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VERDADE
BIEMEL, Walter. Martin Heidegger: an illustrated study. New York: Harcourt Brace Jovanovich, 1976.
O Problema da Verdade em “Da Essência da Verdade” (1930)
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A construção da conferência de Heidegger é examinada como uma composição particularmente rigorosa.
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A introdução delimita o objeto da investigação como a essência da verdade, distinta das espécies de verdade conhecidas, e revela a pluralidade de vozes presentes na composição, entre elas a voz do senso comum, que considera sem sentido o problema da essência e busca antes “a verdade efetiva que possa nos dar uma norma e uma medida” (p. 282), situando desde o início o antagonismo entre a investigação filosófica e as exigências do senso comum.
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O senso comum considera a filosofia um empreendimento inútil e também critica a arte, salvo como meio de descanso, ao passo que a filosofia exige de nós a máxima concentração.
Do lado da filosofia, reconhece-se que o senso comum é indispensável à vida cotidiana e que suas crenças exercem influência maior do que se está disposto a admitir, dominando inclusive quem pressupõe que é a variedade de verdades mencionada que confere segurança e estabilidade à existência (p. 293).O conflito exposto na introdução não pode ser resolvido por decreto nem dissolvido por explicação, confrontando-nos com a pergunta pelo que se entende por verdade sempre que dela se fala, já que mesmo o senso comum emprega essa palavra sem negar a possibilidade da verdade, ainda que a exigência de eficácia e utilidade permaneça sempre presente ao fundo.A investigação se organiza em dois passos distinguíveis.-
O primeiro passo parte do conceito comum de verdade, a saber, a verdade como correspondência, e investiga o que esse conceito pressupõe e o que precisa ser desvelado para que possa ser efetivamente apreendido, constituindo uma investigação regressiva que compreende as três primeiras seções do texto.
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O resultado dessa investigação regressiva é pensado em um segundo passo, que abrange os parágrafos 4 a 7 do texto, no qual o problema da verdade surge sob nova luz, prosseguindo o questionamento sobre a base já preparada pelo primeiro passo, momento em que se torna evidente que a natureza do próprio homem deve ser repensada em consequência desse questionamento, e no qual o próprio investigador se transforma, pois as conclusões de seu pensamento não são meros resultados dos quais se toma conhecimento, mas tocam e envolvem o próprio ser do investigador.
Uma exposição da natureza do Dasein é fornecida tal como deve ser entendida a partir da natureza da verdade, exposição que conduz a uma nova determinação da natureza da própria filosofia, a qual conclui o texto, sendo que essa conclusão não constitui um fim no sentido de alcançar a meta, mas antes aponta para um começo que ainda precisa ser feito, tema que Heidegger desenvolve expressamente em suas observações finais, excluídas do presente escopo.Após esse relato necessariamente superficial da construção do ensaio, procura-se agora delinear o curso do pensamento quanto ao seu conteúdo.O conceito comum de verdade toma a correspondência como traço básico, sendo a correspondência aquilo que faz de uma coisa verdadeira algo verdadeiro, e pergunta-se então o que significa aqui correspondência e o que corresponde com o quê, retomando-se a discussão do parágrafo 44 de Ser e Tempo, em que Heidegger questiona esse conceito de verdade, contrapõe a verdade como correspondência à verdade como desvelamento, e explica como a verdade pôde ser equiparada à correspondência e o juízo tomado como o lugar da verdade, procedendo aqui de outro modo, sem contudo rejeitar as conclusões alcançadas em Ser e Tempo.Não é apenas um juízo que se chama verdadeiro, pois costuma-se falar também de um estado de coisas como verdadeiro, o que pode se referir tanto a seres humanos — seu estado, seus sentimentos, ou seu comportamento, como a amizade — quanto a coisas, como o dinheiro, sendo que a primeira explicação busca identificar o verdadeiro com o real, mas então o dinheiro falso revelado como tal também é algo real, do contrário nunca se poderia correr o risco de ser enganado por ele, de modo que, ao equiparar aqui verdadeiro e real na coisa, isso significa que se possui um determinado conceito da coisa, e quando a coisa corresponde a esse conceito, diz-se que ela é verdadeira, isto é, que está certa, que é como deveria ser.A consideração seguinte diz respeito aos enunciados, que costumam ser chamados verdadeiros ou falsos: “Um enunciado é verdadeiro quando o que ele significa e diz concorda com a coisa de que fala” (p. 295), de modo que, no primeiro caso, é a coisa que está certa, e agora é a proposição que está certa.O estar certo ou corresponder (Stimmen) pode ser entendido de dois modos diferentes: “primeiramente, a correspondência de uma coisa com a ideia dela concebida de antemão, e, em segundo lugar, a correspondência daquilo que é visado pelo enunciado com a própria coisa” (p. 295).A definição tradicional de verdade, veritas est adaequatio rei et intellectus, já contém essa dupla possibilidade de interpretação, pois a adaequatio pode significar “a aproximação da coisa [objeto] à percepção” (p. 295) ou a aproximação da percepção à coisa, sendo que, embora essa definição seja geralmente entendida no sentido da verdade proposicional, para que a verdade proposicional seja de todo possível é necessário dispor de uma concepção definida da coisa, de modo que a verdade proposicional permaneça relacionada à verdade objetiva (Sachwahrheit).-
Em ambas as “verdades”, a verdade é concebida como conformidade — entre a coisa e a preconcepção, entre a sentença e a coisa — e equiparada a retidão ou correção.
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Na interpretação medieval, cada versão dessa conformidade contém dois sentidos de intellectus: a conformidade de uma coisa com o intelecto refere-se ao intelecto divino, e não ao intelecto humano — tal como suposto inicialmente e tal como é considerado também no modo transcendental de investigação em Kant, segundo o qual só se pode adquirir conhecimento a priori quando se percebe que são os objetos que devem se conformar ao conhecimento.
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Criadas por Deus, as coisas são criadas segundo suas ideias e por isso necessariamente se conformam a elas; o intelecto humano, também criado por Deus, deve igualmente satisfazer a ideia divina.
“O intellectus humanus é igualmente um ens creatum. Deve, como faculdade conferida por Deus ao homem, satisfazer sua ideia. Mas o intelecto só se conforma à ideia na medida em que efetua em suas proposições aquela aproximação do pensamento à coisa que, por sua vez, deve também se conformar à ideia. A possibilidade de o conhecimento humano ser verdadeiro (dado que tudo o que 'é' é criado) tem seu fundamento no fato de que a coisa e a proposição estão em igual medida em conformidade com a ideia e assim se encontram conformando-se uma à outra na unidade do plano criador divino” (p. 296).Obtém-se aqui uma justificação para a concordância, no sentido de verdade proposicional, fornecida pela coordenação entre homem e coisa segundo o plano da criação: “Veritas significa sempre, em sua essência: convenientia, o acordo do 'que-é' mesmo, enquanto criado, com o Criador, uma conformidade com o destino da ordem criadora” (pp. 296–97).Não é de modo algum preocupação de Heidegger justificar essa interpretação, mas antes mostrar como ela foi entendida na Idade Média, chamando a atenção para o fato curioso de que essa interpretação da verdade como correspondência se mantém mesmo quando a posição medieval é abandonada, sendo que a racionalidade do mundo, a razão-do-mundo (Weltvernunft), passa a ocupar o lugar de Deus como Criador.-
“A ordem criadora concebida pela teologia é substituída pela possibilidade de planejar tudo com o auxílio da razão mundana, que é lei para si mesma e pode reivindicar que seu funcionamento… seja imediatamente inteligível” (p. 297).
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Mesmo quando essa posição é abandonada, a interpretação da verdade como correção da correspondência sobrevive, adquirindo validade quase absoluta, e esquece-se de como essa interpretação foi originalmente justificada.
Tendo assim conquistado aceitação geral, esse conceito de verdade aparece como autoevidente, isto é, não carente de qualquer fundamentação adicional, sendo justamente essa autoevidência o alvo do ataque de Heidegger, tornando-se para ele tão questionável quanto a visão de que deveria também existir algo oposto à verdade, a saber, a inverdade.Pergunta-se se esse óbvio conceito de verdade como correspondência não poderia ser salvo reduzindo-se a verdade objetiva à verdade proposicional, invocando-se para isso a autoridade de Aristóteles e a tese de que “a verdade é a semelhança ou concordância [Übereinstimmung] (ὁμοίωσις) de um enunciado (λόγος) com ou a uma dada coisa (πρᾶγμα)” (p. 298), lembrando-se, contudo, as observações de Ser e Tempo que mostram como o apelo a Aristóteles não toca o cerne da questão.O que significa realmente correspondência é a questão seguinte a ser esclarecida, constituindo o segundo estágio do primeiro passo da argumentação, podendo-se falar primeiramente de correspondência entre duas coisas quando, de fato, possuem a mesma aparência.-
Nesse caso, correspondem quanto à sua aparência, sem por isso se tornarem uma só coisa — cada uma permanece o que é —, mas o que lhes é comum é apenas a igualdade de aparência.
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No contexto do problema da verdade, entretanto, tem-se em vista outro tipo de correspondência, a saber, a correspondência entre um enunciado e uma coisa ou matéria.
Pergunta-se como duas “coisas” tão díspares quanto sentença e matéria podem corresponder, tomando-se como exemplo a sentença “Esta casa é grande”: a casa é feita de pedra, a sentença não é material alguma; pode-se habitar a casa, alugá-la ou vendê-la, nada disso se aplicando à sentença.-
Até que ponto se pode então falar de correspondência, e como pode a sentença, tão distinta de uma casa, corresponder à casa quando diz algo sobre ela, sem que isso implique que a sentença se transforme em casa — ao contrário, ela deve permanecer sentença para poder dizer algo.
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A aproximação de uma sentença (enunciado) a uma matéria (coisa) significa aqui um tipo especial de relação, cuja natureza permanece a ser determinada.
Heidegger chama essa relação de representativa (vor-stellende), na qual o enunciado se orienta pela coisa e diz algo sobre como ela é ou como é em algum aspecto particular, não se entendendo o representar em sentido psicológico, como ato particular da consciência dotado de determinada estrutura, mas pensando o representar (Vor-stellen) como “deixar algo tomar posição diante de nós, como objeto” (p. 300).-
Pergunta-se como algo assim ocorre, ou seja, o que se passa no representar entendido nesse sentido: “A coisa assim posta em oposição deve, em sua posição, vir ao encontro no aberto e ao mesmo tempo manter-se firme em si mesma como coisa e manifestar-se como algo constante” (p. 300).
Até aqui Heidegger dá a impressão de apenas descrever certo estado de coisas, mas agora percebe-se inequivocamente que toda descrição pura já foi há muito abandonada, encontrando-se diante de um procedimento interpretativo que busca esclarecer o fenômeno perplexo do encontro e da compreensão dos entes, questionando-se de que modo isso é levado a cabo — certamente não à maneira de Husserl, ao explicar a transcendência da consciência por meio da intencionalidade, ficando excluído tudo o que se relaciona com a teoria da consciência.Para que quem enuncia algo possa representar algo como objeto (Gegen-stand), a coisa precisa mostrar-se, precisa entrar num domínio que Heidegger chama “o domínio do aberto”, ou do não-oculto, não se discutindo aqui o que leva ao surgimento desse domínio de abertura, mas afastando-se um possível equívoco — o de que esse domínio seria criado pelo sujeito representante, de que o modo como um ente há de se mostrar seria determinado pelo agente representante através do ato de representar.-
Essa possibilidade é rejeitada por Heidegger: o domínio do aberto não é criado pelo sujeito representante; ao contrário, este é que precisa se colocar também nessa esfera.
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Surge assim uma relação entre o representante e o representado, que Heidegger concebe como “relação” (Verhalten, ter uma relação, comportamento, atitude para com), a qual “se distingue pelo fato de que, subsistindo no aberto, sempre se mantém numa relação com algo manifesto como tal” (p. 301).
Segundo a primeira versão inédita da conferência, “Todo 'relacionar-se' como tal contém, como parte do que ele confere, o mandato interno de sintonizar-se com aquilo a que o 'relacionar-se' se mantém referido e com o modo como a isso se mantém referido. A sintonização desse manter-se referido é, além disso, uma abertura para aquilo a que se refere e, junto com ela, uma abertura para aquilo do próprio 'relacionar-se'.” E ainda: “o 'relacionar-se' é 'estar em sintonia com' aquilo que torna algo manifesto” (conferência inédita).Na versão impressa, Heidegger observa que o que se torna manifesto no “relacionar-se” foi concebido pelos gregos como aquilo que é presente (das Anwesende), indicando isso a dimensão a ser percorrida na conferência, a saber, a metafísica europeia.Pergunta-se como pensar mais plenamente esse “relacionar-se”, que Heidegger chama de relação ou atitude de abertura, pois o que lhe interessa é o fato de que, no “relacionar-se”, entes podem ser encontrados, o que é possível porque o “relacionar-se” é um estar-no-aberto e ao mesmo tempo é ele próprio aberto para o que ali é encontrado, aquilo que é manifesto, devendo-se excluir evidentemente toda sugestão religiosa e teológica desse conceito.-
O manifesto é simplesmente aquilo que é presente, que está disponível em sua presença, sem que isso signifique necessariamente que essa presença como tal se torne temática; o manifesto é aquilo que se mostra ao Dasein.
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Não se deve pensar nisso como se os entes entrassem em cena e bastasse apenas notar ou reter esse fato; o modo de estar-no-aberto, ou de abertura, varia conforme o modo do “relacionar-se”, que não é de forma alguma recepção passiva — ao contrário, é no e pelo “relacionar-se” que a abertura se sustenta.
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“Todo trabalho e execução de tarefas, toda transação e cálculo, sustenta-se no aberto, uma região aberta dentro da qual o que-é pode expressamente colocar-se, como e como é o que é, tornando-se assim capaz de expressão” (p. 301), não sendo aqui necessário examinar como, nesse colocar-se de um ente, este pode se tornar presente de diversas maneiras, dependendo do modo de acesso a ele, ou, mais precisamente, do caráter da abertura em que se manifesta, sendo a transformação dessa abertura o que concerne precisamente à dimensão histórica propriamente dita.
Um enunciado sobre um ente manifesto, que se exibe por si mesmo, acerta o alvo quando o enunciado se submete a esse ente ou lhe corresponde, dizendo então como é o ente que se mostra.-
O enunciado se conforma, é regido por (sich richtet nach) o ente desse modo, quando extrai dele mesmo a diretriz do que diz: “Ao dirigir-se assim, o enunciado é correto (verdadeiro). E o que assim é enunciado é retidão (verdade)” (p. 301).
Um enunciado não é um instrumento onipotente pelo qual, por assim dizer, se toma posse de uma coisa; ao contrário, um enunciado depende de nossa abertura, pois o que-é só pode se mostrar em razão da abertura do Dasein, e só podemos receber do próprio ente a diretriz para dizer algo que a ele se aplique, ou, segundo uma formulação anterior, porque somos capazes de corresponder-lhe.-
O critério para o enunciado deve ter origem nos próprios entes; não se pode simplesmente cair sobre o que-é e nele intrometer-se, forçando-lhe algo, pois, quando algo assim ocorre, apenas se comete violência contra o que-é, o que, aliás, não está fora do âmbito do possível.
Pergunta-se por que essa matéria foi apresentada com tanto detalhe, respondendo-se que ela é o eixo para desdobrar a problemática da verdade de um modo que ultrapassa a compreensão tradicional, a qual manteve seu terreno até o presente, pois, se todo enunciado depende da possibilidade da abertura do Dasein, da abertura de sua atitude, então esse comportamento aberto “deve ter uma pretensão mais originária a ser considerado a essência da verdade” (p. 302).Chega-se assim ao terceiro desenvolvimento dentro do primeiro passo da investigação, a saber, a pergunta pelo “Fundamento da Possibilidade Interna da Retidão” (p. 303).-
A situação em que nos encontramos é esclarecida pelas seguintes perguntas: “De onde recebe o enunciado representativo seu mandato de se reger pelo objeto e assim concordar com ele segundo a retidão? Por que essa concordância determina ao mesmo tempo [bestimmen] a natureza da verdade? Como, de fato, pode haver algo assim como o estabelecimento de um critério prévio, ou uma diretriz que ordene tal acordo?”
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Heidegger responde: “só porque esse dar-prévio já se libertou [sich freigegeben hat] e se abriu para uma manifestação que opera nessa abertura — uma manifestação vinculante para toda representação seja ela qual for” (p. 303).
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Nessa etapa da investigação é preciso desnudar o fundamento da possibilidade de conformar-se ao que-é; liberar-se para o ente que se manifesta é “ser livre” em direção ao que se manifesta no aberto“ (p. 303), dando-se com isso um giro inesperado à consideração da natureza da verdade, pois torna-se evidente agora que “a essência da verdade é a liberdade” (p. 303).
Até aqui, talvez se tivesse a impressão de que Heidegger busca apenas justificar o conceito tradicional de verdade à maneira da filosofia transcendental, mas isso não é o caso, pois a redução da essência da verdade à liberdade não é apenas algo inusitado, mas uma verdadeira provocação — a menos que se tente reconduzir e neutralizar essa tese de Heidegger sustentando que, obviamente, alguma espécie de liberdade estaria implicada no ato de enunciar, no sentido de que se pode fazê-lo ou dele se abster.-
Esse equívoco é imediatamente rejeitado no texto: ”… Nossa proposição de modo algum implica que o ato de enunciar, ou sua comunicação e adoção, envolva ação voluntária. A proposição diz: a liberdade é a essência da própria verdade“ (p. 303).
A liberdade é, portanto, aquilo sobre o que a verdade se funda, aquilo que a torna possível, embora o conceito tradicional de verdade de modo algum contenha essa ideia.As diversas objeções a essa tese não precisam ser examinadas aqui, pois todas partem de uma compreensão ingênua do que é a liberdade, cuja ideia diretriz é a de que “a liberdade é uma propriedade do homem” (p. 304).-
Se esse conceito não examinado deixa de ter validade e não tem lugar no domínio em que se move o questionamento regressivo de Heidegger, então a natureza da liberdade precisa ser expressamente incorporada a essa investigação, com o que o domínio tradicional do problema da verdade é inequivocamente abandonado, residindo agora essa questão num domínio desconhecido e por isso estranho.
O segundo passo do pensamento no ensaio se inicia com essa nova abordagem, mediante uma discussão da liberdade como fundamento da verdade, sendo que, nesse passo, não apenas a natureza da verdade é investigada, mas também a natureza do próprio homem, indicando-se a direção da investigação já no início do parágrafo 4: ”…a liberdade é o fundamento da possibilidade interna da retidão somente porque recebe sua própria essência da essência mais primordial da verdade una e essencial“ (p. 305).-
Esse exame da natureza da liberdade ainda não conduz à conclusão da investigação; é preciso dar mais um passo atrás para ver o que é o próprio fundamento da liberdade e o que a torna possível, sendo necessário, para avançar nessa direção, discutir primeiro como a liberdade deve ser aqui concebida.
Até então, a liberdade foi exibida como abertura do homem (Offenständigkeit), pois, ao estar no domínio do aberto, ele é capaz de submeter-se ao que é manifesto e se mostra nele, e de vincular-se ou comprometer-se com isso, ocorrendo, nesse vínculo, um deixar-ser (Sein-lassen).-
Essa é uma expressão facilmente mal compreendida, pois no uso comum “deixar” (Lassen) carrega o sentido de desconsideração, omissão e indiferença; para Heidegger, “deixar-ser” significa “consentir ou ceder [sich einlassen] ao que-é” (p. 306).
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O deixar-ser não é uma atividade qualquer do homem, mas aquilo em virtude de que ele se torna Da-sein, um ente definido por sua relação com o aberto: “Deixar-ser… significa participar do aberto e de sua abertura, dentro da qual todo ente entra e se mantém” (p. 306).
Os gregos pensavam o aberto como o não-oculto (τὰ ἀληθέα); porque o Dasein se mantém no aberto, ele é capaz de indagar o que nele se mostra como manifesto, deixando-o falar por si mesmo, o que, por sua vez, significa, para o ato de representar, deixar que o critério seja fornecido pelos próprios entes.-
O desvelamento do ente para o Dasein e o vínculo do Dasein a esse ente não são dois processos distintos, mas um único e mesmo processo; o Dasein se expõe ao que-é — ele é ek-sistente, ou ex-sistente.
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Existir aqui não significa apreender certas possibilidades de ser no sentido de realizar-se a si mesmo, mas esse peculiar deixar-ser, que precede todo nosso comportamento e todos os nossos modos de relacionar-nos; a própria liberdade é ex-sistente: uma “exposição” à natureza revelada [Entborgenheit, desvelamento] do que-é (p. 307).
O pensamento de Heidegger se concentra explicitamente sobre esse desvelamento, sendo apreendê-lo e enunciá-lo, analisá-lo, trazê-lo ao olhar discernente, a tarefa com que ele se debate.-
O desvelamento se torna, por assim dizer, o fundamento do homem, de modo que este só pode ser compreendido a partir desse princípio subjacente, sendo esse desvelamento ou desocultação preservado pelo homem numa “participação ex-sistente ou deixar-se entrar em” (p. 307).
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Uma vez percebido que esse é o princípio básico do homem tal como Heidegger o concebe, torna-se claro por que, desde Ser e Tempo, ele fala de Dasein em vez de homem, pois o homem só é homem em virtude de estar no aberto, mantendo-se no aberto e deixando ser o que se manifesta.
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O desvelamento é experimentado no momento “em que o primeiro pensador que interroga confronta a não-ocultação do que-é [entes] com a pergunta pelo que os entes são” (p. 308), sendo, segundo Heidegger, um grande momento porque também assinala o início da existência histórica, da história do Ocidente — o momento em que os gregos experimentaram o que se denomina φύσις.
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Simultaneamente ao início da história ocorre a experiência da Natureza, que é ela mesma sem história; a história acontece como o modo de abertura do homem de tempos em tempos, sendo aquilo que ordinariamente se chama história — o período dos conquistadores, das guerras e afins — algo apenas secundário diante da abertura em que a humanidade (um povo) se mantém a cada momento, a abertura que ela guarda e que é o fundamento de toda sua relação com o que-é.
Heidegger conclui daí que “o homem não 'possui' a liberdade como propriedade; ao contrário, é verdade o oposto: a liberdade, ou o Da-sein ex-sistente e revelador, possui o homem e, além disso, de modo tão originário que somente ela lhe confere aquela relação com o que-é-em-totalidade que é o fundamento e traço distintivo de sua história” (pp. 308–9).No deixar-ser dos entes, acontece a verdade: verdade é “a revelação do que-é, uma revelação através da qual ocorre uma abertura” (p. 309), tendendo-se de imediato a entender isso no sentido de que essa abertura seria uma conquista do homem, em razão da qual ele teria controle sobre os entes.-
Não é isso o que aqui se diz; antes, toda atividade ou relação tem seu fundamento na abertura em que o homem está colocado; a retidão, tal como explicada anteriormente, no sentido de aproximação a um ente tornado representável, só é possível quando o Dasein é concebido como um ente aberto.
A verdade é aqui pensada consistentemente como o fundamento que torna possível essa abertura; ao mesmo tempo, faz-se referência ao fato de que o homem se destaca — ex-siste — na verdade assim entendida, na verdade concebida como não-ocultação, de modo que suas decisões fundamentais se baseiam no modo como os entes em sua totalidade são compreendidos, sendo esta a verdade no sentido de aletheia.As dificuldades encontradas aqui não residem na opacidade da linguagem de Heidegger, mas na circunstância de que ele avança para um domínio que nos é desconhecido, não podendo o que aqui é desconhecido tornar-se acessível nem com o uso de palavras familiares, nem com palavras inteiramente estranhas.-
Heidegger procura aqui desvelar uma experiência básica subjacente ao fato de que o modo de ser do homem é histórico (Geschichtlich); o horizonte da história é o horizonte das possíveis interpretações do que-é enquanto tal, no qual a interpretação particular dada em cada momento, a compreensão epocal predominante dos entes, forma a base de todo o comportamento do Dasein.
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Não se pode dizer por que justamente a interpretação dos entes como physis é a primeira, nem por que a ela se seguem certas outras interpretações; o que deve ser investigado são as implicações de cada interpretação, implicações que a princípio não foram notadas como tais.
Quanto mais se avança na leitura da conferência sobre a verdade, mais difícil se torna a situação, tratando-se de um avanço para um território inteiramente novo.-
Quando uma interpretação conduz a alguma simplificação, tende-se imediatamente a aceitá-la; quando, ao contrário, uma interpretação exige que se enfrente uma dificuldade incomum, ela é rejeitada.
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Isso parece valer inteiramente para a atitude atual em relação a Heidegger: ele é rejeitado ou ignorado justamente no ponto em que exige o esforço do pensamento, sem oferecer, além disso, qualquer garantia de que esteja de posse da verdade absoluta.
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Ele mesmo, é verdade, não se preocupa com essa rejeição ou aceitação, mas está preocupado, antes, em abrir um novo caminho de pensamento, fazendo-o com abordagens sempre novas e recomeços; levará muito tempo até que esses recomeços sejam compreendidos — hoje isso ainda não é o caso.
Partiu-se do ponto em que, no ato de representar, se pode deixar que um ente reivindique a nós mesmo e se torne representável, estabelecendo o homem, desse modo, um vínculo com os entes — porque a verdade em sua essência é liberdade.-
É justamente essa característica, contudo, que também torna possível ao homem não deixar o que-é ser como é, mas encobri-lo e desfigurá-lo — trata-se do domínio da ilusão, o predomínio da des-essência da verdade.
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Mas se a liberdade não é um atributo do homem, se ele existe antes “como propriedade” da própria liberdade, então a inverdade também não deve ser simplesmente atribuída ao homem como uma espécie de falha: “Se a essência da verdade não se manifesta plenamente na retidão de um enunciado, então tampouco a inverdade pode ser equiparada ao erro de um juízo” (p. 310).
A investigação sobre a conexão entre verdade e inverdade é levada mais adiante, constituindo o segundo estágio dentro do segundo passo do pensamento, sendo conduzidos primeiramente a uma sondagem mais profunda do sentido de disposição ou tonalidade afetiva (Stimmung), já conhecida como existencial a partir de Ser e Tempo.-
Enquanto ali a disposição afetiva foi analisada em conexão com o movimento da facticidade e também como o modo primordial da disclosura do mundo, aqui ela é tomada como manifestação da abertura primordial, que corresponde à nossa relação com o que-é em sua totalidade e nela se funda.
Estar disposto significa “uma exposição ex-sistente ao que-é-em-totalidade” (p. 311).Isso não invalida a análise anterior da disposição afetiva, mas Heidegger não se contenta com ela, avançando em busca de uma disposição fundamental, que encontra na relação primordial com os entes em sua totalidade: “O comportamento do homem se dispõe conforme o caráter manifesto do que-é-em-totalidade” (p. 312).-
Habitualmente, apega-se ao ente particular manifesto no momento; o que-é como um todo é justamente aquilo que não se torna temático, o que significa que aquilo a que se está disposto de fato se oculta.
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No próprio deixar-ser há simultaneamente um ceder ao que-é no momento e o ocultamento do que-é como um todo: “Na liberdade ex-sistente do Dasein, ocorre um esconder do que-é em totalidade, isto é, ocultamento [Verborgenheit]” (p. 312).
Pergunta-se como, se de algum modo, o ocultamento se torna acessível ao pensamento: “Do ponto de vista da verdade concebida como desvelamento… a ocultação é não-desvelamento [Un-entborgenheit] e, portanto, a inverdade própria intrínseca à natureza da verdade” (p. 313), podendo qualquer tipo de disclosura ocorrer apenas com base no ocultamento.-
Ao deixar um ente ser, o Dasein se relaciona com essa ocultação, mas apenas de tal modo que o próprio ocultamento nela permanece oculto — isso, segundo Heidegger, é o “mistério”.
“Deixar o todo dos entes ser — um processo que revela e oculta ao mesmo tempo — faz com que o ocultamento apareça como a primeira coisa oculta” (p. 313), significando isso que um pensamento que busca alcançar os entes em sua totalidade encontra a ocultação e a experimenta como a natureza original da verdade, isto é, como inverdade.-
O ocultamento é, de fato, o fundamento de toda disclosura, mas ordinariamente, isto é, tradicionalmente, está-se tão inteiramente cativado pela coisa revelada que o próprio ocultamento — o mistério — cai no esquecimento.
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Isso ocorre também na metafísica, que de fato busca alcançar em seu pensamento o que-é enquanto tal, dando origem, no curso de seu desenvolvimento, a diversos sentidos do que-é, mas que não torna temático o próprio ocultamento.
O esquecimento do mistério não faz de modo algum com que ele perca sua potência; antes, a repercussão desse esquecimento se manifesta no fato de que o homem se apega ao que é “praticável” e ao mesmo tempo se apresenta como o senhor absoluto do que-é.-
O Dasein que tem esse modo de ser é in-sistente: apega-se obstinadamente ao que lhe é diretamente apresentado por um ente e resiste a qualquer tentativa de indagar aquilo que torna possível toda disclosura.
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Tentou-se anteriormente apreender a abertura do Dasein em termos da noção de existir; Heidegger assinala agora que o Dasein ex-sistente é, ao mesmo tempo, in-sistente.
Ao in-sistir, o homem se entrega ao erro: “O afastamento do homem do mistério em direção ao praticável, e de uma praticabilidade a outra, sempre desviando do mistério, é o errar [das Irren]” (p. 317).-
“O erro é a contra-essência essencial [das wesentliche Gegenwesen] da essência original da verdade” (p. 317).
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Essa essência original se mostra como inverdade no sentido de ocultamento; é porque o erro provém da essência da verdade que o homem é capaz de avançar do erro em direção a essa essência: “Então se revela por que a essência da verdade está ligada à verdade da essência” (p. 319).
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Isso ocorre no curso daquele pensamento que reflete sobre o próprio Ser, ao qual Heidegger chama aqui “filosofia”; mais tarde, ele contraporá expressamente filosofia e pensar.
Cita-se, em conclusão, o comentário de Heidegger resumindo o percurso da investigação: “O presente ensaio conduz a questão da essência da verdade para além dos limites de nossos modos habituais de definir, tal como os encontramos no conceito prevalecente de essência, e ajuda a considerar se a questão da essência da verdade não é ao mesmo tempo necessariamente a questão da verdade da essência. No conceito de 'essência', porém, a filosofia pensa o Ser. Ao remontar a possibilidade interna da correção de um enunciado à liberdade ex-sistente do deixar-ser como o próprio fundamento desse enunciado, e ao sugerir que a origem essencial desse fundamento se encontra no ocultamento e no erro, talvez se tenha indicado que a natureza da verdade não é apenas a 'generalidade' vazia de uma universalidade 'abstrata'; é algo singular que permanece oculto na história única da disclosura do 'sentido' daquilo que se chama Ser e que há muito nos habituamos a pensar apenas como o que-é-em-totalidade” (p. 322).O terceiro passo desse pensamento, a saber, a transformação contida na sentença “A essência da verdade é a verdade da essência”, não é aqui empreendido, devendo ser desenvolvido numa segunda conferência.Ao comparar o exposto acima com Ser e Tempo, verifica-se que ali o conceito tradicional de verdade é posto em questão, assim como a visão tradicional de que a verdade tem seu lugar no juízo, sendo a verdade concebida, no contexto do novo conceito de Dasein como ser-no-mundo, como a verdade da existência, isto é, como resolução.-
Em outras palavras, a resolução no sentido de abertura resoluta é o pressuposto da relação do homem com os entes, relação em que os entes se tornam acessíveis, aparecem, mostram-se como verdadeiros.
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Na conferência sobre a verdade, a situação se altera: dizendo-o de modo aproximado, o pensamento não parte do Dasein em direção à verdade, mas antes o Dasein e sua relação com o que-é são vistos sob nova luz a partir do ponto de vista da verdade.
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A relação do homem com os entes é exibida como abertura, ou ser-aberto-para, e a própria abertura é pensada como liberdade, isto é, como o deixar-ser dos entes no sentido de deixar-se entrar em (sich einlassen auf, ceder ou consentir a) o que é, referindo-se isso ao não-oculto (Unverborgene), no qual somente pode ocorrer tal deixar-se entrar em.
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É verdade que aqui Heidegger ainda fala de entes em sua totalidade e, nessa medida, ainda ecoa o modo de interpretar da metafísica, que busca pensar o que-é como um todo.
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Contudo, esse modo de interpretar é ao mesmo tempo posto em questão quando Heidegger afirma, na última seção, que “enquanto busca dessa verdade, a filosofia tem em si mesma uma natureza dupla. Suas meditações têm a calma dignidade da suavidade, que não se nega ao ocultamento do que-é-em-totalidade. Ao mesmo tempo, possuem a 'abertura resoluta' do rigor que, sem despedaçar o ocultamento, força sua essência inteira e intacta para a abertura da compreensão e, assim, para sua própria verdade” (pp. 320–21).
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Isso significa ir além da metafísica, pois o pensamento do ocultamento na essência da verdade é algo que a metafísica jamais tentou.
Afirmou-se no início que o procedimento de Heidegger é guiado por um questionamento que é em si mesmo duplo: investigação do Ser e investigação da verdade.-
Essa dualidade emerge explicitamente na sentença “a essência [Wesen, essência, natureza] da verdade é a verdade da essência”.
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Isso não é uma inversão jocosa nem uma apropriação da filosofia essencialista tradicional de tipo platônico, mas visa indicar que só se pode pensar o que é a verdade quando se tenta pensar o próprio Ser.
Verdade de essência é verdade de Ser, como diz Heidegger, na parte da Nota acrescentada posteriormente: “O sujeito da sentença, se é que essa infeliz categoria gramatical ainda deve ser empregada, é a verdade de essência [Wesen, essenciar, ser]” (Wegmarken, p. 96).A própria essência deve ser pensada em sentido verbal: “Verdade significa ocultar-abrigar [Bergen] ao mesmo tempo em que traz uma clareira [lichtend, tornar claro] como o traço básico do Ser” (Wegmarken, p. 96).A verdade é compreendida em seu sentido mais íntimo quando se procura pensá-la como a clareira (Lichtung) que primeiro deixa tudo o que é aparecer, emergir, sendo essa clareira o que Heidegger refletirá nos anos e décadas seguintes.* Passa-se agora a discutir as estações sucessivas desse caminho.
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