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estudos:agamben:uso-do-mundo-3-2014
ESFERA DO USO E O PARADIGMA DA MANEJABILIDADE (2014)
AGAMBEN, Giorgio. O uso do mundo. Tr. Cláudio Oliveira. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2014
4. Relação entre Uso e Cura em Martin Heidegger
4.3. A Relação Originária com a Esfera do Uso e o Paradigma da Manejabilidade
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O envolvimento da relação com a esfera do uso, implícito no paradigma da manejabilidade (Zuhandenheit), através do instrumento (das Zeug) (o organon ou o ktema de Aristóteles)
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Exemplo por excelência do martelo
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Citação sobre o uso do martelo: «A correta familiaridade com o instrumento, na qual somente ele pode se mostrar de modo genuíno no seu ser (por exemplo, o martelar para o martelo), não compreende tematicamente este ente como coisa que se apresenta, assim como o usar não compreende a estrutura do instrumento como tal. O martelar não se resolve em um simples conhecimento do caráter de instrumento do martelo, mas, ao contrário, já se apropriou deste instrumento como o mais adequadamente não seria possível. Nesta familiaridade que faz uso , o tomar-se cura deve se submeter ao caráter de finalidade [Um-zu, «para um propósito»] constitutivo de cada instrumento. Quanto menos o martelo é somente contemplado e quanto mais adequadamente é usado , tanto mais originário se torna o relacionamento com ele e tanto mais ele vem ao nosso encontro sem véus como aquilo que é, ou seja, um instrumento. É o próprio martelar que descobre a específica «manejabilidade» do martelo. O modo de ser do instrumento, no qual ele se manifesta por si mesmo, nós chamamos «manejabilidade» » (Heidegger 1, p. 69)
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O caráter envolvente e absoluto da relação originária e imediata com o mundo (Faktizität, «faticidade»)
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Recurso ao termo jurídico «prisão» (verhaftet): «o conceito de faticidade implica em si o ser-no-mundo de um ente “intramundano” de modo tal, que este ente se pode compreender como capturado no seu “destino” no ser do ente que encontra dentro do próprio mundo» (p. 56)
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A «intimidade» (Vertrautheit, «familiaridade confidente») originária entre Dasein e mundo
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O Dasein pode perder-se e ser absorvido no que encontra no mundo: «O tomar-se cura é já sempre o que é sobre o fundamento de uma intimidade com o mundo. Nesta intimidade, o Dasein pode perder-se no que encontra no mundo e ser absorvido por ele» (p. 76)
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A pluralidade de sentidos e formas de uso na familiaridade com o mundo
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«Maneiras do in-ser» (Weisen des In-Seins) análogas à polissemia da chresis grega: «ter a ver com algo , produzir algo, ordenar ou cultivar algo, utilizar algo, abandonar ou deixar perder algo, empreender, impor, pesquisar, interrogar, considerar, discutir, determinar…» (p. 56)
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Modalidades compreendidas na «familiaridade com o mundo e com os entes intramundanos» (das nächstebegegnenden Seienden - p. 66)
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O ente primeiro e imediato é pré-temático, sendo «o usado , o produto, etc.» e não objeto de conhecimento teórico do mundo
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O Dasein «é já sempre neste modo de ser: por exemplo, para abrir a porta, faço uso da maçaneta»
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O uso do mundo como o relacionamento primeiro e imediato (die nächste Art des Umganges - p. 66) do Dasein
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Paralelo entre a relação uso-cura e a dialética valor de uso-valor de troca em Karl Marx (nota de rodapé a)
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O privilégio do valor de uso em Marx (processo de produção orientado ao valor de uso, transformação em mercadoria pela excedência do valor de uso sobre a demanda)
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A excedência do valor de uso sobre a utilização efetiva, sendo uma possibilidade ou excedência mantida em estado potencial (como a suspensão da manejabilidade revela a cura em Heidegger)
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A necessidade de pensar uma excedência ou alteridade do uso em relação à utilizabilidade intrínsecas ao próprio uso
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