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GA76 Conceitos Fundamentais da Metafísica

Leitgedanken zur Entstehung der Metaphysik, der neuzeitlichen Wissenschaft und der modernen Technik [2009]

Os Conceitos Fundamentais da Metafísica — Observação Preliminar e Elucidação a partir dos 'Conceitos Fundamentais' das Ciências

Os Conceitos Fundamentais da Metafísica (Comunidade de Trabalho)

Observação Preliminar

  • A Arbeitsgemeinschaft (comunidade de trabalho) busca transformar a forma anterior da preleção em uma Aussprache (conversação), de modo que o que o expositor quer dizer possa ser compreendido pelos ouvintes e estes possam ser imediatamente experienciados por aquele.
  • A conversação não pode tornar-se uma discussão ilimitada e divagante de quaisquer ideias e opiniões, necessitando ao mesmo tempo da ordem rigorosa dos seminários habituais, sem excluir a exposição mais longa de cadeias de pensamento fechadas.
  • Tal Arbeitsgemeinschaft não é um misto de preleção e exercício, mas uma forma própria de lehrende Erziehung (educação ensinante), que em nada tem em comum com uma aula escolar e se determina exclusivamente a partir do que nela vem à fala, não podendo ser pensada como esquema e transferida mecanicamente a outros domínios.
    • O êxito da conversação depende inteiramente de se o que vem à fala nos interpela, de se respondemos ao Anspruch (apelo) e ao mesmo tempo na resposta experienciamos e levamos a sério a Verantwortung des Wortes (responsabilidade da palavra) — tudo isso não pode ser forçado, mas é para cada um, cada vez, um Geschenk (dom).
  • A participação na conversação depende primeiramente de como o indivíduo está e quer estar envolvido; conhecimentos e domínio do procedimento são indispensáveis com o tempo, mas podem ser adquiridos com perseverança e senso de Gründlichkeit (rigor).
  • A relação com o que vem à fala depende instantaneamente de quão longe temos a coragem de nós mesmos e a disposição de não nos iludirmos com nada absolutamente.
    • O pensamento da filosofia pensa sempre o Anfang (início) do ente, e com ele também seu fim, que está guardado em cada início — filosofar significa anfänglich denken (pensar de modo inicial), razão pela qual é preciso tornar-se sempre de novo um Anfänger (iniciante).
    • Quem se considera avançado corre o risco de considerar o supostamente já conhecido como não mais digno de ser pensado — Anfangen (começar) significa pensar cada pensamento sempre como se fosse pensado pela primeira vez; o Denken (pensar) pensante tem sua distinção em poder pensar sempre o Mesmo: o Sein.
  • Apenas uma era que não tem medo da última clareza sobre si mesma é capaz de permanecer, sabendo e portanto querendo, no Dunkel (escuro) que em torno de toda história do Menschentum (humanidade) permanece posto.

I. Os Conceitos Fundamentais da Metafísica

  • O nome 'Metafísica' nomeia algo diante do qual o entendimento comum pensa ou num Geheimnisvolles (misterioso), num último e supremo, ou naquilo que transcende a condução cotidiana das atividades humanas e nelas se perde em alturas — ou se usa os termos 'Metaphysik' e 'metaphysisch' de modo displicente, sem pensar nada, querendo apenas aparentar que se pensa algo especial e profundo.
    • Por outro lado, a fala sobre o 'Metafísico' pode ser bem-intencionada e querer valer como palavra para o Unsagbare (indizível) e talvez Undenkbare (impensável) pelo qual se é afetado; a isso se contrapõe, há muito, a acepção da Metafísica como nome para o pensamento autêntico e o saber essencial e rigoroso, cuja fria ousadia não admite o Ahnen schwärmerisch (pressentimento entusiástico) em seu âmbito — em torno do nome 'Metafísica', da 'coisa' e de sua história reina a maior confusão possível, uma Verstörung (perturbação) que talvez tenha até sua necessidade.
  • Pensando os nomes 'Metafísica' e 'metafísico' de modo sóbrio e provisório, nota-se que de algum modo está em jogo a physis — e importa recordar imediatamente que essa palavra physis, no início do saber ocidental, vale como o nome para o ente em seu todo, o que é mais do que a 'natureza' e mais amplo do que o mundo, abrangendo todo o Menschentum e ultrapassando também os deuses.
    • Physis não pode ser traduzida por 'natureza', pois 'natureza' já designa uma interpretação posterior e restrita da physis — a Metaphysik é então uma espécie de Physik no sentido do saber acerca da physis, nome que nomeia o ente em seu todo como tal.
  • Assim como o ente em seu todo não pode ser derivado do ente singular, porque se subtrai a toda derivação e explicação, também o saber sobre esse ente em seu todo é singular — o saber metafísico não comporta acumulação e arrecadação de conhecimentos, mas exige ao contrário o Einfache einer Haltung (simples de uma atitude) que permanece adequada à verdade sobre o ente em seu todo.
    • 'Metafísica' é então um nome para o Ereignis (acontecimento) de modo algum evidente de que há algo como Wahrheit (verdade), de que a verdade é um Geschenk (dom) ou uma Entbehrung (privação), de que há aqueles que participam ou se afastam.
  • A Metafísica é então a Gestaltung (configuração) da verdade do ente em seu todo, configuração que não pertence a um único homem que sabe, mas que constitui previamente o âmbito em que todo saber e não-saber, perguntar e decidir, crer e desesperar, lamentar e amar de um Menschentum se movem.
  • A Metafísica como Gestaltung da verdade do verdadeiro não é uma aparição arbitrária entre outras ocorrências da história — ela é o Grund (fundamento) da própria história; e na medida em que o Menschentum ocidental começa sua história a partir da Metafísica e por meio dela, a Metafísica — como verdade sobre o ente em seu todo — está em relação essencial com a história ocidental.
  • A Metafísica é o Wesensgrund (fundamento essencial) da história ocidental: deu outrora e ainda dá o solo, o âmbito e as Zielmöglichkeiten (possibilidades de meta) do Menschentum ocidental, de seus Geschicke (destinos), de suas criações, de suas necessidades e decisões, de suas ascensões e ruínas.
    • Geschichte (história) nunca é apenas o passado e menos ainda o meramente presente — Geschichte é primeiramente das Kommen des Kommenden (o vir do vindouro); que nós, os homens modernos completamente distorcidos pela Historik, compreendamos esse Wesen da história lentamente e talvez de modo muito doloroso torna toda palavra sobre a história difícil.
  • A Metafísica sustenta e permeia como Wesensgrund da história ocidental também e sobretudo o Weltalter der 'Neuzeit' (era da modernidade) — que humanidades, povos e eras conheçam ou não sua Metafísica nunca decide sobre se a Metafísica é o fundamento de sua história; tampouco importa se a Metafísica é conhecida e apreciada na estranha forma de uma disciplina escolar.
    • A Metafísica como verdade sobre o ente em seu todo está tão fundamente oculta no fundo da história que justamente escava esse fundo e determina a história velada e autêntica — a Geschichte nunca consiste, enquanto Kommen des Kommenden, nos eventos e nas opiniões e aspirações do Menschenwesen público sobre suas intenções e pontos de vista.
  • Se a Metafísica é desse modo o Wesensgrund da história ocidental, então a Besinnung (meditação) sobre os 'conceitos fundamentais' da Metafísica carrega em si uma necessidade que não precisa de nenhuma confirmação e que rejeita já toda recomendação.
    • Que a Metafísica seja o Wesensgrund da história ocidental pode ser inicialmente tomado por uma afirmação arbitrária ou contestado como opinião parcial — se perguntamos se e como e por que a Metafísica é o Wesensgrund, então é preciso assumir uma única coisa: die Arbeit einer Besinnung auf die Grundbegriffe der Metaphysik (o trabalho de uma meditação sobre os conceitos fundamentais da Metafísica), pois por meio dela se articula o que a Metafísica é e como ela é.

II. Os 'Conceitos Fundamentais' das Ciências

A. Elucidação a partir de exemplos da ciência matemático-física, histórica e biológica

'Conceitos Fundamentais da Física'

  • 'Força': o que pode alterar o estado de movimento de um corpo (massa), efetuar uma aceleração — também mudança de direção como aceleração, também retardamento como aceleração; Massa: inércia — resistência ao ser-movido; Força = Massa vezes aceleração (K = m x b), produto de massa e aceleração — Newton, equação fundamental da Mecânica.
  • Gewicht (peso): força de um corpo com a qual ele pressiona sobre sua base — Bewegungsdruck (pressão de movimento), relação de resistência (equilíbrio); peso também como instrumento de acionamento e como instrumento de medida (Meßzeug); outros conceitos: 'Átomo', oscilação, onda, potencial.
  • O 'peso' como instrumento de acionamento e de medida não é 'metáfora' do peso pensado conceitualmente de modo físico — diferente é quando se diz que a Convenção de Tauroggen, celebrada pelo General von Yorck com os russos, 'pesa' para a configuração da luta de libertação contra Napoleão: aí entram em jogo Kräfte (forças), relações de Macht (poder).

'Conceitos Fundamentais das Ciências Históricas'

  • O objeto é a 'Geschichte' (história) — 'Geschehen' (acontecer) não é a simples mudança ou movimento natural (a neve derrete, a terra aquece), mas o que se 'passa' com o 'homem', com o homem agente, criador, sabedor, e com o que ele cria e trata — Geschichte é Weltgeschehen (acontecer mundano).
    • Há apenas Geschichte do Menschentum porque Geschichte é sempre Geschichte do Seyns; e Seyn? (Austrag — decisão/confronto).
    • Geschichte — 'vir' a (Z — R) — para os 'Beiträge' (contribuições): Gründung der Wahrheit des Seyns (fundação da verdade do Seyn) — o abrupto — o íngreme e a queda; Ereignis como Metafísica, Machenschaft (maquinação).
    • O que ocorre e seus modos: Massentum (domínio da massa) — Volk (povo) — Kultur (cultura) — Staat (estado) — Technik (técnica) — Wirtschaft (economia) — Kunst (arte) — Religion (religião) — Krieg (guerra) — Revolution (revolução) — Frieden (paz) — Fortschritt (progresso) — Verfall (decadência).
  • Volk (diferente de Massa): Herrschaft des Massenwesens (domínio do ser-massa); völkisch — rassisch — 'Leben' — corpo e alma metafísicamente; volklich (costume, tradição) metafísicamente; volkspolitisch, demo-krático, voz do povo; Volksgemeinschaft (socialista, domínio da massa) — ou historicamente a partir do Wesen da história, como esta necessita o Menschentum como Volk.
  • Staat (estado): status, Stand (estamento), Zustand (estado), 'Verfassung' (constituição) e Gefaßtheit (compostura); o que vige nele, na 'Geschichte' (metafísicamente como 'Geist'/espírito) ou apenas 'função', organização do 'Volk' — Hegel: Estado e organização do conceito de 'Liberdade', Estado o espírito que está no mundo — vgl. Filosofia do Direito §§ 257 ss.
  • Fortschritt (progresso): automóvel, avião (aumento das possibilidades de trânsito: mais fácil, mais rápido, mais cômodo, mais seguro, mais abrangente); 'Para-frente' — para longe de quê? Para-frente — em direção a quê? Bewegung (movimento), Werden (devir) antes do Sein (ser)! A Herrschaft des Scheins (domínio da aparência) — devir como Beständigung (perpetuação) da mudança.
    • Fundado na Subjektivität (subjetividade), ataque sobre o ente (conquista como defesa do sujeito) — aí: planejamento, cálculo (em projetos, olhar previamente para adiante); todos os eventos e processos como Vorwärtslaufen (correr para frente), que exige fomento e segurança; mudança e movimento contínuos — Sicherheit als Betreibung des Sicherns (segurança como perseguição da segurança), ir para frente — para onde? — para o Para-frente; medo diante da possibilidade e do vazio do alcançado; daí antecipar-se ao que está além, o crescimento constante, o gigantesco, o aperfeiçoamento, a fecundidade (destruição).
    • Fortschritt como 'ideia'; progresso como modo normativo do ser-homem, isto é, da Subjektivität — Fortschritt fundado na Subjektivität enquanto esta se compreende como planejante e calculante, prevendo em projetos e assim querendo em geral mudar o curso (Bewegung) e tomando os eventos como um Vorwärtslaufen que deve ser executado, promovido e assegurado — Metaphysik fundada — e não superada pelo fato de não se falar dela, mas ainda assim pensar-se em avançar e orientar tudo para isso — Werden vor Sein! Der Schein! Ständigkeit der Bewegung (devir antes do ser! a aparência! constância do movimento).
  • Das Massen-wesen (o ser-massa): sua Herrschaft (domínio) não é um processo natural — sua Loslassung (liberação) como Geschichte: 1. a multiplicação — fecundidade (as possibilidades da destruição, poder); 2. o ascender do inferior e o puxar para baixo do superior (os 'muitos', o comum); 3. a reivindicação de Lebensraum (espaço vital) — 'Vida' como 'Vorhandensein' (ser-simplesmente-presente), massivo; 4. a exigida organização das massas.

Conceitos Fundamentais da Biologia — 'o Vivente'

  • Os três caracteres fundamentais do Lebendige (vivente): 1. Umgebungsbezug (relação com o entorno); 2. (Drang/impulso) Schwung (impulso, Überschwingung/sobre-oscilação — excitação, ímpeto, Er-regung/estimulação, movimento, o mover-se); 3. Vereinzelung (singularização — 'Organismus', finalidade).
  • Quanto a 1: o entorno dá Sicherung (segurança/proteção), Förderung (fomento) e Bedrohung (ameaça), sem Vernommenheit (ser-percebido), mas apenas Eingenommenheit (estar-tomado) e Benommenheit (estar-envolto) — apenas para tal Um-gebung (entorno-proteção) existe uma relação, e essa relação é apenas Lebens-sicherung (segurança-da-vida), esta porque Drang (impulso).
    • Umgebungskreise (círculos de entorno) e Sicherungsweisen (modos de segurança): Nahrung-Kreis (círculo-alimento) — segurança do singular; Fortpflanzungs-Kreis (círculo-reprodução/Geschlechtskreis) — segurança da espécie; Feind-Kreis (círculo-inimigo) — segurança do singular e da espécie; Medien (meios: terra, ar, água) — segurança do entorno próprio e possibilidade do mesmo.
    • Umgebungsbezirk (âmbito do entorno): Eingepaßtheit (encastramento) na 'terra' ('matéria', 'espaço', 'lugar') no sentido amplo — condição de possibilidade da adaptação respectiva; esse Umgebungsbezug é Rückbezug (relação de retorno) sobre si e o 'ao-redor-de-si' (mas sem 'Selbst'/si-mesmo) — singularizado, mas a relação orientada ao Wesentliche (essencial) — o 'Innere' (interior).
  • Quanto a 2: (Drang) Schwung ('Zeit'/tempo) — Zeugung (geração), Geburt (nascimento), Jugend (juventude), Reife (maturidade), Alter (velhice), Tod (morte) — o ser-vivo de tal Wesen (essência) se diferencia em espécie, e a espécie se assegura nas Einzelungen (singularizações), estas não como fim e 'propósito', mas como 'meio', melhor: como passagem, modo da Erdrängung (afirmação-pressionante sobre a terra).
  • Quanto a 3: das Geeinzelte (o singularizado) na unidade fundada em si mesmo e o separado, dividido e indivisível nas divisões — o Lebendige 'tem' um Leib (corpo vivido), porque dranghaft umgebungsbezogen (impulsivamente referido ao entorno), referido de volta a si (e assim encaixado); e não: é referido ao entorno porque tem um Körper (corpo) — das Lebendige lebt, indem es leibt (o vivente vive enquanto corpifica/Leibung).
  • Reizbarkeit, Beweglichkeit (irritabilidade, mobilidade): apenas o Dranghaftes (o que tem impulso) é irritável — 1. como relação impulsiva (função), 2. em sua organização orgânica; Organismus ('Organismus', Leib, Körper) é o 'instrumento' do Lebendige, mas não este mesmo; organização terreno-material sobre a terra; marca característica: a Zweckmäßigkeit ohne Zweck (finalidade sem fim — Kant).
    • Vom 'Organismus' her denken heißt unbiologisch denken (pensar a partir do 'Organismo' significa pensar de modo não-biológico) — desconhecer o Wesen des Lebendigen (essência do vivente) desde a raiz.
    • 'Zweckmäßigkeit': 'Zweck' (fim/Neuzeit), 'Ziel' (finis, Mittelalter), Ende, Vollendung (Aristóteles: peras, estrutura; eidos, forma) — somente onde a ratio da Subjektivität e a explicação do ente a partir dele mesmo (Stoff/matéria) existem: aí o Lebendige como 'Organismus' e este caracterizado por 'Zweckmäßigkeit'; matéria e razão, e dali o 'Lebendige'.
  • O Lebendige como 'Organismus' é um projeto da ciência moderna — isso não contradiz que já Aristóteles, na discussão do vivente (peri psyches), tome o Lebendige como soma physikon organikon; isto é, reconheceu organa no ser-vivo — corpo que pode ter organa e desdobrar physis a partir de si — mas a nomeação do Organischen não é o primeiro, mas a determinação de que o Lebendige é entelecheia on e este soma physikon organikon.
    • Aqui o Organische não é ainda interpretado como Organisches e posto como o normativo do Lebendigen — o Organische está retido no 'Physische' de modo determinado; correspondentemente o 'Seelische' (anímico) não é dinghaft 'ontisch' (coisalmente ôntico), mas seinshaft (ente segundo o ser) — mas tudo isso bloqueado e mal-interpretado pela interpretação cristã do ente e pela ciência moderna, e assim privado de sua Wesenskraft (força essencial).
  • Der Drang (perceptio und appetitus): em si o fundamento para Umgebungsbezug e Benommenheit, para Schwung (consequência), para Einzelung (Abstoßung/repulsão e Festigung/consolidação) — o Drang deve ser pensado inicialmente tão preenchido em seu Wesen; o Drang é tal em sua Ein-fachheit (simplez/unicidade).

B. A caracterização desses 'Conceitos Fundamentais' como Conceitos Principais e Conceitos de Domínio

Os 'Conceitos Fundamentais' das Ciências

  • Todo físico pensa Kraft (força), Beschleunigung (aceleração), Gewicht (peso), resistência elétrica e semelhantes de modo unívoco no mesmo significado fixamente delimitado que o outro (diferentes os domínios de pesquisa e sua condução); todo historiador pensa Volk, Staat, Herrschaft, 'Recht' (direito), Macht de modo diferente, a partir de perspectivas diferentes — o mesmo ocorre com cada historiador da arte sobre obra de arte, arte, espaço, 'forma', e isso não perturba em absoluto, ao contrário: parece quase como se algo compelisse aqui a perspectivas sempre diversas, que são em cada caso parcialmente 'verdadeiras'.
  • Todo biólogo pensa Organismus, Reiz (estímulo) e semelhantes de modo diferente, e aqui as diferenças são de tipo novamente distinto (escolas e correntes) — a diferença reside nas ciências ou no que esses conceitos pensam, ou em ambos ou em algo ainda mais essencial?
    • Todos, porém, pensam esses conceitos — expressa ou não, de modo diferente ou semelhante — continuamente e movem-se no âmbito do que representam: Kraft — Feld (campo); Drang — Umgebung (entorno); Macht — Welt (mundo); Feld, Umgebung, Welt, cada um em si diferentes e ao mesmo tempo a relação com eles.

A Caracterização dos 'Conceitos Fundamentais' das Ciências como Conceitos Principais, Diretores e de Domínio

  • 1. As representações de 'Força', 'Movimento' etc. representam, sobre o múltiplo, cada vez Um, o qual, ao unificar, faz emergir e permanecer o múltiplo como Gegenstand (objeto) — esse representar sobre o múltiplo — em geral — caracteriza os conceitos como Hauptbegriffe (conceitos principais).
  • 2. Seu papel não é uma síntese posterior, mas uma instrução prévia a perspectivas que delimitam um horizonte visual por meio do qual um nexo objetivo é circunscrito — os Hauptbegriffe dirigem o modo e a maneira do olhar para o que deve ser representado: são Leitbegriffe (conceitos diretores).
  • 3. Esses Leitbegriffe delimitam quais passos — para onde e até que ponto — devem ser executados no representar; eles gebieten (prescrevem) o proceder representativo e lhe dão seu Gebiet (domínio): Gebietsbegriffe (conceitos de domínio).
  • 4. Esse representar assim constituído é um Bei-stellen (colocar junto) dos objetos no sentido de um Sichauskennen (orientar-se) em seu nexo a partir da intenção sobre o Rechnen-können (poder-calcular) nos objetos e sobre eles — Wissenschaft (ciência) como organização de tal investigar e conhecer que se orienta, explica e descreve.
  • 5. Em que sentido os Gebietsbegriffe podem chamar-se 'Grundbegriffe'? Porque seu caráter conceptual, o modo de seu representar, dá e disponibiliza o solo e o 'Grund' para o representar científico; os Gebietsbegriffe delimtantes e circunscreventes dão o positum para as ciências — as ciências são ciências 'positivas', e esses conceitos constituem a Positivität (positividade); desdobrando-se, verifica-se que não pensam na Gegenrichtung (direção oposta): Kraft — Veränderung — Bewegung — ? (Handlung/ação — Freiheit/liberdade — ?) (Macht, Herrschaft).
    • Quando tentam avançar nessa direção de modo científico, caem no cada vez mais 'Allgemeineren' (geral), Unbestimmtere (indeterminado) e Leere (vazio) — os Hauptbegriffe verallgemeinerten (generalizados) perdem o caráter do Leiten und Anweisens (dirigir e instruir) (janelas cegas), volatilizando o domínio no Gegenstandlose (sem objeto); daí a crescente desconfiança das ciências em relação à 'Philosophie' — mas permanece a questão de se as ciências têm aqui a primeira e a última palavra, se seus Hauptbegriffe podem em absoluto apreender o que representam, se são autênticos Grundbegriffe.
  • 6. Mesmo sem as ciências naturais, históricas e biológicas, 'natureza', história, vida persistiriam — essas não são primariamente 'domínios' para ciências, mas em si Reiche des Seienden selbst (reinos do próprio ente); e somente porque são isso podem tornar-se aquilo (domínios) e tornam-se tais em determinados modos do querer-saber como pesquisa (techne) das ciências modernas.
  • 7. Os Reiche (reinos) fundam um Gesamt (todo) do ente em seu todo (o ente em seu todo? — Sein) — podem e devem às vezes ser representados e meditados e interrogados como tais reinos fundantes (por quê e como? quando verdade do Ser e Seyn (Ereignis)) — então há conceitos que perguntam de volta nesses fundamentos: Grund-begriffe em um sentido autêntico e totalmente diverso.
    • O conceito de 'natureza' é então Grund-begriff não porque, enquanto Leitbegriff da ciência natural, dá solo e fundamento, mas porque pensa de volta em algo que tem em si mesmo Gründungscharakter (caráter de fundação) no próprio ente — os autênticos Grund-begriffe não são tais porque valem como conceitos de tipo determinado e com determinado rendimento, mas em vista daquilo que neles é interrogado e representado: Grundhaftes (o que é de caráter fundante).
  • 8. Tais conceitos que perguntam de volta ao fundamento (conceitos que pensam o ente como tal) são inavaliáveis pelas ciências (por quê? — isso se mostrará) — as ciências e, conjuntamente, seus Haupt- und Leitbegriffe têm em si uma Grenze (limite): (1) as ciências não são capazes de representar a si mesmas no que elas próprias são — a física não fisicamente, a história não historicamente, a biologia não biologicamente; (2) o que é representado em seus Hauptbegriffe, para si e em si, é algo que científicamente só é acessível em certas perspectivas e que para si nunca é cientificamente acessível — os Hauptbegriffe têm por assim dizer um avesso que lhes é voltado e inacessível, algo do qual não são senhores.
  • 9. A questão se ergue: o que, visto a partir das ciências, parece como generalização para o vazio, o fluido e o inatingível, é na verdade um nada e um evaporado — ou não são justamente natureza, história, vida, antes de toda ciência e apesar de toda ciência, o mais próximo, o mais pleno e o mais vinculante?
    • A relação com natureza, história e vida não é estabelecida primeiramente pelas ciências — são estas que se instalam na relação já previamente existente; mas essa relação pode estar perturbada, esquecida, encoberta pelas ciências — e isso não casualmente, mas segundo as possibilidades que nela mesma residem.
  • 10. Zusammenfassung (síntese): as reflexões acerca dos Grundbegriffe das ciências resultam: a) esses Grundbegriffe não são propriamente Grund-begriffe, mas Hauptbegriffe; b) há Reiche do ente nos quais são demarcados 'domínios' das ciências, mas esses Reiche mesmos não são acessíveis às ciências; c) esses Reiche — o mais próximo e vigente — apesar da aparência contrária; d) as ciências e o saber.
    • As ciências têm uma necessidade histórica própria e são ao mesmo tempo Verhüllungen (velamentos) do próprio ente.
    • As ciências podem proporcionar um modo próprio de 'saber' no sentido do Kennen (conhecer/orientar-se) e não são jamais capazes de produzir um saber autêntico (Inständigkeit in der Wahrheit des Seyns/insistência na verdade do Seyn).
    • As ciências são difundidas e difundíveis sobre tudo o que se torna acessível ao representar calculante, e ao mesmo tempo um âmbito estreito da mera Vergegenständlichung (objetivação).
    • As ciências podem atingir resultados surpreendentes e impressionantes e trazer utilidade, e ao mesmo tempo não conduzem um único passo para a proximidade do próprio ente em seu todo — apenas solidificam o erro metafísico.
  • Conhecer muito e de muitos modos e contudo nunca saber o que é — o ente em seu todo; como é possível experienciá-lo? Por levantamento do ente? Não! Por generalização? Não! — mas aqui é possível um sinal velado: quanto mais longe na aparente volatilização do mais geral, tanto mais perto no Wesung (vigorar) do único e do mais genuíno; pelo Wissen des Augenblicks der Geschichte (saber do instante da história) — as decisões — abre-se a Lichtung des Seyns (clareira do Seyn).

C. O Limite desses Conceitos. A Transição para os Conceitos Metafísicos

  • O título 'Os Conceitos Fundamentais da Metafísica' parece inicialmente tratar dos 'Hauptbegriffe' da Metafísica com exclusão do particular — mas os autênticos Grundbegriffe, os conceitos que perguntam de volta nos Reiche fundantes do ente como tal, são os únicos conceitos da Metafísica (aqui sem Haupt- e Nebenbegriffe/conceitos secundários; cada conceito metafísico pensa o ente em seu todo).
    • O título diz simplesmente: pensar os conceitos metafísicos, isto é, pensar metafisicamente; estar propriamente transposto para a Metafísica; executá-la e saber a execução e seu âmbito, e nesse saber talvez deparar com questões essenciais — aqui com decisões; experienciar o Wesen da Metafísica é algo distinto de meditar sobre seu conceito em geral sem entrar no 'conteúdo'.
  • Os Grundbegriffe da Metafísica são os únicos conceitos que podem ser chamados 'metafísicos' — 'Grundbegriffe' aqui não se entende em contraste com conceitos derivados e secundários; o Begriff (conceito) metafísico é o conceito que pensa o Grund e somente o Grund — o gründende Begriff (conceito fundante) como Inbegriff (conceito abrangente), sendo o metafísico Inbegriff: 1. na medida em que cada um pensa o ente em seu todo (p.ex. 'Geschichte'); 2. na medida em que inclui o próprio pensante (p.ex. 'Wahrheit').
  • É possível deparar com conceitos metafísicos quando se segue e leva a sério aquela pseudo-explicação das ciências — os conceitos cada vez mais gerais são sempre mais vazios e sem substância, deixados à 'Philosophie'; o conceito mais geral desse tipo é provavelmente o do próprio 'Nada' (Nichts) — mas e se o Nichts fosse o mesmo que o Sein?
    • E o Sein? Quando não mais se encontra nele, como no conceito mais geral, nada, costuma-se caracterizá-lo por contraposições que em uma consideração mais rigorosa e própria podem ser retiradas de sua casualidade: Sein und Werden (ser e devir), Sein und Schein (ser e aparência), Sein und Denken (ser e pensar), Sein und Sollen (ser e dever), Sein und Wirklichkeit (ser e efetividade), Sein und Nichts (ser e nada) — todos conceitos fundamentais metafísicos; mas talvez sejam para nós apenas palavras e ecos de palavras, e para o que dizem é preciso buscar primeiro o caminho, para apreendê-los inbegrifflich e inbegriffen (como e em Inbegriff); o que vale é o intento de pensar metafisicamente — para isso, Vor-begriff der Metaphysik (pré-conceito da Metafísica).

Visão de Conjunto Sumária

  • Os 'Grundbegriffe' das ciências são apenas 'presumidamente' e em determinada perspectiva 'Grundbegriffe', na medida em que fundam o modo do representar conceitual das ciências, isto é, o sustentam e dirigem aqui; mas não chegam ao Grund do próprio ente como tal — possibilitam a Vergegenständlichung (objetivação) e nunca alcançam o que em si deve ser para poder tornar-se passível de objeto.
    • Esses 'Grundbegriffe' são apenas Haupt-, Leit- und Gebietsbegriffe (conceitos principais, diretores e de domínio) e como tais têm sua Grenze própria: 1. representam na direção dos objetos especiais e múltiplos; 2. pensam para longe de seu conteúdo essencial, na medida em que repelem dentro das ciências — com razão — um representar do supostamente geral; 3. não são de modo algum capazes de apreender o próprio ente, objetivado neles por domínio, no modo de seu apreender e com seus meios — as ciências como tais não são senhoras de seu Wesen; 4. por isso difundem e solidificam constantemente a aparência de que o que lhes é inacessível é apenas o evaporado e o vazio — são justamente 'as ciências' (não apenas 'os jornais') que ajudam o Wahn (ilusão) ao poder, de que o meditar sobre o não-palpável, não-apreensível e não-comestível seja 'Intellektualismus' — mas o que são os autênticos Grund-begriffe não sabemos ainda com isso (Wesen des Grundes/essência do fundamento).
  • Por enquanto, apenas comparativamente pode ser dito: os Grundbegriffe metafísicos são: 1. não Haupt- und Allgemeinbegriffe (conceitos principais e gerais), mas pensam o único, o pleno e o mais próximo; 2. não Leitbegriffe (conceitos diretores), isto é, conceitos que dirigem para a Vergegenständlichung como bloqueio do ente e nela pressionam fixamente, mas 'conceitos' que transpõem para o ente como tal e colocam no meio dele; 3. não Gebietsbegriffe (conceitos de domínio), mas em cada caso compreendendo em si o todo do ente como tal.
  • Kant pensou a Metafísica como 'ciência' — o título de sua escrita elucidativa da Kr.d.r.V. é: “Prolegomenos a toda metafísica futura que poderá apresentar-se como ciência” (1786); o título da Metafísica logo 'apresentada', em que começa a consumação da Metafísica ocidental, é: “Sistema da Ciência” Primeira Parte, a Fenomenologia do Espírito, 1807 — o criador dessa obra é Hegel.
    • 'Wissenschaft' aqui não significa 'uma' ciência entre outras, mas 'a Wissenschaft' é o título para o saber essencial, supremo e único e autêntico, perante o qual as chamadas 'ciências' são apenas ramificações e negações — e contudo após poucas décadas tudo se inverteu, de modo que, a partir das 'ciências positivas' como as únicas e autênticas, a Metafísica aparece como devaneio vazio e arbitrário (há ainda hoje escritores que querem ser contados entre os exemplares 'alemães' e que, diante do mais alto pensamento alemão, não conseguem aduzir nada mais do que a afirmação de que a filosofia do idealismo 'alemão' são especulações 'alheias à vida' e 'sistemas privados' — assim inclusive Dilthey).
  • Os Grundbegriffe da Metafísica são os únicos conceitos que podem ser chamados 'metafísicos' — 'Grundbegriffe' aqui não se entende em distinção a conceitos derivados e secundários; o Begriff metafísico é o conceito que pensa o Grund e somente o Grund — o gründende Begriff como Inbegriff: 1. na medida em que pensa o ente em seu todo; 2. na medida em que inclui o próprio pensante; seguindo a pseudo-explicação das ciências, é possível deparar com o mais geral de todos os conceitos: o do 'Nichts' (nada) — mas e se o Nichts fosse o mesmo que o Sein? E o Sein: Sein und Werden, Sein und Schein, Sein und Denken, Sein und Sollen, Sein und Wirklichkeit, Sein und Nichts — todos conceitos metafísicos fundamentais, para os quais é preciso buscar o caminho para apreendê-los inbegrifflich — para isso, o Vor-begriff der Metaphysik.
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