Action unknown: copypageplugin__copy
estudos:beaufret:dialogos:principio-razao
Princípio de Razão
JBDH3
-
O heroísmo da razão, a crise e a genealogia como método filosófico
-
A filosofia se define como um “heroísmo da razão”, oposto à crise do irracionalismo, e Husserl vê a razão como tendo se esvaziado de seu sentido ao se tornar meramente “raciocinante”.
-
O método da “genealogia”, de Nietzsche, é apresentado como uma remontada à fonte que se deixou esquecer naquilo que emana dela, e que consiste em uma hermenêutica da filiação que mantém a origem em obra mesmo no mais extremo afastamento.
-
A genealogia é menos uma “gênese” explicativa do que uma “reconhecimento” iluminador e transformante, e a preocupação genealógica surge tardiamente em Husserl, transformando sua fenomenologia de uma “geometria do vivido” para uma genealogia da própria geometria.
A distinção entre a genealogia husserliana e o caminho de Heidegger em “Sein und Zeit”-
A genealogia husserliana busca remontar ao “mundo da vida” (Lebenswelt) pré-científico para superar o “mal-estar” da ciência logicizada, reconciliando-a com a vida, enquanto a genealogia nietzschiana permanece metafísica como interpretação da “vontade de potência”.
-
A interpretação de Merleau-Ponty, que vê “Sein und Zeit” (Ser e Tempo) como uma explicitação do “mundo da vida” a partir de uma indicação de Husserl, é contestada, pois a analítica do Dasein (ser-aí) em Heidegger está orientada para a questão do ser, não para uma subjetividade do mundo da vida.
-
A analítica da “utilidade” (Zuhandenheit) em “Sein und Zeit” (Ser e Tempo) não remete a um “mundo da vida” como práxis humana, mas à nomeação grega das coisas como “pragmata”, e a questão do ser é mais originária do que qualquer filosofia da subjetividade.
-
A tentativa de “Sein und Zeit” (Ser e Tempo) é de um “diálogo com os pensadores do mundo grego”, e não uma explicitação do mundo da vida, rompendo com a filosofia do eu e buscando a “ek-sistência” grega.
O caminho de pensamento e a crítica à filosofia como ciência rigorosa-
O caminho de pensamento de Heidegger, que busca a origem na palavra grega, distingue-se do caminho da ciência e da filosofia como ciência rigorosa, que permanecem no domínio da representação.
-
A filosofia como ciência rigorosa, ao buscar uma “pré-história da razão”, ainda permanece no mundo da representação, enquanto Heidegger questiona radicalmente o estatuto representativo da pensamento.
-
Os interlocutores do caminho de pensamento heideggeriano são os poetas e pensadores gregos (Homero, Pindaro, Heráclito, Parmênides, Platão, Aristóteles), não as ciências humanas, e a “escuta do logos” é mais radical que a filologia.
A palavra grega como “fundação” e a metamorfose do “logos” em princípio de razão-
A palavra grega, como “logos”, é essencialmente um “relato ao fundo” que “deixa ser” e “funda” a coisa em sua própria eclosão, abrindo-lhe o campo da presença, e não a explicando por um jogo de razões.
-
A palavra poética de Hölderlin é iluminadora da palavra grega, pois “funda” o que permanece, salvando a coisa em sua plenitude de aparição, e a palavra grega em sua “vigez nativa” é um “mito” que salvaguarda o retiro diante da presença.
-
O “logos” de Heráclito e Parmênides já está no seio de uma metamorfose, na qual o “fundo” da fundação primeira se transforma em “base” ou “princípio”, e a representação exige dar razões, eclipsando a palavra mais antiga.
O princípio de razão e a tentativa do “Schritt zurück” como memória-
A filosofia e a ciência, ao se tornarem “arrazoamento” e explicação, levam ao domínio planetário do “princípio de razão”, e a tentativa de elucidação da ciência por Heidegger não é contra ela, mas para ela, visando meditar seu ponto de partida na “physis” e no “logos” gregos.
-
O mundo grego não é um passado “atrás de nós” que a história pode explicar, mas nos concerne no enigma do presente e na capacidade de futuro, e a condição autêntica de encontro entre os homens é a “memória da iniciação grega”.
-
A ciência, fascinada pelo que pode, não sabe o que é nem de onde vem, e a filosofia, obcecada pela ciência, também é esquecida de si, e o “Schritt zurück” (passo de recuo) é a tentativa de se libertar da filosofia esquecida para um pensamento que seja “profundamente memória”.
-
O “Schritt zurück” (passo de recuo) não é uma busca fácil no passado, mas um diálogo com os pensadores gregos e sua palavra, um diálogo ainda “em espera de seu início”, e a obra de Heidegger não é uma “contribuição histórica”, mas uma meditação que coloca radicalmente em questão o sentido da história.
estudos/beaufret/dialogos/principio-razao.txt · Last modified: by 127.0.0.1
-
