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4 Tempo

BLATTNER, William D. Heidegger’s temporal idealism. New York: Cambridge University Press, 1999.

  • O quarto capítulo aborda como Heidegger concebe o tempo no sentido tradicional, como a série insignificante de momentos que pertencem à natureza, e para isso é necessário primeiro compreender a emergência do ocorrente a partir do disponível, pois o conceito de ocorrente é o contrac conceito ao disponível, sendo a característica definidora deste último seu envolvimento nas práticas humanas, enquanto o ocorrente é o que não está envolvido nessas práticas, como uma rocha, uma galáxia ou um elétron, que não têm usos ou papéis definidores na atividade humana.
  • Uma das afirmações fenomenológicas fundamentais de Heidegger é que a condição normal do Dasein é estar engajado com suas preocupações, suas tarefas e equipamentos, e qualquer “retenção da manipulação” é um interlúdio na prática em andamento ou é forçada ao Dasein por uma ruptura severa, e o caso paradigmático da emergência do ocorrente é na ruptura, quando um equipamento se torna inutilizável e se mostra como uma coisa-ferramenta, que parece assim e assado, e que em sua disponibilidade também era constantemente ocorrente como parecendo assim e assado, e o ponto crucial é quando o Dasein interpreta o item como totalmente inadequado para uso e, portanto, deixa de atribuí-lo a uma tarefa, momento em que o item não é mais definido em termos de uma função e contexto, e essa desvinculação é a característica de uma coisa em virtude da qual ela é ocorrente, em vez de disponível.
  • Há controvérsia sobre como Heidegger entende os vários estágios de desenvolvimento que levam do uso envolvido e contínuo de um equipamento a uma compreensão teórica e científica dele, e Heidegger discute a diferença entre atribuir uma propriedade independente de contexto a uma coisa, como “este martelo pesa dois quilos”, e atribuir uma propriedade dependente de contexto, como “o martelo é pesado demais”, e ele está preocupado com a “mudança” entre a compreensão de uma coisa manifesta na segunda sentença e a compreensão manifesta na primeira, onde não é que nos distanciemos da manipulação, mas sim que olhamos para o ente que encontramos “de novo”, como ocorrente, e a compreensão do ser que guia nosso trato preocupado com os entes mudou.
  • Nessa mudança, o lugar do equipamento se torna indiferente e se transforma em um ponto espaço-temporal, e a totalidade do que é ocorrente se torna o tema, e o que acontece com nossa compreensão do tempo em tal mudança é que o descobrimento que pertence à ciência em questão aguarda unicamente a descoberta do que é ocorrente, e Heidegger acrescenta uma nota de rodapé à tese de que todo conhecimento tem seu objetivo na “intuição”, que tem este sentido temporal: todo conhecimento é apresen­tamento, e a análise intencional da percepção e da intuição em geral teria que estar próxima a esta identificação “temporal” do fenômeno.
  • Para entender o que Heidegger pretende com a temporalidade desengajada, é necessário recorrer às teorias de Kant e Husserl sobre a síntese temporal e a consciência do tempo, que desenvolvem uma teoria da consciência humana do tempo destinada a resolver o problema básico de como a mente pode estar ciente em qualquer momento dado de um conteúdo que só pode ser apreendido estando ciente de toda uma extensão de tempo, e a solução básica de Kant, refinada à maneira husserliana, apresenta uma teoria plausível e poderosa de tal consciência, que Heidegger adota essencialmente como uma explicação da natureza da experiência do Dasein com o tempo após a mudança na compreensão do ser.
  • Na doutrina de Kant da síntese tríplice, a apreensão é a intuição, ou percepção, de um objeto, e como nenhum objeto é percebido como instantâneo, toda apreensão é um múltiplo temporal, e para que a unidade da intuição possa surgir desse múltiplo, ele deve primeiro ser percorrido e mantido junto, e essa ação é chamada de síntese da apreensão, e há dois modelos que Kant pode ter em mente, sendo o primeiro a construção da apreensão a partir de aspectos ou regiões representados na percepção, e o segundo, mais plausível, é que o sujeito deve manter juntas as várias fases da percepção, tendo cada uma delas por sua vez e mantendo-as juntas como uma percepção total.
  • Para perceber um objeto como perdurando através do tempo, o sujeito não pode apenas ter uma sequência de impressões, mas deve apreender esse múltiplo de fases como um múltiplo, tomando-as juntas como fases de uma percepção de um só objeto, e essa tomada conjunta como uma representação é a síntese da apreensão, e Kant acrescenta que há uma síntese pura da apreensão que acompanha a empírica descrita, que é dirigida aos aspectos temporais das percepções e é a priori porque é necessária para a síntese envolvida na percepção de um objeto concreto, e a percepção de um objeto exige ter um múltiplo temporal de impressões, tomar essas fases como fases de um objeto, unificar as impressões em uma percepção de um objeto duradouro, e tudo isso requer a percepção do objeto como em um intervalo de tempo, que requer as percepções sucessivas dos momentos em que as fases do objeto são percebidas, o que finalmente pressupõe manter juntos todos esses momentos como momentos que constituem o tempo do objeto.
  • O que está envolvido no “manter junto” que ajuda a constituir a síntese da apreensão é que o sujeito deve reproduzir a primeira impressão enquanto experimenta a segunda, e se ele sempre deixasse cair as representações anteriores e não as reproduzisse enquanto avança para as seguintes, uma representação completa nunca seria obtida, e essa síntese realizada na consciência memorial ou quase-memorial é a síntese da reprodução, e como no caso da apreensão, há uma versão pura da síntese da reprodução, que está envolvida na percepção do tempo de um objeto, na percepção de um intervalo de tempo objetivo, e o sujeito deve lembrar-se do primeiro momento enquanto percebe o segundo, ou então não poderia perceber seu objeto como perdurando através de um intervalo.
  • Kant então adiciona o terceiro momento à síntese tríplice, a síntese do reconhecimento, que é a consciência de que o que se pensa é o mesmo que o que se pensou um momento antes, e se o sujeito meramente reproduzisse a impressão anterior no estágio posterior, mas não reconhecesse ambas como fases de sua percepção única do objeto, a percepção não seria possível, e para conectar as duas impressões juntas em uma representação, o sujeito deve ser capaz de trazê-las sob seu conceito de um objeto, e Kant considera a unidade das fases de um objeto como sendo governada por regras, e as categorias são os conceitos puros do entendimento que contêm a unidade necessária da síntese pura da imaginação em respeito a todas as aparências possíveis.
  • Em Husserl, encontra-se formulado um argumento para a afirmação de que a síntese temporal é necessária para que possamos estar cientes de objetos perdurando através do tempo, e ele apresenta seu argumento como uma forma de extrair as intuições de duas teses parcialmente corretas, mas enganosas, sobre a maneira como se pode apreender objetos temporais, a tese da “momentaneidade da consciência”, que afirma que para compreender dois itens em relação um ao outro, deve-se ter um estado mental momentâneo dirigido a ambos, e a tese do “presente specious”, que afirma que a apreensão de duas fases de um objeto duradouro pode ser estendida através de um ato de apreensão duradouro, e Husserl argumenta que cada uma dessas teses tem um elemento de verdade, mas perde uma característica central da consciência do tempo.
  • Para satisfazer conjuntamente as três desideratas de que uma apreensão momentânea possa compreender um múltiplo temporal em relação, que uma apreensão unitária possa compreender uma gama temporalmente diversa de conteúdos, e que uma percepção unitária possa ela mesma ser temporalmente diversa, Husserl introduz a concepção de um múltiplo de “retenções”, “impressões originárias” e “protenções”, e no exemplo da percepção de uma melodia, a impressão originária é o conteúdo sensorial instantâneo que dá algo como agora, e a retenção é a consciência de algum conteúdo como passado, como tendo acabado de ser, e a protenção é a expectativa do que virá, e a percepção da melodia em um instante é um múltiplo contínuo de retenções, culminando em uma impressão originária.
  • Há uma diferença de tipo entre a impressão originária e a retenção, pois a impressão originária dá conteúdos como agora por meio de conteúdo sensorial presente na mente, enquanto a retenção dá conteúdos como tendo acabado de ser e não os dá por meio de conteúdo sensorial, e a intenção de algum conteúdo como tendo acabado de ser não é uma questão de interpretar algum conteúdo sensorial dado como tal, e a retenção é uma “espécie única de intencionalidade”, uma fonte de intencionalidade independente da impressão originária, e a distinção entre retenção e eco é que o eco é um conteúdo sensorial presente que se pode interpretar como um traço de algo passado, enquanto a retenção não é um conteúdo sensorial.
  • Husserl também argumenta que a impressão originária que apresenta um conteúdo à consciência como agora através de material sensorial imediatamente afunda na retenção, mudando-se para uma retenção do conteúdo, e à medida que o tempo passa, o conteúdo escorrega mais para trás no múltiplo retencional, e a profundidade no múltiplo retencional constitui a intencionalidade da profundidade do passado, e este afundamento é uma modificação contínua do conteúdo, e o múltiplo retencional tem uma profundidade finita, após a qual se deixa de reter o que acabou de ser.
  • Deve-se distinguir não apenas entre retenção e impressão originária, mas também entre retenção e memória reprodutiva, pois a retenção não é uma imagem residual, um eco, algo que lembra, ou uma reprodução ou recordação, e a retenção é parte da percepção, constitui o sujeito como tendo uma compreensão do que acabou de acontecer, para que ele possa perceber as coisas no horizonte do que acabou de acontecer, e é implícita, não explicitamente apreendida pela mente, enquanto a memória é um chamado explícito à mente de algo que se experimentou anteriormente e envolve seu próprio múltiplo de impressão, retenção e protenção relativizados.
  • A discussão de Heidegger sobre a temporalidade desengajada no §63 de Ser e Tempo remete às teorias de Kant e Husserl, e seu argumento é que a descoberta que pertence à ciência em questão aguarda unicamente a descoberta do que é ocorrente, e que a tematização objetifica, libertando o ente de tal modo que ele é questionável e determinável “objetivamente”, e o “aguardar” desengajado de Heidegger é o que Husserl chama de “protenção”, e o “reter” desengajado é a “retenção”, e é significativo que o que é antecipado e o que é retido são do mesmo tipo que o que é apresen­tado, ao contrário do caso da temporalidade pragmática, onde há uma diversidade nos tipos de itens visados pelos vários modos de consciência temporal.
  • Heidegger acredita não apenas que a temporalidade desengajada é derivada da temporalidade pragmática, mas também que o tempo comum é dependente do tempo-mundo, e ele defende ambas as teses argumentando que a temporalidade desengajada e o tempo comum são versões “niveladas” da temporalidade pragmática e do tempo-mundo, respectivamente, e no caso do tempo comum, a datação e a significância estão faltando, e a característica do tempo como uma pura sucessão não permite que nenhuma das duas características “venha à tona”, e a interpretação comum do tempo as encobre, nivelando a constituição extático-horizontal da temporalidade.
  • Heidegger parece oferecer duas explicações para o nivelamento do tempo, uma que sugere que o tempo comum surge através da prática de usar relógios, onde o Dasein publica o tempo junto com a abertura do mundo e, na medida em que calcula com o tempo ao calcular consigo mesmo, também já se preocupa com o tempo junto com a descoberta de entes intramundanos, e o comportamento em que “um” se orienta explicitamente para o tempo está no uso de um relógio, e o que é contado que se mostra no apresen­tamento e na contagem do movimento do ponteiro é o tempo que é “avistado” em tal uso do relógio, mas essa explicação é incompleta porque não explica por que o Dasein vem a se orientar para o tique-taque dos momentos como tal.
  • Para mostrar como a temporalidade desengajada emerge em primeiro lugar, Heidegger oferece uma segunda explicação, que liga a emergência da temporalidade desengajada (e do tempo comum) à ontologia do ocorrente, onde o nivelamento do tempo-mundo não é acidental, mas porque a interpretação cotidiana do tempo se mantém unicamente dentro do campo de visão da inteligibilidade preocupada e só entende o que “se mostra” neste horizonte, as estruturas da datação e significância devem escapar a ela, e o que é contado na medição preocupada do tempo, o Agora, é entendido junto com o disponível e o ocorrente, e na medida em que essa preocupação com o tempo se volta para o tempo que é entendido junto e o “observa”, ela vê os Agoras também como ocorrentes, assim como as coisas, e os vê no horizonte da ideia de ocorrência.
  • A sugestão é que a temporalidade desengajada surge ao se aplicar ao tempo a mesma compreensão de ser que se aplica ao ocorrente, e isso envolve um desenvolvimento duplo: primeiro, ver por que há uma maneira de entender o tempo que é unicamente apropriada ao ocorrente e que deve ser entendida como uma versão nivelada da temporalidade pragmática, e segundo, ver por que o Dasein passa a pensar que esse tempo não é apenas apropriado ao ocorrente, mas é ele mesmo ocorrente, e a melhor explicação para a primeira parte é que ela paralela diretamente a emergência da compreensão do ocorrente a partir da compreensão do disponível, onde o Dasein nivela ou encobre certas características, deixando de prestar atenção àquelas em virtude das quais algo está envolvido em uma atividade.
  • Duas objeções a essa linha de pensamento são que a caracterização da mudança como nivelamento não faz justiça à contribuição autônoma da ciência natural para a compreensão do ocorrente, e que a terminologia de “encobrimento” pode sugerir algo sinistro ou ilusório, mas Heidegger argumenta que a representação comum do tempo tem seu direito natural e não é falsa ou ilusória, e sua origem é natural, e é um nivelamento apenas porque envolve deixar de lado algumas das características constitutivas do tempo-mundo, e não precisa ser visto como um encobrimento motivado pela fuga da verdade terrível da temporalidade finita.
  • A prioridade fenomenológica do tempo-mundo sobre a sequência desengajada não é meramente genética, mas o Dasein chega à sua compreensão da sequência desengajada modificando sua compreensão do tempo-mundo, assim como chega à sua compreensão do ocorrente modificando sua compreensão do disponível, e o encontro do Dasein com o ocorrente é um interlúdio em seu encontro contínuo com o disponível, um interlúdio que só faz sentido em termos do fenômeno de fundo, e o Dasein não poderia entender a sequência desengajada sem ser capaz de entender o tempo-mundo, porque não se pode sustentar uma compreensão ininterrupta do ambiente como ocorrente, mas deve-se sempre retornar ao tempo-mundo, e a experiência do tempo comum é necessariamente apenas um interlúdio na experiência do tempo-mundo.
  • Heidegger quer e precisa da afirmação mais forte de que o tempo comum em si, e não apenas sua compreensão, depende do tempo-mundo, e suas afirmações mais claras dessa tese afirmam a dependência do tempo comum não apenas do tempo-mundo, mas da temporalidade originária, ou mesmo do Dasein, e ele argumenta que não há tempo da natureza, na medida em que todo tempo pertence essencialmente ao Dasein, e a tese mais forte - de que todo o tempo depende do Dasein - é expressa com clareza, e para entender como o tempo comum depende do tempo-mundo, é preciso considerar a relação entre o Agora pragmático, o momento certo para cozinhar sopa, e o Agora desengajado do pedaço de madeira, e eles pertencem à mesma sequência, e o tempo comum é uma versão nivelada do tempo-mundo, onde os Agoras desengajados não são nem datáveis nem significativos, como os Agoras do tempo-mundo, e seu conteúdo foi nivelado.
  • A relação entre o disponível e o ocorrente é desanalógica com a relação entre o tempo-mundo e o tempo comum, pois embora a colher disponível seja realmente um pedaço de madeira ocorrente, e uma vez que a colher se degenera em mero pedaço de madeira, não há mais uma colher ali, apenas algo que é ocorrente, o mesmo não é verdade para os “dois” Agoras em questão, pois mesmo enquanto Smith olha para o pedaço de madeira, ele usa algum outro equipamento e, portanto, também confronta o Agora na medida em que tem conteúdo, e ele nunca pode deixar de confrontar o Agora do tempo-mundo, embora possa deixar de confrontar a colher disponível.
  • O argumento de Heidegger para a Tese da Dependência do Tempo Comum é que podemos explicar as características primárias do tempo comum se o virmos como derivado do tempo-mundo, e em particular, podemos entender a continuidade, irreversibilidade e infinitude do tempo comum se o virmos como um tempo-mundo nivelado, e a continuidade da sequência desengajada pode ser explicada pelo apelo à extensão da temporalidade originária, onde a extensão do Agora do tempo-mundo não depende de sua significância ou datação, mas é retida quando essas características são encobertas, e a irreversibilidade do tempo comum é explicada pela prioridade do futuro na temporalidade originária, que se traduz no tempo-mundo como um fluxo direcional que deriva do futuro originário e é subsequentemente nivelado na irreversibilidade mais fina do tempo comum.
  • A infinitude do tempo comum é explicada por Heidegger de uma forma mais complexa, onde ele sugere que a infinitude surge quando se foca primária e exclusivamente na sequencialidade do tempo, encobrindo a conexão com o tempo-mundo, e a tese sobre o tempo só se torna possível com base em uma orientação para um em-si flutuante de uma sequência ocorrente de Agoras, onde o fenômeno pleno do Agora foi encoberto, e a sequencialidade do tempo não pode ser pensada até o fim, e assim inferimos que não há fim para o tempo, e Heidegger tenta assimilar esse padrão de argumento em seu quadro, mas permanece obscuro por que deveríamos nos sentir compelidos a pensar essa sequencialidade “até seu fim”.
  • A alegação geral de Heidegger de que o tempo comum é o tempo-mundo nivelado equivale a que ele tem poder explicativo, e ele acredita poder explicar características do tempo comum que de outra forma são difíceis de entender, e embora se possa objetar que suas explicações não são as únicas possíveis, Heidegger não presume oferecer as únicas explicações, e ele tem uma explicação de por que pode parecer intelectualmente opcional explicar essas características do tempo: uma vez que a origem do tempo comum a partir do tempo-mundo é negligenciada, as razões pelas quais o tempo comum parece ser contínuo, irreversível e infinito são perdidas de vista.
  • O nivelamento ontológico do tempo-mundo envolve não apenas o encobrimento de sua datação e significância, mas também a transformação do tempo em algo visto como ele mesmo ocorrente, e o tempo-mundo pertence à estrutura da significância, que é a mundaneidade do mundo, mas quando a significância é encoberta, a conexão do tempo com o ser do mundo também é ocultada, e os Agoras se tornam também ocorrentes, e o tempo passa a ser visto simplesmente como um algo com certas características, transformado em um ente, e seu status ontológico é nivelado ao ôntico.
  • O que acontece com a compreensão do tempo quando a ciência natural, particularmente a física matemática, entra em cena é que a projeção matemática da natureza descobre antecipadamente algo que é constantemente ocorrente e abre o horizonte para ser guiado por uma consideração dos momentos constitutivos quantitativamente determináveis da natureza, e a característica mais importante da física matemática é sua compreensão da natureza como algo que é “escrito na linguagem da matemática”, e a ciência natural suplementa a compreensão do que é ocorrente com características adicionais, a mais básica das quais é a inteligibilidade matemática, e a compreensão do ocorrente é mais básica do que a da natureza e é um elemento dela.
  • A discussão tradicional do tempo na filosofia é direcionada ou ao tempo comum como tal ou a uma projeção suplementar do tempo, geralmente uma projeção matemática, e o que é essencial para os interesses é que essas discussões posteriores são conceitualmente dependentes da compreensão do tempo comum, e se a explicação de Heidegger sobre o tempo comum está correta, então ambos os tipos de discussão tradicional são secundários à de Heidegger, e o tempo comum depende explicativamente do tempo-mundo, pois é um nivelamento do tempo-mundo, o que implica que o tempo comum depende em última análise da temporalidade originária, e isso implica que Heidegger é um idealista temporal, que acredita que o tempo depende dos seres humanos, e sem o Dasein não haveria outros modos de tempo.
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