Categoria: Fenomenologia Hermenêutica

  • O que aparece na mesa é, como diz Platão, a sua εἶδος (eidos)-mesa. Mas a σοφία (sophia) é uma modalidade de saber-fazer que conduz a algo muito mais aberto. Então como é que algo que em princípio é muito claramente poiético (poiesis) pode ter um lado praxético (praxis)? Esta é uma característica da condição humana.…

  • En allemand : « die Mitte ». C’est le mot de Heidegger et de Hölderlin. Impossible de le rendre par le centre. Ce qui permet de différencier le Milieu du centre, c’est que le centre est inconcevable sans concentration — le centre est toujours, d’une manière ou d’une autre, « centre de gravité », point…

  • (…) (Heidegger) chama “das Gestell” ao que está constantemente a trabalhar no coração da nossa técnica. Também neste caso, é muito mais importante compreender a indicação que motiva a escolha desta palavra, do que querer impor um termo num léxico suscetível de o traduzir. André Préau traduziu-a por “arraisonnement”, o que é uma excelente tradução,…

  • (…) A analítica temporal da existência (Da-sein) humana, que Heidegger desenvolveu, penso eu, mostrou de maneira convincente que a compreensão não é um modo de ser, entre outros modos de comportamento do sujeito, mas o modo de ser da própria pré-sença (Dasein). O conceito “hermenêutica” foi empregado, aqui, nesse sentido. Ele designa a mobilidade fundamental…

  • Primeiro, pode-se naturalmente associar a compreensão a um processo epistemológico ou cognitivo. Compreender (verstehen) é, em geral, apreender algo (“eu entendo”), ver as coisas com mais clareza (digamos, quando uma passagem obscura ou ambígua se torna clara), ser capaz de integrar um significado particular em um quadro maior. Essa noção básica de compreensão era certamente…

  • (…) meu livro (Verdade e Método) está postado metodicamente sobre um solo fenomenológico. Pode até soar como um paradoxo, quando por outro lado, justamente a crítica de Heidegger ao questionamento transcendental e seu pensamento da “virada” (Kehre) serve de fundamento ao desenvolvimento do problema hermenêutico universal, que eu empreendo. Eu porém acho que o princípio…

  • Heidegger e Derrida são frequentemente referidos como filósofos «pós-modemos». Utilizei por vezes o termo «pós-moderno» no seu sentido mais estrito definido por Lyotard como «desconfiança das metanarrativas». Mas agora preferiría não o ter feito. O termo tem sido tão utilizado que causa mais problemas que o necessário. Desisti da tentativa de encontrar algo em comum…

  • C) O carácter essencialmente cênico das formas a priori da intuição como chaves operativas de uma matemática da natureza, Heidegger explica na sua própria linguagem, de forma muito esclarecedora, em GA12. O seu argumento assume a forma de uma crítica à “redução” do tempo e do espaço, nas ciências, à função paramétrica. Heidegger escreve “Para…

  • Por “economia” entendem-se habitualmente duas coisas: por um lado, um domínio particular da realidade, com seus fenômenos específicos e suas leis; por outro lado, certa ciência que se define, como toda ciência, pelo que ela retém e isola no todo aquilo de que ela fará seu objeto de estudo. O domínio particular da realidade designado…