7. O Elementar
Zu Ernst Jünger [2004]
107. O elementar
Aquilo que Jünger assim denomina, e com isso já interpreta, é antes de tudo o sensível tomado em sentido metafísico, articulado entre os aisthetá, a hyle e os stoicheia, de um lado, e os pathe, de outro, distribuindo-se entre o mundo, com os elementos primordiais — não tomados quimicamente, mas como o subjacente a tudo, visto a partir do eidos: fogo, água, terra e ar — e o homem, enquanto zoon regido por batimento cardíaco e atividade renal, e enquanto daimonikón, isto é, as grandes paixões, os impulsos imediatos e o coração aventureiro.
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denominação do “elementar” reconhecida como platônica, remetendo-se ao dionisíaco nietzschiano: batalha, embriaguez, destruição, perigo, maravilha, sob o signo da “inocência do devir”
108. O “elementarismo”
O elementarismo é pensado como uma decisão da verdade do ser e, ele mesmo, como acontecimento apropriador (Ereignis) do ser tal como o ente mesmo, de modo que, justamente por se tratar do inicial, tanto menos se apreende nele o terminal no ser, não se tratando de materialismo, mas de outra coisa, na diferença entre verdade e correção (Richtigkeit).
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indagação sobre como tudo aqui fala em favor do primado da hyle, perguntando-se se catástrofes, forças naturais e a morte não seriam, então, meramente aquilo que “é”, e não o Seyn, e contudo o sendo ainda assim
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observação de que não se trata apenas da volta à “consciência”, de onde provém o objeto, mas ainda desta enquanto voltada ao ente contra o ser como acontecimento apropriador
109. “O Trabalhador” (18)
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questão pelo elementar: o que é e como se experimenta
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confusão suscitada pelo “elemento” como erro, sonho, má vontade, absurdo, algo imoral
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interrogação sobre se a própria afirmação (Bejahung) não permaneceria ainda no mesmo âmbito, o metafísico
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constatação de que Jünger apenas “pensa” descritivamente, apesar do, ou antes por causa do, pensamento da figura
[110. Sobre Ernst Jünger. O “elementarismo”]
O elementarismo, enquanto mera descrição, remete a Antifonte e ao cumprimento da subjetividade, ostentando simultaneamente aparente superioridade e plenitude, e configurando-se como positivismo romântico desprovido de horizonte e de verdade.
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pergunta sobre por que o biologismo não se deixa “refutar”, isto é, abalar por contra-argumentos, respondida pelo fato de recuar sobre um fundamento que se fecha a fundamentações, não vendo nem admitindo que, apesar disso, ainda reivindica fundamento
VII (continuação). O elementar e o não-ser da fuga
Não é o autocontradição enquanto ilogismo que importa, mas a fuga que se apresenta como firmeza no elementar, sendo este último não o elementar no sentido do originário, mas, sem ser algo vivo, apenas tomado como abrigo e fonte dos fatos, opondo-se à verdade do Seyn a razão e a consciência.
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denúncia de um cegar-se para a luz que se quer e se reivindica, a fim de depois afirmar como cego, servindo-se do aparato óptico mais afiado, ainda que talvez toda “óptica” seja cega
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caracterização do elementarismo como negação da verdade por ausência de horizonte, sendo não subjetivo, mas antes excessivamente objetivo, ser da subjetividade moderna
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referência a uma psicanálise poeticamente mutada e convertida, em sentido moderno, ao dominar
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estranhamento em face da história explicado pela ausência de pressentimento e pela subordinação à técnica, isto é, pela identificação entre história vivida e historiografia
111. O desser (Unwesen) do elementarismo
Trata-se do assujeitamento à pura capacitação da potência e à aparência de “liberdade” por ela produzida, não garantindo o simples soltar do “elementar” absolutamente nada, sobretudo quanto a ordenações que, por mais distintas que sejam das até então vigentes, não constituem algo posterior — pois, se o fossem, já trairiam sua dependência à testa, conforme o tratado Sobre a dor — nem tampouco o supremo, visto que o próprio pensamento de ordem, enquanto metafísico (ordo), já pressupõe hyle e eidos (morphé) e já repousa sobre decisões que ele mesmo jamais é capaz de apreender, e menos ainda de determinar.
112. O elementarismo
No “mundo” dá-se como “elementos”, no “homem” como o coração aventureiro e as paixões inferiores e superiores, não sendo o elementar jamais algo em si, mas sempre já interpretado, cabendo perguntar se Jünger não veria o elementar a partir do contra-olhar do racional, remetendo-se à concepção nietzschiana da “verdade” e sua relação com a “vida”.
113. A relação com o elementar
Dada ao trabalhador, essa relação carece de esclarecimento quanto ao que a determina e justifica, ou se antes “determinação” e “justificação” já constituiriam pretensão desmedida frente à pura eclosão (“erupção”), à “explosão” como tal, questionando-se, em caso afirmativo, onde então nos encontraríamos, senão no ponto de não mais nos enganarmos e de não mais escrevermos “livros”.
114. Elementarismo. Vontade de potência e Deus
Reproduz-se a sentença nietzschiana de que um povo perece quando confunde seu dever com o conceito de dever em geral, nada arruinando mais profunda e intimamente do que todo dever “impessoal”, todo sacrifício perante o Moloch da abstração, conforme O Anticristo, remetendo-se ainda à derivação do homem não mais a partir do “espírito” ou da “divindade”, mas de sua recolocação entre os animais, como o mais forte por ser o mais astuto, do que decorreria sua espiritualidade, e à afirmação de que um povo que ainda crê em si mesmo possui também ainda seu próprio deus.
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pensamento nietzschiano de Deus a partir do ser como vontade de potência, sendo “o ser” o que decide sobre a essência de Deus
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questionamento sobre qual “ser” seja a vontade de potência, respondido como o ser do esquecimento do ser
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indagação sobre se, nessas condições, poderia aparecer um deus, e, em caso afirmativo, apenas enquanto grande animal humano
[115. O elementar]
O elementar identifica-se ao caos, à sensibilidade, configurando a inversão do platonismo, associando-se o elementarismo a Deus como função do povo e de sua subjetividade, conforme O Anticristo.
