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estudos:blattner:compreensao-de-ser-seinsverstandnis-1999

COMPREENSÃO DE SER (SEINSVERSTÄNDNIS) (1999:32-34)

BLATTNER, William D. Heidegger’s temporal idealism. Cambridge, U.K. ; New York: Cambridge University Press, 1999.

Esta tese central, existencialista, está no cerne da concepção de Heidegger sobre o ser humano. Formulemo-la assim:

A Tese da Existencialidade: Se Dasein é A, então é A porque se compreende ele mesmo como A.


  • A definição da essência do Dasein como existência em Ser e Tempo implica que o ser desta entidade está sempre em jogo para ela mesma e que sua autocompreensão constitui fundamentalmente o que ela é.
    • Referência à seção 9 da obra.
    • Comportamento do ente em relação ao seu próprio ser.
    • Identidade definida pela compreensão de si.
  • A Tese da Existencialidade estabelece que qualquer característica do Dasein depende de sua autocompreensão, exigindo uma definição precisa deste termo para evitar a implicação errônea de uma onisciência cartesiana sobre si mesmo.
    • Formulação da tese: se Dasein é A, entende-se como A.
    • Risco de confundir compreensão com conhecimento cognitivo.
    • Impossibilidade de transparência total ou ausência de autoengano.
  • O conceito de compreensão deve ser interpretado como um existencial fundamental e não como uma forma de cognição ou apreensão temática, sendo estas apenas modos derivados daquela capacidade primária.
    • Distinção entre existencial e conhecimento teórico.
    • Diferenciação em relação a explicar ou conceber.
    • Papel constitutivo da compreensão no ser do Aí.
  • O sentido originário de compreender refere-se à competência ou habilidade de lidar com algo, distinguindo-se da atitude proposicional voltada para um conteúdo intelectual.
    • Uso linguístico de entender como ser capaz de ou estar à altura de.
    • Foco no ser como existir e não em um quê.
    • Analogia com saber lidar com pessoas ou jogar beisebol.
  • A aplicação da definição de compreensão como habilidade à Tese da Existencialidade revela que o Dasein não apenas conhece seus atributos, mas é capaz de ser quem é, caracterizando o entendimento como um poder-ser.
    • Equivalência entre entender-se como A e ser capaz de ser A.
    • Conceito de Seinkönnen ou habilidade-de-ser.
    • Deslocamento da ênfase da consciência para a capacidade.
  • A conclusão lógica de que todas as características do Dasein são habilidades e não estados estáticos apresenta desafios conceituais quando aplicada a atributos físicos ou factuais aparentemente passivos.
    • Exemplo de Jones e sua altura de seis pés.
    • Estranheza em definir altura como competência.
    • Distinção entre características de estado e características de habilidade.
    • Insistência heideggeriana na natureza de habilidade de todos os traços do Dasein.
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