira como pronto-à-mão, presente-à-mão e existente, todos modos de aparecer, sendo que a presença aparece como se não precisasse aparecer, exigindo interpretação hermenêutica que reconhece tratar-se de significado dependente de compreensão, razão pela qual “a realidade só é possível na compreensão do Ser” (SZ:207), como também observa Bernard Williams ao falar do que “está aí de qualquer maneira”.
    • A independência aparente decorre do isolamento das significações.
    • Ser é tornar-se manifesto na clareira.
    • Três modos fundamentais são listados.
    • A presença aparece como autossuficiente.
    • A fenomenologia hermenêutica exige interpretação da experiência.
    • Os três modos são significados dependentes de compreensão.
    • A tese da dependência da realidade da compreensão é citada (SZ:207).
    • Bernard Williams é mencionado na expressão “está aí de qualquer maneira”.
  • A conclusão paradoxal afirma que a independência do Dasein é um significado dependente do Dasein, pois apenas enquanto o Dasein compreende objetos presentes eles podem parecer não precisar do Dasein para existir, necessitando do Dasein para não necessitar dele.
    • Independência é qualificada como significado.
    • O modo de ser é dependente do Dasein.
    • A aparência de não-dependência ocorre somente com Dasein.
    • Formula-se a dependência para a própria não-dependência.
  • A passagem citada (SZ:212) sustenta que somente enquanto o Dasein existir e a compreensão do Ser for onticamente possível “existe” o Ser, e que, na ausência do Dasein, não se pode dizer que os entes são nem que não são, ao passo que, enquanto houver compreensão da presença-à-mão, pode-se afirmar que as entidades continuarão a ser, mostrando que a aplicabilidade de termos significativos depende do Dasein.
    • A condição é a existência do Dasein e da compreensão do Ser.
    • Sem Dasein, independência e “em-si” não “são”.
    • Não se pode afirmar ser ou não-ser sem Dasein.
    • Com compreensão da presença-à-mão, pode-se afirmar continuidade.
    • A aplicabilidade de termos significativos é dependente.
  • Uma interpretação comum distingue entes independentes do Dasein e ser dependente dele, apoiando-se na frase “O Ser (não os entes) depende da compreensão do Ser; isto é, a Realidade (não o Real) depende do cuidado” (SZ:212), mas essa leitura é rejeitada porque os entes não podem ser sem modo de ser, e a própria subsistência (Vorhandenheit) enquanto Realidade é explicitamente dependente do Dasein.
    • A leitura distingue entes e ser.
    • A frase sobre dependência do Ser e da Realidade é citada (SZ:212).
    • A discussão da independência contextualiza a frase.
    • Entes não existem sem modo de ser.
    • Subsistência é identificada com Vorhandenheit.
    • A Realidade é explicitamente dependente do Dasein.
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