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Efetividade

WCHL Atualidade

  • Definição de atualidade como estado ou condição de ser real, efetivo ou atuado, sem status de termo técnico central no pensamento heideggeriano, exceto em contextos de apropriação criativa de pensadores precedentes.
  • Frequência do termo no corpus, com usos muitas vezes casuais, e concentração significativa em cursos sobre Aristóteles e Idealismo Alemão.
    • Tradução frequente de energeia aristotélica como Wirklichkeit, inserindo-se em preocupação mais ampla com metafísica da vontade como estágio final da metafísica da subjetividade e problema do niilismo.
  • Discussão de atualidade em relação a categorias modais, com desdém heideggeriano pelo tratamento puramente lógico-formal do conceito, por divorciar-se do empenho em dizer o que entes mesmos são.
    • Posição célebre de Ser e Tempo que declara atualidade inferior à possibilidade no âmbito da fenomenologia.
  • Uso inicial do termo como sinônimo de realidade (Realität), designando ser de algo simplesmente presente, desprovido de significância, ou efetividade de evento ou abordagem de acontecimento histórico relevante.
  • Utilização mais rica e filosoficamente significativa do conceito durante período de reflexão sobre significado de trabalho e produção (Arbeit, Werk, poíesis), com referência principal a Aristóteles e aos gregos.
    • Ligação dessa reflexão com engajamento duradouro de Heidegger com arte e poesia como modo originário de desvelamento, contrapondo-se a tendências redutivas da era moderna.
  • Cuidado necessário para não identificar simplesmente energeia com atualidade, apesar de associação estreita no período médio.
    • Tradução precoce de energeia como reine Zeitigung (pura atualização, pura maturação, puro desdobramento temporal), carregando conotações temporais facilmente perdidas na linguagem da “atualidade”.
    • Associação de energeia e Wirklichkeit com “estar-em-obra” (das In-Werk-Sein) de algo, e especificamente com ser da praxis como modo essencial de ser do Dasein.
  • Distanciamento crítico de Heidegger do termo “atualidade” por ter perdido vigor e força nominativa, sugerindo mero ser de algo presente ou efetividade causal de algo igualmente presente.
    • Tendência a deixar energeia sem tradução ou a oferecer traduções expansivas como “ser-em-obra”.
    • Implicação de ambos os termos na crítica emergente à metafísica da produção, traçada até realização grega antiga.
  • Associação do atual em Ser e Tempo com concepção de ser ou realidade decaída ou tranquilizada, sem papel argumentativo central na obra.
  • Privilégio, no período médio, de concepções de movimento que enfatizam significado de fenômenos cinéticos e se opõem à orientação subjetiva da filosofia moderna.
    • Interpretação de energeia como atualidade ou ser-em-obra de algo enquanto exibe força (Kraft), entendida como capacidade significativa de realizar algo ou ser cúmplice na “atualização” de algo valioso.
    • Distinção crucial entre atualidade como ser-em-obra da força com fim em vista e concepção moderna de efetividade como mera produção causal mecanicista e neutra.
    • Caráter normativo da atualidade: estar-em-obra é estar ordenado e direcionado a um télos, um “ser-consumado”, orientado para sucesso, fracasso e uma ideia do bem.
  • Atualidade como termo decididamente normativo, estendido ao cosmos em sua totalidade, ligando-se à ideia de que ser enquanto tal está atrelado, desde a antiguidade, a uma ideia do bem.
    • Objeção heideggeriana à concepção aristotélica pelo senso de finalidade nela embutido e, mais crucialmente, por modelar ser como tal sobre ser-produzido.
  • Vinculação entre mundo e obra: onde há mundo, há obra, e vice-versa, sendo a obra orientada para significado do produto, isto é, seu poder de desvelar mundo na vida de comunidade histórica.
    • Efetividade ou atualidade, em sentido mais elevado, como impacto sobre vida normativamente governada de um povo.
    • Distinção entre real e verdadeiramente atual: atual é o que atua, o que gera decisão ou resolução na vida de indivíduos e povos.
  • Atualidade não como fruto de escolha arbitrária, mas ligada a concepção ontológica de história e ao próprio ser enquanto se envia em épocas históricas como fundamento não escolhido de habitar um mundo.
    • Tarefa humana de apropriar-se das obras que já vieram a importar, dentro de quadro histórico que nos precede e constitui.
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