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estudos:blattner:medo-furcht-1999
MEDO (1999)
BLATTNER, William D. Heidegger’s temporal idealism. Cambridge, U.K. ; New York: Cambridge University Press, 1999.
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A afetividade, entendida por Heidegger como afinação ou disposição (Stimmung), revela Dasein como o ente a quem seu próprio ser foi entregue na forma de jogada e facticidade, distinguindo-se de uma concepção meramente psicológica de humor ao caracterizar o modo como Dasein se encontra afetado em sua condição lançada.
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Afetividade corresponde a Befindlichkeit.
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A disposição revela Dasein como entregue a si mesmo em seu ser.
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Tal revelação concerne à jogada e à facticidade.
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O termo Stimmung possui uso ordinário como humor ou estado de espírito.
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A análise desloca-se para o modo existencial de autoencontro afetivo.
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A análise de §30 por meio do exemplo do medo destaca dois traços dominantes — o diante-de-que e o acerca-de-que — pelos quais o medo possui objeto determinado e dimensão autorreferente.
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O medo possui um diante-de-que, denominado o temível.
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O medo possui um acerca-de-que, referente ao próprio Dasein.
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Heidegger menciona ainda o temer enquanto tal.
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O exemplo escolhido orienta a generalização da análise.
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O diante-de-que do medo consiste em ente intramundano que se apresenta como ameaçador, podendo ser utensílio disponível, ente simplesmente presente ou outro Dasein (Mitdasein), mas não o próprio Dasein enquanto tal.
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O carro que se aproxima constitui exemplo paradigmático.
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O temível possui caráter de ameaça.
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O ente temível pode ser objeto natural ou pessoa.
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Mitdasein designa os outros encontrados no mundo.
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O próprio Dasein não é incluído nessa categoria no caso do medo.
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A angústia apresenta configuração distinta ao envolver o ser-no-mundo como um todo.
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A afinação revela o import dos entes intramundanos, mostrando como podem afetar ou tocar Dasein ao tornarem-se significativos no horizonte de sua preocupação.
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O temível aparece como significativo e ameaçador.
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O carro deixa de ser apenas meio de transporte e torna-se perigo.
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O prato pode revelar valor familiar e afetivo.
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A análise do mundo como conjunto funcional de utensílios é unilateral.
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§29 corrige essa unilateralidade ao enfatizar que as coisas importam.
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A disponibilidade dos utensílios envolve sua retirada na execução da tarefa.
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O medo possui sempre um acerca-de-que que diz respeito ao próprio Dasein, ainda quando parece dirigir-se exclusivamente a outro, como no caso de Jones temer pelo amigo Smith.
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Jones teme o carro enquanto objeto temível.
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O medo refere-se à segurança e integridade de Jones.
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Pode ocorrer temor por Smith que não teme por si.
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Heidegger distingue temer-por, temer-com e temer-juntamente.
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Mesmo no temer-por outro, o ser-com (being-with) é implicado.
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O temer-por outro revela que o medo envolve também o próprio ser-com daquele que teme, pois a relação com o outro pode ser ameaçada, fundamentando a possibilidade mesma do temor.
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O temer-por não é simples apreensão cognitiva.
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O ser-com constitui condição do temor pelo outro.
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A indiferença ou aversão radical poderia suprimir o medo.
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O temor pelo outro implica temor acerca do próprio vínculo.
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O temer por casa e lar confirma que o medo sempre envolve o próprio Dasein enquanto ser-em-meio, pois a ameaça às coisas com que se ocupa é ameaça ao seu modo de estar engajado no mundo.
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O fogo que se aproxima da casa é o temível.
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O temor pode ocorrer mesmo à distância e em segurança física.
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Dasein é essencialmente ser-em-meio.
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O cuidado com a casa manifesta modo de ocupação.
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O medo revela valorização do próprio modo de ser-em-meio.
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A afinação do medo revela simultaneamente o objeto temível, o possível outro envolvido e aquilo acerca-de-que se teme, desvelando como determinados aspectos do próprio Dasein lhe importam sem reduzir o fenômeno a egoísmo psicológico.
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O medo por outros manifesta o valor do ser-com.
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O medo por si revela a importância da própria integridade.
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A indiferença excluiria o temor.
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O fundamento do medo reside no modo como algo importa.
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A análise prepara esclarecimento ulterior da motivação e da afetividade.
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