1.A. Primeiro início
1. A aletheia (Ἀλήθεια) essencializa-se como o próprio início, sendo a verdade (Wahrheit) do ser a essência velada e desvelante que preserva o erguer-se e permite a presença, ao mesmo tempo em que o ser mesmo já “é” na indistinta desentranha (Entringung), exigindo renunciar ao ente em favor do seer (Seyn) experimentado como mais originário que qualquer interpretação cognitiva de sua essência.
2. A questão de quando e onde ocorre o desvelamento esbarra no fato de que o ser essencializa-se originariamente através do tempo-lugar sem poder ser fixado numa posição, de modo que o acolhimento humano (νος) não funda a aletheia, mas apenas a ideia (ἰδέα) introduz o jugo do olhar que não cria mas percebe o desvelado, distinguindo-se da ligação parmenídica entre noein e einai à aletheia; com a elevação da ideia a ἀγαθóν, o ser desliza para o domínio do causar (αἴτιον, ἀρχή), tornando-se um ente supremo causador em vez do ser puramente inceptual, o que torna necessário pensar a aletheia como desvelamento do velamento que ocorre no abissal e enigmático, permanecendo em aberto sua relação com o Dasein no outro início.
3. O erro (Irre) constitui a essência extrema e distorcida da verdade.
4. Nos pseudo-platônicos horoi, a aletheia é definida como comportamento (hexis) em afirmar e negar, ciência do desvelado, distinta da pistis como antecipação correta de que algo se mostra tal como é, estabilidade de caráter (ethos).
5. O uno (ἕν) procede da ousia como fundamento e enquanto fundamento, remetendo à unidade kantiana do estar-junto, ao parà do “junto” e à stasis do “estar”, constância (ἀεί).
6. A experiência do ser como physis entre os gregos não contradiz o pensamento fundado no não-dito e no velado, mas a ousia já assinala o início da destruição da aletheia.
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a experiência do ser como physis não se opõe ao pensar do velado
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a ousia marca já o começo da destruição da aletheia
7. A dupla essência da aletheia preserva o próprio Helenismo, pois o desvelado não é a verdade mesma, já que a verdade inclui o velamento do velado que permite apenas certa medida de desvelamento, abrigando a relação entre ente (ὄν) e não-ente (μὴ ὄν), fundamento do heraclitiano hen-panta, da harmonia invisível e do contrário que converge, todos hoje malinterpretados sob a moldura moderna da consciência e da dialética.
8. O uso corrente das representações espaciais no pensamento espiritual não capta o essencial, pois o espacial ordinário obscurece o caráter extático da verdade do seer, sendo essa ignorância do espaço e do tempo tão antiga quanto inceptual, responsável por ter deixado sem fundamento a essência da verdade e por ter separado a natureza (Natur) da physis, reduzindo-a à objetividade representacional ou à vaga vivência biológica.
9. A aletheia, mais inceptual que a própria physis, constitui o que há de mais originário no primeiro início, sendo urgente extrair a physis da interpretação metafísica que a subordinou desde Platão, sem contudo cometer o erro de tomar a physis como o começo e atribuir-lhe apenas a aletheia; ao libertar physis e aletheia dos grilhões metafísicos e compreender a historicidade da inceptualidade, a physis revela-se origem essencial da ideia, tornando-se depois “natureza” como domínio mais próximo, constante e mutável.
10. Esqueceu-se que em aletheia o velar (λανθάνειν, lanthanein) é “positivo”, pois o alfa privativo parece dispensar a meditação sobre o velar, ainda que no primeiro início isso seja necessário, já que o emergir e o desvelamento primeiro dão o aberto e este dá o excesso que é a physis, conforme Heráclito.
11. No primeiro início experimentam-se o desvelamento e o velamento da physis como regresso emergente que se mantém constante na presença, sendo a aletheia a essência dessa physis; contudo o desvelado e o velado não são interrogados em seu fundamento, essencializando-se apenas como arché, de modo que o desvelado ganha prioridade na percepção — em Parmênides como tautón, na ideia como visibilidade, na energeia como constância da presença — deslocando a prioridade para o ente sob a aitia e relegando a aletheia ao esquecimento.
12. O verdadeiro designa aquilo experimentado e fundado na essência não reconhecida do verdadeiro, sempre igual enquanto se refere aos entes e permite demorar-se neles, ao passo que a verdade, essencialização do verdadeiro, é rara e a cada vez diferente, brotando da riqueza do próprio seer.
13. O desvelamento é arrancado do velamento e da veladura por meio de luta (πóλεμος), variando conforme o tipo e originalidade em que o velamento e sua pertença ao seer são interrogados, de modo que a mera introdução do termo “desvelamento” não basta para pensar “à maneira grega”.
14. Com a interpretação platônica do ser como ideia, a essência da aletheia é lançada na indecisão, decisão de máximo alcance na história da verdade, através da qual o ser oculta sua essência e o abandono do ser pelo ser instaura-se como maquinação (Machenschaft), sendo o agathón, o “bem”, em sua essência o “mau”.
15. O conceito do aberto (das Offene) é determinação do início já começado, do desvelamento, essência do ser experimentável apenas no saber inceptual, acessível somente ao ser humano histórico cujo perceber alcança o desvelamento, de modo que um ente só é objeto possível (ἀντί) por estar no domínio aberto do ser, domínio negado à planta, ao animal e a tudo que meramente vive.
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o aberto só existe onde o mundo se estrutura como domínio velado e fundado dos entes
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o “sobre e contra” (antí) revela o clarão do entre mais originário
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o animal racional (animal rationale) é ser reflexivo voltado aos entes como objetos
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o virar-se reflexivo do humano moderno deriva da história do próprio ser
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a interpretação rilkeana do animal e do “Anjo” na Oitava Elegia testemunha a modernidade e a confusão entre confinamento e abertura
16. A verdade é desvelamento por pertencer ao ser como presença emergente, e o desvelamento é desocultamento por pertencer à clareira (Lichtung), nome da essência mais inceptual do seer como acontecimento apropriador apropriador (Ereignis), sendo a história a essencialização dessa clareira, pois a história separa mundo e terra e deixa emergir aquilo que deu nome à própria emergência, a physis, hoje oscilando indecisa entre reivindicar-se como totalidade dos entes e negar essa reivindicação.
17. Para os gregos, o ser (physis) decide-se pelo pertencimento do desvelamento ao ser, de modo que ser é emergir no desvelado, e o emergente é a essencialização originária do desvelado, donde derivam a visibilidade, a ideia, a ousia como presença e a entelécheia.
18. A questão de por que e como o velamento precede a aletheia enquanto pertença à physis permanece em aberto, e permanecer-se na errância fora dessa interrogação decorre de considerar já decidida a beingness do ente supremo e as essências do humano e da verdade, quando na verdade o Dasein — que suporta o fundamento abissal — só é conhecido por ser apropriado pelo seer.
19. A verdade como convenientia, concordância da representação com o ente, exige perguntar como o juízo é capaz de tal concordância e como o juízo — asserção, proposição, dirigir-se a algo como algo — surge do Dasein enquanto presentificação de algo como algo.
20. No momento em que a ideia consolida a aletheia contra a qual se ergue, talvez esta já estivesse voltada para o cognoscível (γιγνωσκόμενον), permanecendo obscuro o início a partir de Anaximandro e apenas intuído o caráter abissal da inceptualidade em Heráclito.
21. A aletheia, restrita de imediato ao ente cognoscível, é superada pela ideia, e o agathón incorpora-se à ortotes (ὀρθότης) como estágio preliminar da representabilidade.
22. Compreender o desvelamento como caráter dos entes exige compreendê-lo a partir do ser, mas a pergunta pelos entes enquanto entes ampara-se numa decisão infundada sobre o ser sem que sua essência seja suficientemente interrogada.
23. O agathón designa, primeiro, o que torna todas as coisas aptas à presença e à constância; segundo, o que é próprio dos entes e é ele mesmo um ente para si, o fundamento mais próprio, causa, Deus, o absoluto, condição de possibilidade; terceiro, a luz, o brilho, a visibilidade, o desvelamento na luz — não a abertura-desvelamento; quarto, o traço inceptual encontrado em Parmênides.
24. Já no primeiro início a aletheia inclina-se para o lado do cognoscível conforme sua pertença à physis, embora sua possibilidade essencial alcance mais longe, evidenciando-se no tautón parmenídico contraposto à doxa, no auto-mostrar-se que em Platão corresponde ao pseudos, caminho que entrincheira a ortotes e concede prioridade ao privativo e ao errar.
25. Reúnem-se aqui, simplesmente: em Heráclito, a physis que ama esconder-se (κρύπτεσθαι) e o logos ligado ao humano; em Parmênides, o mesmo (tautón), a aletheia como deusa e o noein-legein do humano; em Anaximandro, apenas o ex-eis, o retorno ao que propriamente é a partir do que vem depois; e, por fim, desvelamento-ser-início.
26. A aletheia como desvelamento do presente determina-se pela interpretação do ser como ousia, previamente como physis, fundando-se sobre a presencialidade; a physis já em relação ao eîdos e experimentada apenas assim (nous-noein), a aletheia já estabelecida — de outro modo seria a clareira “do” acontecimento apropriador apropriador — configura, assim, o eterno retorno do mesmo dentro do primeiro início.
27. O tautón, título do início que deixa surgir, designa o inceptual como reintegração desdobrante e essencialização plena — não identidade do intencionado, nem mesmidade do objeto, nem pertencimento — mas o que precede tudo sem ser o a priori; o desvelamento, presente de modo mais imediato nos entes como coisas contrapostas, essencializa-se como aquilo em que o humano também vem a se colocar, sendo a essência da liberdade derivada da essência da verdade e recuando atrás de toda questão metafísica, inclusive as de Schelling.
28. O tautón, corretamente traduzido como identidade e mesmidade — assim como a aletheia é corretamente “traduzida” como verdade —, designa o pertencer-junto em um, tal que o um, a partir de sua unidade, sustenta essa pertença e a deixa surgir, unificação não como composição posterior mas como reunião a partir de uma reunidade inceptual (logos), que permite ao hen tornar-se e permanecer presente, constância do devir; o desvelamento pertence à presença, ao passo que o desocultamento já é a clareira (acontecimento apropriador).
29. Noûs, logos e psyché opõem-se ao ente e confirmam-se pela experiência dos humanos presentes sob as coisas presentes, deslocando-se na psyché (λόγον ἔχον) a relação ao ser e o próprio ser, permanecendo tudo indecidido no a priori, sem que nem o seer seja interrogado nem o Dasein experimentado.
30. Alcançar agora, pela primeira vez, a constância no Dasein a partir do seer como acontecimento apropriador exige não uma fabricação mas um dizer inventivo do abandono do ser pelo ser — abandono impensável sem o seer, isto é, sem a apropriação —, configurando um infundamento da verdade que funda sem ser mero possibilitar; a essência da verdade, esquecida ou tomada apressadamente como questão de “essência” no sentido de traços gerais inconsequentes, exige experimentar a rara e quase impossível história do seer, ainda que essa experiência se apresente como visão historiográfica do já passado, reduzindo a filosofia a mera sucessão de opiniões pessoais.
31. Não se pode simplesmente dizer “desvelamento” no lugar de “verdade” como se bastasse uma versão melhor ou nova do conceito, e é sempre mais genuíno rejeitar a aletheia como obsoleta e impossível a fazer dela uma “essência” a partir de uma ilusão desconhecida.
32. O fundamento da transformação da essência da verdade — fundamento do infundamento inceptual da verdade — permanece velado a toda metafísica, que jamais o interroga, sendo esse fundamento, o próprio seer, o que determina a essência da história aberta da verdade, sendo esse fundamento o próprio início.
33. A emergência é o retorno a si mesmo do desvelamento do velante, e do velamento provém o desvelamento como acontecer que é o próprio início — o puro “que” do início —, sendo o infundamento da aletheia o arrancar desta da physis e sua transferência ao logos, no que é desconhecida e esquecida como fundamento e domínio de clareira, exigindo-se que a fundação da aletheia como physis preserve a essência da physis para além do primeiro início.
34. O caráter de clareira transforma-se em presença, e a presença recua atrás das coisas presentes, tornando o ser ideia, sem que o caráter de clareira jamais desdobre seu acontecimento apropriador e seus intermediários, de modo que a emergência, por seu caráter surpreendente, torna-se imediatamente presença, da qual se distinguem vir-a-ser e perecer, contendo aí o genuíno da afirmação de que o ser (physis), presença emergente, é “devir” — já um conceito ontológico a partir da beingness e dos entes, conforme Aristóteles: de um ente a um ente.
35. O desvelamento (aletheia) torna-se assimilação (homoiosis) e esta torna-se correção pela via da história essencial, opondo-se o pervertido ao não-pervertido, o inadequado ao adequado, o inassimilado ao assimilado, o incorreto ao correto, enquanto a inverdade é apreendida como incorreção e a verdade torna-se correção, questionando-se o que se joga, nesse deslocamento, entre physis e aletheia — presença, emergência, autoocultamento emergente, admissão do perverter, intervenção do representar (noein, legein) —, ligando-se essencialmente einai-hen e legein, o logos como reunidade originária e permanência em si mesmo, velamento como desvelamento, o hen à maneira da presença e da clareira.
36. Interroga-se persistentemente a relação do humano ao ser sempre a partir do ponto de vista humano, questão que talvez ainda afirme insuperavelmente a subjetividade, cabendo perguntar, ao contrário, pela relação do ser ao humano, ainda que “nós” só possamos questionar decisivamente a partir do seer, correndo o risco de essa inversão apenas aprisionar no meramente superveniente em vez de libertar para o originário, uma vez que somos sempre os questionadores; decide-se aí se o ser deve ser pensado já não a partir da relação ao humano, mas como essa própria relação, questionamento que surge de uma descoberta e apenas a desdobra.
37. Os “seres” do seer não se compreendem mais a partir da representação de entes como tais e em sua totalidade, mas historicamente na clareira do entre — luta e encontro, decisão mais remota.
38. O primeiro início e a própria inceptualidade só se experimentam pela primeira vez no outro início, mediante atenção ao dito de Anaximandro, Heráclito e Parmênides, atenção que já experimentou a desentranha (Entringung) a partir da qual pensa aletheia e physis; a aletheia não é um “momento” da physis, mas a physis é um desvelamento do desocultamento — desentranha eventual — que se vela no desvelamento como desocultamento e se integra à emergência, de modo que o retorno fica de imediato velado e a mera emergência instala-se na presença, possivelmente no que nunca se põe (τò μὴ δνον); a aletheia, essência do ser, desentranha-se do início, e o ser, seguindo essa desentranha, desentranha-se da aletheia, tornando-se physis em vez de imperar inceptualmente, buscando seu fundamento em noein-legein.
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a essência humana relativa ao acontecimento apropriador permanece velada
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o predomínio dos entes como tais instaura a entidade
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os humanos estabelecem-se na téchne dos entes por estarem consignados ao ser
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o seguimento da desentranha rumo ao avanço encontra-se salvo no agathón e na ideia
39. A experiência dessa desentranha no primeiro início constitui a dor mais remota de sustentar a diferença entre o primeiro e o outro início — não a dor da não-essência do primeiro início, mas a dor de suportar o afastamento no outro início —, sendo o primeiro início (aletheia) infundado, pois ao emergir desentranha-se de seu enovelamento velado que só aparece na experiência do outro início como o inapropriavelmente outro; primeiro e outro início não são dois começos distintos, mas o mesmo agora situado no entre que se abre à experiência como o já passado, e esse soltar-se do enovelamento — não voltado à inceptualidade, mas com caráter de auto-soltura — constitui o fundamento do avanço rumo à metafísica.
40. O um, o mesmo e a aletheia possuem o caráter da desentranha emergente, que não é arrancamento, pois a essência básica (o acontecimento apropriador) permanece dispondo, sendo essa desentranha emergente a própria reunião (logos), mostrando-se a ausência de fundação originária no fato de que apenas o hen emerge e o emergir determina-se como hen — reunião, tomar-junto e um —; em Heráclito, o fragmento mais originário e disponente é o fr. 16, o que nunca se põe, ligando physis-aletheia-lanthánein e exigindo experimentar o início como dizer o acontecimento apropriador, questionando-se com que direito a relação entre ser e pensar conduz o caminho, a partir da queda nos entes própria do humano, remetendo mais inceptualmente a noein-einai.
41. A experiência do primeiro início requer, primeiro, compreender o que são o primeiro e o outro início — este como inceptualidade do não-começado —; segundo, o que é experiência; terceiro, sob qual pressuposto se dá essa experiência; quarto, que toda experiência e não-experiência estão sob sua junção; quinto, que já se refletiu longamente sobre o nomeado aqui; sexto, que apenas um pensar correspondente, na mais remota distância, à essência do pensamento do primeiro início permite esperar experimentar algo, não bastando erudição acumulada para atravessar a ponte decisiva, que não pode ser simplesmente querida e executada pelo humano, exigindo já apropriação e resguardo numa experiência do início velado, conforme o fragmento 18 (τò ἀνέλπιστον); sétimo, melhor começar de imediato, sabendo do caráter provisório da tentativa, sem confusão nebulosa ou pretensiosa admissão de incapacidade, tampouco com pretensão de saber o que aqui já foi pensado; na aletheia habita a desentranha como desocultamento, e nela o noein (noûs) como pertença apreensora; para que ser e verdade se essencializem, ambos devem primeiro desentranhar-se de seu fundamento, questionando-se por que o ser entra imediatamente em relação com noein e logos.
42. O primeiro início não é alcançável “em si” nem meramente intencionado historiograficamente a partir de um ponto de vista arbitrário posterior, sendo recordado no pensar que antecipa o outro início, antecipação que constitui a experiência da história do seer, ela mesma surgida da experiência do acontecimento apropriador apropriada pelo próprio acontecimento apropriador, decisão que cabe ao ser e à sua essencialização, e não a “nós” quaisquer, a menos que sejamos os experimentados.
43. A interpretação precisa incorporar tudo exposto sobre metafísica, entidade, objetividade, unidade, hen, reflexão e negatividade, com o objetivo de mostrar que o primeiro início está fora da metafísica ainda que se torne seu impulso, relação esta a ser pensada sob o aspecto de uma história do ser experimentável a partir da inceptualidade do início, à qual a palavra deve responder.
44. O “é” de seer é usado aqui como verbo absoluto (Zeitwort), palavra do tempo, tal como o tempo ocorre originariamente enquanto tempo-espaço do entre relativo ao Dasein na reviravolta (Kehre).
