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obra:ga70:seysgeschichte

GA70: SEYSGESCHICHTE

  • Perguntar o que acontece na história do Seyn é já pressupor uma diferença entre um acontecer e o que acontece, caindo assim na busca de um ente do Seyn; mas a história do Seyn é o próprio Seyn como história, e o que nela acontece é nada, sendo esse nada o próprio Seyn: o Ereignis apropria.
  • A apropriação toma para si o que ela ilumina como seu próprio: a clareira mesma, que é a propriedade do Seyn; inaugurando, o começo toma a si o que lhe é mais próprio, a despedida, e assim conduz a clareira à sua simples abertura, cuja indiferenciada meio repousa no nada.
  • O começo apropria a essência da verdade e é o vigor do Seyn mesmo que se projeta em seu próprio abismo e dele emerge; o começo é a dignidade, e a dignidade é o simples bastar-se a si mesmo do começo, ao qual estão vedadas a retração e a assimilação porque ele é simultaneamente velamento e doação.
  • A dignidade não age sobre o ente nem obtém de efeitos a própria justificação; ela ultrapassa todo ente e suas possibilidades, fazendo com que cada ente se erga em sua medida, mas tendo igualmente de lhe conceder a possibilidade do desmesura.
  • A dignidade é, em seu ser nobre, sem sinal e é o lugar da pobreza, em cujo vigiar sem privação permanecem recolhidos todo repouso e toda oscilação, toda amplidão e toda proximidade; a coleção originariamente repousada no começo é a libertação na clareira como qual o Ereignis se apropria.
  • A historia do Seyn é a essência da história; mas nessa história originária nada acontece, pois o que acontece é já ente; a história do ser é ela mesma Ereignis e tudo nela tem caráter de evento; ela não pode nem deve jamais ser representada, e o que sempre vale é apenas a indicação para ela como tentativa de preparação da virada do ser-homem ao Dasein.
  • A história do ser não se deixa reconduzir a uma regra; não há nenhum curso segundo uma lei do tipo do passo triplo dialético; mesmo quando se abarcam séculos historicamente, apenas se pressentem coisas mínimas da história, pois ela não consiste num decurso, mas no Ereignis, e seu lugar essencial permanece na inauguração do começo.
  • O Ereignis não é mito, mistério nem destino no sentido causal referente a um ente; a apropriação do Dasein e, ainda mais velada nela, a reivindicação do ser-humano para a guarda da verdade do Seyn preparam-se numa longa quietude e exigem dos preparados a magnanimidade que não se refugia em nenhum ente.
  • O Seyn não é o incondicionado nem o absoluto, tampouco é condicionado pelo homem; a condicionidade permanece estranha ao Seyn; o Seyn é Ereignis no que é próprio, de modo que somente então o ente se ergue para si mesmo e pode usar-se para sua essência; o Ereignis não cria nem faz nada, apenas apropria.
  • A niilidade do Seyn é sua pobreza, e essa pobreza é a riqueza do simples do começo; a seiendade como ideia é o começo da soltura em que o ser se oculta no aparecer e no brilho do aparecer, e essa soltura deve, segundo a essência originária do ser, ir ao extremo da aparência, deixando o ser vigorar seu não-vigor.
  • A história do Seyn não se revelará em qualquer tempo, pois ela apropria a decisão originária entre o Seyn e o ente; sua época é sempre a de uma decidibilidade originária; porque o começo é essencialmente velamento, o mais distante avanço a partir do começo deve trazer o impulso que chama atenção para a decisão.
  • O mais distante avanço é a consumação da metafísica e o que se impõe como organização dessa consumação; essa época seynsgeschichtlich tem sua essência na máxima entrega ao ente, no deslocamento do ser-humano para a única operação do ente e no banimento da verdade do ente para o esquecimento do ser.
  • A rejeição (Verworfenheit) não tem sentido moral; ela significa que o Seyn entregou o ente à sua seiendade, deslocou o ser-humano do lugar de sua essência e o lançou na operação da soberania do homem; a rejeição como entrega, deslocamento e expulsão manifesta-se ao pensador no fato de que um ser-humano não é mais capaz de admitir sua pertença ao Seyn.
  • No tempo da rejeição o pensamento tornou-se calcular e não conhece mais limites; tudo que se conhece e que é historicamente recolhido de pensar e poetar vale previamente apenas como expressão de um ser-humano, e a filosofia dissolve-se em psicologia, isto é, em antropologia do ser-humano.
  • Se tudo é expressão do homem, não há diferença entre a palavra do poeta e quaisquer outras emissões do corpo humano; a consequência disso é que a metafísica da aventura, como nome para a angústia ante o pensar, torna-se o grande barulho destinado a expulsar a angústia abissal por meio do estabelecimento de uma operação de esquecimento.
  • Como o pensar é essencialmente o reconhecimento da pertença ao Seyn, e ao Seyn pertence o nada como o ab-grund do começo, e como ante o nada originário o pensar é lançado na tonalidade da angústia essencial, a angústia ante o pensar é a angústia diante da angústia, e com essa angústia atinge-se o cume da covardia, que é ao mesmo tempo a ignorância do essencial.
  • A história do Seyn é o vigir do Seyn e Ereignis; o historial (das Geschichtliche) não se deixa fixar, não porque o conhecimento fosse insuficiente, mas porque não é nada fixável nem ente, mas o Seyn; o Seyn é apenas pensado no pensar, mas esse pensar não faz o Seyn surgir, e sim é um alcançar apropriado.
  • A distinção entre história e história acontecida (Historie) articula-se em três modos: a explicação historicista, que retrocede do presente ao passado à luz de um presente tido como claro; a fundamentação histórico-mundial, que mostra como uma posição fundamental no ente funda a configuração do ente; e a apropriação seynsgeschichtlich, onde nenhuma explicação é possível e toda fundamentação é insuficiente, valendo essencialmente a rememoração como pré-pensar que prepara a insistência no Dasein.
  • O historismo não consiste em mergulhar no passado, mas na irrestritidade do cálculo histórico para o conhecimento, ou seja, na entrega total ao calcular; esse calcular pode olhar predominantemente para trás ou estar voltado para o futuro, mas em ambos os casos trata-se de pura historização; a história está inteiramente aprisionada na historística e é fabricada pelo calcular.
  • A überlieferung (transmissão) entendida como simples repasse do que se passou e manutenção conduz necessariamente à perda da história, pois bloqueia justamente qualquer caminho para o originário; transmissão verdadeira seria uma entrega (Auslieferung) à inauguralidade, e essa entrega deve apropriar-se a partir do Seyn e como vigir da verdade.
  • A história é o desdobramento da essência da verdade do ser; porque à verdade pertencem desvelamento e velamento, há sempre na história algo aberto e público que facilmente aparece como o único e próprio da história, enquanto seu velamento, que é o traço fundamental, passa por simplesmente desconhecido.
  • A passagem do primeiro para o outro começo exige que o pensamento primeiro retroceda ao primeiro começo por meio da interpretação e avance para o outro; no percurso da transição vigora a reunião do que foi em seu fim e do que vem em sua preparação; Holderlin e a preparação do vindouro constituem o nexo historial singular dessa transição.
  • O impermanente (das Unvergängliche) não é tal porque permanece, mas está fora do transcurso do ente e de sua subsistência; o impermanente comumente celebrado não é senão o mais perecível exaltado; o singular (das Einzige) difere do singular-factual (das Einmalige), que pertence à repetição e é objeto da história acontecida, enquanto o singular essencial pertence à unidade da mesmidade do começo que sempre começa.
  • Começo, avanço, declínio e transição devem ser experimentados sempre de modo originário, nunca como uma sequência desdobrada; a continuidade da história determina-se a partir da singularidade do originário, e o que é cada vez primeiro não se deixa calcular nem objetivar historicamente.
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