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obra:st:greisch-1994-autointerpretacao-de-ser-e-tempo

GREISCH (1994) – AUTOINTERPRETAÇÃO DE SER E tempo

(JGOT)

Como já indiquei, gostaria de concluir este ensaio de interpretação de Sein und Zeit — tanto do livro quanto da problemática que ele aborda — devolvendo a palavra ao próprio Heidegger, no momento em que ele inicia o trabalho de autointerpretação de sua Hauptwerk (obra principal), trabalho que ele continuará até o fim de sua vida. É um documento surpreendente que chama nossa atenção aqui. Trata-se do § 10 do último curso de Marburgo, intitulado precisamente: «O problema da transcendência e o problema de Sein und Zeit» (GA26, 171-195). O fato de que, apenas um ano após a publicação de sua Hauptwerk, Heidegger já sentiu a necessidade de estabelecer, de forma quase canônica, em 12 “proposições diretrizes”, também chamadas de “teses”, a maneira como ele desejava que a obra fosse lida, já é bastante notável por si só. Ao examiná-las mais de perto, o conteúdo dessas teses é ainda mais impressionante.

O parágrafo começa com uma espécie de advertência preliminar, na forma de um lembrete sobre a finalidade puramente ontológica da analítica existencial, que não busca construir uma antropologia nem uma ética. Por outro lado, seu caráter puramente preparatório impede que ela já coloque no centro a “metafísica do Dasein” (GA26, 171). Uma formulação notável e, ao mesmo tempo, enigmática: por um lado, tudo se passa como se a ontologia fundamental se confundisse com a analítica do Dasein, já que Heidegger fala da “ontologia fundamental como analítica do Dasein” (ibid.); por outro, a analítica, justamente por seu caráter puramente preparatório, ainda não é uma “metafísica do Dasein”. Mesmo que o próprio Heidegger nem sempre tenha respeitado essa restrição, especialmente no Kantbuch , essa afirmação nos obriga a perguntar: o que seria, então, uma “metafísica do Dasein”? Qualquer que seja a resposta a essa pergunta, ela nos fornece uma justificativa adicional para a prudência com a qual, ao longo de nossa interpretação, evitamos o termo “metafísica”.

Essa é apenas uma das surpresas que as 12 proposições diretrizes, que formam o cerne dessa autointerpretação, nos reservam. Como o próprio Heidegger indica, essas teses podem ser divididas em duas séries: a primeira, composta pelas 10 primeiras teses, propõe uma interpretação temática dos principais temas abordados no âmbito da analítica, com o cuidado de especificar a maneira como esses temas devem ser tratados. A segunda série, formada pelas duas últimas teses, apresenta o que poderíamos talvez chamar de o estilo próprio da analítica.

Dentro da primeira série, podemos distinguir dois subgrupos. A palavra-chave do primeiro subgrupo, correspondente às cinco primeiras teses, é o adjetivo “neutro”, respectivamente o substantivo “neutralidade”. Seguindo a autointerpretação, a analítica deve ser creditada com uma neutralidade que apresenta um rosto quíntuplo.

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