5. Essência e Conceito do Trabalho
Zu Ernst Jünger [2004]
V. Essência e Conceito do Trabalho (Técnica e Trabalho)
1. Sobre a história do conceito de trabalho e de trabalhador
2. O conceito de Jünger
92. “Trabalho”
O trabalho é determinado como princípio da eficácia do homem, como modo de vida particular e como estilo referido à forma, sendo designado nome para o ser do ente em sua totalidade, cuja interpretação se articula enquanto novo princípio de dominação do mundo.
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concepção do trabalho como princípio (arché) relativo à eficácia no efetivo, diante do recuo da resistência dos quatro elementos: terra, água, ar e fogo
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trabalho como nova maneira de viver, isto é, como confrontação que toma o círculo terrestre por objeto, condicionando uma radical alteridade da vida
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trabalho como expressão de um ser particular, ou seja, do ser do ente em sua totalidade numa interpretação específica
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trabalho pensado como mobilização, entendida como capacitação instauradora e dispositiva do poder, a saber, armamento (Rüstung)
93. O trabalhador
O trabalhador é pensado como nome de uma nova atitude, e justamente de uma atitude metafísica, da qual brota uma relação com a figura (Gestalt), cuja liberdade reside no próprio trabalho, nunca em sua negação, de modo que a figura do trabalhador se apresenta como figura de uma humanidade concebida enquanto subjetividade, isto é, como re-presentação do próprio ser, pensada em termos leibnizianos.
94. Trabalho
O trabalho é caracterizado simultaneamente como princípio determinante da vida e do ser-homem, como modo de vida que assegura estabilidade e segurança, e como estilo referido às formas, buscando-se a raiz comum a esses três significados.
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trabalho reconhecido como princípio fundamental, simples e neutro de valor
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trabalho como elemento de plenitude e liberdade, e não de pobreza e servidão
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trabalho como armamento para o aprestamento no sentido do domínio incondicional da terra, implicando o domínio como esforço rumo à mobilização total e a transformação incondicional da vida em energia
95. Trabalho
O trabalho é tomado como atividade ordenada que emprega dispêndio de força em vista de uma finalidade, como resultado e rendimento dessa mesma atividade, e como fadiga ou labuta, acepção esta enraizada em palavra germânica original ligada ao penoso e ao afadigar-se, do que dá testemunho a referência ao início do Cântico dos Nibelungos.
96. O trabalhador industrial
A indústria é definida como o grande empreendimento conduzido de modo empresarial, imposto pela técnica profissional moderna e abrangendo artesanato, manufatura e fábrica, ao passo que, desde essa perspectiva, o trabalhador se revela como mercadoria e como meio de produção barateado pela fome.
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operação (Betrieb) definida como execução contínua de processos de conteúdo determinado, assentada em disposições fixadas de uma vez por todas dentro de uma instalação organizada
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distinção entre empresário, engenheiro e trabalhador, reduzido este último a vigia de máquina sob automatismo puro
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a máquina, enquanto ela mesma “trabalhadora”, transforma a essência do trabalho, reduzida ao gesto de acionar alavancas e pressionar botões
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produção em massa compreendida como produção realizada por meio de massas
97. “Trabalho” – “Trabalhador”
No sentido corrente e nivelador, todo aquele que exerce uma ocupação e não permanece ocioso é chamado trabalhador, sentido que se distingue daquele empregado por Jünger, para quem mesmo o repouso e o esporte se revelam trabalho, isto é, ainda ação referida ao armamento (Rüstung).
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uso cristão da expressão trabalhadores na vinha do Senhor, referida aos sacerdotes de almas
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armamento pensado, em sua totalidade, como referido ao domínio sobre a terra
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usos correntes de elaborar/trabalhar sobre algo (bearbeiten): o lavrador que trabalha o solo para dele extrair rendimento, o funcionário que administra um ramo de ensino, o emprego bélico da expressão sob fogo de artilharia, bem como o uso referente ao motor que funciona e à natureza que opera, como no caso da terapia ocupacional em clínica psiquiátrica
98. Trabalho
O trabalho é pensado como modo de comportamento e forma da atitude, ethos do homem enquanto agente de um determinado tipo de humanidade, cristã e de subjetividade moderna, voltado ao êxito calculado de antemão no âmbito planejado da disposição do ente e de seu cultivo, de sorte que a essência moderna do trabalho se determina a partir da essência metafísica da técnica, e portanto a partir da história do ser, enquanto Jünger permanece ainda pensando no âmbito de uma filosofia da cultura.
99. “Trabalho” e “Cura” (Sorge)
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delimitação quanto às significações correntes
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distinção das palavras fundamentais em Jünger e em Ser e Tempo
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conceito hegeliano de “trabalho” na Fenomenologia do Espírito
